ui, ui... é de ler a entrevista do António Arnaut à Visão


No social, há sinais graves: nos supermercados pedem-se aparas de frango e as marmitas regressaram às empresas...
E aqui em Coimbra há muita gente a ir à sopa dos pobres! Tenho amigos no Banco Alimentar e como maçon sei a que carências a maçonaria tem acudido. Já não é só um problema de pobres, chegou ao empregado de escritório. É uma depressão económica e psíquica que abala os alicerces do País. Sobretudo quando, da parte de quem governa não há palavras de conforto nem um comportamento à medida do que o País precisa. Mesmo assim, há gastos sumptuários, grandes festas e inaugurações.

As pessoas também se endividam em nome de outros «valores»...
A banca tem grande responsabilidade no endividamento. O Governo que assuma a soberania! A banca tem uma função social importante, mas não pode ter lucros fabulosos, quase não pagar impostos, esfolar vivas as pessoas e ainda ir ver se há alguma coisa depois de mortas! No fundo, o capitalismo selvagem gerou novas formas de escravatura. Um país sozinho não pode defender-se disso, mas não me conformo: há uma verdadeira ditadura do capital sobre o trabalho. Nem Salazar permitiu o domínio do Estado pelos capitalistas.
Lerei nas entrelinhas a crítica a uma certa maçonaria que tem sido usada como sede de lobbys de interesses pessoais e corporativos de carácter económico, sob a batuta de "malta do PS"?!

António Arnaut, fundador do PS, ex-Ministro dos Assuntos Sociais e antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, deu uma entrevista à VISÃO em que arrasa Sócrates, acusa Correia de Campos e diz que o PS «perdeu alma e identidade»


resposta a um comentário

(a insistência do obtuso levou-me a recolocar este post em 2007.11.30)


Anónimo disse...

Hoje roubei um naco tempo à minha música para ler o teu Claustro Fobias. Eis a minha crítica simples, não sei de literatura por isso não vale a pena teres medo. Sei que não sou do grupo de pessoas das quais te interessa saber a opinião ou a avaliação do livro.

Morreu uma freira e deixou algumas palavras a serem gravadas na lage tumular da sua campa.
Qualquer coisa como isto:
"Nasci virgem,vivi virgem, entreguei-me a deus, a nosso senhor jesus cristo,e morri virgem". O canteiro olhou para as palavras e começou a gravação. Uns dias depois, alguns familiares e amigos da freira foram buscar a lápide e para surpresa sua estava escrito na pedra, "Nunca fui Fodida". Indignados -Então o que é isto ?
Resposta do canteiro - Era o que ela queria dizer !
Meu caro Castelinho, no Claustro Fobias abriste o cofre das palavras de ouro, consultaste compêndios e manuais, para dizeres que um pobre diabo qualquer fornicou uma freira.
O canteiro foi muito mais prático.
Tenho dito...



Meu caro anónimo.


Se eu quisesse dizer que um pobre diabo qualquer fornicou uma freira, tê-lo-ia dito. Só que o que eu quis fazer foi um exercício de escrita.
Certamente poderíamos reduzir toda a literatura a pequenas e concisas frases, isto é, podíamos varrer a Literatura da face do planeta e do espírito das pessoas – até já houve vários índex e autos de fé aos livros, queimados em fogueiras públicas.
E em certa medida é isso que vai acontecendo. No concelho de Lagos p. ex., ao submeterem-se crianças de um grupo do 1º ciclo a um “trabalho de casa” que implicaria consultar alguns livros, as educadoras descobriram que o auxílio dos pais tinha consistido em consultar revistas de notícias sociais, vulgo revistas cor-de-rosa (c. 50%), jornais (c. 13%), enciclopédias (2%), e os restantes 32% não fizeram qualquer consulta. Ninguém abriu um livro! Provavelmente, não se lembraram da música, ou teriam consultado a literatura inclusa nos CD’s do Quim Barreiros e do Emanuel.
É verdade que poderíamos reduzir o Conto Claustro Fobias a isso, se ao menos estivesse certo. Como erraste no género de um dos intervenientes isso prova que não dominaste a “literatura”. Não compreendeste a coisa. Talvez devido às "palavras de ouro"?!
Meu caro, se reduzíssemos tudo a tão pouco não nos faziam falta poetas, escritores, filósofos…nem músicos, pois bastava assobiar ou trautear uma merda qualquer - bastavam-nos os canteiros de lápides.
O recurso às “palavras de ouro” é uma das condições da Literatura. Marca a diferença entre o homem das cavernas que diz “oinc…oinc” para exprimir um simples “gosto de ti” e o homem culto que diz (neste caso até é uma mulher a dizer):


