A Democracia Rançosa 2

PJ – Alvo a abater
«Digo-vos com a simplicidade do que não deve ser dito: sinto-me tão independente como sempre, serei tão independente como sempre.»
Dr. Alípio Ribeiro, no seu discurso de tomada de posse como Director Nacional da Polícia Judiciária – 10 de Abril de 2006
Face ao recente volte face do caso Maddie, como devemos entender, agora, as palavras do Dr. Alípio Ribeiro? Independente como sempre, ou acto intencional do mandatado liquidatário do que resta da melhor polícia de investigação criminal que o país teve até hoje?
Vejamos o que gritam os políticos dos dois grandes partidos. Uso o discurso de um político do meu partido por estar mais à mão (e porque do outro tratarão, à frente, vozes mais abalizadas).
«Rui Rio afirmou entre outras coisas que o poder político é fraco e que o problema do País é político e não económico. E sustentou esta sua afirmação com o facto de cada vez estarem criadas menos condições para que as pessoas se sintam atraídas pela política. Acrescentou que se tem que acabar com atitudes demagógicas em relação aos salários dos políticos, e que estes têm que ser bem pagos, sob o risco de não se atrair para a política os quadros mais qualificados. Logo, menos gente, mais mediocridade, menos capacidade política para resolver os problemas económicos do País (…) Mas Rui Rio foi contundente quando afirmou que o maior problema do País é a JUSTIÇA e que esta está a invadir o Poder Político. Por tudo e por nada se aplicam providências cautelares, o que resulta numa degradação do Poder Judicial. É preciso travar a politização da Justiça e é mesmo necessário que os Juízes sejam avaliados, porque, na sua opinião, não podem estar acima dos comuns mortais.
Quanto à Comunicação Social, acha Rui Rio que ela é cada vez menos social e que devia estar condicionada.»
Nídio Duarte in O CONGRESSO DO ALGARVE E RUI RIO - CanalLagos 20-11-2007


E quando eles conseguirem controlar a polícia e os tribunais, deixam de existir políticos arrolados em processos de corrupção, pedofilia, peculato, e outros mais e, se, mesmo assim, algum episódio escapar às “anti-malhas” da justiça, o controle da comunicação social impedirá que o eleitorado tome conhecimento de tal facto. Serão necessárias mais evidências de que está em marcha um processo de desdemocratização do país?
Vejamos o que está a ser feito, no intuito de tornar todas as polícias directamente dependentes do Governo. Atentemos no que dizem os profissionais da Polícia Judiciária.
«Inspector diz que PSP e GNR querem extirpar PJ
A situação que vivemos actualmente é a mais recente tentativa de enfraquecimento e de, pelos vistos, desmantelamento da PJ." Esta é apenas uma frase de um documento elaborado pelo inspector Mário Coimbra, elemento da direcção da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC). No texto, o inspector declara ainda que o poder político não gosta das investidas dos "impertinentes" investigadores da PJ contra uma "impunidade confortável, opaca e imune".
Num documento intitulado "A crise da PJ vista do seu interior", disponibilizado em www.asficpj.org, Mário Coimbra descreve desta forma o actual contexto: "O Governo e certos governantes e políticos em especial já não se livram facilmente da suspeita de que ficaram incomodados com a investigação a certos crimes e que estão a reagir, pela via legislativa." O tom duro das críticas estende-se a "outros responsáveis colaterais que têm vindo a actuar face à PJ com o mesmo respeito que os abutres têm pelos despojos deixados pelos predadores". Daí que Mário Coimbra denuncie que está em curso a "mais recente tentativa de enfraquecimento e de desmantelamento da PJ". Enumerando, em seguida, os responsáveis: os "falcões" portugueses adeptos da "americanização" da segurança interna, "militares activos, reformados e desempregados que aspiram por uma guerra, os "políticos que fizeram carreira na Defesa, na Administração Interna e no SIS" e as "hegemónicas e imperiais chefias superiores da PSP e da GNR e respectivas inteligentsias, para quem a PJ é e sempre foi uma espécie de abcesso irritante no sistema policial, que tem de ser extirpado, custe o que custar, por absorção e/ou pulverização".
Mário Coimbra rejeita qualquer modelo de índole securitária que faça com que a polícia portuguesa caminhe para a "realização de operações à americana", defendendo a "cultura democrática" e a forte consciência ética e deontológica dos limites constitucionais e legais da investigação criminal e do combate ao crime".
Num registo irónico, afirma ser "impensável que alguém do Governo viesse dar uma ordem à PJ para investigar seja o que for, fora de um inquérito ou de uma averiguação sindicada" pelo Ministério Público. Ou que "alguém no interior da PJ tivesse a veleidade de começar a combater o terrorismo com as mesmas armas do terrorismo".
A finalizar, escreve o inspector, "seria absolutamente impraticável, que alguém do Governo mandasse a PJ vigiar um juiz, para lhe encontrar fragilidades, na vida privada, susceptíveis de serem utilizadas para condicionar a sua livre apreciação e decisão, num processo de corrupção com políticos poderosos". Tudo se passa, segundo o autor, perante um Ministério Público "distraído e apático". Ao DN, Carlos Anjos, presidente da ASFIC, disse que o documento de Mário Coimbra, que integra o Conselho Europeu de Sindicatos de Polícia (CESP), reflecte o actual estado de espírito interno na PJ.»
Carlos Rodrigues Lima in D.N. 07.04.06
E o Presidente da ASSOCIAÇÃO SINDICAL DOS FUNCIONARIOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL da POLÍCIA JUDICIÁRIA segue no mesmo tom.

