Saudações, Tivemos oportunidade de ler com atenção o seu escrito no blog Claustrofobias e no blog Lagos, no qual se refere à Mesa Redonda e a uma postagem por nós feita sobre as obras da frente ribeirinha da nossa cidade, mais concretamente ao cais agora posto a descoberto. Não nos merecem quaisquer comentários a forma como se refere a nós nem à nossa "caixa de comentários [que] bem merece o ápodo de “cloaca maxima”, numa homenagem a essa imperial sarjeta romana onde parecem boiar os comentadores do referido blogue". É a sua opinião e é livre de a expressar como bem a entender. Mas, se nos permitir, gostaríamos de lhe dizer o seguinte: Existe na Mesa Redonda uma ligação para o nosso email. Qualquer pessoa, o Francisco Castelo incluído, poderá fazer chegar contributos ou indicar-nos correcções aos nossos erros, o que terá sido em seu entender o caso da postagem que se refere ao cais antigo. Se participar estará a contribuir para melhorar o nível da discussão, não concorda? Todos erramos e o Francisco Castelo comete a seguinte incorrecção quando afirma: "Dizem esses críticos que se apresentou tais estruturas como coisa que não são. Que foram anunciadas como “o cais de onde partiu D. Sebastião”. Não é verdade! O que nós dissemos foi: "[...] e a janela de onde segundo a tradição local, no século XVI (Verão de 1578), el-rei D. Sebastião assistiu ao embarque da sua força militar que acabou derrotada em Alcácer-Quibir (aliás, deve ser por essa razão que existe a sua evocação em painel fronteiro, não será assim?)". Aliás, esta "tradição" pode ser lida e comprovada em http://viajar.clix.pt/tesouros.php?id=160&lg=es "Possui, na fachada, uma janela manuelina de onde Dom Sebastião terá assistido à missa que precedeu a sua partida para Alcácer Quibir. Nos relvados do Jardim da Constituição, frente à janela, três painéis, da autoria do escultor João Cutileiro, evocam esta histórica batalha que custaria a vida ao rei português". Quanto à datação do cais (século XVII): Sabe tão bem ou melhor do que nós que anteriormente a 1578 já muitos barcos tinham saído de Lagos demandando África. Terá sido este o caso de Gil Eanes (1434 - século XV), por exemplo, entre outros. Tal leva à suposição que em Lagos deveria existir um cais (pelo menos desde o século XV), infra-estrutura natural e imprescindível numa cidade ribeirinha como é a nossa. Se não era este que mencionamos, onde se localizaria então? E será que os nossos antepassados construiriam estas infra-estruturas com regularidade? De qualquer modo, nós pretendíamos transmitir a ideia que foi infeliz a ideia de se pôr o cais a descoberto, dada a sua actual distância ao mar (derivada da construção da Avenida dos Descobrimentos em 1960). Dissemos: "O facto é que a actual distância ao mar impede-o, de todo! E que aquelas “pedras” hoje não fazem qualquer sentido neste espaço. Por conseguinte, a ideia de o pôr à vista deve ser das mais infelizes a que se assistiu na nossa cidade". E acrescentámos outra ideia: "a fachada lateral da Igreja de Santa Maria, junto à Casa da Dízima (construção do séc. XVII), ostenta orgulhosamente dois aparelhos de ar condicionado". Simplesmente, estes já não deviam estar ali após a dita "requalificação"! Percebemos quando afirma: "Mesmo que alguém tenha proferido alguma afirmação identificando o local do cais com o local de onde terá partido El-Rei D. Sebastião para a fatídica empresa de Alcácer-Quibir, entende-se perfeitamente que a alusão é ao local e à consequente carga histórica acumulada com esse facto (admitindo que assim aconteceu, o que não é certo), e não à estrutura concreta do cais. No entanto, e mesmo sendo assim, discordamos FRONTALMENTE que se tenha gasto um montante significativo de dinheiro para se transmitir a carga histórica relacionada com D. Sebastião, da maneira como foi feito (ou será para se perpetuar a tal tradição de um facto que nunca se verificou, num sítio que nunca existiu no século XVI?) Mas, agora que o cais e o que ele simboliza está à vista, saiba que partilhamos a posição da CDU sobre este assunto e que apresentou na Assembleia Municipal de Lagos (reprovada pelos eleitos do PS): "[...] Nele aconteceram momentos marcantes na História do País, por ele saíram os navegadores que iniciaram os Descobrimentos, nele teve lugar o embarque do exército que D. Sebastião levou ao que seria a derrota em Alcácer Quibir [...] Que a Assembleia Municipal de Lagos delibere recomendar à Câmara Municipal a criação de um Centro de Interpretação do Porto de Lagos nos termos dos considerandos atrás expostos". Pode recordar a proposta na íntegra aqui: http://www.canallagos.com/um+centro+de+interpretacao+para+o+porto+de+lagos+=a9179/ Para terminar, dizer o seguinte: não vemos qualquer vantagem da nossa parte em publicar este nosso esclarecimento ou qualquer troca de opiniões que dele possa resultar. Mas, se quiser contribuir com algum texto sobre este ou outro assunto e que deseje ver postado na Mesa Redonda fá-lo-emos com prazer. Por último: gostaríamos de retribuir os votos de Boas-Festas da nossa Mesa Redonda. Filipa Neves
Perante a insistência do 2º mail, desta vez titulado com uma pergunta directa: "Não lhe merece nenhum comentário, nem admitir que errou?", acabei por responder, no mesmo dia 21, com o seguinte texto.
