A situação política do país caminha para um desfecho dramático e se não acontecer algo assim nas próximas eleições, bem poderá acontecer nas seguintes ou antes disso.
Há três cenários governativos para Portugal:
1- PS ou PSD a governar, com ou sem CDS. É apenas mais do mesmo que já experimentámos.
2- PS, PSD e BE (os três maiores, reflectindo várias tendências, como resposta a um cenário de ausência de maioria unipartidária). O país deixa de ser “governável” nos moldes em que tem vindo a ser, isto é, em que os que estão no governo se governam. Esbatem-se ou desaparecem as arbitrariedades e prepotências do sistema governativo unipartidário. A imprensa e a opinião pública recuperam alguma liberdade perdida. Maior liberdade, mais fiscalização da imprensa e do público, mais transparência, resultam em factores que inibem os desmandos dos governantes e dos caciques locais.
3- Não há entendimento político e nenhum partido consegue governar pelo que resta a opção de governos minoritários extra ou supra-partidários de iniciativa presidencial com, ou sem, a presença de militares.
Entre as três, venha o diabo e escolha, pois que todas resultam da incapacidade dos portugueses em construir e manter uma democracia. Porém, ainda assim, prefiro experimentar a 2ª.
Há três cenários governativos para Portugal:
1- PS ou PSD a governar, com ou sem CDS. É apenas mais do mesmo que já experimentámos.
2- PS, PSD e BE (os três maiores, reflectindo várias tendências, como resposta a um cenário de ausência de maioria unipartidária). O país deixa de ser “governável” nos moldes em que tem vindo a ser, isto é, em que os que estão no governo se governam. Esbatem-se ou desaparecem as arbitrariedades e prepotências do sistema governativo unipartidário. A imprensa e a opinião pública recuperam alguma liberdade perdida. Maior liberdade, mais fiscalização da imprensa e do público, mais transparência, resultam em factores que inibem os desmandos dos governantes e dos caciques locais.
3- Não há entendimento político e nenhum partido consegue governar pelo que resta a opção de governos minoritários extra ou supra-partidários de iniciativa presidencial com, ou sem, a presença de militares.
Entre as três, venha o diabo e escolha, pois que todas resultam da incapacidade dos portugueses em construir e manter uma democracia. Porém, ainda assim, prefiro experimentar a 2ª.
3 comentaram:
Puxa! e sou eu o céptico, o pessimista!!! vou ali e venho já.
Agora a sério
Se (como me parece) você me vem lendo (espero que com atenção) perceberá porque é que percebendo-o não o acompanho.
Você presume que, face ao abismo,a malta se vai precipitar no abismo. Ao invés, eu, estou em crer que o que estava a fazer falta era precisamente isso: estarmos, sem poder olhar para trás, face ao abismo.
Por duas razões: uma endógena outra exógena.
A nossa - acredito que por enquanto não estamos capazes de confirmar a tese suicidária colectiva de Jared Diamond n'O Colapso. Nem temos a dimensão para tanto nem - esta a razão exógena - os outros nos deixavam.
É um acto reflexo e sistémico.
A virtude de estarmos sem retorno possível face ao abismo, julgo eu, nos levará a nestas eleições a decididamente, no instante de votar, cada um de nós cairmos na real e fazer uma espécie de acto de contrição assim como um regresso aos fundamentos das coisas, do género:
"eu gostava muito de ter o TGV e o maior aeroporto do mundo e ... mas, espera aí!, e depois? vou ganhar para comprar o bilhete para andar no TGV ou vou limitar-me a vê-los embarcar sentado no meu sofá?"! e, puxa!, já estou com 45 anos e a minha reforma, daqui a quinze anos, dizem os gajos todos, que vai ser mais pequena e ... a minha saúde, e os meus filhos e ...
às tantas será melhor apostarmos numa rede de assistência médica muito mais operacional e capaz em qualidade e quantidade e ..."
uma espécie de confronto elementar e primordial tão glosado em macro-economia: queremos mais canhões ou manteiga?!- isto tem que ver com o custo de oportunidade e com os efeitos marginais.
Este tipo de raciocínio digamos elementar, mas vital estou em crer que vai pesar muito. Se assim fôr ainda bem até porque, e isso não tem sido discutido publicamente por quem devia (mas que eu, coitadinho, tenho procurado fazê-lo à medida das minhas possibilidades) há outras questões vitais por baixo destas:
ainda ninguém me provou que os outputs advenientes de políticas de fomento, como as que estou a pretender referir serão, em termos económicos, muito mais profícuos que os outros.
De uma coisa tenho a certeza:
os inputs financeiros são muitíssimo menores assim como os outputs que os há obviamente, e são muitos, são politicamente menos vísiveis.
Faço figas para que seja eu a estar certo.
Receba meu amigo um grande abraço
David Oliveira
Caro David Oliveira,
«...face ao abismo,a malta se vai precipitar no abismo». E que tem feito a malta sempre? A malta tem reagido racionalmente? A malta está informada ou procura, minimamente, informar-se? A malta tem-se deixado manobrar sempre. Não confundamos a consciência de meia-dúzia com a inconsciência da malta. Digo eu, que trabalhei em duas campanhas eleitorais.
Não conheço a tese suicidária do Jared porque não li O Colapso, mas parece-me que a malta também não leu, e nem se apercebe da proximidade do abismo. Para os portugueses as coisas podem estar mal, mas há sempre um mal 'do outro' que é pior que o nosso. O outro é que estará à beira do abismo, não nós (é a tal inconsciência).
«Os outros não deixavam». Quer-me parecer que os outros estão demasiado preocupados com os seus problemas, para darem atenção e segurarem o indigente suicída do bairo de lata.
«nos levará ... no instante de votar, cada um de nós cairmos na real e fazer uma espécie de acto de contrição». Pois, é justamente nisso que não acredito.
«queremos mais canhões ou manteiga?!- isto tem que ver com o custo de oportunidade e com os efeitos marginais.
Este tipo de raciocínio digamos elementar, mas vital estou em crer que vai pesar muito.» O amigo David não é um céptico nem pessimista. É antes um homem de grande fé.
«ainda ninguém me provou que os outputs advenientes de políticas de fomento...» Nem o provaram a si nem a ninguém. Mas se essa ausência de prova fosse elemento valorizável pela malta, eu partilharia o seu optimismo. A carneirada vai atrás do chibo-mór para onde o moiral e os cães de pastoreio entenderem.
O meu mais profundo desejo é estar redondamente enganado.
Saúde, e um abraço.
Pois, os Sociais Democratas do PSD e do PS só têm feito merda, agora só lhes resta sacudir a trampa seja em que direcção fôr.
Haja saúde.
Aguardente
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