mais 1 fim-de-semana no Alentejo

Não tem exactamente a mesma luz do Algarve mas tem a calma, o verde, o sol e, sobretudo, o silêncio que o Algarve já perdeu há muito. E uma proverbial indolência inerente aos próprios lugares como que envoltos numa manta de retalhos. Uma manta formada pelo riacho que passa delicadamente por entre os seixos, e os medronheiros suavemente embalados pela aragem que se contorce nas encostas, e o brado da rapariga que chama não sei o quê, ecoando em espiral para o vale numa toada longa e musical. E o “você” com que se tratam gentes e animais, próximos ou alheios, numa delicadeza de diminutivos e outros mimos que o isolamento da serra ou a extensão da planície induzem. E é esta quietude que o Alentejo possui, como um segredo do ritmo da vida e da respiração dos seres, é isto que atrai e enfeitiça.





Amanita muscaria


Ainda não tem o chapéu aberto e aquele perfil inconfundível dos cogumelos das histórias de encantar (ou envenenar). O Amanita muscaria, ou cogumelo mata-moscas, geralmente não é fatal, mas origina efeitos gastrointestinais e... alucinogénios.
Este encontrei-o na serra alentejana, durante um fim-de-semana repleto de porco preto, medronho e alguns cogumelos. A gastronomia incidiu sobre o suíno e a água das bagas encarnadas. Os cogumelos é que, infelizmente, não se apresentaram com a necessária aptidão para o tacho.

monarquia?


Enjoados e enojados com o forrobodó republicano começamos a olhar para as monarquias constitucionais como hipótese de solução?! Não me parece. O obstáculo reside na essência do próprio povo, na sua boçalidade expressa, ou latente, cristalizada nos trapaceiros da classe política que nos governa. Não há solução.

Num silêncio de cão

Sentei-me em silêncio tentando concentrar-me na respiração do cão. Ele olhou-me desconfiado, pensando, talvez, “o que raio está este gajo a inventar agora?!” Pressentindo a cisma do canino, virei o rosto para o lado procurando evitar qualquer incómodo e maior suspeição. Mas ele, movido pela desconfiança instalada, ergueu-se nas quatro patas dispondo-se a abandonar a sala. Eu não podia permitir tal coisa, e mal o bicho virou o traseiro agarrei-o pelas ancas, forçando-o a deitar-se de novo. Acto contínuo, virou a cabeça exibindo a dentuça arreganhada e rosnou, ameaçador, procurando ferrar-me a mão direita. Entrámos numa luta confusa e barulhenta que só terminou quando o cão, já cansado, disse: - Pára lá com isso! Estamos a lutar porquê? E eu, atónito, ainda mais cansado que ele, deixei-me escorregar de corpo inteiro para o chão, aturdido por aquelas palavras que nunca ouvira antes, porque nunca antes ouvira um cão falar. E assim fiquei, prostrado, imóvel, escutando apenas a minha respiração ofegante, como um encadeado de possantes estrondos no silêncio do Universo.

Gripes e vacinas



Anda por esta Internet adentro muita informação contraditória sobre alguns aspectos respeitantes quer ao surgimento quer ao combate da gripe A.
Já sabemos que a net é um excelente veículo para difundir boatos e informação deturpada. É o preço da liberdade de informação, que devemos aceitar, embora tal constatação deva conduzir à adopção de atitudes cautelosas e sempre críticas em relação a tudo o que se lê e vê por aqui.
Para além da eventualidade da doença permitir que alguns agentes menos escrupulosos alcancem dividendos acima do que seria eticamente aceitável, não me parece que a atitude das autoridades seja merecedora de críticas tão incisivas como as que temos testemunhado. É que esta doença já é nossa conhecida, e na sua primeira visita levou cerca de 120 mil portugueses. Foi em 1918, e a acção do vírus H1N1 era então conhecida como Gripe Espanhola* ou, simplesmente, pneumónica.
Isto, não ouvi nos meios de comunicação; ou porque foi dito e me passou ao lado, ou porque foi omitido para evitar pânicos escusados.
O plano de vacinação está aí e não me parece que apresente fragilidades ou inconsistências que devam levar-nos a adoptar uma atitude de desconfiança. Temos uma história de vacinação que vem desde o início do século XIX e um Programa Nacional de Vacinação que funciona adequadamente desde 1965.
Convém não esquecer que foi devido à vacinação que se conseguiu, em 1980, erradicar a Varíola, a nível mundial.
Voltando ao nosso país, em 1965 teve inicio a vacinação em massa contra a poliomielite, que registava nesse ano 292 casos. No ano seguinte registaram-se apenas 13 casos. Seguiu-se o combate à difteria e à tosse convulsa, também com resultados muito positivos.
Isto representa a vitória do processo de vacinação, e daquilo que talvez seja uma das maiores conquistas da ciência médica. Repudiar a prática da vacinação é esquecer as conquistas alcançadas contra inúmeras doenças, algumas bastante horríveis que flagelaram a humanidade ao longo da História: difteria, gripe B, gripe C, hepatite b, papeira, poliomielite, rubéola, sarampo, tétano, tosse convulsa, tuberculose.
Finalmente, convém realçar um outro aspecto da vacinação, muitas vezes esquecido. As vacinas também protegem os indivíduos não vacinados já que a probabilidade de disseminação de uma doença infecciosa diminui com a vacinação alargada das populações. Esta imunidade colectiva ajuda, assim, a proteger os indivíduos mais vulneráveis.
Para além das razões médicas, e de saúde pública, aceito a vacina contra a gripe A também por uma questão de princípio. O princípio racional que ensina a confrontar eventuais benefícios com hipotéticos prejuízos, nessa equação indissociável da nossa existência, que resulta do sempiterno risco que opõe a raça humana a uma Natureza, naturalmente, adversa.

