uma opereta da treta



Tudo isto é caricato. Caricato e grotesco para os próprios funcionários públicos que, sendo trabalhadores cumpridores, não se revêem nestas “reivindicações” apalermadas que se assumem como queixas imbecis acerca da natureza do trabalho – que é mesmo assim, e sempre foi.

Como funcionário da administração local acho inadmissível a sátira ao munícipe que quer ser atendido pelo vereador mas recusa dizer qual o assunto que pretende tratar. Será aceitável satirizar o munícipe desta forma, mesmo que muitos cheguem aos balcões das autarquias com atitudes menos correctas, por vezes equivocados acerca do papel da autarquia ou de determinado procedimento administrativo?

E o “o privado é apressado/ o projecto nem entrou/ e já o quer aprovado…”
Então o funcionário público não está lá justamente para ajudar, para informar, para corrigir?! E a ocorrência destas atitudes, destas atenções, é alvo de lamentação por parte do funcionário público?

As reivindicações salariais e profissionais dos funcionários públicos são tão legítimas como quaisquer outras mas têm palcos e formas próprias que, certamente, não incluem uma paupérrima ópera bufa de duvidosa qualidade, e dúbio entendimento por parte de quem vê esta peça. Qual é a sua finalidade? Convencer o público de que os funcionários públicos se afadigam diariamente no seu trabalho? Ou evidenciar o inverso, nomeadamente por demonstrar que têm muito tempo livre para estas pantominas, assim como disponibilidade de meios técnicos e logísticos que incluem instalações da autarquia; no caso o próprio edifício dos Paços do Concelho de Portimão?

E para cúmulo, estes funcionários públicos insurgem-se contra as críticas que são feitas à Função Pública, como se esta não fosse passível de tal, como se os seus agentes constituíssem uma classe profissional à parte, irrepreensível: «...tantos (?) dos privados/ que mais valia era estarem calados/ mas só falam mal de ti”

Finalmente, imprudentes, assumem um papel e uma responsabilidade que não é apenas sua. Que não é, sobretudo, sua. Hoje, quando se critica a função pública, e é bom não esquecer isto, critica-se a atitude, a orientação e a política traçada. São esses os factores que condicionam a actuação de toda a estrutura e que têm responsáveis bem definidos e identificados fora do universo dos profissionais da Função Pública. Ou os funcionários da Câmara Municipal de Portimão querem enfiar a carapuça dos políticos, das chefias locais, regionais e nacionais? Perderam a cabeça, foi?!

Se querem explorar a veia artística dediquem-se ao teatro, à ópera, ao que quiserem, mas não façam esta triste figura que, no caso presente, só envergonha os funcionários da administração local.

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