«(…) Este governo absolutista, com o famoso PRACE – Plano de Reestruturação da Administração Central do Estado – que todos conhecem pretende uniformizar toda a administração pública, independentemente das diferenças entre as diferentes profissões dos funcionários do Estado. Todos os funcionários públicos, nos últimos dois anos, foram confrontados com dificuldades acrescidas, impostas pelo actual governo, a coberto do urgente “Controlo da Despesa Pública”. Um controlo que parece estar a ser feito unicamente à custa dos funcionários públicos, estigmatizados como «parasitas do sistema».
Os estigmas lançados sobre os funcionários públicos foram de tal maneira intensos e recorrentes que até parece que foram estes que criaram o sistema em vigor; que durante anos ocuparam as cadeiras do poder executivo e legislativo; que atribuíram a si próprios e aos seus amigos, vencimentos exagerados e outras mordomias, bem como reformas, em muitos casos, iguais ou mesmo superiores às dos países mais ricos do mundo.
(…)
…ameaça maior que tem estado sempre latente e pendente sobre a PJ, qual Espada de Democles!: a apetência do Ministério da Administração Interna pela tutela da PJ; articulada com o ataque da PSP, não apenas a algumas das nossas competências, mas evidenciando um projecto de absorção da PJ, no seu todo – seja sob a forma de integração da PJ e do SEF, na estrutura da PSP; seja pela unificação das três forças numa só, a designada Polícia Nacional, uma pseudo nova entidade, que na prática seria formatada com a cultura organizacional da PSP. Não posso deixar de considerar que do lado de lá estão profissionais, diria mesmo, grandes profissionais, que nos conhecem muito bem (como nós os conhecemos), que nos têm vindo a estudar exaustivamente, tanto as virtudes como, principalmente, os nossos defeitos. Este ataque vem sendo preparado há anos (e ainda não parou) e quando no 1.º Congresso de Investigação Criminal, no Porto (Março de 2006) afirmei estar atento e que consideraríamos todos as OPA’s lançadas sobre a PJ, como hostis, não estava a filosofar, estava a falar bem a sério. Há muitos anos que os estrategas da PSP apostam no desaparecimento da PJ. Existem pelo menos dois livros no mercado editados pela Almedina, da autoria de dois oficiais superiores dessa instituição onde esse desiderato é claramente assumido, dizendo-se aí sem qualquer prurido, que a PJ não tem razão de existir e que somente por incapacidade politica e por medo de afrontar interesses corporativos (penso que sejam os nossos interesses!), é que esta situação não é resolvida, com a nossa integração nessa polícia global, possuidora de todas as valências: a PSP.
Primeiro, tentou retirar-nos a competência ao nível da cooperação internacional, através do já referido PRACE. Felizmente não o conseguiu. Da análise da factualidade tal como a conhecemos hoje, tudo nos leva a concluir que, como tal desiderato não foi conseguido pela via anteriormente referida, foi idealizada uma outra, mais refinada, susceptível de poder vir a produzir de outra forma, os resultados pretendidos. Assim, começou por se envolver a Universidade. Foi assim criado um protocolo com o Instituto Para as Relações Internacionais (IPRI), da Universidade Nova de Lisboa, e encomendado um trabalho, que tinha como título “Estudo para a Reforma do Modelo de Organização do Sistema de Segurança Interna”. A coordenação da equipa responsável por este estudo era, inicialmente, da responsabilidade do actual Ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira. Com a sua saída para o MD, o seu lugar foi ocupado por um outro catedrático, o Dr. Nelson Lourenço, pessoa que durante muitos anos trabalhou para a Polícia Judiciária, na área da estatística e demonstração de resultados. O caricato neste grupo de trabalho começou por ser logo a escolha dos assessores. Uma escolha que deveria ter sido reveladora da mais profunda honestidade, transparência e igualdade entre as forças de segurança a estudar, mas que se tornou escandalosamente no seu contrário. È que foram escolhidos somente um oficial superior da GNR e cinco oficiais superiores da PSP! Coincidência ou talvez não, dois destes são, precisamente, os mesmos que em trabalhos já publicados visam o fim da
PJ e a sua integração na PSP ou numa nova PN. As respectivas observações e argumentações são até repescadas, para esse estudo, sem grande alteração ou refinamento.
Curiosamente ou talvez também não, os países cujos modelos de polícias foram estudados por este grupo universitário do IPRI (Espanha, França, Bélgica e Áustria) são, precisamente, os mesmos que haviam sido estudos por um daqueles elementos da PSP, no seu trabalho de tese de doutoramento e publicado pela livraria já referida. Curiosamente ou talvez também não as conclusões do estudo recentemente publicadas são exactamente as mesmas a que chega aquele oficial da PSP. Quis o destino e o sentido de oportunidade da ASFIC/PJ, que quando a primeira parte desse relatório foi apresentada publicamente com pompa e circunstância, estivesse apta a lançar o livro com as principais intervenções do 1.º Congresso de Investigação Criminal, sobre esta matéria. Com uma vantagem para nós: não fizemos estudos em causa própria nem encomendamos favores, limitamo-nos a solicitar, indirectamente, a colaboração dos mais reputados especialistas sobre a matéria, de cada país, sem os conhecer.
(…)
Foi desta forma simples e honesta que foi possível travar, nessa fase, o curso do destino e a impetuosidade do MAI e dos seus «colaboradores». Mas, a verdade, é que estes «inimigos» da PJ não desistiram. Em Dezembro de 2006, apresentaram o Relatório Final, onde, claramente, no que concerne à organização do sistema policial, apontam como «o melhor cenário», o famoso «CENÁRIO X», que visa a manutenção da GNR e a integração de todas as outras forças policiais numa nova Polícia Nacional, onde coabitariam as actuais PSP, PJ e SEF. Tanto trabalho para chegar a uma conclusão tão previsível e a que tinham chegado já os tais assessores independentes, há meia dúzia de anos. Mas não se pense que este relatório não era importante ou que o governo não lhe atribuiu nenhum valor. Toda a reforma da Lei de Segurança Interna e a apresentação do novo Sistema Integrado de Segurança Interna (SISI), teve como única fonte inspiradora, exactamente este documento. (…) Muito mais importante do que os potenciais ganhos de carreiras ou outros, travámos, no último ano, uma luta terrível pela sobrevivência de um modelo de PJ, que deu e continua a dar provas de vitalidade e de eficácia, com profissionais que sempre desempenharam cabalmente a sua missão, tendo como objectivo único, o garantir uma melhor segurança e justiça a todos os seus concidadãos. (…) Assim, findas essas negociações, conseguiu-se que o governo não encerre nenhum dos DIC’s da PJ, (…) que ficaria confinada, apenas, aos grandes centros urbanos, perdendo não só informação, como uma visão global do país. Foram mantidas todas as competências da PJ. Opusemo-nos, tenazmente, àqueles que nos queriam empurrar para áreas muito restritas da criminalidade, circunscrevendo-nos a tipos de crime muito concretos, o que, no futuro, a nosso ver, poderia ser o fim da Instituição, a curto prazo. Nesta área, a PJ foi visada, não apenas pelos outros órgãos de Polícia Criminal, que queriam mais competências na área da criminalidade violenta e tráfico de droga, conforme atrás referi, mas também pelo Ministério Público, que queria e quer mais visibilidade na área do combate à denominada criminalidade de colarinho branco, querendo-nos manter, apenas, como uma espécie de funcionários especializados para todo o serviço, particularmente, para podermos ser responsabilizados pelos inêxitos das investigações, já que, relativamente aos êxitos, esses claramente teriam dono certo. Conseguiu-se ainda manter na orgânica da PJ, toda a área da Cooperação Internacional, bem como a Unidade de Informação Financeira, muito pretendida, principalmente, pelo Banco de Portugal, bem como o Sistema Integrado de Informação Criminal, como sistema central da informação policial, o qual continuará a ser gerido pela PJ.»
Excerto do discurso “BALANÇO DE GESTÃO DA DIRECÇÃO NACIONAL CESSANTE”, proferido por Carlos Anjos, Presidente da ASFIC/PJ no V CONGRESSO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO SINDICAL DOS FUNCIONARIOS DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL da POLÍCIA JUDICIÁRIA (ASFIC/PJ) - Lisboa, 26 de Março de 2007

A Democracia Rançosa 1


«...Tenho 47 anos de serviço ao Estado, nas mais diferentes funções de grande responsabilidade, sei como se pode governar com sentido de serviço público, sem qualquer vantagem pessoal, e sei qual é a minha pensão de aposentação publicada em Diário da República, sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias. Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido. Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa. É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões. Isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta. Os sintomas são iguais aos que aconteceram no final da Monarquia e da I República, sendo bom que os responsáveis não olhem para o lado, já que, quando as grandes explosões sociais acontecem, ninguém sabe como acabam. E as más experiências de Portugal devem ser uma vacina para evitar erros semelhantes na actualidade. É espantosa a reacção ofendida dos responsáveis políticos quando alguém denuncia a corrupção, sendo evidente que deve ser provada; e se olhassem para dentro dos partidos e começassem a fazer a separação entre o trigo e o joio? Seria um bom princípio! Corrija-se o que está errado, as mordomias e as injustiças, e a tranquilidade voltará, porque o povo compreende os sacrifícios se forem distribuídos por todos.»
General Garcia Leandro, Presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo
in EXPRESSO de 2/2/2008 -
Retirado daqui


nota do autor deste blogue: "É espantosa a reacção ofendida dos responsáveis políticos quando alguém denuncia a corrupção" Pois, fingem-se virgens a gritar de terror numa casa de putas!