*Descrente do ditado que apregoa: “de Espanha, nem bom vento nem bom casamento”, sublinho que a denominação “Gripe Espanhola” se refere à doença observada, pela primeira vez, nos Estados Unidos da América. Isto ocorreu em Março de 1918, e os primeiros casos conhecidos na Europa ocorreram em Abril do mesmo ano, pelo que não é despiciendo conjecturar que a doença foi introduzida na Europa pelas tropas americanas. A adopção da denominação “gripe Espanhola” talvez se deva ao facto da imprensa desse país que não participou na guerra, ter noticiado profusamente que em muitos locais adoeciam e morriam civis em quantidades alarmantes. Em Maio, a doença atingiu a Grécia, Espanha e Portugal. Em Junho, a Dinamarca e a Noruega. Em Agosto, os Países Baixos e a Suécia. Todos os exércitos estacionados na Europa foram severamente afectados pela doença, calculando-se que cerca de 80% das mortes da armada dos EUA se deveram à gripe.

A cores é outra coisa

As fotos a Preto & Branco são uma dupla mentira em relação à realidade. Pelo facto de serem fotos já são uma mentira, depois porque o monocromatismo é uma reinterpretação do real. Como se fosse coisa de outro mundo. Vejam como, a cores, as coisas parecem mais reais, mais fidedignas. Eis duas fotos de uma vasta série de imagens rejeitadas pela LIFE, nos distantes anos 40.



comentar fotos

Como sabes, frequento alguns sites de Fotografia que agrupam muitos entusiastas, alguns são profissionais mas a maioria são amadores. Muitos são excelentes fotógrafos, outros nem por isso. No entanto a Fotografia é, para mim, apenas o pretexto para descobrir nesses fóruns uns raros cultores de um certo tipo de humor. E é essa disposição que me leva a este tipo de convívio que zomba do quotidiano social, político, cultural, troça de costumes e atitudes, e critica estéticas, fotográficas ou não.
Num destes sites deve-se comentar criticamente cada fotografia ali inserida. Porém, nem sempre os comentários reflectem conhecimento sobre a matéria, ou mesmo qualquer interesse em abordá-la, não passando de simples graçolas ou, mais raramente, tiradas de refinado humor. Eis uma breve selecção de comentários a fotografias, que foram replicados num tópico que criei para essa finalidade no Canal Foto. A totalidade dos comentários ali replicados pode ser acedida aqui.

O ok é porque está aceitável. PONTO FINAL, percebe? Ou o sr pensa que esta fotografia está boa, sequer?
EU JÁ LHE DISSE QUE ME CHAMO VASCO CUNHA. Para si Arq. Vasco Cunha, fique sabendo. Veja se vai ao médico tratar esse estado de estupidez em que vive.
QUAL LUCAS qual carapuça, o Senhor consegue enervar um santo, que chatice.
Eu comento as fotos como eu entender e se o senhor não aceitar faça como eu, retire-as!
TENHO DITO E CALE-SE.

carago pá, como é que tu consegues ser disléxico no que escreves e no que fotografas?
és um caso bicudo.

Nunca duvide das suas certezas, elas são fundamentais para sustentar as suas opiniões. ok?

Fazemos negócio ou não? Tenho uma sony mavica de disquete. Um espectáculo de máquina! 1 Milhão de pixéis! Vendo-te a máquina por 850 euros e ainda te ofereço 2 pilhas semi-novas que já não funcionam.

gosto desta foto, fora do original

engraçada, as cuecas é que não fazem ali nada, a edição poderia disfarçá-las?

a mais comentada das minhas fotos nos últimos tempos. uma pilha de garrafões de vinho. isto diz muito deste país. cambada de bêbados.

