Mui estimada e formosa donzela, acontecendo continuar a ser alvo de episódicas inquietudes sentimentais provocadas pela preciosa existência da vossa pessoa, e não obtendo qualquer resposta às simples interpelações que vos endereço, resta-me ir suavizando este miserável existir entrecortando momentos de alegre lucidez com irrequietos acometidos de coração, quando não melancólicos e absortos estados de espírito, que muito me mofinam a alma. Confinado assim, por vós, cruel princesa, às coisas do imaginário, quiçá por receio (infundado, vos garanto) de que desatine o coração em bater mais do que deverá, qual corcel em desabrido galope por montes e vales, sem freio nem mão que o tolha, eis-me imaginando interrogativas questões que vos colocaria, se vós fosseis pessoa de dar resposta. Triste sorte a minha, pois que o não sois. Assim me fico na hipotética inquirição.
Ride-vos, entretanto. Que mais não vos posso dar (porque vós não o aceitais, que assim se entenda). Mas ride-vos com gosto, com muita alegria. Por mim, bem deveria rir todo o mundo para vós, juntando em vosso coração a maior felicidade que o Universo permitisse.
Avanço.
E começo, repetindo-me (o que prova que infanções ou homens bons, quando apaixonados, andam igualmente parvos): - Existe algum donzel ou cavaleiro pelo qual vosso coração suspira, sim, ou não? Se existe tal homem, tão cheio de sorte, dizei-me ó mais linda princesa: - Diz-vos ele em cada dia que o Sol brilha, todos os dias da vida, que sois vós a mais linda de todas? Não me respondas que “tal coisa não é preciso”, pois não é uma questão de necessidade, é uma questão de merecimento. Assim o mereceis vós, gentil e doce dama.
E agora intercedo por mim: Se ele não diz tal, posso dizer-vos eu? Todos os dias? Se SIM, mandarei um pombo-correio com tal mensagem. Saiba ele o caminho e evitar a soltura das gaivotas e sereis recebedora dessas justas e puras homenagens de preito.
Sabendo-me homem nem sempre de perfeito juízo e por bastas vezes até um bocado irracional, mas cumprindo também alimentar esse lado menor da personalidade, por isso pergunto: - De que Signo sois? Balança, Aquário ou Capricórnio, ou um dos outros será? Bem gostaria de consultar os astros. Talvez as que brilham na abóbada celeste me respondam, cousa que vós tanto brilhando cá em baixo o não fazeis. Que estrela caprichosa sois, menina.
Uma última questão vos coloco, à qual não respondereis, pois claro. Mas ainda assim aqui deixo: - Querendo convosco conviver um pouco, para o que vos poderei convidar? Para um bailar, um passeio, ou um simples jantar? Dizei-me, amiga (não me dizendo nada, claro está).
E termino.
Bem mandada e entregue deveria ser esta missiva, escrita a pena sobre pergaminho, e devidamente lacrada. Mas assim não será, por receio de espiões dessa gente que não acredita em amores e paixões.
Junto tanta coragem como a que a Gil Eanes usou para passar além do Bojador e… atrevo-me a oferecer-vos um beijo. Aceitai, por amor, amizade, caridade ou … economia. Sim, porque sendo oferta vale a pena aproveitar, neste mundo louco em que até para mandar um beijo para o lixo, também é preciso pagar.
Assim, beijo a vossa linda mão.
PS: E não aguardo resposta. Seria tortura, como da Inquisição.
F. Castelo
;D
Ride-vos, entretanto. Que mais não vos posso dar (porque vós não o aceitais, que assim se entenda). Mas ride-vos com gosto, com muita alegria. Por mim, bem deveria rir todo o mundo para vós, juntando em vosso coração a maior felicidade que o Universo permitisse.
Avanço.
