Os Condenados


«Jack Conrad (a superestrela do wrestling Steve Austin) é um prisioneiro que aguarda a execução da pena de morte numa prisão corrupta da América Central e que é "comprado" por um ganancioso produtor de televisão para participar num "reality show" ilegal. Levado para uma ilha deserta, Jack vê-se obrigado a participar num jogo de "matar ou morrer" com nove assassinos condenados à morte oriundos dos quatro cantos do mundo. Sem fuga possível - e com milhões de espectadores sedentos de violência não censurada -, Jack terá que utilizar toda a sua força para ser o vencedor do brutal jogo... e ganhar a sua liberdade.»
É sempre bom confirmar a imbecilidade dos americanos, perfeitamente demonstrada pela “arte maior” desses trogloditas, o cinema de Hollywood e, neste caso, sintetizada na legenda de apresentação da fita: 10 pessoas vão lutar, 9 vão morrer, e tu vais ver. Trata-se de pura poesia norte americana, claro.

3.000 horas de sol




«A Revolução Industrial foi muito simpática, foi uma necessidade, mas infelizmente tem sido levada ao exagero. Quando o mundo está todo ao dizer que atmosfera já não aguenta tanta poluição, há uma série de indivíduos a dizer que há uma quantidade de petróleo para gastar.
Podemos deixar de fazer asneiras. Podemos parar a destruição das florestas da Amazónia, da Indonésia, da África Central... Mas enquanto houver povos que precisam de dinheiro para viver e povos ricos que compram a madeira dessas florestas, o clima só vai mudar para pior. Quem tem culpa? Os povos ricos, com certeza, que andam sistematicamente à procura de ter tudo de bom aos pés da cama.
A água irá faltar na Península Ibérica (Portugal e Espanha), no Norte da China e Manchúria, na Austrália, na Nova Zelândia e na Tasmânia. O deserto do Sara está a ampliar-se para o Sul da Europa – isto foi absolutamente verificado no início dos anos oitenta por equipas de meteorologistas de Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Turquia no âmbito de um programa conjunto chamado MEDALUS (...); Já nessa altura se concluiu que a linha de risco em Portugal já passava a norte do Tejo (...).
A América do Sul e a Europa do Norte serão as únicas regiões que, em 2025, não terão problemas de falta de água. Os meus colegas climatologistas dão-nos informações de que o famoso anticiclone dos Açores apresenta tendência para se estabelecer com muito maior frequência a sul das Ilhas Britânicas ou entre os Açores e a Madeira. Qualquer destas posições irá constituir uma barreira, um bloqueio; o anticiclone, estendendo-se em crista para nordeste em direcção à Escandinávia e em crista para sudoeste em direcção à América Central, vai fazer com que as chuvas não venham directamente para o Sul de França, Espanha e Portugal e tenham de dar a volta, indo chover provavelmente na Alemanha, na Polónia, na Europa Central, no Leste da França.
Já devíamos estar a pensar em dessalinizadores. Veja o caso exemplar do Porto Santo. A ilha não tem água, praticamente não chove e, no entanto, ninguém morre à sede. No continente não se faz a conversão da água do mar; mas devíamos estar a investir nessa tecnologia.
Escandaliza-me que já todos tenham chegado à conclusão de que o petróleo é altamente poluidor e Portugal tenha anunciado que vai fazer prospecção de petróleo ao largo da costa, para o que tem de gastar 36 a 38 milhões de euros. Não seria melhor aplicar esse dinheiro em fontes energéticas menos poluentes? Escandaliza-me que o Algarve tenha três mil horas de sol por ano – que é o máximo de horas de sol em todo o Mediterrâneo – e não façamos nenhuma utilização disso. (...)»
Excerto da entrevista de Anthimio de Azevedo no Notícias Magazine de 12.Ago.2007

Os ectoplasmas



Há gente que muda do estado sólido para o estado ectoplásmico e nem dá conta disso. Há coisa mais ridícula do que julgar-se no pensamento ou nos cuidados de outrem que, afinal, pura e simplesmente o ignora integralmente, sem o mínimo esforço?! Um destes seres já tinha passado a essa condição, de invisível, há algum tempo, o outro operou a transformação recentemente. Ambos têm em comum o facto de deterem uma ideia muito própria acerca da amizade – que evocam futilmente – e continuarem a remoer azedumes. Vem isto a propósito de me chamarem a atenção para palavras ditas e escritas que atestam algum mal-estar em relação à minha pessoa. Ora descansem lá que não tenho nenhum pensamento, nenhum comentário, nenhuma atitude para cada um de vós. Fiquem em Paz. E porque não fazem o mesmo em relação a mim? Ignorem-me. Agradeço-vos, do fundo do coração.



o mundo ideal

«Cada vez que ligo a televisão, as telenovelas, concursos imbecis e imbecilizantes, big-brothers e quejandos, Maya's e demais vendedores de banha da cobra, fazem-me pensar na sociedade retratada em Fahrenheit 451. A diferença essencial é que não é necessário queimar livros, estes colectam pó nas prateleiras das livrarias, com excepções que são muitas vezes instrumentos que cumprem a mesma função dos «bombeiros» do mundo de Bradbury: a construção de um mundo «ideal» onde ser acéfalo e ignorante constitui a mais prezada virtude... »

Só dois?


Que balança utilizar para julgar as ofensas feitas aos outros? A balança da Psicologia facilmente me absolveria ou arquivaria o processo. Sem grandes exames bem podia remeter para a natureza competitiva e os instintos de sobrevivência. A balança da moral racional, a que estabelece os princípios éticos em que acredito, essa, leva-me à auto-condenação.
Se há um desígnio superior em tudo, e alguma espécie de equilíbrio justiceiro que rege a nossa vivência, aceito os sofrimentos entendendo-os como punições para as minhas faltas. Expio-as com a conformação do faltoso.
Se nada existe de transcendental, nem demiurgo algum que estabeleça uma justiça neste universo, então os meus padecimentos são consequência de deficiências genéticas e psicossomáticas a que se somam erros e excessos cometidos, e dos quais sou o grande culpado. Mereço tais sofrimentos, até porque sempre esteve ao meu alcance a livre escolha para evitar tais erros.
Podia ocupar cargos de destaque nos órgãos directivos das associações a que pertenço. Não o faço porque quem erra não deve desempenhar esse tipo de funções nem alcançar tais protagonismos. As pessoas públicas devem ser exemplos da moral e da virtude.
Não uma moral qualquer, como essas vinculadas às culturas religiosas que constituem heranças bizarras e distorcidas, como a judaico-cristã: diferenciadora; desigual; resignacionária; reaccionária; castradora, numa palavra, desumana. Mas sim uma moral racional sustentada numa ética evidente, clara e universal.
E da virtude equacionada e defendida pela maitê socrática. Por isso, olho com desprezo para esses vigaristas reincidentes que ocupam cargos públicos, quaisquer que sejam, de maior ou menor notoriedade. Por muito menos do que isso, eu não o faço. Irrita-me que outros o façam. Não devíamos permitir tal coisa.
Falhei. E os erros são nódoas que as qualidades, muitas ou grandes, jamais encobrirão pois são como buracos negros, minúsculos e invisíveis, que tudo devoram, precipitando no seu interior matéria e luz – venturas, alegrias e sorrisos que infalivelmente povoam a vida de qualquer um. Sou duro e exigente? Pois sou. Mas sou-o mais comigo do que com os outros.
Por um lado, prezo a vida e ainda me encanto com o que tem de belo mas, simultaneamente, vou desejando que ela corra rumo ao final e, quando acontecer e for conduzido diante de Anúbis, exibirei um sorriso de desdém e dir-lhe-ei: eu já me julguei e sentenciei, agora é a vez de te julgar a ti, ó deus de merda.
Na outra hipótese, a que perfilho, não estará lá nenhum juiz mas, unicamente, o oblívio – pois esse túnel de luz de que falam, mais não é que o extinguir da chama interior que nos anima.
Mas que treta é esta? Em que sarjeta sombria e malcheirosa mergulhei? Alto aí. Em vez de investir sobre territórios tão tenebrosos, será melhor contar-vos uma anedota.
A madre Teresa de Calcutá chega ao céu depois de mais um dia extenuante e pede a Deus o jantar. Recebendo uma sandes de pão de centeio, olhou para baixo e viu os que estavam no inferno a comer um opíparo banquete. No dia seguinte aconteceu a mesma coisa e a madre, intrigada, perguntou: - Meus Deus, porque é que nós só comemos pão de centeio e eles, no inferno, comem tão grande banquete? Responde-lhe o demiurgo: - Teresa, achas que vale a pena cozinhar para duas pessoas?