eco logias


Não sou contra as campanhas ecológicas e de educação ambiental mas admitamos que tal consciência pouco tem mudado, em termos concretos, a nossa sociedade. Ao invés, essas campanhas tendem, por vezes, a deixar-nos com a falsa sensação do dever cumprido, quer por parte de quem as promove, quer junto de quem nelas participa, quer ao simples cidadão que aprecia pelo canto do olho um qualquer cartaz apelativo à defesa do ambiente e pensa “Estamos sensibilizados, exercemos o poder reivindicativo, estamos a tratar disto”. Nada mais enganador. Os governantes apenas são sensíveis a números. Números que tecem e destecem as malhas da economia nacional, valores das taxas de inflação e do PIB, quantidade de votos que podem conquistar nas eleições. E esta dinâmica não abrange a equação e a aposta na resolução dos problemas que não lhes caem sobre a cabeça, no imediato.
Podem as campanhas de sensibilização ambiental ser muito interessantes mas as soluções dos problemas que nos afectam, e irão afectar, no futuro, passam é pela alteração do modelo energético e não pela abordagem mais ou menos cuidada e repetida de um ou outro aspecto cultural e formativo.
É o modelo de sociedade que se discute quando discutimos o modelo energético. E é esse caminho que tem que ser trilhado. É essa a discussão, a da adopção de um novo modelo energético. Não só porque resolve grande parte dos problemas de agressão ambiental mas, sobretudo, porque resolve os problemas da dependência energética de muitos países e, consequentemente, resolve importantes problemas económicos, óbice ao tal desenvolvimento sustentado que, apesar de profusamente apregoado, não tem passado de uma miragem. E essa discussão, com adopção de decisões concretas tem que acontecer, quer por contingências impostas pela degradação das condições económicas, quer como resultado da consciencialização dos governantes ou da pressão da opinião pública. É óbvio que as mudanças ocorrerão mais devido ao primeiro factor, do que aos restantes, porém não será dispiciendo o “investimento” no último deles.
Segundo António Sá da Costa, presidente da APREN, em 2007, cerca de 39% da electricidade foi produzida a partir de energias renováveis dividindo-se a origem da energia consumida em Portugal, desta forma, e tomando por exemplo o consumo de electricidade durante uma hora: 16 minutos provenientes do gás; 15 minutos de hídrica; 14 minutos do carvão; 7 minutos de importação; 6 minutos de eólica; 2 minutos de biomassa; 1,5 segundos de fotovoltaicas. E não será, isto, indicador suficiente de que podemos dispensar a energia nuclear? A tal que implica uma espera de 10 anos após a sua activação – uma central nuclear leva todo este tempo até entrar em operação regular. Por outro lado, o investimento em fontes de energias alternativas ficará mais barato do que os 3 mil milhões de euros que custa uma Central Nuclear que, por sua vez, não conseguirá fornecer mais do que escassos 20% do consumo total do país. Ora, quase o dobro, foi o que se conseguiu produzir em 2007 no nosso país, e sem o recurso ao nuclear. Os nossos vizinhos do QUINTUS, apresentam um interessante artigo acerca de uma outra fonte de energia em que somos ricos, leiam aqui.

aerogeradores de Valpaços - Vila do Bispo
Postes de Alta Tensão na Mata de Barão de S. João, irão servir o novo parque eólico que aí se instala


Temos vento, temos mar, temos fabricantes de turbinas, só falta o querer dos "chefões"?!

Felizmente não flutuam


Os salva-vidas da praia de Oreti, na Nova Zelândia, tiveram uma tarefa pouco usual num destes domingos. Passaram o dia à procura de uma mama de silicone que uma turista perdeu ao mergulhar. Rapidamente, toda a praia se mobilizou na busca da prótese: salva-vidas, crianças, gente nova e menos nova. O objecto acabaria por ser encontrado, muito mais tarde, por um funcionário de um hospital.
Felizmente, as próteses de silicone não bóiam, ou seriam mais um perigo para as tartarugas que já asfixiam e morrem com os sacos plásticos, tomados por medusas.


Você gostaria de saber quem é?

VOCÊ GOSTARIA DE SABER QUEM É?
Eis uma questão que a maioria das pessoas não coloca a si própria, porquê?


Decididamente, para os padrões comportamentais que, racionalmente, de há muito, adoptei, sou um tipo completamente doido. Oscilando, ao longo do dia, entre momentos em que recuso combater, ocultar, recalcar a minha verdadeira natureza, amigável, extrovertida e generosa e momentos outros, em que me entrego à mais rigorosa representação teatral de um personagem quase maquiavélico, provocando, suscitando reacções e explorando as emoções nos outros* ou celebrando rituais de uma paranóia que vê conspiradores e perseguidores em esquina sim, esquina não, em dias igualmente alternados. Sim, alternados, porque também tenho outras coisas para fazer.
E assim passo os dias, brincando com letras, fazendo com que estas pareçam o que não sou, deambulando pelas páginas em branco, em busca de mim. Perdido? Se assim é, está muito bem. Horroriza-me a ideia de chegada, de viagem terminada, de encontro final, tal como me incomoda a ideia de partida. Eu quero é estar a caminho, no meio da caminhada, em deambulação permanente, mesmo que errática. Isso é que dá cá um gozo. Que vem aí agora? O que vai acontecer a seguir?
Ter a perspectiva de um amanhã totalmente agendado, um futuro previsto, ideias arrumadas, atitudes estandardizadas, isso é o Diabo.
Isto é para ser levado a sério? Perguntará um dos meus cinco leitores assíduos. Claro que sim! Tanto quanto é possível levar a sério tudo o que se escreva num blogue com o subtítulo deste. Será, isto, esclarecimento suficiente para uma leitora ocasional que em tempos manifestou interesse acerca das cogitações sobre mim próprio?
E já agora, uma última interrogação, múltipla: E que EU fui eu quando tive esta reflexão? Foi produto do indivíduo natural ou do artificial? Em qual dos tais momentos me encontraria?






* Sobre isto disse um dos meus clones, naquilo que escreveu em resposta a um anónimo - supostamente detentor da verdadeira definição de Cultura -, que entendeu atacar-me, numa troca de comentários no saudoso blogue 5pontas: «Primo anónimo, o efe - também conhecido por chiquinho – que conheço desde os tempos de escola, que é um gajo preguiçoso – quando podia ser brilhante – que faz fotografias muito abaixo da sua capacidade, que escreve umas coisas engraçadas mas pouco consistentes - porque não leva nada a sério - que não resiste a colocar os outros no fio da navalha - não por maldade mas porque encontra nisso uma forma de aprender com as reacções que provoca, atitude que revela falta de respeito pelos outros, diga-se de passagem – este rapaz que é engenhoso a reduzir a margem de argumentação aos seus opositores, acaba de te dar uma pequena lição de humildade. Ou então não passou de mais de uma provocação do chiquinho na qual embarcaste de cabeça. O efe é um tipo porreiro mas apenas os que o conhecem bem podem estar completamente à vontade com ele. Se não gostas dos argumentos dele, ignora-o. Não lhe dês troco.»Claro está que o anónimo se calou, para não passar por parvo, depois de uma advertência destas. E, por arrasto, houve mais alguém que também se calou, ou que nem chegou a abrir a boca, quando se preparava para o fazer, elucidado com tal explicação do meu clone. Eis como se silenciam alguns cromos inteligentes da nossa praça. Basta retirar-lhes a tal margem de manobra ofensiva, ou criar-lhes a ilusão de que já têm um exército a seu lado.

Vamos à Festa?

