Estou de férias. Desenrasquem-se!


"...uma religião em que a divindade deixou morrer o seu (alegado) filho por uma questão de marketing, e detentora de um historial de séculos de intolerância, não será a mais indicada para nos pregar a paz e o amor pelo próximo..."
TheOldman

uma filosofia na vida

a minha filosofia de vida

As coisas importantes da vida descobrem-se numa fase em que a experiência e o tempo vivido permitem reflectir, avaliar, relacionar e decidir. Porquanto nos avisem sobre a relatividade das verdades, permitem-nos decidir. E decidir é importante. Não há muito, descobri: que não gosto de viajar; que gosto das pessoas, de falar, de conviver, dos sorrisos; que é difícil ser protagonista sem atropelar os outros; que é mais intenso o prazer de dar (atenção, carinho, amor) do que o prazer de receber; que, no essencial, o mundo e a vida se estruturam em torno de três eixos fundamentais, que são:

1- Poesia, música e matemática – ver e perceber o belo, cultivar o gosto pelo belo, interrogar e tentar perceber o mundo que nos cerca;

2 - Filosofia – apreender a razão, exercitar a racionalidade; ser racional mas, sobretudo, construir o espaço para a imaginação e construir os dogmas que nos devem orientar.

3 - Ambiente - viver em harmonia com a Natureza, sendo racional e dispensando algumas das, supostas, novas conquistas ou comodidades do progresso e da modernidade, que mais não são do que embustes aos sentidos e profundas acções degradantes do ambiente e comprometedoras do seu/nosso futuro.

Da inter relação de todos estes factores, e da sua adopção de forma harmoniosa, depende o alcançar do equilíbrio existencial. Só resta ensaiar esta fórmula, repetindo o exercício ad aeternum. O homem que se realiza não é o homem que atinge a realização, mas aquele que caminha permanentemente na sua direcção.

mais uma historieta


Terminei hoje um pequeno trabalho que comecei há seis anos. Na realidade, não representa mais do que uns três meses de trabalho a tempo parcial. A dezena e meia de páginas também não encerra mais do que três páginas de escrita inédita, descontadas as citações e transcrições e o espaço ocupado pelas gravuras. Isto é, para produzir um pequeno texto que resume o moroso trabalho de investigação sobre uma associação que perfaz este ano 75 anos de existência, foi necessário tal dispêndio de tempo com as tarefas de recolha de depoimentos orais, pesquisa de fontes escritas, confrontação dos dados e, finalmente, a construção do texto final.

E foi nesse final que fiquei a cismar acerca da produtividade de alguns investigadores que, no mesmo espaço temporal (consideremos os tais três meses), completam o circuito que vai da investigação (documental, imagética, epigráfica, etc), reflexão e formulação de soluções, até à redacção e edição, p. ex., da monografia de um sítio, em livro com mais de uma centena de páginas. Como é, isto, possível? Acaso se produz um trabalho destes como se da escrita de um romance se tratasse?

Concluo, portanto, que faço parte dessa gigantesca mole de incapazes e improdutivos portugueses com os quais este país jamais avançará… em frente.


E em frente… é o Oceano.

Que tristeza sentimos quando nos apercebemos da realidade. Afinal, não passo de um medíocre. Eu, que até sei nadar.

"Roubar ideias de uma pessoa é plágio. Roubar de várias, é pesquisa."
Lincoln Ferreira