O limpa fossas


Para lá da importância do seu teor, confesso que a outra razão que me impeliu a escrever o presente texto respeita ao facto de, finalmente, ter surgido a oportunidade para utilizar este magnífico título.
Numa reportagem televisiva, recente, tomei conhecimento da história deste homem que se recusa a pagar a taxa de saneamento básico exigida pelos Serviços Municipais de uma autarquia da região de Lisboa (penso que se trata de Sintra). O munícipe argumenta que não possuindo ligação à rede de esgotos, mas sim uma fossa, não tem obrigação de pagar essa taxa. Nisto, dá-lhe razão a Inspecção Geral da Administração do Território (IGAT), após consulta realizada.
Da parte dos Serviços Municipalizados recolhe-se o depoimento de um técnico que enfatiza a entrada em serviço de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais pelo que o pagamento dessa taxa é devido por todos os munícipes. Mas, o nosso bom homem não desiste da sua pretensão e para evitar a cobrança dessa taxa, junto à factura da água, até abriu um furo artesiano na sua propriedade. Por outro lado, contra argumenta que já paga o serviço do Limpa Fossas de cada vez que o requisita.
Aqui, abro um parêntesis pois interessa debruçarmo-nos sobre a reportagem em si. E uma vez mais se constata que não nos é fornecida toda a informação que seria necessária para a apreciação deste caso. Trata-se de uma peça informativa medíocre que denuncia o estado do jornalismo televisivo no nosso país. Aquilo que interessa às televisões é, unicamente, o "cabeçalho" da notícia e o respeito escrupuloso pela duração máxima da peça (segundo indicações de especialistas preocupados com o "arrefecimento" do interesse do telespectador). E assim, vivemos bombardeados por esse lixo informativo que só confirma que a Televisão constitui a maior "labreguice" cultural que transportámos para o novo milénio.
Esgotado o gozo de assistir à estóica revolta contra o Sistema, protagonizada por aquele munícipe transformado em herói à la minute, assaltaram-me as dúvidas, legítimas, de quem se sente defraudado pela suposta informação televisiva. Assim, seria interessante confirmar que a situação anterior consistia em proceder à remoção e transporte dos dejectos e sua libertação num rio ou no mar - vulgar em muitos municípios - e a nova situação consiste em remover e transportar os dejectos para uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR) onde o produto é tratado e devolvido ao ambiente em condições inofensivas.
E aqui surge a questão: porque é que o munícipe se recusa a pagar pelo serviço de tratamento dos dejectos que produz? E o apresentador informativo (é a nova designação do antigo repórter) poderia ter, em seguida, questionado os Serviços Municipalizados noutra perspectiva: porque não resolvem o problema suprimindo essa taxa de saneamento aos munícipes nestas condições, mas aumentando o preço do serviço do Limpa Fossas? E talvez tivesse como resposta: é que muitas das pessoas que têm fossas nas suas habitações possuem fracos recursos económicos e assim estaríamos a agravar a sua condição económica e social! Também ficámos sem saber se o referido munícipe, ao recusar pagar a taxa de saneamento, procede à reciclagem total do lixo que produz ou se o deposita, furtivamente, no colector do vizinho.
E agora vamos à reflexão final. Porque é que não se critica o sistema contributivo da Previdência Social que integra o princípio da solidariedade, em que uns contribuem mais do que outros e, desta forma, se garante a prestação, inclusive, àqueles que nunca contribuíram e, por outro lado, tantos se acotovelam para criticar as incipientes medidas de protecção ambiental que, timidamente, têm vindo a surgir no nosso país? Então esta questão não merece um tratamento com base na solidariedade social em que, em primeiro lugar, todos devem contribuir com um pouco e, em segundo, aqueles que mais poluem, mais devem pagar?
Entretanto este teso munícipe brande, qual grotesco D. Quixote, uma lança embotada, ferrugenta e anacrónica que só colhe simpatias, temporárias, porque alimenta as “notícias a peso" e desperta a rebeldia contra o poder (qualquer poder), latente em cada um de nós. Claro que não estamos perante o acto de indisciplina social de um Agostinho da Silva que sempre recusou, e nunca possuiu, cartão de contribuinte. Mas isso era outra notícia, divertida q.b. para televisões e governantes. Até porque se tratava de um distinto Professor de Filosofia. Aqui, o caso é diferente e o nosso munícipe será, indubitavelmente, cilindrado pelo Sistema que ousa combater e engolido pelo seu aliado Limpa Fossas.
2001-05-13

De falha em falha, até à falha final.

É caricato como algumas mentes pouco dadas à reflexão se aventuram a esgrimir convicções assentes numa experiência de vida pressupondo que essa experiência, apenas porque foi vivida, representa a verdade. De uma penada é varrida a razão kantiana que tantas objecções levanta à validade absoluta do conhecimento empírico.

Nivelar por cima, sem cultivar uma atitude elitista (pois, se o elitismo se instalar será por acção natural), será, sempre, exercício mal interpretado, sobretudo por aqueles que defendem que a validade do conhecimento reside nas práticas acumuladas de uma vida.
Rejeito as atitudes que definem a cultura por classes, posturas provenientes de uns que se julgam mais cultos, quer os que as manifestam petulantemente de uma posição aparentemente superior, quer os que fazem da boçalidade um arauto apologético da pureza de uma certa “cultura popular”.
Mas que é hilariante, lá isso, é. Cinismo de quem ri, ou falha de quem está a aprender?
A minha promessa é esta: Falharei mais vezes, até ao fim. E ninguém me impedirá de o fazer.
«Tenta outra vez. Falha outra vez. Falha melhor.»
Samuel Beckett
cínico: pessoa sem pudor, indiferente ao sofrimento (ignorância) alheio.



reescrita em Ago 2014:
É caricato como algumas mentes pouco dadas à reflexão se aventuram a esgrimir convicções assentes na sua experiência de vida pressupondo que essa experiência, apenas porque foi vivida, representa a verdade. De uma penada é varrida a razão kantiana e as suas objecções à validade absoluta do conhecimento empírico, assim como a riqueza de conhecimento que advém do confronto de experiências diferentes.
Nivelar por cima será sempre um exercício mal interpretado, sobretudo por aqueles que defendem que a validade do conhecimento reside nas práticas acumuladas de uma vida, ou por aqueles programados no conceito laudatório da mediania (leia-se mediocridade) e da suposta igualdade universal.
Rejeito os arautos da verdade, sejam daqueles que se manifestam petulantemente do alto de alguma cátedra, seja dos que fazem da boçalidade a apologia de uma certa “cultura popular”.