Eu: - A História insiste em afirmar-nos o facto em que é mais profícua. O da nossa enorme falta de capacidade em dirigir. Não fossem alguns estrangeiros (oportunistas, nas mais das vezes), e outros de sangue luso que recolheram experiências diferentes e formação em terras distantes, os exemplos de verdadeira liderança de berço luso, ocorridos ao longo dum milénio de História, contar-se-iam pelos dedos das mãos. Daqui se deduz que imputo, claramente, aos que dirigem, o mau resultado da nossa prestação enquanto Nação, País e Estado.
Evidentemente, os dirigentes não são só os políticos mas também os empresários, os directores, os chefes. Todos os que, mal preparados, não sabem nem nunca souberam dirigir. Recomendar-lhes que sejam mais humildes é tarefa infrutífera, sendo, até, perigosa pois tende a conduzir-nos ao desditoso “discurso do desgraçadinho”, esse oposto da “nacional cagança”.
Melindrados, confrontados com um discurso crítico ensaiado por figuras sensatas que esporadicamente, muito esporadicamente, erguem a cabeça e bradam, rapidamente soçobram nos braços do desânimo, remetendo culpas para o eterno fado de ser português, imputando ao sobrenatural – como se vivêssemos ainda na alvorada da civilização, no tempo dos mitos – amaldiçoando o azar, acendendo círios à Divina Providência. Portugal não teve nunca nenhuma revolução social significativa. Não temos uma única figura digna de figurar na história do pensamento sistemático. Até, por isto, não poupo culpas à ignara herança cultural judaico-cristã mas, sobretudo, a estulta visão que o catolicismo construiu do mundo, do Homem e de Deus.
Herdeiros, cultores e defensores acérrimos de tais desvalores, perdemos tempo e energias comprometendo e delapidando o património mais valioso da nossa aventura comum, o potencial humano: sempre profundamente condicionado, muitas vezes escravizado, encarcerado, sovado e, bastas vezes, expulso para lá das fronteiras.
E a Globalização não augura mudanças correctivas pois que os dirigentes continuam néscios e as novas gerações não alcançam outro alimento cultural que não seja coisa fútil e estéril. Na hora de regressarmos ao Mar, em força e com determinação, em busca de sustento económico, construindo uma esperança credível no futuro, continuamos a olhá-lo contemplativamente, como fonte inspiradora para contos e poemas, enquanto, sentados, aguardamos o regresso da frágil e pueril figura messiânica sebastianina.
E tudo isto porque sempre estivemos na periferia da Europa, nunca na Europa e, hoje, que tentamos integrá-la, continuamos ausentes nela/dela. Vivemos a ilusão de ter retornado à Europa, mercê de integrarmos as estruturas da União e desta recebermos fartos pecúlios. Ora, a Europa não é casa nossa, não é pertença nossa. Primeiro, porque nos tempos mais remotos que vêm do antes da História, os influxos externos tardaram sempre a chegar a esta fronteira da civilização com o Nada que era o Oceano, como tal andámos sempre desfasados do tempo e das dinâmicas continentais, depois, mais tarde, porque embarcamos para sulcar esse Oceano e afastámo-nos da Europa. Enquanto isso, o centro-Europeu, esse caldeirão de dinâmicas políticas e sociais encetou o seu caminho, procurou respostas nas revoluções sociais e mentais, de que Copérnico e as guerras de camponeses são exemplo. E operou mudanças importantes: alterou a paisagem humana fazendo emergir novas vivências secularizadas, naturais, livres. Nós, não. Embarcámos e fomos por aí, à descoberta de novos espaços, novas realidades livres dos condicionalismos europeus, espaços onde pudéssemos recomeçar. Fugimos da Europa. No entanto, agora queremos estar de volta. Ora, será que a nossa mentalidade, a forma de ver a Europa, e a disponibilidade para participar nela, mudou consideravelmente? E nós, construtores acidentais de um diálogo com outros espaços além-mar, criadores de uma nova concepção do próprio espaço-mundo afastámo-nos dessa criação e esboçamos, de forma ténue, o desejo de pertencer a essa Europa que, afinal, sempre, intencionalmente, ignorámos. E acreditamos que ela nos traz a salvação, a renovada oportunidade de recomeçar, esse alimento da nossa eterna insatisfação e inquietude.
Mas não é assim. Não virão de fora as soluções, nem de dentro da Europa, pois que não estamos verdadeiramente nela. E continuamos ancorados à falsa memória de um Império rectangular, à beira mar plantado. Um Império de riquezas, facilidades e venturas que nos cabem por direito sagrado e divino como o anunciou Camões.
Assim reflectindo, concluo que o novo ano não augura melhorias. Encravados entre as ditas reformas do Estado; a manutenção, senão agravamento, do deficit; a ausência de crescimento económico; o aumento do custo de vida; a dissolução das, já, frágeis, condições de acesso à Saúde e à Justiça; 2008 afigura-se-me como mais um ano de degredo interno, nesta enorme penitenciária em que o País se tornou. Presos uns, guardas os outros, reclusos todos.
Voto para o novo ano: QUE SE MEXAM E PROCUREM MUDAR ISTO. Participem, procurem informação, duvidem, discutam, sejam críticos e exigentes. Abram os olhos, O PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER.
O meu outro EU: - Não sejas parvo, não vês que não está ninguém em casa?! A malta tá na festa!!!

Enganei-me. Era para ser um conto de Natal mas saíu de princesas... que se lixe, serve na mesma!


Era uma vez uma princesa muito linda que viva num velho e enorme castelo no País do Inverno Eterno. Não era bem um castelo mas sim um grande perímetro amuralhado, daqueles com várias muralhas defensivas, embora algumas delas já estivessem meio derrubadas. Ela vivia numa pequena parte, mesmo lá no coração do castelo, numa espécie de palacete ricamente decorado. Aborrecia-se a linda e gentil infanta da vida monótona que levava, pois ali nunca havia festas nem gente alegre nem visitas interessantes. De vez em quando, muito raramente, metia-se na sua carruagem e voava até aos castelos vizinhos, buscando um pouco de entretenimento nalguma recepção a dignitários estrangeiros, na vernissage de esculturas em espinhas de peixe ou numa festa de aniversário dos seus pares. Mas ali era o Pais do Inverno Eterno, pelo que as festas eram sempre parcas em alegria e animação e quase todos os convivas eram velhos, barbudos, gotosos, catarrentos e desinteressantes. Sentindo crescer, dia após dia, a tristeza da linda princesa, o velho castelo não sabendo que mais fazer para alegrar a vida daquela que era o raio de luz do seu amontoado de antigas pedras, resolveu comunicar teluricamente com os seus irmãos e primos amuralhados de países vizinhos. Comunicou-lhes, por processos que só os castelos conhecem - usando a propagação das ondas nos solos rochosos que cobrem o manto terrestre - que havia com ele uma linda princesa que se achava sozinha, e assim pediu aos seus pares fortificados que o dissessem a todos os príncipes que abrigavam em si. E que viessem todos conhecer tão formosa princesa. Alguns vieram logo mas, ou eram também velhos ou muito deselegantes. Quase perdida a esperança eis que, um dia, chega ao Castelo da formosa princesa um garboso príncipe, montando um belíssimo corcel branco e envergando uma magnífica e reluzente armadura vermelho Ferrari. Na mão esquerda trazia uma flor enorme com pétalas coloridas cada qual com uma das cores do arco-íris, e no rosto o mais belo sorriso. No olhar, uma renovada luz de esperança. A princesa recebeu-o de braços abertos irradiando uma enorme felicidade. Toda a felicidade que é possível irradiar sem licença da ASAE e da ANACOM (autoridade nacional das comunicações). Está claro que ficaram juntos. O encontro destes dois apaixonados em breve transformou todo o País do Inverno Eterno num lindíssimo Pais da Bela Primavera.