Sentei-me na varanda dos teus olhos

E fiz um poema ao branco das flores

Foi o poema mais belo que fiz

Não tinha expressões roubadas aos dicionários do difícil

Não necessitou dos pássaros de Llorca

Não falou das areias do deserto

Nem do fogo da noite que arde

Ou de voos envoltos em branco de luar

Tinha a tranquilidade dos eremitas

E o silêncio da tarde onde a tarde se cala

Tinha o fresco da madrugada e o vermelho do sol

Do dia que nasce a esperança que ri.

O poema mais bonito que já fiz

Dizia apenas

Gosto de ti...

(Maria)


Porém, assiste-te o direito e a liberdade de escolheres o “oinc…oinc”. Respeito, mas não partilho a tua opinião. Como já to tinha dito.

:p


Há bons músicos neste país, e, mais acima, este senhor

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu cismo

como é que gente tão socialista
desiste de fazer o socialismo

é querer fazer arroz de cabidela
sem frango nem arroz nem a panela


Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu vejo
que esta grande obra de reconstrução
parece mas é uma acção de despejo
é como para instalar uma janela
atirar primeiro os vidros para a viela

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e penso e vejo de todas as cores
já libertaram pides e bombistas
deve ser para lá por trabalhadores
é como lançar cobras na cidade
e pôr dentro da jaula a liberdade

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e vejo e de ver tiro conselho
aquilo que é mesmo reforma agrária
é para alguns o demónio vermelho
esses querem é ver anjos cor-de-rosa
entre Castro Verde e Vila Viçosa

Eu amanhã posso não estar aqui
mas também, para o que eu aqui repeti...
é que eu não sou o único que acho
que a gente o que tem é que estar unida
unida como as uvas estão no cacho
unida como as uvas estão no cacho

PONTO FINAL


Esta cidadezita é mesmo muito pequena. Vejam lá, que a propósito da edição de um livreco que pretende apenas exercitar a escrita, impedir a continuada revisão do pouco que a incipiente escrituração encerra, estabelecer um ponto de partida no domínio da construção literária para outros voos possíveis, e porque foi apresentado e distribuído a escassa meia centena de convidados, amigos e responsáveis pelo incentivo a escrever e publicar; aos primeiros, porque os amigos servem para aguentar as estopadas, aos segundos porque devem arcar com a co-responsabilidade do resultado desse estímulo – decorrendo o evento nas margens de uma Cafetaria, e não como inicialmente previsto, apenas distribuído mão a mão a amigos e a três ou quatro pessoas cuja opinião técnica me interessa –, fui alvo de rasgados elogios. Assim aconteceu, logo na apresentação (o que é compreensível), mas também num jornal online e, até, entrevistado para uma rádio local. Só num meio tão pequeno um peido fugidio libertado no centro de um arraial popular pode constituir notícia.
Ah! E já me esquecia da referência no blogue local dos grilos falantes, essas consciências anónimas que abnegadamente prestam um judicioso serviço à comunidade – antes preenchido pelas lavadeiras nos tanques de S. João –, vejam lá, que também entendeu prestar homenagem a este sofrível escrevinhador, quase como se de um autor consagrado se tratasse. Bem Hajam! Pois que outra coisa poderei dizer?!
Bem sei que o fundamento destas manifestações se deve às amizades. Essas teias que teimam em ligar as pessoas, sobretudo nestes meios mais pequenos. Lá nisso, é giro. Mas quanto ao resto, ou eu nem percebo o quanto notório sou, ou a malta não tem mais nada para fazer ou de que falar ou… tá tudo doido.
Outra coisa que me deixa suspenso é o facto de algumas pessoas não acreditarem nesta coisa do exercício. Acham que é modéstia, que aquilo até é uma coisa muito porreira, etc e tal. Tão doidos!
Também já me ocorreu que alguns poderão pensar que é desculpabilização. A escrita é insignificante e o gajo, para se safar, diz que é apenas um exercício. Também estão doidos, está claro – que isto, quando ataca, é geral. O conto, se assim se pode chamar, é, não só uma escrita à margem - à margem de outras escritas a que dedico mais atenção -, mas um conjunto de quadros inicialmente desconexos que, depois, ganharam alguma ligação, embora mantendo vincadas incongruências - propositadas umas, involuntárias outras. É uma escrituração inserida no mesmo ciclo de exercícios que incluem as outras escritas que prossigo, no intuito de melhorar a forma. Pode ser que algum dia escreva algo verdadeiramente interessante mas, para isso, terá que ser redigido em feitio que me agrade (chegada à que gosto de ler nos escritores que admiro).
Mas, mais insólita, é a suspeita de que há ainda uns outros que pretendem vislumbrar ali, no livreco, empreendimento medonho: algum ataque, ou preparação de ataque, a terceiros ou a eles próprios. Ora, eu, que sempre consegui rir de mim próprio, das minhas patetices, das situações que as originaram e dos resultados que daí advieram - neste particular só sou diferente da maioria, na medida em que sou capaz de soltar esse riso, já que em termos de produção patética, por mais que me esforce, não consigo destacar-me dos demais, eles é que não têm consciência disto mas, adiante, ou não acompanho com os dedos no teclado o enfileirado de palavras que brotam não sei de onde. E então, havia de escrever e publicar algo para atacar terceiros? Com que propósito? Acertos de contas com gente que errou, talvez gente perversa e velhaca? Ora, isso seria dar maior importância a essas pessoas. Insanos, esses temerosos, pois claro.
Pois claro que a escrita do Claustro Fobias é uma preparação para outros “ataques”. Atacar a folha em branco, decorá-la com imagens desenhadas pelas palavras. Integrar num simples dado histórico, numa historieta, num aforismo, num incidente, elementos biográficos, um poema, o significado de um gesto ou de um olhar e muita, muita imaginação. Mas, tudo isso só tem valor, se estiver bem escrito. E para lá chegar preciso burilar estas construções. Gostam desta forma de escrever, gostam? Pois, eu não. Isto não me chega. Nem se aproxima daquilo que gosto de ler.
PONTO FINAL… temporário
;)