Discuta-se, porque da discussão nasce a luz. Mas apenas entre quem fale a mesma língua, sob pena de se estabelecer menos que cacofonia. Isto é, verifique-se previamente o entendimento dos conceitos e a igualdade dos significados. Sem isso, discutir é tempo perdido.

ui, ui... é de ler a entrevista do António Arnaut à Visão


No social, há sinais graves: nos supermercados pedem-se aparas de frango e as marmitas regressaram às empresas...
E aqui em Coimbra há muita gente a ir à sopa dos pobres! Tenho amigos no Banco Alimentar e como maçon sei a que carências a maçonaria tem acudido. Já não é só um problema de pobres, chegou ao empregado de escritório. É uma depressão económica e psíquica que abala os alicerces do País. Sobretudo quando, da parte de quem governa não há palavras de conforto nem um comportamento à medida do que o País precisa. Mesmo assim, há gastos sumptuários, grandes festas e inaugurações.

As pessoas também se endividam em nome de outros «valores»...
A banca tem grande responsabilidade no endividamento. O Governo que assuma a soberania! A banca tem uma função social importante, mas não pode ter lucros fabulosos, quase não pagar impostos, esfolar vivas as pessoas e ainda ir ver se há alguma coisa depois de mortas! No fundo, o capitalismo selvagem gerou novas formas de escravatura. Um país sozinho não pode defender-se disso, mas não me conformo: há uma verdadeira ditadura do capital sobre o trabalho. Nem Salazar permitiu o domínio do Estado pelos capitalistas.
Lerei nas entrelinhas a crítica a uma certa maçonaria que tem sido usada como sede de lobbys de interesses pessoais e corporativos de carácter económico, sob a batuta de "malta do PS"?!

António Arnaut, fundador do PS, ex-Ministro dos Assuntos Sociais e antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, deu uma entrevista à VISÃO em que arrasa Sócrates, acusa Correia de Campos e diz que o PS «perdeu alma e identidade»


resposta a um comentário

(a insistência do obtuso levou-me a recolocar este post em 2007.11.30)


Anónimo disse...

Hoje roubei um naco tempo à minha música para ler o teu Claustro Fobias. Eis a minha crítica simples, não sei de literatura por isso não vale a pena teres medo. Sei que não sou do grupo de pessoas das quais te interessa saber a opinião ou a avaliação do livro.

Morreu uma freira e deixou algumas palavras a serem gravadas na lage tumular da sua campa.
Qualquer coisa como isto:
"Nasci virgem,vivi virgem, entreguei-me a deus, a nosso senhor jesus cristo,e morri virgem". O canteiro olhou para as palavras e começou a gravação. Uns dias depois, alguns familiares e amigos da freira foram buscar a lápide e para surpresa sua estava escrito na pedra, "Nunca fui Fodida". Indignados -Então o que é isto ?
Resposta do canteiro - Era o que ela queria dizer !
Meu caro Castelinho, no Claustro Fobias abriste o cofre das palavras de ouro, consultaste compêndios e manuais, para dizeres que um pobre diabo qualquer fornicou uma freira.
O canteiro foi muito mais prático.
Tenho dito...



Meu caro anónimo.


Se eu quisesse dizer que um pobre diabo qualquer fornicou uma freira, tê-lo-ia dito. Só que o que eu quis fazer foi um exercício de escrita.
Certamente poderíamos reduzir toda a literatura a pequenas e concisas frases, isto é, podíamos varrer a Literatura da face do planeta e do espírito das pessoas – até já houve vários índex e autos de fé aos livros, queimados em fogueiras públicas.
E em certa medida é isso que vai acontecendo. No concelho de Lagos p. ex., ao submeterem-se crianças de um grupo do 1º ciclo a um “trabalho de casa” que implicaria consultar alguns livros, as educadoras descobriram que o auxílio dos pais tinha consistido em consultar revistas de notícias sociais, vulgo revistas cor-de-rosa (c. 50%), jornais (c. 13%), enciclopédias (2%), e os restantes 32% não fizeram qualquer consulta. Ninguém abriu um livro! Provavelmente, não se lembraram da música, ou teriam consultado a literatura inclusa nos CD’s do Quim Barreiros e do Emanuel.
É verdade que poderíamos reduzir o Conto Claustro Fobias a isso, se ao menos estivesse certo. Como erraste no género de um dos intervenientes isso prova que não dominaste a “literatura”. Não compreendeste a coisa. Talvez devido às "palavras de ouro"?!
Meu caro, se reduzíssemos tudo a tão pouco não nos faziam falta poetas, escritores, filósofos…nem músicos, pois bastava assobiar ou trautear uma merda qualquer - bastavam-nos os canteiros de lápides.
O recurso às “palavras de ouro” é uma das condições da Literatura. Marca a diferença entre o homem das cavernas que diz “oinc…oinc” para exprimir um simples “gosto de ti” e o homem culto que diz (neste caso até é uma mulher a dizer):


Sentei-me na varanda dos teus olhos

E fiz um poema ao branco das flores

Foi o poema mais belo que fiz

Não tinha expressões roubadas aos dicionários do difícil

Não necessitou dos pássaros de Llorca

Não falou das areias do deserto

Nem do fogo da noite que arde

Ou de voos envoltos em branco de luar

Tinha a tranquilidade dos eremitas

E o silêncio da tarde onde a tarde se cala

Tinha o fresco da madrugada e o vermelho do sol

Do dia que nasce a esperança que ri.

O poema mais bonito que já fiz

Dizia apenas

Gosto de ti...

(Maria)


Porém, assiste-te o direito e a liberdade de escolheres o “oinc…oinc”. Respeito, mas não partilho a tua opinião. Como já to tinha dito.