Não, acho que não vale a pena porque nos escudamos ambos em firmes convicções pessoais. Porém, esta vossa resposta, começando com alguns argumentos pertinentes acabou por descambar para aquilo que, justamente, denunciei: vocês criticaram a afirmação (que continuo sem saber quem proferiu ou onde está publicada) “de que daquele cais partiu D. Sebastião”. Insurgem-se contra tal afirmação enquanto proferida ou publicada por alguém da CMLagos mas já a aceitam e aplaudem, incluída numa proposta da CDU. Não me cabe defender a Câmara, que tem procurador ou representante para isso. Tampouco pretendo brilhar perante gente de cujo “círculo de afectos” não faço parte nem pretendo fazer. Portanto, falo por mim e defendo as minhas opiniões. É verdade que, na minha crítica, omiti outras partes do vosso artigo com as quais concordo – nomeadamente sobre o resultado final da intervenção naquela zona – porque tal seria chover sobre o molhado. Aliás, o projecto inicial do tempo do J. Valentim já não era coisa que me fascinasse, depois, com as alterações sucessivas, perdeu o pouco que pudesse ter de meritório e afundou-se naquilo que está à vista.
O meu post insurge-se contra duas coisas que comprometem a seriedade e a credibilidade do vosso blogue: a crítica cega a tudo ou a todos os aspectos de um qualquer assunto, e os comentários infectos que pululam por lá. Perante isto o vosso blogue não me merece especial atenção ou consideração. Salvo para seguir os comentários desesperados daqueles a quem as minhas verdades incomodam, especialmente em questões de foro pessoal – mas a esse respeito não peço nenhum tratamento especial, para os removerem p. ex. pois tal atitude só faria aumentar a desconfiança a meu respeito por parte da imbecilidade reinante.
Mas se querem ser levados a sério terão que exercer maior rigor na aceitação de comentários e deixar as contundências para os casos que conheçam bem, sobre os quais estejam, efectivamente, bem informados.E reitero estas críticas, que são profunda convicção minha.
Sobre o assunto não tenho mais nada para dizer nem disponibilidade para colaborar convosco, não só pelo que atrás foi dito mas também porque embora nunca tendo colaborado com o vosso blogue, e sem vos conhecer, já suporto atitudes velhacas devido à cretinice instalada me julgar redactor desse blogue. Agora até inventam factos e sopram-nos aqui e ali para ver quem pega e leva para o vosso blogue. Porém, fazem-no de forma tão abrutalhada, que até mete dó. Subtis como paquidermes.
Como da vossa parte nunca recebi tratamento pessoal ofensivo ou incorrecto, desejo-vos Saúde, e Boas Festas.
Mensagem à qual a "mesa redonda" retorquiu, encerrando a troca de correspondência.
Agradecimentos pela sua resposta.
Ficámos e sentimo-nos esclarecidos, embora continuemos a pensar que não compreendeu o nosso texto e que elaborou o seu sobre um erro de interpretação (no qual persiste).
De resto, quanto à credibilidade que os nossos textos merecerão ou não, vinga o seu direito à opinião e que não contestamos.
Já quanto à moderação de comentários: ela é feita a nível da linguagem que pode ser utilizada, mas não de argumentação.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo para si são os desejos da Mesa Redonda.
