A felicidade é um aborrecimento

A felicidade é um aborrecimento! A alegria por si só não é interessante, não tem conflitos. E a literatura faz-se de conflitos.

«O humor, para mim, não tem a ver com riso... É antes um “ponto de vista”. É a maneira como as minhas personagens se relacionam com o mundo, como elas olham para as coisas...E fazem-no de uma maneira humorística para poderem sobreviver.»

«Ele conta histórias da sua vida. Por vezes conta a verdade, outras é um grande mentiroso, mas essa é a sua maneira de lidar com as coisas.»
Lars Saabye Christensen, em entrevista a José Riço Direitinho in Ípsilon – Público 2007.09.21

Sou um gajo tão simples que podia ser uma personagem de um conto de Lars Christensen.



Mais um pequeno exercício de verborreia


Vivemos, hoje, no tempo da Arte. No tempo da acção simbólica. Da acção criativa que busca a totalidade. Nunca dedicamos tanto tempo e atenção à arte como agora. E nunca, antes, tantos participaram na criação artística, como hoje.
Uma dessas manifestações é a Banda Desenhada, ou histórias em quadrinhos. Essa arte sequencial - proposta de síntese entre imagens e textos - despertam a atenção pelo ritmo que conseguem transmitir e, sobretudo, pela "permanência" que a evolução do enredo encontra na continuidade/repetição da matriz iconográfica adoptada.
Tanto a noção de “arte" como a ideia de “artista" são intuições relativamente modernas. Coitado do homem primitivo.


defraudando o ser religioso

foto: "Maria Madalena", de efe


Mais facilmente respeito o que é partilhado/praticado por poucos do que o que é partilhado/praticado por muitos. Os poucos, representam menor perigo. Porque esse respeito não é conquistado nem atribuído, é imposto ou resulta de um acto de submissão.
Durante muito tempo respeitei, pensando que o fazia por razões éticas. Quando percebi que o fazia por submissão, submissão ao poder das massas, reflecti sobre o assunto e conclui que, se respeitava a religião por esta ser praticada por muitas pessoas, também teria que respeitar coisas como o nazismo e qualquer tipo de ditadura. Hoje, já não respeito.
Olhando para o que tenho vindo a aprender, não posso respeitar. E então a religião Católica, o maior embuste religioso e social que o Ocidente conheceu. Não esqueço que atearam fogueiras e, pior, mantiveram sociedades inteiras no obscurantismo e no mais miserável arcaísmo político-social (basta ver a diferença dos países que viveram e adoptaram a Reforma).
A nível religioso não passa de um embuste em que até os fundamentos sagrados foram plagiar aos antigos egípcios (a Santíssima Trindade, a ideia monoteísta, etc - aspectos já ensaiados por outras civilizações antes que Moisés largasse os cueiros). Bardamerda para todas as religiões que pregam a intervenção da Providência Divina e a necessária Resignação dos pobres, desprotegidos, expoliados e maltratados.
Não esqueço o puxão de orelhas que João Paulo II foi dar, no Brasil, aos sacerdotes que reclamavam mais Teologia da Libertação (o Cristianismo a favor dos Excluídos), proibindo-os de exercer cargos políticos (deixando para os corruptos profissionais a gestão da res-pública (?)). Não esqueço estas velhaquices que se fazem a coberto de quem prega o amor pelo próximo.
"...uma religião em que a divindade deixou morrer o seu (alegado) filho por uma questão de marketing, e detentora de um historial de séculos de intolerância, não será a mais indicada para nos pregar a paz e o amor pelo próximo..." - TheOldMan
Eis-nos na Fotografia de Intervenção. Na imagem portadora de mensagem (ainda que a imagem tenha sido, ao longo da história, construída para a massa submetida – Humberto Eco)


(de: comentários inseridos em fotos no CanalFoto em Setembro 2007)