o amor já não é o que era


Caro Dr. Coração:
Gosto de um rapaz que tem namorada, eu e uma amiga minha já gostamos dele ao mesmo tempo mas acabou muito mal a história.
Não sei porque é que dizem que o amor é bonito entre duas pessoas. Pessoas que se podem completar com uma só palavra, o que é muito bonito num mundo de sonho de fantasia, mas em um mundo real é tudo menos bonito.
Não sei se ainda acredito que alguém um dia me possa amar e ficar comigo, só sei que por amor já sofri muito. Tive um namorado que me apostou, traiu-me com a minha melhor amiga na altura, e (...) eu acreditava que ele era o homem da minha vida.
Mas estava a viver no meu mundo de sonho onde tudo é muito bonito e que eu sou correspondida por quem eu gosto. (...)
Eu agora gosto de um rapaz o problema é que ele não gosta de mim, eu sonho acordada, mas penso será que ele é igual ao meu ex e tenho medo deste sentimento que tenho dentro de mim. Tenho medo até de demonstra-lo.
O que é que eu posso fazer para conquista-lo. Por favor ajude-me. Será que o problema está em mim?
Inês.

Alguém pode dar uma ajuda à coitada da rapariga? Um bom conselho?

Quem foram os professores destes políticos?

Havia os que queriam ser aviadores, médicos, condutores de máquinas pesadas, pescadores e eu, que queria ser professor ou escritor – convém referir que elegíamos sempre uma alternativa à preferência principal, eis como o Paulinho, que sonhava vir a ser médico, não enjeitava a possibilidade de trocar o prontuário farmacêutico pela consola de comando de uma grua da construção civil. Era assim nos tempos da infância.
A panca de vir a ser professor foi-se atenuando com o passar do tempo e o contacto com esses espécimes enjaulados que, estoicamente, insistem nessa estranha missão de tentar ensinar qualquer coisa de útil ou importante aos infindáveis exércitos de térmitas que frequentam a instituição escolar. E o sonho eclipsou-se aí pelos finais dos anos 70, quando passei a sentir pena pelos professores. Quanto à alternativa, manteve-se como sonho até ter descoberto, em tempos mais recentes, que se pode escrever sem ser escritor. Escrever, simplesmente, passou a ser o meu desígnio.

Mas voltemos aos professores e à situação a que aqui venho dar eco, alfinetado pelo silêncio culpado. Parece-me uma causa justa mas, não conhecendo os meandros do assunto, já que sou apenas um indolente bate-chapas, opto por deixar aqui o eco, sem mais comentários, dirigido aos meus oito leitores habituais.

Professores trabalham mas não recebem. Leiam aqui. Já não fico admirado com o rumo que este país leva mas assusta-me a possibilidade de, qualquer dia, deixar de ficar revoltado com estas coisas.