Só mesmo com um CLONIX para suportar tanta coisa nenhuma.

não...O QUE VC REPROVOU NESSA FOTO.POR FAVOR MEU MESTRE EM FOTOGRAFIA, EXPLIQUE. A luz o enquadramento a definição o reflexo nas costas a sombra inacabada a sua posição perante o "tema" O contraste no céu. MESTRE, E ISSO TUDO ESTÁ ERRADO?

as opiniões são como as vaginas: cada mulher tem a sua e quem quiser dá-la, dá-la...

excelente momento.... pena o pormenor de o cavalo abrir a boca

como conseguiste dobrar tão bem as bordas da foto? foi a quente?

uma alegoria

Como uma alegoria da caverna, e logo numa “expo” de David Claerbout. Muito adequado.

Souls from Mook on Vimeo.

malas-artes

Os artistas não se interessavam pela fama ou notoriedade. Frequentemente, nem assinavam os seus trabalhos. Ignoramos os nomes dos artistas que fizeram as esculturas de Chartres, Estrasburgo, e os painéis de Lagos – o tríptico de Alcácer-Quibir, bem como o novo, situado no seu verso.
Eis uma atitude própria do "Período" Gótico.

num grão, apenas


O teu véu é um suave murmúrio de espuma em seda que desliza pelo colchão de areia sendo nele ausentes os seres desencontrados e diferentes que o espírito das águas anima a partir na manhã cinzenta enxuta e fria perdida nas memórias do que nunca aconteceu por mor de futilidades transformadas em gravidades imensas encerradas num grão de areia.

entrolhos precisa-se

Tapa-me os olhos que eu não quero ver
João Miguel Tavares – DN 17 de Novembro de 2009

O caso “Face Oculta” esbarra de frente com o primeiro-ministro. O País inteiro pára para ver. Vem o presidente do Supremo Tribunal e diz:”É tempo de repensar toda a estrutura de investigação criminal: Vem o procurador-geral da República e diz:”Os políticos devem acabar com o segredo de justiça ou então mudar a lei.” Sobre o primeiro-ministro, durante uma semana, nenhum deles disse coisa alguma. Meus caros amigos: isto é o mesmo que ter um homem encarcerado num acidente e os dois médicos do INEM chamados ao local optarem por ficar na berma da estrada a discutir questões de anatomia. Isto á o mesmo que ter um avançado caído dentro da área e o árbitro e o fiscal de linha decidirem que naquele momento o que se impõe é uma reflexão sobre as regras do penálti. Isto é o mesmo que ter uma casa a arder e dois bombeiros sentarem-se a debater a qualidade do seu equipamento em vez de irem buscar a mangueira da água.
Está tudo doido? Não. Está tudo cheio de medo. Porque nunca ninguém viu nada assim desde que existe democracia e Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro preferiam manifestamente não ter sido eles a ver. Estas são circunstâncias absolutamente excepcionais e eu não sei se temos homens à altura destas circunstâncias. Parece-me muito sintomático que os dois mais altos magistrados do País se tenham refugiado em questões políticas (o segredo de justiça e a estrutura da investigação) no preciso momento em que aquilo que se lhes exige é clareza absoluta nas decisões judiciais. Pinto Monteiro, aliás, só emitiu um comunicado com alguns esclarecimentos depois de José Sócrates ter exigido publicamente que queria ser esclarecido.
Sejamos cristalinos: acreditar que Jesus Cristo andou sobre as águas exige menos fé do que acreditar que as conversas entre Sócrates e Vara têm a inocência de um episódio da Abelha Maia. Supondo que o juiz de instrução criminal de Aveiro não enlouqueceu, o simples facto de enviar certidões para o Supremo envolvendo Sócrates tem só por si um efeito devastador e que exige uma dupla resposta: jurídica (saber se as escutas são legais) mas também política. E, para a resposta política, a legalidade das escutas interessa pouco. Sócrates disse:”A questão mais importante para mim é saber se, durante meses a fio, fui escutado e se isso é legal num Estado de direito.” Mas a questão mais importante para mim, e suponho que para a maioria dos portugueses, não é saber se as escutas são legais, mas se o primeiro-ministro teve conversas inaceitáveis com Armando Vara à luz de um Estado de direito. Isso até devia sossegar Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento. Só que eles conhecem demasiado bem a política para ainda serem capazes de confiar no poder solitário da justiça.

