A Bíblia - um espectáculo hilariante

“A Bíblia - Toda a Palavra de Deus (sintetizada)” de Adam Long, Reed Martin e Austin Tichenor, pela Companhia Teatral do Chiado, numa encenação de Juvenal Garcês.
«Representações a uma velocidade de cortar a respiração de João Craveiro, Paulo Duarte Ribeiro e Tobias Monteiro, desmistifica sem desrespeitar e parodia sem satirizar algumas das principais questões suscitadas pelos textos sagrados e pelo cristianismo, pedindo apenas ao público uma "suspensão da seriedade e uma entrega sem pudor ao discurso humorístico da obra, à genialidade da encenação e à qualidade irrepreensível das interpretações"» in http://www.companhiateatraldochiado.pt/
Espectáculo em tudo superior ao das “vedetas” que, na semana anterior, não foram mais de que um pálido arremedo dos monty pyton.

as reformas

Sujeitos a um sistema de avaliação criado para resolver um problema de despesa pública, e não para os avaliar, os funcionários públicos são, mais uma vez, os bombos da festa. E no privado, muitos trabalhadores aplaudem satisfeitos por, finalmente, esses privilegiados da função pública verem também, agora, o seu futuro mais sombrio. Esquecem-se, estes, que, se até hoje os patrões não lhes cagaram em cima, isso deve-se ao facto de os níveis de remuneração e “regalias” da função pública se ter estabelecido como termo comparativo. A partir de agora, valendo um emprego o que vale na função pública, não esperem os “da privada” quaisquer melhorias, antes pelo contrário. Dissolve-se o termo de comparação e, com ele, as últimas peias impeditivas das vampirescas orgias do patronato.
Muito mais haveria a dizer sobre as (i)lógicas dos sistemas de avaliação impostos pelo Governo, de que o caso dos professores é mero exemplo, mas não já me parece produtivo citar, recitar, brandir e esgrimir razões, fazendo coro com a vasta miríade de bloguistas que emprestam o seu tempo e a sua pena a tais objectivos - sendo certo, ainda, que muitos o fazem melhor do que eu, e com mais propriedade. Já nem vinga a convicção de que quantas mais vozes a bradar, mais claro e longe se ouve o brado. Antes pelo contrário, desconfio. Coisas da inflação discursiva? Por isso, silencio a decepção, o descrédito e a desesperança no país, nestes políticos, na democracia, na república, no regime. E mais palavras para quê, se a poia não deixa de ser merda, mesmo sinalizada na axadrezada e puída calçada portuguesa em que diariamente arrastamos os pés?!

no dia das bacantes

Uso da burka ou do niqab proibido no Algarve.
«Faço saber que pelo regulamento policial d’este Governo Civil, de 6 do corrente mes, com execução permanente, aprovado pelo governo, determino o seguinte:
Artigo 32º – É proibido nas ruas e templos de todas as povoações deste distrito o uso dos chamados rebuços ou biôcos de que as mulheres se servem escondendo o rosto.
Artigo 33º – As mulheres que, nesta cidade, forem encontradas transgredindo o disposto no precedente artigo serão, pelas vezes primeira e segunda, conduzidas ao comissário de polícia ou posto policial mais próximo, e nas outras povoações à presença das respectivas autoridades administrativas ou aonde estas designarem, a fim de serem reconhecidas; o que nunca terá lugar nas ruas ou fora dos locais determinados; e pela terceira ou mais vezes serão detidas e entregues ao poder judicial, por desobediência.
Parágrafo único – Esta última disposição será sempre aplicável a qualquer indivíduo do sexo masculino, quando for encontrado em disfarce com vestes próprias do outro sexo e como este cobrindo o rosto.
Artigo 34º – O estabelecido nos dois precedentes artigos não terá lugar para com pessoas mascaradas durante a época do Carnaval, que deverá contar-se de 20 de Janeiro ao Entrudo; subsistirão, porém, as mesmas disposições durante a referida época, em relação às pessoas que não trouxerem máscara usando biôco ou rebuço.

Artigo 41º – O presente regulamento começa a vigorar, conforme o disposto no artigo 403º do código administrativo, três dias depois da sua publicação por editais – Governo Civil de Faro, 28 de Setembro de 1892. – Júlio Lourenço Pinto.»