O velhaco...é velhaco

O velhaco não quer ficar na história como o odioso governante que conduziu o país à desgraça. Ainda que não seja o único culpado, porque atrás dele andam milhares de outros velhacos, corruptos, chulos, e delinquentes de vária espécie que parasitam o Estado e delapidam a produção do país - criminosos que deviam estar atrás das grades -, ainda assim o velhaco é o pior de todos, porque é um ser sem um pingo de ética, sem qualquer resquício moral.

Agora, o velhaco orquestra vozes dissonantes, no ministério, no parlamento, nos jornais, encomendando discursos de salvífica coligação partidária, como desenlace de emergência para a crise que os pulhas e velhacos como ele criaram e replicaram pelo globo, e que ele magistralmente alimentou e ampliou em Portugal. Ansiosamente, o velhaco quer diluir a responsabilidade e arregimentar outros que partilhem culpas, mantendo impoluta a sua probidade. Eis o velhaco, um ser perigoso que devia receber o tratamento usado na antiguidade. Em público, perante os ofendidos, e para que as crianças vissem, aprendessem e não esquecessem o trato devido aos criminosos da res pública, governantes corruptos e hipócritas – sem esquecer a presença dos seus sectários, agora dos mais lestos a arremessar-lhe os lapidares paralelepípedos da calçada, ainda, portuguesa.

O velhaco conseguiu reabilitar e entrincheirar na vida pública hodierna um dos mais velhos sentimentos da humanidade, contra o qual luta a civilização e a cultura: o ódio, fermentado na impotência dos humildes, no desespero dos honestos, na raiva dos conscientes e no coração dos anónimos que trabalham todos os dias gastando coiros e empenhando alegrias para sobreviver e sustentar a prole. O velhaco não será esquecido.

1 comentário:

Francisco L disse...

Não estou a par ruído mediático e das desgraças que nos são presenteadas nos últimos tempos, sofro com esta musica. Sou quase como o Woody Allen, que quando ouvia Wagner dava-lhe vontade de invadir a Polónia; eu não tanto, mas quando oiço musica pimba dá-me logo vontade de comer uma sopeira. E olhando para mim (e para nós) sinto que vivo no País mais provinciano da Europa.