Esclarecimento Final: Embora contrariando a preferência manifestada pela "mesa redonda" na não publicação desta discussão, entendo que o devo fazer para que fique esclarecida a minha posição e relação - não relação, é mais exacto - com esse blogue, desmontando assim a acção de um reles, invejoso, incapaz e inútil que de há muito me critica lá na caixa de comentários do blogue "mesa redonda" , não tendo coragem de o vir fazer aqui no meu blogue. Um desgraçadito que adoptou essa atitude desde que passei a tratá-lo com o desprezo que merece . O verme tenta, com grande afã, "colar-me" ao mesa redonda, procurando que daí advenha prejuízo para mim. Coisa que também servirá os interesses dos redactores desse blogue porque enquanto os visados (criticados e insultados) dirigirem as suas atenções sobre suspeitos errados, não o fazem em direcção aos verdadeiros proprietários do blogue em causa (?!). Porém, nada disto afecta as minhas convicções sobre o blogue em questão, patentes no post que originou esta esgrima de posições.Que fiquem pois os espíritos esclarecidos a este respeito.
ACTUALIZAÇÃO EM 27 DEZ. no seguimento de uma mensagem recebida da "mesa redonda", durante a tarde.
Cumprimentos Tivemos oportunidade de ler tranquilamente o seu Esclarecimento Final que resultou da nossa troca de correspondência. Desta feita, sentimo-nos esclarecidos. Custava-nos firmemente a acreditar que não tivesse lido correctamente a nossa postagem e que tivesse cometido algum erro propositado em relação ao que dissemos e pretendíamos transmitir (se bem que admitamos que a ironia do texto se poderia prestar a alguma confusão ou interpretação errónea). Ao referir-se ao prejuízo que poderá advir da "colagem" feita à Mesa, percebemos a sua motivação mais profunda quanto à postagem que fez. E fez -se luz! Mas, também registámos que "Porém, nada disto afecta as minhas convicções sobre o blogue em questão, patentes no post que originou esta esgrima de posições. Que fiquem pois os espíritos esclarecidos a este respeito", como fez questão de sublinhar e nós de tomar como certo. Em primeiro lugar: saiba que lamentamos profunda e sinceramente que a "colagem" que alguns fazem de si à Mesa Redonda (eventualmente as pessoas com quem trabalha e, quem sabe?, os seus superiores hierárquicos) lhe possa ter criado problemas, ou dissabores pessoais e profissionais. Não é nem foi de todo essa a nossa intenção. Em segundo: contudo, nem nós estamos em posição de afirmar peremptoriamente que o Francisco Castelo não participa ou não participou da feitura da Mesa Redonda. Nós publicámos dezenas de postagens vindas dos mais provenientes autores, alguns devidamente identificados e de outros que não o fizeram. Fizemo-lo pois há uma ligação no nosso blog que assim o permite e pois essa é, em nosso entender, a forma de alargar e de tornar mais plural e participativa a discussão sobre a nossa cidade e o nosso município. Em terceiro: equipados de sofisticado escafandro autónomo vasculhámos o que apelida de "cloaca maxima" e que é segundo afirma a nossa caixa de comentários, em busca de o verme a que alude. Infelizmente, não o detectámos! Mas, reconhecemos que essa tarefa não é fácil, para mais tratando-se da "cloaca maxima". Mas se nos indicar onde achar trataremos de inibir essa participação a que se refere. Mais uma vez, queira aceitar as nossas desculpas pelos incómodos que lhe causámos e contacte-nos com sugestões no sentido de que os mesmos não se voltem a repetir. O colectivo Mesa Redonda.
Declino a vossa oferta, como já o tinha dito anteriormente. Não é meu desejo que a "mesa redonda" assuma as minhas guerras (disso trato eu), desde que não as integre já chega. Porém, a cloaca máxima não obtém esse estatuto devido às críticas a mim dirigidas, que são um minúsculo dejecto na descarga geral do que por lá flutua. Mas não me lixem com essa "nem nós estamos em posição de afirmar peremptoriamente que o Francisco Castelo não participa ou não participou da feitura da Mesa Redonda.". Então para que serve o controle de IP's.? Eu sou capaz de identificar todas as vossas visitas ao meu blogue a partir do IP que usaram, quer seja um IP real ou artificial. Dado que não mascaro o meu IP, é evidente que qualquer visita ou colocação de comentário no vosso blogue, é passível de ser identificado. Quanto a mails, aí terão que ficar com a minha palavra de que nunca vos enviei material algum, vocês é que terão aproveitado algo do que publiquei no "Lagos" e fotos do meu site, atitudes que não me ofendem minimamente. E já agora aproveito para esclarecer em que condições poderia participar na acção cívica que o vosso blogue pretende constituir: Em primeiro lugar teriam que resolver essa questão da vossa caixa de comentários estar transformada numa cloaca, depois eu teria que não trabalhar em Informação Municipal. Portanto, aí têm razões poderosas e de fundo que me impediriam, sequer, de considerar tal colaboração. Saúde, e Bom 2010.