Os 5 (e o cão) no meu blogue

Respondendo ao repto que o Arion do blogue O Exilirado me lançou, indico 5 livros da minha vida.

Eleger terminantemente os 5 livros da minha vida seria tão estúpido como eleger o Maior Português de Sempre. Nem percebo o que andou o Helder Macedo a fazer por lá, não pertencia àquela trupe de idiotas.

Agora são estes 5 e mais tarde seriam outros 5 diferentes. Mas cá vai.

fase juvenil: O Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de Vasconcellos
fase adolescente: O Despertar dos Mágicos - Louis Pauwels e Jacques Bergier
fase pré-adulta: Delta de Vénus - Anaïs Nin
fase adulta: O Arranca Corações - Boris Vian
fase senil: O Poema de Gilgamesh - (dum gajo de há 5 mil anos, certamente com graves problemas de cópula)

Porém, pela parte que me toca, esta coisa morre aqui porque não alimento cadeias de futilidades. Estou mais preocupado em continuar debruçado sobre o meu umbigo. Função para a qual edifiquei este blogue, com muito saqué, suor, e lágrimas... de riso.
E tudo isto porque não há um humorista capaz nesta treta de país. Fadistas, há-os para dar e vender, alguns palhaços, muitos actores de comédia mas humoristas a sério... népias.