Os antecedentes da República

2010 vai ser ano de comemorações e, talvez, balanço de um século de regime republicano. Mas o republicanismo não começou em Portugal com a implantação da República. Numa sintese repartida darei conta dos antecedentes dessa aventura que dispensou monarcas e nobres, tomada pelo impacto de um assassinato, ainda hoje não resolvido no plano político e emocional dos portugueses.
Os antecedentes da República. 1

As Conferências do Casino que ocorrem em 1871 são resultado da efervescência mental produzida pela Questão Coimbrã de 1865-1866. Aí, uma nova geração de estudantes, poetas, escritores, manifesta a necessidade de se criar uma literatura capaz de tratar os temas mais importantes da actualidade, por oposição a outros intelectuais que pugnam pela manutenção do statu, apenas introduzindo inovações estéticas superficiais. Com a Questão Coimbrã entram em conflito directo o novo espírito cientifico europeu e o velho sentimentalismo rústico do Ultra-Romantismo. O novo lirismo que surge, social, humanitário e crítico, personificado por Antero de Quental, Teófilo Braga e outros, não se insurge apenas contra a tirania do gosto literário vigente, exercida por Augusto Castilho, mas também contra todos os conceitos políticos, históricos e filosóficos que ele e os seus seguidores simbolizam.
Esta época de empolgantes aventuras de descoberta do planeta, adequada à exaltação da grandeza do império luso, que mobiliza a ciência e a incerteza do desconhecido num fascínio que alimenta o imaginário de todas as classes e a emoldura num romantismo caduco, sublima as grandes explorações africanas que projectam nomes como Serpa Pinto, Roberto Ivens, Hermenegildo Capelo, os novos heróis da lusitanidade.
Embora o reinado de D. Luís se marque pelo progresso material, pela paz social e pelos sentimentos de convivência e, politicamente, pelo respeito pelas liberdades públicas, é essa geração notável de intelectuais (Eça, Antero, e outros) que vai fecundar o húmus donde brotará a consciência do liberalismo.
A partir de 1876 o Partido Progressista, que aspira articular o Estado segundo a teoria liberal, propõe a reforma da Carta, a descentralização administrativa, a ampliação do sufrágio eleitoral, e a reorganização do poder judicial e das finanças públicas.
Acusado de favorecer os regeneradores de Fontes Pereira de Melo, cujo ministério cairá em 1879, D. Luís chama os progressistas a formar governo.
Já em 1878 tomara lugar na Câmara o primeiro deputado republicano, Rodrigues de Freitas, eleito pelo Porto. Evidenciando a sólida evolução dos últimos anos, o Partido Republicano era, em 1880, uma realidade e uma força implantada de Norte a Sul do País.
O caminho está aberto rumo ao republicanismo.

A areia escondida

A Gazeta da Bica é um pasquim da aldeia, dessa aldeia suspensa no tempo e encalhada numa geografia descentrada na grande cidade. Pasquim mordaz, arrogante e um tanto perverso, que atira à rua e à maledicência da vizinhança – como bofes de porco a cães esfaimados –, episódios públicos e actos da vida privada dos distintos protagonistas da comunidade.


Rapidamente, a desconfiança acerca da autoria daquelas prosas que na calada da noite se introduzem sub-repticiamente por baixo da porta e do sono dos moradores, começa a provocar um notório mal-estar entre os vizinhos.
Amigos que se olham de soslaio, evitando conversas ou interrompendo-as abruptamente, receosos de indesejada publicidade. Adversários, antes respeitosos, que se miram, agora, com o ódio de inimigos – posto que só aquele poderia dizer tão mal daqueloutro. E por aí fora, num desassossego que mina a coesão e a identidade da aldeia.



Que só pode ser pessoa de cá e bem relacionada no meio, e nunca alguém de fora; pelo muito que parece saber da vidinha de cada qual. Que poderá ser algum revolucionário dandy, um burguês diletante e entediado, um intelectual revoltado, ou apenas um brincalhão que se diverte com a exposição das fraquezas e faltas alheias, jogando uns contra outros, depreciando o esforço dos que trabalham, pretensamente denunciando a falibilidade e desonestidade da acção dos que dirigem, etc.


Desconfiando de certa figura, os alvos habituais da insolente publicação estabelecem o plano de engodar o suspeito com falsas informações, e nisso prosseguem meses a fio, logrando filar o cáustico redactor. Tentativa estéril, pois claro, parida por inteligências medíocres. E aquele sobre quem se desconfia observa, atento, preocupado pela eventualidade de, injustamente, pagar pelo que não deve às mãos de gente tão néscia, mas, simultaneamente, satisfeito por verificar que é mais inteligente do que eles, que não descobrem o que tão facilmente se deduz. Que raio terão dentro da cabeça? Areia da praia?