:p


Há bons músicos neste país, e, mais acima, este senhor

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu cismo

como é que gente tão socialista
desiste de fazer o socialismo

é querer fazer arroz de cabidela
sem frango nem arroz nem a panela


Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu vejo
que esta grande obra de reconstrução
parece mas é uma acção de despejo
é como para instalar uma janela
atirar primeiro os vidros para a viela

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e penso e vejo de todas as cores
já libertaram pides e bombistas
deve ser para lá por trabalhadores
é como lançar cobras na cidade
e pôr dentro da jaula a liberdade

Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e vejo e de ver tiro conselho
aquilo que é mesmo reforma agrária
é para alguns o demónio vermelho
esses querem é ver anjos cor-de-rosa
entre Castro Verde e Vila Viçosa

Eu amanhã posso não estar aqui
mas também, para o que eu aqui repeti...
é que eu não sou o único que acho
que a gente o que tem é que estar unida
unida como as uvas estão no cacho
unida como as uvas estão no cacho

PONTO FINAL


Esta cidadezita é mesmo muito pequena. Vejam lá, que a propósito da edição de um livreco que pretende apenas exercitar a escrita, impedir a continuada revisão do pouco que a incipiente escrituração encerra, estabelecer um ponto de partida no domínio da construção literária para outros voos possíveis, e porque foi apresentado e distribuído a escassa meia centena de convidados, amigos e responsáveis pelo incentivo a escrever e publicar; aos primeiros, porque os amigos servem para aguentar as estopadas, aos segundos porque devem arcar com a co-responsabilidade do resultado desse estímulo – decorrendo o evento nas margens de uma Cafetaria, e não como inicialmente previsto, apenas distribuído mão a mão a amigos e a três ou quatro pessoas cuja opinião técnica me interessa –, fui alvo de rasgados elogios. Assim aconteceu, logo na apresentação (o que é compreensível), mas também num jornal online e, até, entrevistado para uma rádio local. Só num meio tão pequeno um peido fugidio libertado no centro de um arraial popular pode constituir notícia.
Ah! E já me esquecia da referência no blogue local dos grilos falantes, essas consciências anónimas que abnegadamente prestam um judicioso serviço à comunidade – antes preenchido pelas lavadeiras nos tanques de S. João –, vejam lá, que também entendeu prestar homenagem a este sofrível escrevinhador, quase como se de um autor consagrado se tratasse. Bem Hajam! Pois que outra coisa poderei dizer?!
Bem sei que o fundamento destas manifestações se deve às amizades. Essas teias que teimam em ligar as pessoas, sobretudo nestes meios mais pequenos. Lá nisso, é giro. Mas quanto ao resto, ou eu nem percebo o quanto notório sou, ou a malta não tem mais nada para fazer ou de que falar ou… tá tudo doido.
Outra coisa que me deixa suspenso é o facto de algumas pessoas não acreditarem nesta coisa do exercício. Acham que é modéstia, que aquilo até é uma coisa muito porreira, etc e tal. Tão doidos!
Também já me ocorreu que alguns poderão pensar que é desculpabilização. A escrita é insignificante e o gajo, para se safar, diz que é apenas um exercício. Também estão doidos, está claro – que isto, quando ataca, é geral. O conto, se assim se pode chamar, é, não só uma escrita à margem - à margem de outras escritas a que dedico mais atenção -, mas um conjunto de quadros inicialmente desconexos que, depois, ganharam alguma ligação, embora mantendo vincadas incongruências - propositadas umas, involuntárias outras. É uma escrituração inserida no mesmo ciclo de exercícios que incluem as outras escritas que prossigo, no intuito de melhorar a forma. Pode ser que algum dia escreva algo verdadeiramente interessante mas, para isso, terá que ser redigido em feitio que me agrade (chegada à que gosto de ler nos escritores que admiro).
Mas, mais insólita, é a suspeita de que há ainda uns outros que pretendem vislumbrar ali, no livreco, empreendimento medonho: algum ataque, ou preparação de ataque, a terceiros ou a eles próprios. Ora, eu, que sempre consegui rir de mim próprio, das minhas patetices, das situações que as originaram e dos resultados que daí advieram - neste particular só sou diferente da maioria, na medida em que sou capaz de soltar esse riso, já que em termos de produção patética, por mais que me esforce, não consigo destacar-me dos demais, eles é que não têm consciência disto mas, adiante, ou não acompanho com os dedos no teclado o enfileirado de palavras que brotam não sei de onde. E então, havia de escrever e publicar algo para atacar terceiros? Com que propósito? Acertos de contas com gente que errou, talvez gente perversa e velhaca? Ora, isso seria dar maior importância a essas pessoas. Insanos, esses temerosos, pois claro.
Pois claro que a escrita do Claustro Fobias é uma preparação para outros “ataques”. Atacar a folha em branco, decorá-la com imagens desenhadas pelas palavras. Integrar num simples dado histórico, numa historieta, num aforismo, num incidente, elementos biográficos, um poema, o significado de um gesto ou de um olhar e muita, muita imaginação. Mas, tudo isso só tem valor, se estiver bem escrito. E para lá chegar preciso burilar estas construções. Gostam desta forma de escrever, gostam? Pois, eu não. Isto não me chega. Nem se aproxima daquilo que gosto de ler.
PONTO FINAL… temporário
;)

Os 5 (e o cão) no meu blogue

Respondendo ao repto que o Arion do blogue O Exilirado me lançou, indico 5 livros da minha vida.

Eleger terminantemente os 5 livros da minha vida seria tão estúpido como eleger o Maior Português de Sempre. Nem percebo o que andou o Helder Macedo a fazer por lá, não pertencia àquela trupe de idiotas.

Agora são estes 5 e mais tarde seriam outros 5 diferentes. Mas cá vai.

fase juvenil: O Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de Vasconcellos
fase adolescente: O Despertar dos Mágicos - Louis Pauwels e Jacques Bergier
fase pré-adulta: Delta de Vénus - Anaïs Nin
fase adulta: O Arranca Corações - Boris Vian
fase senil: O Poema de Gilgamesh - (dum gajo de há 5 mil anos, certamente com graves problemas de cópula)

Porém, pela parte que me toca, esta coisa morre aqui porque não alimento cadeias de futilidades. Estou mais preocupado em continuar debruçado sobre o meu umbigo. Função para a qual edifiquei este blogue, com muito saqué, suor, e lágrimas... de riso.
E tudo isto porque não há um humorista capaz nesta treta de país. Fadistas, há-os para dar e vender, alguns palhaços, muitos actores de comédia mas humoristas a sério... népias.