Mistérios do Universo

Serão sempre mistérios insondáveis, autênticos enigmas que envolvem a tragicomédia caseira de um gajo a tentar evitar sujar-se com pingos de qualquer acepipe fluído. Nunca entenderei isto. Acho, mesmo, que a compreensão de tais mistérios nunca estará ao alcance dos homens. Não estamos preparados para tanta sapiência. Mas, se conseguíssemos atingir esse conhecimento, acredito que alcançaríamos a chave de todo o saber e, muito provavelmente, a revelação de que o Universo não é o imenso paradoxo que afigura. Daí, manter-se tal segredo na posse exclusiva do demiurgo. É compreensível.
Juro que desta vez tive cuidado! Fui previdente. Retirei as amoras da tigela grande com todo o cuidado, usando uma colher de sopa, e transportei-as aos pares, em deslocação a baixa altitude, para uma taça de vidro colocada ali mesmo ao lado – reparem que escolhi o vidro para poder vigiar in extremis toda a operação. Desta vez, fiz tudo como deve ser. Recolocada a tigela no frigorífico, peguei na taça repleta daquelas pseudobagas, que mais não são do que dezenas de drupas agregadas, muni-me de um garfo de sobremesa – resistindo ao impulso de espetar algumas pelo caminho –, e voltei para defronte dos computadores. À medida que a conversa com o Armindo ia decorrendo no Messenger, lá me ia regalando com o intenso sabor dos minúsculos e negros frutos, indiscriminadamente trespassados pelo subtil garfinho. De repente, uma ideia assaltou-me, e, com ela um arrepio percorreu-me a retaguarda. Ah… ah… ergui os braços, evitando tocar no quer que fosse, levantei-me e encaminhei-me para a casa de banho. Sem parcimónias recorri ao gel mais dispendioso que por lá havia e lavei as mãos meticulosamente. Despi a camisa do pijama de Verão e regressei com um sorriso triunfal à cadeira de empreita que serve o serviço computacional. Agora queria ver como é que o raio das amoras me iam tingir a roupa. Hehehehe… Tinha-as lixado. Confiante, retomei o ritmo das opíparas garfadas.
Nem demorou dois minutos, ou umas cinco linhas do diálogo acerca das críticas à minha recente publicação – sim, vai ser lançada na próxima semana mas já conta com recensões de insignes literatos. Mas quais dois minutos? aquilo foi só o tempo de reposicionar no cérebro as coordenadas dos caracteres do teclado e, quando confirmava que o “f” se encontra entre o “d” e o “g”, deparei com dois malditos pingos na barra de espaços. Arregalei os olhos e suspendi toda a actividade digital – e desconfio que, cerebral também. Horror dos horrores, ao varrer, em rápida panorâmica mental, o tabuleiro alfabetiforme, descobri mais vestígios da penetrante tonalidade arroxeada. Desta vez eram traços imprecisos, como micro rastos, plasmados em mais umas tantas teclas. Olhei para os dedos e fiquei completamente estupefacto. Estavam sujos! Mas como, meu Deus? Como, se nem toquei no raio das amoras? Absolutamente atónito, demorei no regresso ao mundo do teclado e dos dedos maculados e da conversa a que tardava responder. Isto não é possível! Isto não está a acontecer.
Vocês compreendem o meu alvoroço, não?! É que nódoas de amoras, romãs, nêsperas e coisas que tais dão direito a imediata discussão com 50% da camada associativa, qual estardalhaço em assembleia de sócios do Benfica. Mas eu continuava a não perceber como acontecera aquilo. Um relâmpago de lucidez, a experiência da meia-idade, o bom senso, ou a prudência, ou tudo isso nas doses certas, ditaram uma retirada táctica para a cozinha. Não sem antes explicar ao interlocutor internauta o desastre ocorrido – com consequente agravamento dos resultados, pois ainda espalhei a moléstia por outros caracteres do tabuleiro plástico.
Claro está que conclui o consumo das amoras dobrado sobre o balde do lixo. Com os poderosos detergentes da cozinha procedi à remoção das marcas da maldita tintagem e desisti de repetir a dose – contrariando os planos iniciais -, optando antes pelas uvas, fruta mais pacífica. Ah… mas muito mais pacífica, mesmo, meus senhores.
Retornado aos computadores (no plural, pois, de facto uso dois desktops, um para a net e o outro para os trabalhos fotográficos e textos mais sérios). O segundo choque gastronómico da noite sobreveio quando deparei com um estranho olho que me observava a partir da parte central dos boxers apijamados. Ali estava, um ser ciclópico de olho escuro mirando-me a partir de uma posição geográfica notoriamente particular e íntima, como uma malha de circunferência perfeita, uma mancha, um borrão, uma mácula… UMA NÓDOA DE AMORA!!!
Não sei o que é que vocês acham, mas eu estou convencido que ontem à noite aconteceu qualquer coisa estranha no Universo.

os pidescos e a bufaria

O Vítor Dias, do blogue "o tempo das cerejas" junta-se ao coro de vozes que denunciam algo de muito vergonhoso que vai lavrando pelo país, aqui. Pergunto-me como seria, se tais actos fossem protagonizados pelos social-democratas do PPD-PSD. Caía o Carmo e a Trindade? Bloqueavam-se pontes? Assistiríamos a uma insurreição popular? Será que ainda são necessárias mais provas de que vivemos numa das mais abjectas oclocracias?