Ao fundo, quais borboletas embriagadas no colorido intenso que a luz do dia reverbera nas suas asas, esvoaçam, subtis como paquidermes, saltitando de cogumelo em cogumelo, no extenso areal da praia, as sumidades... sumindo-se, depois, no ocaso do Sol.

tubos na Meia Praia


Há três dias, o amigo J telefonou-me perguntando: - Pá…para que são aqueles tubos na meia-praia? E eu, embora não tendo visto ainda tais tubos, tentei recordar uma conversa que tinha ouvido no dia anterior, misturada com as castanhas que fotografava, mas a que, como é habitual, não dei suficiente atenção, respondi: - Pois, aquilo é para sugar areia do fundo da Meia Praia e transportar por camião para a Praia da D. Ana…parece-me!
Hoje, ouvi a explicação correcta, pelo que corrijo a informação prestada antes.
Juntam-se, na Meia Praia – local adequadamente espaçoso para a tarefa –, 400 metros de conduta tubular que depois será rebocada por mar até à Praia da D. Ana, onde servirá para encaminhar as areias que irão formar um areal com cerca de 50 metros nesta praia que tem vindo a ser conquistada pelo mar, com a consequente redução da faixa de areal. As areias são importadas do litoral centro do país, e transportadas por camião.
Nem parece que trabalho em Informação Municipal mas, como bem me conhecem os poucos visitantes locais deste blogue, as minhas preocupações, para além do estritamente necessário ao meu dia-a-dia profissional, pouco ou nada incluem dos factos da actualidade local. Nunca tive a necessária paciência para a política, mesmo a de bastidores – e isso provou-se na breve experiência 2005/06-, e menos ainda para as questões de gestão, economia e finanças, das quais fujo como o diabo da cruz.
Porque a correcção é devida, aqui fica. Nomeadamente para o J, que vem cá de vez em quando.
Uma nota final para a expectativa acerca da durabilidade desta intervenção humana em área de tão intensa acção natural das correntes oceânicas. Quanto tempo ficará ali a areia?

Praia D. Ana, faixa de areia reduzida na preia-mar.

Actualização em 2009.11.17
E prontos, já disseram que a areia não vem de camião mas sim conduzida pela pipeline, depois de extraída do fundo, ali para os lados da Ponta da Piedade... ao que parece.
Razão tinha o Anónimo, ao duvidar da explicação aqui apresentada. Agora, só resta esperar que cresçam as orelhas ao Presidente do CEMAL - Centro de Estudos Marítimos de Lagos, por não ter percebido que tal solução era um perfeito disparate. E ele nem se lembrou das filmagens e fotos que realizou nas dragagens da Doca Pesca, da Marina e de um canal da Ria Formosa (?!)
Hehehehe... não me façam rir... ó avantesmas.

reflexões

«Cada vez mais se investe em drogas para a super-potência sexual do homem e em silicone para os seios femininos. Esse investimento é muito maior do que o da investigação e tratamento da doença de Alzheimer. Daqui a uns anos teremos velhos de pau feito e velhas de seios enormes e erectos, mas nenhum deles se lembrará para que serve tudo isso.»

Alcofar Faísca

o horror económico

«[...] Sobretudo, atravessámos uma revolução sem disso nos apercebermos. Uma revolução radical, muda, sem teorias declaradas, sem ideologias confessadas; impôs-se nos factos silenciosamente estabelecidos, sem nenhuma declaração, sem comentários, sem o mínimo sinal de aviso. Factos instalados em silêncio na História e nos nossos cenários. A força desse movimento é justamente ter surgido já consumado e depois de ter sabido prevenir e paralisar antecipadamente qualquer reacção contrária.
Deste modo, a canga dos mercados conseguiu envolver-nos como uma segunda pele, considerada mais adequada que a do nosso próprio corpo.
Assim, já não deploramos, por exemplo, o subpagamento dessa mão-de-obra sobreexplorada em países de miséria, colonizados, entre outras coisas, pela dívida externa; deploramos o subemprego que isso provoca nas nossas regiões e quase invejamos esses desgraçados, na realidade reconduzidos, confinados em condições sociais escandalosas – que nós nem desconhecemos, mas a nossa aquiescência não tem limites!
(…)
E depois, esse dinheiro que escasseia afinal existe! Repartido de uma forma muito peculiar, mas existe. Não insistiremos, seria “pouco correcto”. Trata-se apenas de um simples reparo – de passagem, e a correr...
Há que respeitar acima de tudo o princípio essencial: não perturbar a opinião pública. Não perturbar o seu silêncio. Esse silêncio que ninguém percebe como foi obtido. [...]»

Viviane Forrester

[in O Horror Económico: Lisboa, trad. Ana Barradas, Terramar, 1997]
Selecção de Paulo da Costa Domingos

Picado de Frenesi Livros
Aproveito para referenciar este blogue como um dos poucos que vale a pena ler, quer pela sua qualidade em matéria de crítica literária quer, sobretudo, pela lucidez dos seus autores. Coisa rara na blogosfera, ou demasiado diluída no intenso ruído da Internet.

combates

“(…) É um combate assim o do encontro humano com a realidade a que chamamos amor. Ganhá-lo, recusando-o ou falhando-o é perdê-lo. Perdê-lo perdendo-nos no abandono a um outro é ganhá-lo. De qualquer maneira a única possibilidade que nos é oferecida para quebrar o arco de invencível solidão que é cada homem que não encontrou o amor e não foi vencido por ele.”
Transcrição de manuscrito de Eduardo Lourenço, in LER - Out. 2009