Moral da História: Não sejam parvos, a Primavera vem na mesma, sucedendo naturalmente ao Inverno. Não vale a pena andarem por aí a esvoaçar promiscuidades, de castelo em castelo, arriscando uma multa da BT, ou sarilhos mais complicados com as duas outras siglas referenciadas.
Bom Natal para todos (até parece que são muitos). Reformulo: Bom Natal para vocês os 5… e para o cão também.
;)

o amor já não é o que era


Caro Dr. Coração:
Gosto de um rapaz que tem namorada, eu e uma amiga minha já gostamos dele ao mesmo tempo mas acabou muito mal a história.
Não sei porque é que dizem que o amor é bonito entre duas pessoas. Pessoas que se podem completar com uma só palavra, o que é muito bonito num mundo de sonho de fantasia, mas em um mundo real é tudo menos bonito.
Não sei se ainda acredito que alguém um dia me possa amar e ficar comigo, só sei que por amor já sofri muito. Tive um namorado que me apostou, traiu-me com a minha melhor amiga na altura, e (...) eu acreditava que ele era o homem da minha vida.
Mas estava a viver no meu mundo de sonho onde tudo é muito bonito e que eu sou correspondida por quem eu gosto. (...)
Eu agora gosto de um rapaz o problema é que ele não gosta de mim, eu sonho acordada, mas penso será que ele é igual ao meu ex e tenho medo deste sentimento que tenho dentro de mim. Tenho medo até de demonstra-lo.
O que é que eu posso fazer para conquista-lo. Por favor ajude-me. Será que o problema está em mim?
Inês.

Alguém pode dar uma ajuda à coitada da rapariga? Um bom conselho?

Quem foram os professores destes políticos?

Havia os que queriam ser aviadores, médicos, condutores de máquinas pesadas, pescadores e eu, que queria ser professor ou escritor – convém referir que elegíamos sempre uma alternativa à preferência principal, eis como o Paulinho, que sonhava vir a ser médico, não enjeitava a possibilidade de trocar o prontuário farmacêutico pela consola de comando de uma grua da construção civil. Era assim nos tempos da infância.
A panca de vir a ser professor foi-se atenuando com o passar do tempo e o contacto com esses espécimes enjaulados que, estoicamente, insistem nessa estranha missão de tentar ensinar qualquer coisa de útil ou importante aos infindáveis exércitos de térmitas que frequentam a instituição escolar. E o sonho eclipsou-se aí pelos finais dos anos 70, quando passei a sentir pena pelos professores. Quanto à alternativa, manteve-se como sonho até ter descoberto, em tempos mais recentes, que se pode escrever sem ser escritor. Escrever, simplesmente, passou a ser o meu desígnio.

Mas voltemos aos professores e à situação a que aqui venho dar eco, alfinetado pelo silêncio culpado. Parece-me uma causa justa mas, não conhecendo os meandros do assunto, já que sou apenas um indolente bate-chapas, opto por deixar aqui o eco, sem mais comentários, dirigido aos meus oito leitores habituais.

Professores trabalham mas não recebem. Leiam aqui. Já não fico admirado com o rumo que este país leva mas assusta-me a possibilidade de, qualquer dia, deixar de ficar revoltado com estas coisas.

o Allgarve a crescer


Eles levaram o Alqueva, nós ficámos com Ayamonte. Que merda de negócio. Mas já vai fazendo sentido o tal ALLGARVE.

O Meteorito de Lagos?



É um objecto de forma oval com cerca de 13cm de diâmetro, 7,8Kg de peso e um volume de aprox. 1600cm3, de onde resulta uma densidade de aprox. 4,87 g/cm3 *, tem coloração castanho avermelhado (crusta) e cinzento prateado, brilhante (interior). A impressão ao tacto, sendo muito semelhante à do chumbo revela, porém, tratar-se de matéria mais leve e mais dura – não sendo possível riscá-lo com a unha, ao contrário do chumbo.
O objecto foi recolhido durante uma escavação para construção de uma habitação, na zona do Cerro das Mós. Depois de resistir ao impacto repetido do martelo hidráulico da escavadora, soltou-se do substrato intersticial dos afloramentos calcários onde se encontrava alojada. O Sr. Rui recolheu a estranha pedra que resistiu ao poderoso embate da máquina que opera e guardou-a, como faz habitualmente quando encontra fósseis e pedras com formato ou constituição interessante.
Afigura-se possível tratar-se de um meteorito devido às suas características, sobretudo a evidente morfologia metálica, e ao facto de se encontrar num contexto geomorfológico completamente diferente. Aos aspectos concretos aduz-se a memória das gentes locais que dão como facto ocorrido, a queda de um meteorito nessa zona, em meados dos anos vinte do século passado. «eu teria pouco mais de cinco anos de idade e, numa madrugada, viu-se um clarão e ouviu-se um estrondo. No dia seguinte a minha tia disse-me - José, caíu um meteorito, uma pedra que caíu do céu, ali para os lados da Fonte Coberta.» José Carlos Vasquez. Lacobrigense . 87 anos de idade.
Sem dúvida que seria muito empolgante podermos identificar um achado desta natureza, em que o objecto passaria a ser conhecido, segundo a metodologia internacional, por Meteorito de Lagos. «Desde há muito, está estabelecido que o nome dado a um meteorito é o da localidade, aldeia ou vila, mais próxima do local da queda ou do achado» in. Meteoros, Meteoritos e Meteoróides – José Fernando Monteiro+ (Dept. Geologia - Fac. Ciências Univ. Lisboa). Acresce a importância decorrente do reduzido número de meteoritos existentes em museus públicos nacionais, pouco mais de uma dezena, contra cerca de 2400 em França, por exemplo.
Infelizmente, as alterações orogénicas produzidas pelos trabalhos de nivelamento da encosta já não permitem a identificação da cratera de impacto que, em todo o caso, não deveria ultrapassar um metro de diâmetro. Este aspecto, e o facto do objecto se encontrar a uma cota negativa de aproximadamente três metros – implicando uma deposição de inertes, posterior ao impacto, por via natural ou antrópica –, são óbices a uma imediata identificação positiva do objecto enquanto meteorito. Também não foi possível identificar no objecto uma crusta de fusão resultante da travessia da atmosfera pelo que se torna premente a sua análise por um especialista em geologia. Siderito, siderólito, ou apenas um “devaneólito”? Haja quem o esclareça.

*
Procedemos a uma rudimentar medição do volume, razão pela qual não a reputamos como muito exacta (num balde cheio de água mergulhamos a pedra e recolhemos a água transbordante que foi medida num recipiente graduado).

olha a grande novidade!

A corrupção do Estado
«A entrevista que João Cravinho deu na última quinta-feira é indispensável para perceber a corrupção. Cravinho diz duas coisas de uma importância crucial, em que esta coluna tem de resto insistido. Primeiro, que o grosso da corrupção “se faz” com uma ou outra “entorse” imperceptível, “de acordo com a lei”. Segundo, que por isso mesmo a polícia e os tribunais não podem ir longe e só se ocupam de casos menores. No fundo o Apito Dourado e operações do género são um espectáculo, que esconde os crimes de consequência.
Com grande coragem, Cravinho explica qual é o problema: e o problema é o de que certos lobbies se apoderaram de “órgãos vitais de decisões” do Estado ou de departamentos que as preparam. Ou, se quiserem, o de que o Estado se tornou o principal agente de corrupção.
Isto significa não que o Estado serve, não o interesse do país, como compreendido por este ou aquele partido, mas sim o interesse de lobbies com mais poder ou influência. E, no entanto, nunca se fala disto, embora toda a gente o saiba ou suspeite, a começar pelo presidente da República, porque os “negócios” conseguem inspirar um respeito e um temor que, por exemplo, o futebol não consegue e que manifestamente coíbem a imprensa e a televisão. O que se passa no interior de certos ministérios de que depende a orientação da economia nunca chega à rua. Como nunca chega à rua quem perdeu ou ganhou com os “projectos”, que o Estado autoriza ou financia. Ou quem é e donde vem o impecável pessoal que manda nisso tudo. Ainda anteontem o dr. Cavaco exigiu novas leis para assegurar o que ele chama a “transparência da vida pública”. Infelizmente novas leis não bastam.
Cravinho descreve o “choque” que sofreu com a complacência do PS perante a corrupção do Estado. Sofreria com certeza um “choque” igual, e talvez pior, no PSD. A verdade é que o “bloco central” se fundiu com o Estado. Não existe um Estado independente do “bloco central” e muito menos dos “negócios”, que o apoiam e sustentam: da banca e da energia, a quatro ou cinco escritórios de advogados. Cravinho, como Cavaco, não percebeu, ou preferiu omitir, que hoje não se trata de reformar uma parte inaceitável do regime, mas pura e simplesmente de mudar o regime. Se, por acaso caísse do céu a “transparência” que o dr. Cavaco deseja, metade da primorosa elite do nosso país marchava para a cadeia como um fuso.»
Vasco Pulido Valente in O Público de 2007-10-07
retirado, de: http://aspirinab.weblog.com.pt/
confirmado e corrigido pela leitura directa do artigo
(os destaques a bold são meus)

A felicidade é um aborrecimento

A felicidade é um aborrecimento! A alegria por si só não é interessante, não tem conflitos. E a literatura faz-se de conflitos.

