Passos Coelho 17 – Fernanda Câncio 3

Passos a passos
por FERNANDA CÂNCIO

(Fernanda Câncio, denunciando as pretensas demagogias de Passos Coelho, através de citações do então líder da oposição e hoje Primeiro-ministro - a azul. As minhas considerações a vermelho)

1 - "Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução." Exactamente, não se põe um país a pão e água por precaução, põe-se o país a pão e água como consequência dos desmandos da anterior governação.

2 - "Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa." Mas a governação PSD reduz a despesa (coisa que Sócrates não fez), ainda que se veja obrigada a lançar, simultaneamente, mais impostos.

3 - "Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias." Ao invés, o Governo PS afundou ainda mais o estado financeiro do País, obrigando agora à adopção de medidas mais drásticas.

4 - "Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou." Exactamente, foi mesmo assim como disse o Passos Coelho.

5 - "Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas." Só peca por defeito.

6- "O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa." Mais uma vez P.C. tem razão, o governo PS andou a ocultar a realidade.

7 - "Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos." Peca, e peca profundamente por não os ter incriminado. Fernanda Câncio ganha um ponto.

8 - "Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos." E não é verdade? Não estão a ser adoptadas medidas nesse sentido?

9 - "Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos." Considero que o Governo tenta repartir os sacrifícios por todos mas, como sempre, os que mais precisam ficam entalados – talvez não tivesse de ser assim se a inconsciência da governação PS não tivesse ido tão longe. A recente investigação ao património de Sócrates e da sua família, pelo que já revelou, pode ser exemplo de eficácia na fiscalização e na aplicação de tributação sobre património oculto, e eventualmente ilícito.

10 - "Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado." Assim se está a fazer.

11 - "Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal." Passos Coelho tinha toda a razão quando disse isto, e continua a ter porque a sua prática não é esta.

12 - "O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando." Foi o que o Governo PS sempre fez. Aguardemos para ver como é que o Governo PSD vai resolver esta questão em particular.

13 - "Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa." E por aí segue onerando os escalões mais elevados. Infelizmente, face à verdadeira profundidade da crise deixada pelo PS não é possível desonerar a classe média baixa.

14 - "Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas." Afinal teve de atacar ambos. Meio ponto para a Fernanda.

"Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português." Ou Passos Coelho não conhecia a verdade sobre a situação real ou este é um discurso de propaganda. Mais meio ponto para a Fernanda Câncio.

15 - "A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento." Ai tem, tem, e teve muito fundamento. Assim o sabiam os governantes do PS, por isso a máquina de contra-informação socialista lançou essa denúncia. Mas, uma vez que revela a ingenuidade de Passos Coelho na oposição, a Fernanda Cãncio marca um ponto.

16 - "A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos." Fraco ou forte, importante é ser honesto e competente, coisa que o Governo do PS não era. Deste, vamos ver.

17 - "Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota". Passos tem razão e não o vi cometer qualquer contradição a isto desde que governa, ou a referência condenatória a eventuais distúrbios públicos é lida como cerceamento da liberdade ou chantagem emocional “se és patriota, tá caladinho”? Se alguém lê dessa forma não será certamente o partido mais chantagista e caceteiro do espectro político português, o dito socialista.

18 - "O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento." Exactamente, tem de ir também ao corte das despesas públicas, ao fim dos contratos fabulosos de aquisição de viaturas às empresas dos amigos, ao exército de 30 motoristas para o Primeiro-ministro, etc. etc. etc.

19 - "Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate." E não acabou, o imposto extraordinário é isso mesmo e não acaba com o 13º mês porque retira uma parte dele, e não é universal.

20 - "Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?" Interrogação mais do que legítima. Felizmente os portugueses abriram os olhos e viram que tinham um mentiroso compulsivo como primeiro-ministro. A actuação de PPC poderá deixar ainda algo a desejar – perante quem reclama uma renovada praxis política –, mas é, no mínimo, um regresso à normalidade da forma de estar na política, por contraste com a anormalidade que Sócrates praticou. Convenhamos que três décadas de pontificado socialista na construção do regime resultaram neste enorme esgoto onde todos os partidos flutuam, (uns com maior culpa formada, outros com menor), e admitamos também que não é fácil sair desse esgoto, quando todas as condicionantes se mantêm. Sobretudo a condicionante "povo", gente maioritariamentente afastada da política, divorciada da participação cívica, anestesiada no futebol, nas novelas e nas futilidades do jet-set; gente facilmente manipulável.
Resultado:
Fernanda Câncio: 3 pontos de 20
Passos Coelho: 17 pontos de 20






4 comentários:

TheOldMan disse...

A Fernanda Câncio ao se ter chegado para o lado do Sócrates, acabou por personificar aquela caricatura da tipa que se sentou num banco de jardim pintado de fresco.

Só que no caso dela para se livrar das marcas, já não vai resultar tirar apenas a roupinha...

Isto salvaguardando o facto de de eu ter algumas poucas) reservas em relação ao posto. Mas também sabes que eu nunca concordo totalmente com alguém no que diz respeito a política.

;-)

francisco disse...

Meu caro, nem me passava pela cabeça que viesses comentar esta pústula...hehehe. Nem sei porque raio me dei ao trabalho de refutar as palermices da Fernandinha, mas também fui razoavelmente tendencioso e pouco argumentativo na defesa do paçola, não que ele mereça defesa ou que me sinta eu confortavel nesse papel, antes porque continua a retorcer-se-me o estômago sempre que comparam o Sócras com qualquer outro governante. Mas à Fernanda até dou algum desconto porque ela até é gira.

Já eu não tenho poucas reservas em relação ao post, tenho muitas.

Não concordar totalmente com qualquer coisa da política é próprio de gente avisada - mormente pela experiência.

Tá um calor do camandro, aqui pelo deserto Sul.

Saúde.

David Oliveira disse...

Uiiiii! ...
Francisco - onde tem, essa coisa, o cérebro?
Uiiii!
Abraço

francisco disse...

Homessa, está de férias no Allgarve. A descansar, pois então.
hehehehehe...
;)

Abraço