Longo combate, este (o da vida), que opõe Deus ao Amor.

jogar à carta

Se não se paga uma mensalidade (semestralidade ou anuidade) pela carta de condução, pela carta de marinheiro ou pelo brevet de piloto - mas apenas a taxa da sua renovação -, porque inventaram agora uma mensalidade para a carta de radioamador? A chulagem de serviço, ainda a do PS, não tem imaginação para coisa mais atinada?
Paga taxa, e muito bem, quem tem um equipamento emissor registado e a funcionar. Quem não o tem, não paga, é lógico e honesto. O contrário, que agora entra em vigor, é mais uma chulice da tutela. Se nada me é fornecido, nem bem nem serviço, onde está então a legitimidade de cobrar uma mensalidade pela posse de uma carta de radioperador amador?

O regresso de Faustin

Às vezes deparo com coisas esquecidas, usadas há muito. Sobretudo nos baús do absurdo cultivado nalgum momento de angústia. Mais do que provocar sorrisos, é um nonsense que insiste, doentiamente, alcançar o equilíbrio no fio da navalha.

o Jornalista

“As vírgulas e os pontos finais são pausas na minha escrita... como na música, a escrita é feita de sons e pausas..." Saramago, ao JRS que confrontava o escritor com o seu proverbial desrespeito pelas normas da língua portuguesa (a que o JRS chamou “gramática”, esquecendo o resto). É engraçado como alguém que, amiúde, dá calinadas na oralidade da língua portuguesa, e escreve com pobreza sintáctica, acusa tal falha a Saramago – mas condescendo, presumindo que se trata de retórica jornalística, para extrair resposta que elucide o público.
Este JRS já tinha dado um ar de inépcia ao tentar encostar às cordas o escritor e jornalista Amin Maalouf, com o argumento de que este atribui às Cruzadas a causa primeva para o desentendimento entre cristãos e muçulmanos, quando – segundo JRS – existiram e porfiaram muitos conflitos entre ambas as partes durante mais de meio milénio antes da primeira cruzada. Até confrontou o libanês com uma extensa lista de conflitos que antecederam a conquista de Jerusalém em 1099.
Ora, Maalouf respondeu na entrevista (pelo que presumo que teria sido isso que escrevera, e suscitara o confronto de JRS), que a primeira cruzada foi a grande acha que ateou a fogueira do desentendimento e da inimizade entre as duas civilizações. E eu acrescento o que retiro da História: até então, os conflitos ocorridos inscreveram-se na teia de relações habituais entre os povos mediterrânicos, que sempre registaram períodos alternados de conflitos e acordos, guerras e tréguas, oposições e coalizões. Maalouf tem razão ou, no mínimo, sobre esse aspecto não disse ou escreveu nada de errado.
Às vezes, não sei se ele é mesmo assim, ou se é estratégia de jornalista para permitir ao público iletrado o contacto com outras perspectivas – que não apenas aquelas que ressumam dos rótulos que os críticos, quando não as próprias editoras, colam aos escritores e às suas obras.
Bem diz o Baptista Bastos, que este rapaz tem pouco de escritor, de jornalista ou de pivô.

notas de rodapé - António Sérgio

Morreu hoje a maior voz da rádio portuguesa. Lembro-me dos programas da noite dos anos 80, especialmente do SOM DA FENTE, e da voz grave, poderosa e acelerada de António Sérgio.
Em 1990, aos microfones da Rádio Atlântico Sul, fazia-se ouvir uma voz com um registo muito semelhante à do A. Sérgio. Era um jovem que, hoje, está na 1ª linha da política local. São recordações do tempo da rádio. Do tempo em que jornais e rádios ainda resistiam contra o poder degradante da Televisão.

Que razões teve Jorge de Sena para se zangar com Portugal?
Talvez as mesmas que Saramago e outra dezena de escritores, pensadores e cientistas que, podendo, abandonaram este país de merda, dirigido por crápulas, velhacos e chulos. Faria amanhã 90 anos, se fosse vivo. Vou ver o "Câmara Clara", para saber a resposta.

escritas contemporâneas 2


«…a arte da escrita banalizou-se. Hoje, qualquer um que tenha um livro publicado é tido como um “escritor”. E eles nascem por aí como cogumelos. Basta aparecer na televisão, com uma vidinha mais ou menos turbulenta ou escandalosa, e logo dali nasce um “livro”, a vender milhares de exemplares, porque o que interessa aos editores é ganhar dinheiro.
Então, além da proliferação de livros que contam vidinhas e escândalos, os “escritores” da moda, os best-sellers, são os que andam por aí: badalados e mediáticos. A sua sobrevivência depende do mediatismo. Sem esse mediatismo não sobreviveriam. E até há quem fale em “escritores parasitas”, isto é, aqueles que pagam a alguém para escrever livros e depois colhem os louros.»
Do blogue Arco de Almedina