«O humor, para mim, não tem a ver com riso... É antes um “ponto de vista”. É a maneira como as minhas personagens se relacionam com o mundo, como elas olham para as coisas...E fazem-no de uma maneira humorística para poderem sobreviver.»

«Ele conta histórias da sua vida. Por vezes conta a verdade, outras é um grande mentiroso, mas essa é a sua maneira de lidar com as coisas.»
Lars Saabye Christensen, em entrevista a José Riço Direitinho in Ípsilon – Público 2007.09.21

Sou um gajo tão simples que podia ser uma personagem de um conto de Lars Christensen.



Mais um pequeno exercício de verborreia


Vivemos, hoje, no tempo da Arte. No tempo da acção simbólica. Da acção criativa que busca a totalidade. Nunca dedicamos tanto tempo e atenção à arte como agora. E nunca, antes, tantos participaram na criação artística, como hoje.
Uma dessas manifestações é a Banda Desenhada, ou histórias em quadrinhos. Essa arte sequencial - proposta de síntese entre imagens e textos - despertam a atenção pelo ritmo que conseguem transmitir e, sobretudo, pela "permanência" que a evolução do enredo encontra na continuidade/repetição da matriz iconográfica adoptada.
Tanto a noção de “arte" como a ideia de “artista" são intuições relativamente modernas. Coitado do homem primitivo.


defraudando o ser religioso

foto: "Maria Madalena", de efe


Mais facilmente respeito o que é partilhado/praticado por poucos do que o que é partilhado/praticado por muitos. Os poucos, representam menor perigo. Porque esse respeito não é conquistado nem atribuído, é imposto ou resulta de um acto de submissão.
Durante muito tempo respeitei, pensando que o fazia por razões éticas. Quando percebi que o fazia por submissão, submissão ao poder das massas, reflecti sobre o assunto e conclui que, se respeitava a religião por esta ser praticada por muitas pessoas, também teria que respeitar coisas como o nazismo e qualquer tipo de ditadura. Hoje, já não respeito.
Olhando para o que tenho vindo a aprender, não posso respeitar. E então a religião Católica, o maior embuste religioso e social que o Ocidente conheceu. Não esqueço que atearam fogueiras e, pior, mantiveram sociedades inteiras no obscurantismo e no mais miserável arcaísmo político-social (basta ver a diferença dos países que viveram e adoptaram a Reforma).
A nível religioso não passa de um embuste em que até os fundamentos sagrados foram plagiar aos antigos egípcios (a Santíssima Trindade, a ideia monoteísta, etc - aspectos já ensaiados por outras civilizações antes que Moisés largasse os cueiros). Bardamerda para todas as religiões que pregam a intervenção da Providência Divina e a necessária Resignação dos pobres, desprotegidos, expoliados e maltratados.
Não esqueço o puxão de orelhas que João Paulo II foi dar, no Brasil, aos sacerdotes que reclamavam mais Teologia da Libertação (o Cristianismo a favor dos Excluídos), proibindo-os de exercer cargos políticos (deixando para os corruptos profissionais a gestão da res-pública (?)). Não esqueço estas velhaquices que se fazem a coberto de quem prega o amor pelo próximo.
"...uma religião em que a divindade deixou morrer o seu (alegado) filho por uma questão de marketing, e detentora de um historial de séculos de intolerância, não será a mais indicada para nos pregar a paz e o amor pelo próximo..." - TheOldMan
Eis-nos na Fotografia de Intervenção. Na imagem portadora de mensagem (ainda que a imagem tenha sido, ao longo da história, construída para a massa submetida – Humberto Eco)


(de: comentários inseridos em fotos no CanalFoto em Setembro 2007)

Bem podes insistir...

(a insistência do imbecil levou-me a recolocar este post em 2007.11.29)
Há por aí quem que ainda não tenha percebido que não escrevo para toda a gente, que não escrevo para qualquer um. Que nem o que escrevo aqui no blogue se destina ao público em geral, ou melhor, que não espero nem procuro leitores, nem audiência. O que aqui escrevo destina-se a escassa meia dúzia de pessoas e nem sempre para todos esses.
E que sempre escrevi, mesmo sem ter comentários. E que sei quem vem cá, e quando vêem, quer comentem ou não (sobretudo no caso das poucas pessoas a quem se destinam alguns dos posts).
E dou-me a esta prosápia toda porque aparece por aqui um idiota que ainda não percebeu que não me interessam para nada as suas opiniões. Em primeiro lugar porque não lhe reconheço o mínimo de inteligência. Não percebeu ainda que o considero um autêntico labrego, um bronco, e que o melhor que ele tem a fazer é devolver-me o cumprimento e ignorar-me.
Mas desconfio que esperar uma tal manifestação de inteligência elementar já será pedir muito à pessoa em questão.
Quando se ultrapassa um certo limite, das relações entre duas pessoas, já não é possível voltar atrás.
"Mas o burro não sabe, e continua à procura das cenouras."

Prédica feita pelo mui reverendo prior




«_Deus dixit Petro ubi sunt oves meæ; nescio, respondit autem Petrus_»

