Manifesto anti-uma-merda-qualquer

Mas porque razão quereria eu ser doutor, se nunca levei completamente a sério o estudo académico?! Sou um tipo indolente, e é verdade. De inicio, avancei para um curso apenas para me posicionar dentro da academia para, eventualmente, passar para Antropologia Física, quando tal curso existisse. Oh! Como eu admirava as ossadas de antanho. Mas isso foi aí por 1994, no século passado, coisa remota. E quando, finalmente, surgiu em Portugal foi com a denominação de Antropologia Biológica e como pós-graduação da Biologia. Debalde, para esse propósito, eu frequentava História. E a razão para ter escolhido História prende-se com o facto de achar interessante tentar perceber como chegámos ao que chegámos e somos o que somos; a par da expectativa de converter dados históricos em matéria de ficção, um dos meus interesses literários.

Porque razão desejaria eu ser doutor, se este país é gerido por mais de 90% de indivíduos com curso superior - muitos deles com mais do que a licenciatura -, e é tão mal gerido?! Porque raio cobiçaria eu integrar essa massa de “doutas figuras”? E como se isto não bastasse, verifico existir um preocupante grau de iliteracia nas fileiras dos licenciados nas últimas décadas. Ora, porque procuraria eu identificar-me com tal gente?

Não faço o mínimo esforço para concluir um curso superior. Já o Bacharelato foi um acidente, soprado por boca vizinha que, embora inscrito numa licenciatura podia requerer o diploma de Bacharel, até porque iam alterar os cursos para os adequar a Bolonha, e coiso e tal e não sei que mais. E assim aconteceu, pedi o papel e venderam-mo.

Em Portugal, a massa crítica graduada divide-se em dois grandes grupos. Os que enveredaram pela política e pela gestão das coisas públicas e acabaram por render-se ou pactuar com a desonestidade e a corrupção, alcandorando-se aos poleiros e gozando mordomias que habilmente subtraem ao erário público; como diz a canção, transformaram-se nos chulos da nação. E os outros, os que procurando preservar a sua honestidade se remeteram ao silêncio, exilando-se em ilhas de cinismo esclarecido e em cátedras do universo académico cuja força centrípeta lhes garantiu o almejado isolamento desse corrompido mundo exterior. Por ironia do destino, ou mais exactamente resultado das implosões económicas, já não conseguem fruir desse isolamento, e hoje apresentam-se de fato domingueiro, despertando, de olhos esbugalhados, para a realidade feia e crua que não quiseram afrontar e derrotar em devido tempo.

Portanto, na década das novas oportunidades, aproveito para fazer o mais difícil, continuar a estudar ao meu ritmo (de autóctone da orla mediterrânica, e sujeito ao seu específico factor psicossomático), e rejeitar currículos e títulos académicos, ao invés de pastar nesse vale didascálico improfícuo que transformou as casas de conhecimento em hiper-mercados de diplomas e certificados.
Portanto: - Abaixo, porra! Abaixo uma merda qualquer!

P.S. : - E há por aí tanta dessa merda qualquer.

P.S.2: - Há quem me considere um bom fotógrafo, e até nem serei o contrário mas às vezes atraso-me, é raro mas acontece, e os modelos… bem… alteram-se com o tempo, como o da foto.

P.S.3: – PS2 não é uma consola de jogos? Abaixo essa merda também. Os putos ficam parvos com isso.

4 comentários:

Anónimo disse...

Estou completamente numa concordância desconcordante com o que escreveste. Mais concordante no "Abaixo Qualquer Coisa" e mais discordante na questão académica que, por ser académica, será sempre académica.

David Oliveira disse...

Bem! meu amigo,
depois de saber que teve o privilégio de estrear aqueles seus pneus "X$%&/", e apanhar ar fresquinho não podia esperar outro tipo de "nota". Com a qual estou de acordo, aliás.
Também se tivesse um motoru, e o mesmo pudesse fazer, com certeza que antes, durante e depois me estaria a cagar para o resto.Bom proveito lhe faça!Desfrute!
quanto ao mais é que isto de expôr ideias em um meio destes tem muitas compliocações a dessas a mais difícil de contornar é a o espaço estreito. Não fica sempre, mas sempre, com um sabor de "um gajo quer dizer e por mais que alinhe ou desalinhe fica sempre algo por dizer/explicar?" e então se se considerar que quem lê, lê os dois primeiros ou três primeiros posts (e se não forem extensos) e faz um juízo e partir disso é uma tortura.
Só a questão do autodidactismo -décadas a fio usado pejorativamente com um único fito: o de menorizar, menosprezar quem ao ensino superior não acedeu - esse termo distintivo para os que, por cretinice pura,o usavam para separarem o joio, deles.Enfim...
Abraço
David Oliveira

francisco disse...

Meu caro amigo fotógrafo, professor e anónimo Francisco: Pois claro, é da sua própria natureza académica ser...académica. É como a distância mais curta entre dois pontos, ou seja a linha curva - pois que se inscreve num espaço que é curvo, por natureza.

Abraço.
;D

PS: - já li no coment, à foto no Canal, que querias dizer "abaixo uma merda qualquer" mas escreveste "qualquer coisa".

francisco disse...

Mau caro amigo David, hoje é que lá fui experimentar os pneus mas ainda não consegui curvar à velocidade necessária para limpar a goma da parte lateral do pneu mais novo. Ia com companhia mais lenta, não pude "esticar". Efectivamente, tal como um bom passeio em veleiro, uma corridinha de mota também é boa terapia, e areja a mioleira, hehehehe.

Obviamente, a leitura em voragem vertiginosa que a NET impulsiona transforma-a num meio pouco indicado para obter a fermentação que os conteúdos deviam produzir. Arriscamos ficar pela superfície, ou pela lateralidade, sobretudo quando o assunto requer textos mais extensos.
Enfim "entre mortos e feridos alguns hão-de escapar!".

Neste link estão algumas fotos de hoje:
http://fotografia.fcastelo.net/main.php?g2_itemId=28447

Abraço.
F.Castelo