E começo, repetindo-me (o que prova que infanções ou homens bons, quando apaixonados, andam igualmente parvos): - Existe algum donzel ou cavaleiro pelo qual vosso coração suspira, sim, ou não? Se existe tal homem, tão cheio de sorte, dizei-me ó mais linda princesa: - Diz-vos ele em cada dia que o Sol brilha, todos os dias da vida, que sois vós a mais linda de todas? Não me respondas que “tal coisa não é preciso”, pois não é uma questão de necessidade, é uma questão de merecimento. Assim o mereceis vós, gentil e doce dama.
E agora intercedo por mim: Se ele não diz tal, posso dizer-vos eu? Todos os dias? Se SIM, mandarei um pombo-correio com tal mensagem. Saiba ele o caminho e evitar a soltura das gaivotas e sereis recebedora dessas justas e puras homenagens de preito.
Sabendo-me homem nem sempre de perfeito juízo e por bastas vezes até um bocado irracional, mas cumprindo também alimentar esse lado menor da personalidade, por isso pergunto: - De que Signo sois? Balança, Aquário ou Capricórnio, ou um dos outros será? Bem gostaria de consultar os astros. Talvez as que brilham na abóbada celeste me respondam, cousa que vós tanto brilhando cá em baixo o não fazeis. Que estrela caprichosa sois, menina.
Uma última questão vos coloco, à qual não respondereis, pois claro. Mas ainda assim aqui deixo: - Querendo convosco conviver um pouco, para o que vos poderei convidar? Para um bailar, um passeio, ou um simples jantar? Dizei-me, amiga (não me dizendo nada, claro está).
E termino.
Bem mandada e entregue deveria ser esta missiva, escrita a pena sobre pergaminho, e devidamente lacrada. Mas assim não será, por receio de espiões dessa gente que não acredita em amores e paixões.
Junto tanta coragem como a que a Gil Eanes usou para passar além do Bojador e… atrevo-me a oferecer-vos um beijo. Aceitai, por amor, amizade, caridade ou … economia. Sim, porque sendo oferta vale a pena aproveitar, neste mundo louco em que até para mandar um beijo para o lixo, também é preciso pagar.
Assim, beijo a vossa linda mão.
PS: E não aguardo resposta. Seria tortura, como da Inquisição.
F. Castelo
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...e eu sem uma 135! E o espectáculo a prosseguir devagar... devagarinho. Como quem hesita, o dançarino "passeia" pelo palco...ao ritmo do pigarrear de umas gargantas apertadas, lá para o meio da assistência. Com meia hora de lentos volteios, a dança perde o seu segundo espectador. O dançarino, esse, constrói poses de deslumbrante efeito plástico, moldando o corpo no contorno das sombras, e dos sons.
A dança continua mas, agora o som avança e a luz recua para 1 obscuridade que não revela, logo, os reparos em que vem o artista. Estrebucham os de cá, por não compreenderem o de lá. Solta-se uma voz em despeitado desabafo de ininteligível mensagem. Eu, dividido entre permanecer acoitado na plateia ou correr 400m até à Câmara e agarrar a Canon, atendi aos 100kg que calam mais fundo e continuei-me por ali. Acariciei a Olympus, deslizando o indicador pelas curvas superiores até ao gatilho do zoom. Afinal, era com ela que estava, para quê pensar noutras? A soirée dançante escorregava para o clímax e eu não o sabia...
Movimento...at last! A descoragem afoga os impropérios na mescla da génese vocal e, paridos por bocas medrosas logo se esborracham no chão, sem eco, sem história, sem transmissão. Apenas um ignoto mal-estar trespassa o ambiente. - Mas, ele só tem aquele avental? perguntou um murmúrio claro. E a miúda da cochia da 6ªfila, estupefacta (estúpida de facto?) pergunta à mãe, ou tia: - O homem está nú? A pergunta fez ricochete na esquerda baixa, junto à porta de serviço, atingindo todos, no ir à Cafetaria, no fim (porque tanta força mental exige recarga!). Eu, fico-me, digitalmente apático. Afinal tive todo o tempo espreitando pela janelinha, longe. Apenas, testemunha!