Pois, há por aí produtores de best-sellers que nem têm tempo para escrever os seus livros. Por isso, quando publicam muito, revelam estranhas variações de “estilo” entre uma e outra obra.
E os leitores desatentos nem estranham a produtividade desses autores de “romance à resma”, que sabemos muito ocupados com outros afazeres profissionais no dia-a-dia?!
O que eles produzem não é literatura de qualidade, é dejecto que ocupa, nos escaparates, o lugar da verdadeira literatura. É apenas papel estampado com motivos recreativos. Não é Literatura, não é ARTE!
A literatura pode ser, também, recreação e diversão, mas não pode ser apenas isso.
E porque acontece isto? Porque quem define o mercado e constrói os best-sellers é a carneirada que lambe das prateleiras dos hipermercados tudo aquilo que o marketing dos livreiros produz. E estes só têm um objectivo: vender muito papel estampado.
Eu escrevo, mas não sou, nem ambiciono ser, escritor. Escrevo para ordenar ideias; por vezes, para me rever no que escrevo como se fosse um espelho, noutras vezes para estabelecer fasquias que deverei superar. Porém, não sendo, nem procurando ser, escritor, agradeço àqueles que sentem vontade de escrever para os outros, e que o fazem a meu gosto.
Dos meus preferidos, eis três escritores portugueses contemporâneos: Hélder Macedo, Miguel Real, Mário Claúdio. Qualquer um deles mete num chinelo os jornalistas-escritores, e outros palhaços da moda literária, produtores de best-sellers. Desses cujas obras estão para a Literatura como a produção da fábrica Disney está para a Banda Desenhada – entretenimento, diversão e… banalidade.
E se há alguns que não se arrogam a mais do que aquilo que são, também há os que ocupam destaques imerecidos – e injustos, para outros que produzem literatura de qualidade.
Não acontece apenas no universo da escrita mas convém não esquecer que, efectivamente, assim acontece na Literatura.

Escritas contemporâneas

Não leio gajos que escrevem pior do que eu – e nem sou escritor, nem tenho pretensões a tal. Como diz o Vasco Pulido Valente, faço parte do número de pessoas que escrevem mas que não são escritores.
Não discuto a originalidade, a imaginação, o engenho dos enredos criados pois, disso - ao nível do José Rodrigues dos Santos -, tenho de sobra. Discuto a forma como se escreve. Já sobre o Saramago não perco tempo a discutir a forma porque o engenho das suas histórias e a originalidade dos conteúdos ofuscam completamente qualquer outro aspecto literário.
O José Rodrigues dos Santos escreve pobremente. Usa uma sintaxe enfadonha, de longas construções frásicas, entediante repetição de vocábulos, e demasiadas palavras enormes. Tudo isto conferirá, certamente, motivo de desinteresse para o jovem leitor – aquele que cada vez lê menos (?). E para o cativar para a leitura é exactamente o oposto que deve ser feito.

Do Prólogo do “Fúria Divina”: «As luzes dos faróis rasgaram a noite glacial, prenunciando um fragor cavado que logo se ouviu aproximar. O camião percorreu a Prospekt Lenina devagar, o estrépito do motor sempre em crescendo, e abrandou quando chegou perto do portão. O veículo virou lentamente, galgou a ladeira com um ronco de esforço e imobilizou-se diante das grades do portão, os travões a soltarem um guincho desafinado, o motor a bufar de exaustão(…).»
E mais adiante:
«(…) “Onde está ele?”, quis saber Ruslan.
Vitaly olhou de esguelha para uma porta lateral.
“No quarto, a dormir. Não se esqueçam de que são duas horas da manhã.”
Ruslan olhou para os dois homens que o acompanhavam e fez um gesto na direcção da porta. Sem uma palavra, os elementos do seu comando foram imediatamente pôr-se em posição, ambos encostados à parede, um de cada lado da passagem (…)»
E continua nesta toada de leitura fatigante enxameada de vacuidades literárias.