Mistérios do Universo

Serão sempre mistérios insondáveis, autênticos enigmas que envolvem a tragicomédia caseira de um gajo a tentar evitar sujar-se com pingos de qualquer acepipe fluído. Nunca entenderei isto. Acho, mesmo, que a compreensão de tais mistérios nunca estará ao alcance dos homens. Não estamos preparados para tanta sapiência. Mas, se conseguíssemos atingir esse conhecimento, acredito que alcançaríamos a chave de todo o saber e, muito provavelmente, a revelação de que o Universo não é o imenso paradoxo que afigura. Daí, manter-se tal segredo na posse exclusiva do demiurgo. É compreensível.
Juro que desta vez tive cuidado! Fui previdente. Retirei as amoras da tigela grande com todo o cuidado, usando uma colher de sopa, e transportei-as aos pares, em deslocação a baixa altitude, para uma taça de vidro colocada ali mesmo ao lado – reparem que escolhi o vidro para poder vigiar in extremis toda a operação. Desta vez, fiz tudo como deve ser. Recolocada a tigela no frigorífico, peguei na taça repleta daquelas pseudobagas, que mais não são do que dezenas de drupas agregadas, muni-me de um garfo de sobremesa – resistindo ao impulso de espetar algumas pelo caminho –, e voltei para defronte dos computadores. À medida que a conversa com o Armindo ia decorrendo no Messenger, lá me ia regalando com o intenso sabor dos minúsculos e negros frutos, indiscriminadamente trespassados pelo subtil garfinho. De repente, uma ideia assaltou-me, e, com ela um arrepio percorreu-me a retaguarda. Ah… ah… ergui os braços, evitando tocar no quer que fosse, levantei-me e encaminhei-me para a casa de banho. Sem parcimónias recorri ao gel mais dispendioso que por lá havia e lavei as mãos meticulosamente. Despi a camisa do pijama de Verão e regressei com um sorriso triunfal à cadeira de empreita que serve o serviço computacional. Agora queria ver como é que o raio das amoras me iam tingir a roupa. Hehehehe… Tinha-as lixado. Confiante, retomei o ritmo das opíparas garfadas.
Nem demorou dois minutos, ou umas cinco linhas do diálogo acerca das críticas à minha recente publicação – sim, vai ser lançada na próxima semana mas já conta com recensões de insignes literatos. Mas quais dois minutos? aquilo foi só o tempo de reposicionar no cérebro as coordenadas dos caracteres do teclado e, quando confirmava que o “f” se encontra entre o “d” e o “g”, deparei com dois malditos pingos na barra de espaços. Arregalei os olhos e suspendi toda a actividade digital – e desconfio que, cerebral também. Horror dos horrores, ao varrer, em rápida panorâmica mental, o tabuleiro alfabetiforme, descobri mais vestígios da penetrante tonalidade arroxeada. Desta vez eram traços imprecisos, como micro rastos, plasmados em mais umas tantas teclas. Olhei para os dedos e fiquei completamente estupefacto. Estavam sujos! Mas como, meu Deus? Como, se nem toquei no raio das amoras? Absolutamente atónito, demorei no regresso ao mundo do teclado e dos dedos maculados e da conversa a que tardava responder. Isto não é possível! Isto não está a acontecer.
Vocês compreendem o meu alvoroço, não?! É que nódoas de amoras, romãs, nêsperas e coisas que tais dão direito a imediata discussão com 50% da camada associativa, qual estardalhaço em assembleia de sócios do Benfica. Mas eu continuava a não perceber como acontecera aquilo. Um relâmpago de lucidez, a experiência da meia-idade, o bom senso, ou a prudência, ou tudo isso nas doses certas, ditaram uma retirada táctica para a cozinha. Não sem antes explicar ao interlocutor internauta o desastre ocorrido – com consequente agravamento dos resultados, pois ainda espalhei a moléstia por outros caracteres do tabuleiro plástico.
Claro está que conclui o consumo das amoras dobrado sobre o balde do lixo. Com os poderosos detergentes da cozinha procedi à remoção das marcas da maldita tintagem e desisti de repetir a dose – contrariando os planos iniciais -, optando antes pelas uvas, fruta mais pacífica. Ah… mas muito mais pacífica, mesmo, meus senhores.
Retornado aos computadores (no plural, pois, de facto uso dois desktops, um para a net e o outro para os trabalhos fotográficos e textos mais sérios). O segundo choque gastronómico da noite sobreveio quando deparei com um estranho olho que me observava a partir da parte central dos boxers apijamados. Ali estava, um ser ciclópico de olho escuro mirando-me a partir de uma posição geográfica notoriamente particular e íntima, como uma malha de circunferência perfeita, uma mancha, um borrão, uma mácula… UMA NÓDOA DE AMORA!!!
Não sei o que é que vocês acham, mas eu estou convencido que ontem à noite aconteceu qualquer coisa estranha no Universo.

os pidescos e a bufaria

O Vítor Dias, do blogue "o tempo das cerejas" junta-se ao coro de vozes que denunciam algo de muito vergonhoso que vai lavrando pelo país, aqui. Pergunto-me como seria, se tais actos fossem protagonizados pelos social-democratas do PPD-PSD. Caía o Carmo e a Trindade? Bloqueavam-se pontes? Assistiríamos a uma insurreição popular? Será que ainda são necessárias mais provas de que vivemos numa das mais abjectas oclocracias?

Apetecia-me chamar-lhes FILHOS DA PUTA!


Apetecia-me chamar-lhes filhos da puta, mas não vale a pena. Para gente assim até seria um elogio.

Ladravam os cães ajudando os homens no cerco ao bicho. Mostravam os dentes, ameaçadores, mas temiam atacar aquele animal desconhecido. A mulher assomou à porta e, intrigada, acabou por sair a investigar a causa da algazarra. Percorridos os curtos metros que a separavam do bando eufórico deparou com um texugo, agachado, voltando-se à vez para cada um dos cães que ousava aproximar-se mais, assumindo uma posição defensiva que intrigava os canídeos. A mulher, recordando memórias da juventude e do conhecimento das coisas da Serra exclamou: - Ahhh! É um texugo. Deixem o bicho que não faz mal nenhum!

Os homens acabaram com o alarido, chamando os cães e afastando-se do animal, como se o facto de o saberem texugo o transformasse em camarada de jogatanas de cartas ou de exultantes sessões de futebol em frente do televisor. Deixaram o texugo esgueirar-se para as moitas. Não falaram mais sobre o assunto e voltaram ao trabalho. Regressada às lides da cozinha escutou a mulher, uns minutos depois, a voz de um recém-chegado que ouvindo a história pergunta pelo bicho, que nunca vira um, que o queria ver. Os outros indicam-lhe o provável esconderijo do animal e ele para lá se encaminha rapidamente. A mulher, atarefada no seu trabalho, esqueceu o episódio.
Ao meio-dia, quando todos se sentavam à mesa para a refeição que a mulher ia servir, disse o tal retardatário, ignorante do mundo animal, em conversa com os outros: – Nunca tinha visto um bicho assim, com uns riscos no focinho… A mulher interrompeu-o : - Pois eu vi muitos na minha infância. São bonitos, e não fazem mal a ninguém. O homem atalhou de imediato, em voz bem viva e de rosto aberto em largo e generoso riso: - Pois este não faz mesmo mal nenhum, dei cabo dele à porrada.
Assim fizera. Levara consigo um pau comprido, não fosse o tal texugo revelar-se um animal perigoso. Afinal, não parecia nada perigoso mas, pelo sim pelo não, desalojou-o do improvisado covil, sob a densa ramagem de um arbusto enorme e, aproveitando a confusão do animal devido à presença dos cães, assestou-lhe umas valentes pauladas no lombo e na cabeça.
Foi mais ou menos assim que aconteceu no mês de Junho de 2007, na freguesia de Odiáxere, no concelho de Lagos.
Que raio posso dizer sobre isto senão que tal acontecimento é natural num país em que a maioria da população cada vez se afunda mais na mais abjecta ignorância. Tem este país investido largamente no fortalecimento desta prole de bárbaros, idiotas e débeis mentais que medem a inteligência pela capacidade de nomear os melhores e os piores jogadores de futebol, de saber quantos liftings faciais ou rectais fez a Tia asquerosa que só é gente na TV - essa TV que os alimenta a biberão com um inexaurível esgoto, essa televisão nacional que é o veículo privilegiado para a propagação da doutrina maior do regime: instalar e manter a ignorância e a boçalidade; intoxicar e desinformar; controlar assim, facilmente, a dócil manada de asnos.
Era apenas um inofensivo texugo, porra!