A ânsia louca de produzir críticas sobre tudo e mais alguma coisa conduz, amiúde, a imprecisões e apreciações incorrectas ou injustas e tem, no mínimo, o efeito de retirar credibilidade aos críticos e à matéria analisada. A toda a matéria analisada.
O principal blogue de serviço à crítica da política local – que se afirma composto por membros reunidos em conclave em torno de uma mesa redonda –, cuja caixa de comentários bem merece o ápodo de “cloaca maxima”, numa homenagem a essa imperial sarjeta romana onde parecem boiar os comentadores do referido blogue –, pronunciou-se sobre o cais antigo da zona ribeirinha, recentemente posto a descoberto, situado junto ao revelim do amuralhado conhecido como “Castelo dos Governadores”, ali por baixo da “Janela de D. Sebastião”.
Dizem esses críticos que se apresentou tais estruturas como coisa que não são. Que foram anunciadas como “o cais de onde partiu D. Sebastião”.
Mas onde leram isso? Procurei, e não encontrei tal afirmação escrita em parte alguma.
No site da Câmara Municipal lê-se:
«Cais Antigo – Entre o Castelo dos Governadores e a antiga Casa da Dízima existiam duas portas que, articuladas com a muralha quinhentista e funcionando como antecâmara da cidade, permitiam a circulação entre muros e o acesso ao Cais da Ribeira. A área onde em épocas distintas terão existido diferentes cais, e que foi soterrada na década de 40 do século XX para a construção da Avenida da Guiné, encontra-se hoje visível e integrada na requalificação da frente Ribeirinha, no âmbito do programa POLIS.»
E, na informação veiculada pela imprensa, aquando dos trabalhos arqueológicos, e baseada nas informações prestadas pelos responsáveis por tais trabalhos, leu-se, então:
« (…) No âmbito do processo de requalificação da Frente Ribeirinha, e enquadrado na intervenção arqueológica em curso, acaba de ser encontrado em Lagos o cais da ribeira. A estrutura tem, identificados, pelo menos dois momentos de utilização: um mais antigo, da época moderna (século XVII), e um outro que esteve em funcionamento até aos anos 40 do século XX. Inseridos numa área urbana de importante dimensão histórica, os trabalhos visam, para além de cumprir as imposições legais, preservar a memória e a identidade histórica da cidade. Com elevadas expectativas desde o início, a intervenção arqueológica resultou na identificação de um conjunto de estruturas de cronologias e tipologias diversas, nomeadamente da época contemporânea e moderna. Os trabalhos reconheceram ainda a muralha existente entre o Palácio dos Governadores e a Messe Militar e as duas portas que davam acesso à cidade e que se encontravam ilustradas na planta elaborada em época moderna por Alexandre Massai (século XVII). (…) »
Mesmo que alguém tenha proferido alguma afirmação identificando o local do cais com o local de onde terá partido El-Rei D. Sebastião para a fatídica empresa de Alcácer-Quibir, entende-se perfeitamente que a alusão é ao local e à consequente carga histórica acumulada com esse facto (admitindo que assim aconteceu, o que não é certo), e não à estrutura concreta do cais.
É pena que os sublimes críticos que se reúnem em torno da tal “menza” não compreendam a dignidade e a importância do acto de criticar, mesmo, ou sobretudo, quando feito anonimamente.
Foi a corrente abjecta que atravessa essa “cloaca maxima”, repleta de harpias comentadoras, das suas regurgitações e cagaitas, que levou à remoção do link desse blogue, no “Lagos”, vai para dois ou três meses. Daqui já tinha sido removido há mais tempo.
É pena que persistam em tal comportamento, pois podiam refrear o ímpeto de tudo criticar. E mesmo mantendo o anonimato do blogue deviam impossibilitá-lo nos comentários, visto que os comentadores não demonstram um mínimo sentido de ética.
Entretanto, deixo os votos de Boas Festas e que se divirtam muito com as críticas cegas mais os comentários infectos.