Vejamos:
«Os faróis rasgaram a noite glacial, prenunciando o fragor cavado que se acercou. O camião percorreu a Prospekt Lenina devagar, o estrépito do motor em crescendo abrandou ao aproximar-se do portão. O veículo virou lentamente, galgou a ladeira num ronco de esforço e imobilizou-se diante das grades, com os travões a soltarem um guincho desafinado e o motor a bufar de exaustão.» Não?
E na segunda parte:
«“Onde está ele?”, quis saber Ruslan.
Vitaly olhou de esguelha para uma porta lateral. Será possível olhar de esguelha para uma porta frontal?
“No quarto, a dormir. Não se esqueçam de que são duas horas da manhã.” Não bastaria: «A dormir. São duas da manhã.»(?)
Ruslan olhou para os dois homens que o acompanhavam e fez um gesto na direcção da porta. Sem uma palavra, os elementos do seu comando foram imediatamente pôr-se em posição, ambos encostados à parede, um de cada lado da passagem (…)» «Os dois homens… ambos…. um de cada lado», porque não: Ruslan olhou para os homens que o acompanhavam e fez um gesto na direcção da porta. Sem uma palavra, eles colocaram-se em posição, encostados à parede, um de cada lado da passagem.»(?)

Não está cá tudo o que o autor disse, mas em menos palavras, de forma mais límpida e leve? E não me venham com a treta dos estilos, que o JRS não tem nível nem tarimba para construir um estilo.

Saramanguito


O que escreveu não é suficiente. Saramago, na sua fria lucidez sabe que o fim está próximo e não quer deixar apenas a obra escrita como testemunho único da sua passagem pela vida. O ensaio do discurso verbal, essa atracção obsessiva que afecta quase todos os mestres da palavra escrita, serve-lhe o propósito de marcar uma posição. Vincar a coerência da sua visão do mundo, que expôs ao longo da sua obra escrita e que, pelas letras impressas chegou a meio-mundo. Agora, com a oralidade, alcança o outro meio. Saramago não quer partir amortalhado apenas nas páginas do que escreveu, exige o som da trombeta de guerra que é a sua voz rebelde. Rebelde contra um mundo atávico, de carneirada néscia que se deixa manipular por uma corja de velhacos. E essa trombeta anunciará a sua passagem para o além ou, como plausivelmente acreditará, a transição para o oblívio.
Deixei de o ler quando recebeu o prémio. Talvez por preguiça, talvez por achar que deixava de valer a pena dispensar atenções a algo que a sociedade devorava transformando em mainstream. Talvez tenha feito mal, ou talvez ainda não seja altura de ler todo o Saramago. Antes disso, li e gostei do Levantado do Chão e do Memorial, adorei o Evangelho e ri-me com a Jangada. Hoje, aplaudo este homem velho e cansado que tem razão de sobra para libertar a raiva que lhe vem de dentro. As sotainas diagnosticam-lhe ódio, eles lá sabem, conhecem bem esse sentimento.
Já eu, que concordo com as suas palavras sobre a Bíblia, digo: tais palavras só podem sair de alguém com profundo sentido religioso e humano; alguém que se encontra nos antípodas dos que imediatamente o criticaram, acusando-o de leviandade e ignorância. E pur si muove.

«A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade - A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável. É uma loucura! (…) Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca». José Saramago

Pode a Lua ofender-se com o ladrar do cão?

Quero lá saber das supostas ofensas da Maitê Proença ao Património, à História e à cultura portuguesa? Da Maitê, actriz de telenovelas, aproveitava-se o corpinho que mostrou em Itália, em sessão fotográfica que a Playboy exibiu há uns anos. Considerando o tempo decorrido e os efeitos da gravidade sobre os corpos, a Maitê passou à história e merece-me, hoje, tanta atenção como o seu compatriota que veio jogar no Belenenses e mal desembarcou do avião declarou, comovido, a profunda emoção que sentia em integrar o plantel da terra de Jesus Cristo. Alarvidades.
Portugal será sempre inatingível pelas Maitês do mundo. Imbecis são os portugas que se incomodam com os divertimentos infantis de alguns brasileiros. Estão bem uns para os outros, rafeiros ladrando à lua.



Homenagem a Latino Coelho

José Maria Latino Coelho, nasceu em Lisboa a 29 de Novembro de 1825 e faleceu em Sintra em 29 de Agosto de 1891. Foi militar, escritor, jornalista e político. Seguiu a carreira das armas, tendo atingido o posto de general de brigada do estado-maior de engenharia. Seguindo um percurso político que o levaria do Partido Regenerador, pelo qual foi eleito deputado, ao Partido Republicano Português, com passagem por um governo do Partido Reformista, de que foi fundador, a sua carreira política percorreu todo o arco partidário da Monarquia Constitucional. Foi várias vezes eleito deputado, foi par do Reino eleito e exerceu as funções de ministro da Marinha e de vogal do Conselho Geral de Instrução Pública. Foi lente na Escola Politécnica de Lisboa e sócio efectivo e secretário perpétuo da Academia Real das Ciências de Lisboa. Como escritor, notabilizou-se com obras de foro histórico e ensaístico.
Uma das melhores referências a Latino Coelho foi feita por Brito Camacho na sua obra “Os Amores de Latino Coelho”, obra interessante que vale a pena ler.

Gravura de FERTIG, Ignaz (c. 1850/51)