Saber mais sobre texugos em Portugal, clica aqui


por cima das nuvens



Dia de chuva. Chuva miudinha, da que cai para chatear. Dia de chumbo que acinzenta o ânimo e a alegria. Mas, lá por cima dessas nuvens radia o Sol iluminando o que, cá por baixo, teima em tristeza. Só quem já atravessou estas nuvens numa Asa Delta e descobriu um dia de Verão para lá dessa cortina horizontal de água suspensa percebe quão efémero, falso e enganador é o dia cinzento. Deixo que umas volutas de fumo se soltem do fiel cachimbo e deixo, também, que me enganem essas singelas fumaças, vendo-as ascender e engrossar as névoas suspensas lá em cima. Em breve cairão em lágrimas de um pranto que, esgotado, revelará um sorriso renovado. E amanhã poderá ser dia de praia.


são azougues marados


As palavras são como ímans.
Andam-me na cabeça,
polarizadas com a mesma carga,
recusando ligar-se.

Terei que aguardar
uma tempestade
que mude o sinal magnético
de algumas.


Ou isso,
ou continuo
o mesmo indolente
da treta.

Há por aí alguém que se meta comigo, que me irrite, que me faça eriçar o pêlo?

Sentimentos e Ilusões


A paixão é uma ilusão”, dizem alguns.

Como qualquer outro sentimento ou impressão também uma paixão pode revelar-se uma ilusão mas, da mesma forma que uma andorinha não faz a Primavera também uma paixão ilusória não tributa toda a Paixão. O problema não residirá na natureza arrebatadora e fugaz que caracteriza a maioria das paixões mas, mais, no facto de não a compreendermos e, por conseguinte, não aceitarmos o seu carácter singular. Singular, quanto à intensidade da sua essência. Singular, pelo facto desse fogo que arde tão visível nos deixar sensíveis apenas a determinados aspectos do alvo das nossas atenções mas, simultaneamente, ofuscados em relação a outros aspectos.

O problema reside na forma como lidamos com esse sentimento, como “negociamos” com a Paixão. A vida moderna, com o seu ritmo alucinante, mais os preconceitos e as convenções sociais, mais o crescente egoísmo de cada um de nós – somos cada vez mais exigentes com os outros e raramente atendemos ao reverso da medalha –, são factores que nos transformam em seres com pouca disponibilidade para aceitar as diferenças do outro, dificultando dessa forma a vivência da Paixão. Pelo menos, em relação à forma como ela tem integrado a cultura humana desde há mais de dois mil anos.

Assim, podemos identificar como causas que cada vez mais dificultam a ocorrência da paixão, a recusa de entrega incondicional ao outro e a incapacidade de aceitar aquilo que ele é - o conjunto das suas virtudes e defeitos. Insisto na importância deformadora desta exigência da perfeição. E como se isto não bastasse, concorre ainda o desconhecimento ou a incompreensão de que os sentimentos profundos não se estruturam sobre consensos feitos de cedências que buscam um qualquer compromisso ou denominador comum – coisa que não seria mais do que falsa harmonia, um autêntico pântano para a verdadeira Paixão.

Mas é a natureza intensa e arrebatadora desse sentimento que nos garante que ele não é uma ilusão. Bem pelo contrário, esse pulsar ardente, esse estado de vigília em que todos os sentidos estão despertos – com todos os nervos à flor da pele –, é uma das maiores afirmações de que estamos vivos, é um grito do ser concreto. Portanto, a Paixão encontra-se exactamente nos antípodas da ilusão. Ou não passariam de ilusões todas as maravilhosas criações da sensibilidade humana: a música, a poesia, e todas as artes, sempre movidas pela inquietude dos sentidos que a paixão provoca.

Hoje, procuramos moldar os outros à nossa imagem. Fazer com que se adaptem àquilo que somos. E que outra coisa se poderia esperar da cultura “fast-food”, do “pronto-a-vestir” e da “abertura fácil”, desta cultura de clichés repetidos ad aeternum?! Queremos tudo segundo um padrão por nós previamente definido (ou definido por outros e por nós inconscientemente integrado), tudo por encomenda. Mas as pessoas ainda não são fabricadas com ingredientes previamente definidos e seleccionados. O conjunto das nossas experiências pessoais, e o carácter único e diferenciador de cada um de nós, ainda garante uma razoável independência dos sentimentos em relação à cultura globalizante e igualizada que os mesmos humanos constroem. Valha-nos isso ou, então, sim, a Paixão seria uma simples quimera.

Nesta matéria, havendo problema para o qual se procure solução, não saberei eu indicá-la mas, em todo o caso, desconfio que passa por “rodar o objecto”, procurando os seus aspectos positivos, ainda que se trate de um objecto/acontecimento, aparentemente, exclusivamente negativo. Nada de mau do que me aconteceu na vida foi exclusivamente mau. Todos os acontecimentos negativos possuem um ou outro aspecto positivo, temos é que descobri-lo. E dar-lhe uso.

A ti, que dizes que a paixão é uma ilusão, desejo-te felicidades e faço votos de que venhas a conhecer, e viver, uma verdadeira paixão – ainda que raramente a Felicidade e a Paixão coexistam pacificamente.

claustro fobias VII (excerto)

II

António, encostado ao balcão, desviou a sua atenção das bolhas de gás em ascensão vertical no interior do copo de imperial e acompanhou, com o olhar, o grupo que deixava o bar rumo à noite estival algarvia. O alegre bando, de sete ou oito pessoas, terminara uma petiscada de chouriça assada, e outros condutos tradicionais, convenientemente regada com tinto de qualidade, suporte generoso para as conversas de navegações lacobrigenses, quer as da Internet quer as dos Descobrimentos. Sem outro motivo de atenção, António escutara, disfarçadamente, parte das conversas. Discretamente, sim, que isso de ouvir conversas alheias não é bonito - mas que culpa tinha ele se já não falavam só os falantes mas o licor também?! Suspirou de enfado, agora que terminava o único motivo de distracção e, com isso, ficasse ele em perigo de se remeter aos pensamentos de sempre, àquelas ideias em beco, tão enviesadas, estéreis e confrangedoras meditações.
Transposta a porta envidraçada, a animada tertúlia encontrou-se no exterior, admirando a enorme lua cheia que conferia ao casario fronteiro um aspecto estranho por via das sombras projectadas entre si e que a fraca iluminação pública não conseguia atenuar. Era uma esplêndida noite primaveril.
O homem saiu da sombra do prédio em construção avançando, hesitante e gingão, na sua reduzida estatura. Trazia, colocados, uns auscultadores enormes, de aparelhagem áudio, com o fio helicoidal pendurado ao longo da camisa escura; nesta triste figura de ar grotesco apresentou-se, balbuciando: - Boa noite. - Sou o Henriques.
(texto integral em pdf no cimo da página de entrada)

toda a gente é uma barata


"Só quem tem dinheiro é que se pode dar ao luxo de pensar no amanhã longínquo; quem não tem, preocupa-se com o amanhã do dia seguinte.” - Vanus de Blog em comentário no blogue TheOldMan
“Não é quem tem dinheiro que se preocupa com o amanhã longínquo. Isso é apenas uma “pose” como qualquer outro tique de “tia”, e fica tão bem como ter uma empregada chamada Matilde…” - Resposta de TheOLdMan a Vanus de Blog.