Deus disse a Pedro «que é das minhas ovelhas?» e Pedro respondeu «eu não sei d'ellas.»
Que bondade, que prudencia, que sabedoria, meus queridos irmãos, não devemos nós admirar em Pedro; que, mesmo no momento em que seu Divino Mestre lhe pergunta, onde estão as minhas ovelhas; responde com toda a delicadeza que não sabe d'ellas, porque essas ovelhas não estavam em estado de apparecerem perante o seu Senhor. Asneiras, meus caros ouvintes, eu não tinha esse genio, não sou mentiroso nem falso, não tenho papas na lingua, e se o Mestre me pergutasse, como a Pedro, onde estão as minhas ovelhas, eu logo lhe dizia sem mais cerimonia, foram pastar para casa do diabo, Senhor.
E com effeito, se Elle tivesse vindo hontem á noite perguntar-me pelas minhas ovelhas, que lhe havia eu de responder? Elle que recommenda tanto no seu Evangelho, que as ovelhas se conservem sempre separadas dos competentes bodes, o que teria Elle dito se visse essas mesmas ovelhas misturadas com os bodes, saltando uns em cima dos outros, e a fazerem gaifonas ao seu pastor!
Sim, amados irmãos, foi grande a balburdia, e ao aspecto de tal desordem, o amor pelo meu rebanho animou-se de um santo zelo e ardendo em fogo, corri de cajado na mão, para arrancar as minhas innocentes ovelhas das dentuças dos lobos encarniçados. Mas, ó dôr, ó desdita, ó patifaria! As minhas ricas ovelhinhas já não escutam a minha voz; já penetradas pelos agudos dardos d'aquelles diabos e inundadas pelos seus liquidos venenosos e seductores, estavam indoceis e levadas da breca. O meu cajado, outr'ora tão poderoso, não póde juntar senão um pequeno numero, que trago para o meu curral, onde as hei de ter fechadas e guardadas até que deem os fructos do seu arrependimento.
Mas vós, amados ouvintes, vós, os que fostes fieis, lamentae a desgraça de vossos irmãos; comportae-vos sempre bem, e tomae para exemplo esses grandes santos da antiguidade; menos um tal santo Agostinho, que, segundo izem, foi um grande pandigo, quando moço, e é por esse motivo que eu nunca vos fallo d'elle.
Fallemos antes d'aquelle santo Chrisologo, que diz que um cura é um sol, e os seus freguezes são uns átomos. Mas eu não sei que diabo de átomos vocês são! não me pagam a congrua, querem que os case de graça e ainda em cima dizem: «ora, estamos nas malvas para o _seu_ padre cura, elle não tem filhos para sustentar!» Vocês sabem la disso? Não sabem que nós outros padres, temos mais trabalho em os esconder, do que vocês em os fazer?...
Mas voltando á vacca fria, pensemos na vossa conversão, se ella é possivel. Julgo que a melhor maneira de o conseguir é fallando-vos das maroteiras que se fazem na freguezia. Por exemplo: o João da Canhota, regedor, sae á noite e se ha de vir ao sermão, vai-se metter em casa da Felicia do Frade, e não sae de lá senão de madrugada. Diz que vae tomar chá, mas imaginem os ouvintes que qualidade de chá elle não tomará...
Aqui não ha senão desordem e immoralidade. Immoralidade nos velhos, immoralidade nos moços, immoralidade nos grandes, immoralidade nos pequenos. Digo immoralidade nos velhos, porque esses velhos, raça damnada de Caim, depois de haverem passado toda a vida... em patuscadas e pandigas, ainda mesmo arrumados ao bordão e de cabeça calva, se vão metter em logares suspeitos! Infames velhos de Suzana! quando é que lhes acabarão as fúrias carnaes e burriçaes? Immoralidade nos moços. Os rapazes e as raparigas andam por essas ruas aos beijos e abraços, cantando cantigas indecentes e immoraes; ainda eu hontem ouvi a filha do Thomaz da Horta e o filho do Ignacio do Dente a cantarem o Pirolito que bate que bate! Ora não ha maior pouca vergonha, uns fedelhos que ainda cheiram a coeiros e já sabem o que isto quer dizer! Immoralidade nos grandes. Esses mariolões e essas mocetonas que vão todos os dias para o matto, sob pretexto de que vão buscar lenha, e por fim fazem por lá couzas do arco da velha... Lenha no forno queriam ellas, malditas!
E quando vão aos figos! O que acontece? As raparigas sobem para cima das arvores e os mariolões ficam em baixo, a olhar para cima e a dizer: Olha Antonia vejo-te os calcanhares, e as pernas, e os joelhos, e o...
Ponham cobro a este escandal-o, amados irmãos, são couzas que se não devem ver senão em certas occasiões. Eu não pego aos rapazes e ás raparigas que vão ao matto e comam por lá o seu figuinho e mesmo que subam ás figueiras, mas para evitar indecencias, as raparigas fiquem debaixo e os rapazes que lhes vão acima. Immoralidade nos pequenos. Essa gaiatada miuda que anda todos os dias a correr pelo adro cá da freguezia, onde estão as campas dos nossos antepassados, e que depois vão fazer as suas necessidades mesmo á porta da sachristia. Se não teem respeito pelos mortos, tenham ao menos compaixão pelos vivos, não póde uma pessoa entrar na egreja pela porta de traz sem ficar a bem dizer atolado até o nariz. Já disse ao sr. regedor da freguezia que pozesse mão n'estas cousas, mas por ora continúa a mesma marmelada á porta da sachristia.
Tambem é digno de reprehensão o comportamento d'essas mulheres casadas, que sem nenhuma consideração pelos seus maridos, se levantam do leito conjugal de madrugada, sob pretexto de levarem o gado ao campo, e depois de andarem lá por fóra a laurear, em pernas, recolhem-se para casa frias de neve, e vão-se outra vez metter na cama com os maridos e arripial-os sem piedade! Pobres homens! Se fosse comigo, que coça que ellas não levavam...
Tambem ha certa moça cá na freguezia, que eu trago d'olho ha dias, cá por certa cousa. Eu devia já dizer quem é, mas emfim por hoje limitar-me-hei só a mettel-a na sachristia e arrumar-lhe um lembrete... domingo direi quem é, se não tomar juizo... por agora saibam unicamente que é a unica na freguezia que usa ligas encarnadas... (_Pausa, rumor na egreja._)
Domingo, de hoje a oito dias, me alargarei mais sobre os homens, coçarei as mulheres casadas, e caírei em cima das solteiras, se não tomarem juízo d'aqui até lá. Sendo hoje dia de festa e estando a chuver far-se-ha a procissão só por baixo da egreja, pois eu não estou para apanhar alguma porrada d'agua. Não precisa vir toda a gente a ella, basta que de cada familia venha um varão.
A proposito de procissão, tenho a dizer-vos, amados ouvintes, que os santos cá da freguezia vão estando muito chimfrins. Eu não dava três vintens por elles. O São Miguel é que está assim mais direitinho, mas o diabo que está por baixo já não tem cornos; pois olhem, não ha na freguezia poucos homens ricos no caso de lh'os darem. O calvario também não está mau; todos os instrumentos da paixão estão em bom estado, falta-lhe só o gallo, mas a isso não direi nada, porque ha poucos na freguezia e as gallinhas precisam d'elles: no entanto se houver por ahi alguma dona de casa que tenha dois, que me mande para cá um.
Esta semana não ha jejum, podem comer tudo quanto quizerem e bebam-lhe melhor; ha só a bemaventurada santa rainha, que cura a tinha; é quinta feira, sexta feira ha feira e domingo é a festa de São Simão e São Judas. Tambem, não sei quem foi o diabo do animal que se lembrou de pôr Judas no calendario. Juro-vos, amados ouvintes, que se não fosse domingo não lhe fazia festa, era o que merecia o senhor S. Simão por caír na asneira de se ir metter com similhante tratante.
Mas acabemos com esta maçada. Ó _seu Zé_, accenda os sinos e mande tocar as vellas, accenda a agua benta e bote agua no thuribulo... não, enganei-me, faça o contrario de tudo isto. No entretanto façamos as nossas costumadas e ordinarias orações. Oremos pela conservação da nossa bemaventurada mãe catholica, apostolica e romana; pela _estripação_ da _cisma_ e abaixamento da hydropisia; oremos tambem pelos ricassos cá da freguezia, a fim de que Deus os mantenha na sua honesta pobreza; pois se fossem mais ricos punham-nos o pé no pescoço. Oremos pelos ausentes e pelos viajantes, afim de se deixarem por lá estar, se estão bem; oremos pelo feliz successo das mulheres pejadas, afim de que Deus lhes faça a mercê de largarem o fructo com a mesma facilidade e doçura com que o comeram. Oremos, n'uma palavra, pela conservação dos bens da terra, como salada, couves, batatas, pepinos e tomates, e pela extincção dos seus males, como formigas, lagartos, ortigas, pulgões e ratazanas... etc.
In http://www.gutenberg.org/wiki/

Viva el Tango!