Gastam rios de dinheiro em sensibilização e educação ambiental. Fazem conferências, palestras, acções, brincam com os putos e inventam canções. Distribuem t-shirts, panfletos, jogos educativos, aqui e ali apõem autocolantes explicativos, dão voz a ilhas ecológicas e nome próprio às caixas de recolha de pilhas. Incentivam a adopção do sistema de separação do lixo, até o substituem, eufemisticamente, por “resíduos sólidos” aplicando o termo a toda a lixarada que produzimos. Enfim, perfumam a porcaria com Channel N9 (desde a porcaria matéria à porcaria mental) mas nada disso muda a mentalidade das pessoas, no essencial. Pudera, para além do eco obtido, com maior ou menor sucesso, junto da população escolar - a mais receptiva -, o grosso do problema mantém-se inalterado face a uma população a caminhar para o envelhecimento e em que as classes economicamente mais desfavorecidas não estão receptivas à "reciclagem" das mentes. E desenganem-se os peritos em ecologias e outras teorias quando obtêm sorrisos e anuências por resposta, julgando efectivada a conversão à sua mensagem, porque o que as gentes desejam mesmo é que lhes desamparem a loja. É assim em grande parte das periferias das cidades e nos aglomerados humildes de gente que vive “à rasca”. E eu compreendo-os. Porque raios hão-de colaborar na protecção de um mundo do qual não colhem as boas coisas? E podem ser criticados/responsabilizados por isso? Escutem o TheOldMan:“Só divido a responsabilidade quando compartilho igualmente das vantagens".

a beleza de Cleópatra


«Surgiu há dias com grande destaque mais uma descoberta "sensacional". Afinal Cleópatra não era uma beleza, contrariamente ao que sempre se pensou, isto de acordo com uma moeda em que se representa a efígie da famosa Cleópatra VII, a última da uma famosa linhagem da Dinastia Macedónica (Lágida) do Egipto.
Ora bem, a verdade é que esta moeda é conhecida há muitos anos, o que leva a perguntar qual o objectivo desta operação de marketing. Provavelmente a necessidade absoluta de aparecer, de ser comentado, visto, falado, etc. Esta discussão, afinal fútil, sobre a beleza da rainha egípcia também não é novidade nenhuma.
Quanto à fantasia que é a identificação física de Cleópatra com célebres actrizes, não apenas Elizabeth Taylor, mas também outras de quem já ninguém se lembra, como Claudette Colbert e a fabulosa Vivian Leigh, deixemo-la para os estudiosos do cinema e também para os que, como eu, têm saudades dos bons tempos do peplum e do cinema sem pipocas.
A História Antiga e a Arqueologia estão sob uma investida de vulgarização sem qualidade e de inaceitáveis operações ditas estratégicas, que, maioritariamente, mais não visam que apreender públicos, logo, verbas.
Já agora, alguém se interrogou sobre a evolução dos padrões de beleza? Basta olhar as senhoras de Rubens ou de Boucher, ou a Vénus de Arles, retocada para ficar ao gosto da corte do Rei Sol, para que se compreenda toda esta infantilidade intelectual. Até porque quem o feio ama, bonito lhe parece...»
Vasco Gil Soares Mantas (FLUC)

A este respeito ia tecer algumas considerações sobre o assunto da beleza e da sua reprodução artística quando me lembrei de algo que li, escrito por um velho colega meu – um bloguista do camandro. Aqui vai.

“A pintura e, em geral, a arte imitativa, por um lado, realiza a sua obra mantendo-se afastada da verdade, por outro, dirige-se àquilo que em nós existe de mais afastado da inteligência, fazendo-se sua amiga e companheira por nada de são nem de verdadeiro.”
Platão – República, X


Se quiser saber mais sobre a questão da beleza de Cleópatra julgada pela sua representação numa moeda, veja aqui, em inglês: http://www.ncl.ac.uk/press.office/press.release/content.phtml?ref=1171452331

claustro fobias - I




Remava o mais novo, calado e ouvindo o cadenciado mergulhar dos remos na água fria e invisível que a noite escondia. Avançavam lentamente naquele mar chão, de águas de chumbo. O outro falava invectivando pela enésima vez as faculdades mentais do remador: - És um imbecil, um parvo, uma autêntica cabeça de abóbora. Desde que enxofraste o juízo com essa ideia louca de quereres casar com uma freira, só fazes disparates. Onde já se viu, deixares acabar o gasóleo da traineira? E ainda faltam umas boas seis milhas para alcançar terra. Que burro! Mas que grande burro!

Natal?

"O italiano Piergiorgio Welby, que sofria de distrofia muscular progressiva e que há alguns meses pedia a suspensão do tratamento médico que o mantinha com vida, abrindo um amplo debate sobre a eutanásia na Itália, morreu nesta quinta-feira aos 60 anos."

A mesma Igreja que dá o perdão a um qualquer assassino e celebra missa pela sua alma, condena, excomunga e recusa celebrar a mesma homilia por um ser humano que, em sofrimento atroz e continuado, decide pôr fim à sua vida.
Esta recusa em reconhecer o direito de cada um dispor da sua vida, é uma das mais abjectas e ultrajantes atitudes da Igreja. Já em tempos de João Paulo II, a sua condenação pública dos movimentos latino-americanos da “teologia da libertação”, desmascarou claramente o arcaísmo e o distanciamento que a Igreja mantém em relação à realidade e aos problemas da civilização contemporânea.
Continua a ser uma Igreja que pretende estar mais próxima de Deus do que dos Homens. E uma Igreja, assim, agarrada a dogmas tão arredados da condição humana, só vai cavando a sua própria sepultura. E ainda bem, porque tamanho ninho de hipocrisia só merece mesmo é apodrecer. Apodrecer lentamente, para que não se “construam” mais mártires ou falsos profetas.

Bom Dezembro, e melhor Janeiro, para todos.

Um Conto de Natal


Eram quatro homens de meia-idade sentados no chão do segundo patamar da escadaria do metro. Tocavam instrumentos estranhos produzindo uma exótica e doce melodia e a criança dançava. Era uma menina com pouco mais de três anos de idade que se contorcia graciosamente ao som da música. Dançava, e sorria. Sorriu sempre, enquanto os transeuntes apressados entravam e saíam do metro. Num cartaz ao lado lia-se: Não queremos dinheiro, apenas um sorriso. Fosse pela sonoridade musical e beleza estética do conjunto ou pela mensagem inédita, os passantes hesitavam, suspendendo o ritmo do trânsito quotidiano e escutavam aquela singular banda de rua. Depois, prosseguiam na sua azáfama mas, agora, com um sorriso nos lábios e uma pequena alegria nos corações.

Anos volvidos, a pequena que então dançara no metro, pisava os maiores palcos da Europa e era aplaudida pela sua performance de dançarina, e pelo sorriso radiante que sempre ostentava, em público ou em privado, na actividade artística ou nos momentos mais reservados da sua vida.

Com mil cuidados, reservas e previdências fora educada na eterna presença do sorriso, na artificialidade de uma existência preenchida pela felicidade, sem margem para a tristeza, sem conhecer o sofrimento, sentir a mágoa, ou a mais simples desilusão.

No seu vigésimo aniversário conheceu um jovem de quem esperou um sorriso eterno, como o seu. Mas tal não era possível. O jovem não podia sorrir vinte e quatro horas por dia.

Pela primeira vez na sua vida encontrou a tristeza, sentiu a mágoa, experimentou o sofrimento e, desiludida, suicidou-se.

Há duas pessoas em mim

Há duas pessoas em mim.
De um lado há um sacana,
sentado à sombra de uma árvore,
que aceita a necessidade de ser egoísta
para poder escrever sem transigir
nas convenções, nos preconceitos
e nas hipocrisias do quotidiano.
Do outro lado há um homem
que se comove com o pardal juvenil
que cai da árvore.
Entre os dois, apenas a verdade
que interessa:
a árvore.