Ao que parece o Tango nasce no final do século dezanove resultando de uma mistura que reúne diversas formas musicais transportadas pelos imigrantes – italianos, espanhóis, e crioulos - os habitantes das Pampas, e integrando também sonoridades negras, sem excluir a possibilidade de influências da habanera cubana e do Tango andaluz. O Tango nasce, assim, do registo etnográfico das populações mais pobres que se fixam nos subúrbios de Buenos Aires. Começa por ser dança, cabendo ao povo a improvisação das letras – normalmente picantes - para as músicas mais conhecidas. Não sendo bem aceite a dança entre homens e mulheres abraçados, em público dançavam apenas homens. Daí a razão de se manter circunscrito, durante muito tempo, aos bordéis.
Tornado moda, através da sua exportação para Paris no início do século vinte, o Tango espalha-se ao resto do mundo. Um dos seus estilos, o Tango-canção, foi feito com o objectivo de musicar letras e com ele surgem os cantores de Tango.
Nos cabarés dos anos vinte o Tango sofre importantes modificações, a começar pelo facto dos executantes já não serem pequenos grupos que animam o ambiente dos bordéis, mas sim músicos profissionais que inovam quer em qualidade técnica quer em criatividade melódica. A eles se deve a introdução do uso do piano.Carlos Gardel é considerado o maior intérprete do Tango, mas desaparece no auge da sua carreira, vitimado em acidente de aviação em 1935. Porém, é ele que populariza o Tango fora da Argentina pois cantava em Paris, Nova York e noutras capitais do mundo, onde fascinava multidões. A década de 40 será uma das mais felizes e profícuas para o género e, uma vez mais, o Tango inicia um novo trajecto rumo a um lirismo e sentimentalismo mais profundos, desaparecendo de vez as temáticas dos bordéis e dos cabarés, a sua violência e a carga obscena. Impera a fórmula ultra-romântica e, agora, escrevem para o Tango muitos poetas famosos, com sólida formação cultural. É o auge do Tango.Na década de 50 surge o revolucionário Astor Piazzolla que rompe com o tradicionalismo e verte no tango influências de clássicos como Bach e Stravinsky, e também do Jazz. É de realçar o interessante trabalho que realizou com os seus vizinhos brasileiros, esses mestres do ritmo e do sentimento, que se traduziram em novas e enriquecedoras abordagens musicais.Entretanto, o Tango atinge um alto grau de profissionalismo ensombrado, apenas, pelo pontificado do Rock n'Roll que veio contribuir para um acentuado desinteresse comercial e para um decréscimo na criação e produção do género.No final do Século 20 o Tango regressou aos grandes palcos, ao cinema e aos salões de dança, e voltou com toda a paixão que lhe é característica. A vida contemporânea revela a solidão do Homem, essa esmagadora solidão. E a necessidade de cantá-lo, de chorá-lo, de dançá-lo, impõe-se e obtém resposta em meia dúzia de expressões musicais das quais o Tango é exemplo maior. O Tango nasceu para se dançar abraçado, para festejar o multiculturalismo e a miscigenação de povos de diferentes proveniências e raças. Os seus instrumentos são o piano, o violino, a guitarra, o contrabaixo e o bandoneón que é exclusivo do Tango.
Há uma nova geração de artistas que corre o mundo mostrando a sua arte. O Tango, expoente do encanto e sedução de/para homens e mulheres lembra que o que é maravilhoso na criatividade e sensibilidade humana não morre, renasce ad aeternum como a mítica Fénix.

fotos do espectáculo de "Tango Quatro" decorrido no Centro Cultural de Lagos em 2007.08.15

Os Condenados


«Jack Conrad (a superestrela do wrestling Steve Austin) é um prisioneiro que aguarda a execução da pena de morte numa prisão corrupta da América Central e que é "comprado" por um ganancioso produtor de televisão para participar num "reality show" ilegal. Levado para uma ilha deserta, Jack vê-se obrigado a participar num jogo de "matar ou morrer" com nove assassinos condenados à morte oriundos dos quatro cantos do mundo. Sem fuga possível - e com milhões de espectadores sedentos de violência não censurada -, Jack terá que utilizar toda a sua força para ser o vencedor do brutal jogo... e ganhar a sua liberdade.»
É sempre bom confirmar a imbecilidade dos americanos, perfeitamente demonstrada pela “arte maior” desses trogloditas, o cinema de Hollywood e, neste caso, sintetizada na legenda de apresentação da fita: 10 pessoas vão lutar, 9 vão morrer, e tu vais ver. Trata-se de pura poesia norte americana, claro.

3.000 horas de sol




«A Revolução Industrial foi muito simpática, foi uma necessidade, mas infelizmente tem sido levada ao exagero. Quando o mundo está todo ao dizer que atmosfera já não aguenta tanta poluição, há uma série de indivíduos a dizer que há uma quantidade de petróleo para gastar.
Podemos deixar de fazer asneiras. Podemos parar a destruição das florestas da Amazónia, da Indonésia, da África Central... Mas enquanto houver povos que precisam de dinheiro para viver e povos ricos que compram a madeira dessas florestas, o clima só vai mudar para pior. Quem tem culpa? Os povos ricos, com certeza, que andam sistematicamente à procura de ter tudo de bom aos pés da cama.
A água irá faltar na Península Ibérica (Portugal e Espanha), no Norte da China e Manchúria, na Austrália, na Nova Zelândia e na Tasmânia. O deserto do Sara está a ampliar-se para o Sul da Europa – isto foi absolutamente verificado no início dos anos oitenta por equipas de meteorologistas de Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Turquia no âmbito de um programa conjunto chamado MEDALUS (...); Já nessa altura se concluiu que a linha de risco em Portugal já passava a norte do Tejo (...).
A América do Sul e a Europa do Norte serão as únicas regiões que, em 2025, não terão problemas de falta de água. Os meus colegas climatologistas dão-nos informações de que o famoso anticiclone dos Açores apresenta tendência para se estabelecer com muito maior frequência a sul das Ilhas Britânicas ou entre os Açores e a Madeira. Qualquer destas posições irá constituir uma barreira, um bloqueio; o anticiclone, estendendo-se em crista para nordeste em direcção à Escandinávia e em crista para sudoeste em direcção à América Central, vai fazer com que as chuvas não venham directamente para o Sul de França, Espanha e Portugal e tenham de dar a volta, indo chover provavelmente na Alemanha, na Polónia, na Europa Central, no Leste da França.
Já devíamos estar a pensar em dessalinizadores. Veja o caso exemplar do Porto Santo. A ilha não tem água, praticamente não chove e, no entanto, ninguém morre à sede. No continente não se faz a conversão da água do mar; mas devíamos estar a investir nessa tecnologia.
Escandaliza-me que já todos tenham chegado à conclusão de que o petróleo é altamente poluidor e Portugal tenha anunciado que vai fazer prospecção de petróleo ao largo da costa, para o que tem de gastar 36 a 38 milhões de euros. Não seria melhor aplicar esse dinheiro em fontes energéticas menos poluentes? Escandaliza-me que o Algarve tenha três mil horas de sol por ano – que é o máximo de horas de sol em todo o Mediterrâneo – e não façamos nenhuma utilização disso. (...)»
Excerto da entrevista de Anthimio de Azevedo no Notícias Magazine de 12.Ago.2007

Os ectoplasmas



Há gente que muda do estado sólido para o estado ectoplásmico e nem dá conta disso. Há coisa mais ridícula do que julgar-se no pensamento ou nos cuidados de outrem que, afinal, pura e simplesmente o ignora integralmente, sem o mínimo esforço?! Um destes seres já tinha passado a essa condição, de invisível, há algum tempo, o outro operou a transformação recentemente. Ambos têm em comum o facto de deterem uma ideia muito própria acerca da amizade – que evocam futilmente – e continuarem a remoer azedumes. Vem isto a propósito de me chamarem a atenção para palavras ditas e escritas que atestam algum mal-estar em relação à minha pessoa. Ora descansem lá que não tenho nenhum pensamento, nenhum comentário, nenhuma atitude para cada um de vós. Fiquem em Paz. E porque não fazem o mesmo em relação a mim? Ignorem-me. Agradeço-vos, do fundo do coração.