Até vi estrelas


Há duas coisas que sempre pensei deixar para a ociosidade da aposentação: a Astronomia e a Botânica. Assuntos de que pouco ou nada sei, ainda que me despertem a curiosidade.
Há dias, deportado para o quintal em companhia do meu “melhor amigo de quatro patas”, no decurso do exercício desse vício que nos queima diante dos olhos outros tantos euros como os que se volatilizam nas mãos dos nossos queridos governantes, segui o percurso ascendente da voluta de fumo expirado e pousei os olhos numa linda estrela de pulsar avermelhado.
É uma das estrelas mais notórias do quadrante Este do firmamento, nesta altura do ano. Desta vez, irritado pelo peso da ignorância, tomei a decisão de procurar identificar o astro em questão. E já agora, as outras quatro ou cinco estrelas mais proeminentes da abóbada celeste nocturna.
Regressei ao computador e à Internet e procurei um programa de mapas do céu. Acabei por descarregar e instalar o SkyMap.
Corrido o programa depressa introduzi as coordenadas geográficas de Lagos, escolhi a vista do quadrante Este e apreciei a miríade de pontinhos luminosos que salpicaram o ecrã negro. Um círculo irregular indicou a posição da Lua naquele momento, elemento referencial que me ajudaria a identificar as estrelinhas. Imprimi a imagem exposta no monitor (invertida, pois seria ridículo imprimir uma folha a negro) e, munido do papel ponteado, voltei à companhia do Bobi e das iluminárias celestes.
Identificado o alinhamento das três estrelas centrais da constelação de Orion, que se apresentava mesmo no centro do meu enquadramento panorâmico, descobri que a tal estrela que pulsava avermelhada era nada menos do que a famosa Betelgueuse.
E seguiu-se uma entusiasmante sessão de identificação de outras galáxias e sóis prestigiados (sobretudo pelas minhas leituras da colecção Argonauta): Aldebaran, Rigel, Procyon, etc.
Nessa noite é que vi as estrelas.

Referendo Sobre a Despenalização do Aborto


- uma posição -
«O que está em discussão não é a liberalização do aborto, nem sequer se se é a favor ou contra. Em causa está, tão só, a despenalização do aborto. E alguém pensa que as mulheres que abortam o fazem com espírito festivo e leviano?» Anónimo na Internet.



Abortar é uma decisão que, embora possa ser discutida com maridos ou namorados, em última análise diz respeito apenas à mulher pois o grau de envolvência do homem depende da profundidade da relação estabelecida entre o casal, e essa é muito variável. Assim, ao votarem pela despenalização, os homens não estarão apenas a marcar a sua posição sobre o assunto mas, sobretudo, a dar um voto de confiança às mulheres e a colocar o centro da decisão onde ele realmente pertence. Trata-se de deixar em aberto a possibilidade de cada mulher poder fazer essa escolha. E essa possibilidade dever ser garantida pois corresponde a uma das liberdades fundamentais do indivíduo.


Por outro lado, se invocamos valores éticos e morais, então já chega de ignorar as terríveis consequências do aborto clandestino, situação resultante da Lei em vigor no nosso país. E aqui reside o cerne da questão. Será que a despenalização do aborto destina-se apenas a evitar a chaga social do aborto clandestino? Penso que não. A despenalização vai também permitir à mulher que pretende realizar um aborto, o contacto com técnicos de saúde, nomeadamente na área da psicologia, criando oportunidades e condições para melhor avaliar a sua posição. Assim o revela a experiência de países em que o aborto é legal, e que registam uma considerável percentagem na reconsideração das suas posições e, consequentemente, das suas decisões finais. E é fácil compreender isto se considerarmos que na situação actual a mulher tem que tomar uma decisão tão difícil num ambiente de quase total isolamento, sem qualquer apoio e em condições de fragilidade psicológica e emocional. Só por si, este facto constituiria razão suficiente para dizer SIM à despenalização da IVG.


«Como acho que abortar é matar um ser humano começo sempre por dizer que, para mim, a vida começa na fecundação. Eu gostava que, pelo menos uma vez, alguém favorável ao aborto dissesse quando começa a vida para ele.» Anónimo, na Internet.


Paradoxalmente, muitos dos que pretendem defender os inocentes pré-nascituros de tão vil acto, são os mesmos que abençoam as guerras que devoram tantos jovens, como alguém muito bem disse: «...as guerras alimentam-se de fetos crescidos cujas mães trataram e acarinharam durante cerca de vinte anos.» E são também os mesmos que dinamizam campanhas não só contra a despenalização do aborto mas também contra o uso de contraceptivos, nomeadamente a pílula do dia seguinte, existindo até farmácias que se recusam a vendê-la (o que é ilegal!), apelidando-a de método abortivo, quando a Organização Mundial de Saúde afirma que «as pílulas anticoncepcionais de emergência não interrompem a gravidez e, por conseguinte, não constituem uma forma de aborto». Até apetece perguntar: e para estas hipocrisias não há referendo?


O Bispo do Porto não concorda com a penalização das mulheres que praticam o aborto. Em entrevista ao EXPRESSO, D. Armindo Lopes Coelho assume esta discordância com a posição oficial da Igreja, mas explica que a única solução para o problema é a criação de condições sociais para que as famílias possam criar os filhos.


Mas como, entretanto, os nossos governantes não conseguem criar essas condições, respondo SIM à pergunta: Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
.



thanks to: http://semiramis.weblog.com.pt/ e http://theoldman.blogspot.com/

gosto de outras paragens, mas não do acto de viajar

Que é como quem diz: gosto de estar, mas não de ir e vir. Sempre fui assim. Quando se aproxima a viagem agendada aperta-se-me qualquer coisa no fundo do estômago. Irritam-me os horários, as ligações e mudanças de transporte, a bagagem. Depois, é a sensação de preferir estar noutro lá que não aquele, ou mesmo estar cá. Enfim.
Os artigos que encontrei na net referentes ao velho sonho da teletransportação - suscitados pelos livros e filmes de ficção científica - dão conta do estado actual do conhecimento da "mecânica quântica" (espero que o termo seja correcto).
Aqui ficam as transcrições e os respectivos endereços.



Teletransporte

"... a equipa de Eugene Polzik conseguiu teletransportar foi a informação quântica de uma nuvem de átomos de césio para outra nuvem situada meio metro ao lado. Mas deu um salto gigantesco ao conseguir ler a informação quântica original (à tempeatura ambiente, e não a poucos graus Kelvin) sem a destruir. Este era um dos grandes óbices ao processo do teletransporte e está bem patente no princípio da incerteza de Heisenberg. E o que é que vamos fazer com isto? Saltar directamente da cama para o posto de trabalho sem necessidade de estar em filas de transporte? Fazer a barba e encher o bandulho pelo “caminho”? Ainda não. As aplicações imediatas são na comunicação e computação quântica, para a qual já há protótipos em curso. Traduzindo por miúdos: computadores e comunicações estonteantemente mais rápidos. Isso, sim, é um futuro próximo."
http://inacreditavel.ioio.info/
Danish scientists achieve advanced quantum teleportation
at http://www.iskenderiye.com/wordpress/?cat=12078