Aceito que a republicação de artigos alheios, mormente os publicados na imprensa, em nada acrescenta o valor de um blogue, porém, fazer eco de um artigo, de uma ideia serve, no mínimo, para marcar uma posição. E como o assunto versa sobre palhaços e palhaçadas, adapta-se lindamente à filosofia deste blogue.
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso.O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável.
Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
O novo nazismo ganha cada vez mais força. Não me refiro aos grupos neo-nazis que pululam por toda a Europa mas sim ao radicalismo islâmico que deve ser temido e combatido. E convém distinguir entre radicalismo e fundamentalismo. Erradamente, os media usam o termo "fundamentalismo" para descrever o radicalismo. Fundamentalista é aquele que segue os fundamentos, atitude comum a todos os que obedecem e observam os preceitos de uma qualquer religião, ou de uma ideologia.É necessário que os europeus abram os olhos e denunciem e reprovem as políticas demasiado permissivas que acolhem gente intransigente, não democrática nem humanista que, levando o fundamentalismo islâmico muito para além do aceitável pelos valores da cultura ocidental, cai num radicalismo que ameaça a existência da Europa. O mundo ocidental tem que investir na "desmontagem" dessa cultura islâmica. Deve fazê-lo pela via da influência cultural e económica. Se não o conseguir terá de fechar as fronteiras... ou claudicar.Há um universo islâmico que cumpre os fundamentos da sua religião numa atitude pacifica e tolerante para com os outros, esses devem ser procurados, arregimentados e apoiados na oposição aos radicais.
São um exército de insectos vorazes, de todos os tipos, e que nada produzem; exploram à exaustão os contribuintes que, em troca, nada recebem pelo esforço despendido.
Não tem exactamente a mesma luz do Algarve mas tem a calma, o verde, o sol e, sobretudo, o silêncio que o Algarve já perdeu há muito. E uma proverbial indolência inerente aos próprios lugares como que envoltos numa manta de retalhos. Uma manta formada pelo riacho que passa delicadamente por entre os seixos, e os medronheiros suavemente embalados pela aragem que se contorce nas encostas, e o brado da rapariga que chama não sei o quê, ecoando em espiral para o vale numa toada longa e musical. E o “você” com que se tratam gentes e animais, próximos ou alheios, numa delicadeza de diminutivos e outros mimos que o isolamento da serra ou a extensão da planície induzem. E é esta quietude que o Alentejo possui, como um segredo do ritmo da vida e da respiração dos seres, é isto que atrai e enfeitiça.
Ainda não tem o chapéu aberto e aquele perfil inconfundível dos cogumelos das histórias de encantar (ou envenenar). O Amanita muscaria, ou cogumelo mata-moscas, geralmente não é fatal, mas origina efeitos gastrointestinais e... alucinogénios. Este encontrei-o na serra alentejana, durante um fim-de-semana repleto de porco preto, medronho e alguns cogumelos. A gastronomia incidiu sobre o suíno e a água das bagas encarnadas. Os cogumelos é que, infelizmente, não se apresentaram com a necessária aptidão para o tacho.
Enjoados e enojados com o forrobodó republicano começamos a olhar para as monarquias constitucionais como hipótese de solução?! Não me parece. O obstáculo reside na essência do próprio povo, na sua boçalidade expressa, ou latente, cristalizada nos trapaceiros da classe política que nos governa. Não há solução.
Sentei-me em silêncio tentando concentrar-me na respiração do cão. Ele olhou-me desconfiado, pensando, talvez, “o que raio está este gajo a inventar agora?!” Pressentindo a cisma do canino, virei o rosto para o lado procurando evitar qualquer incómodo e maior suspeição. Mas ele, movido pela desconfiança instalada, ergueu-se nas quatro patas dispondo-se a abandonar a sala. Eu não podia permitir tal coisa, e mal o bicho virou o traseiro agarrei-o pelas ancas, forçando-o a deitar-se de novo. Acto contínuo, virou a cabeça exibindo a dentuça arreganhada e rosnou, ameaçador, procurando ferrar-me a mão direita. Entrámos numa luta confusa e barulhenta que só terminou quando o cão, já cansado, disse: - Pára lá com isso! Estamos a lutar porquê? E eu, atónito, ainda mais cansado que ele, deixei-me escorregar de corpo inteiro para o chão, aturdido por aquelas palavras que nunca ouvira antes, porque nunca antes ouvira um cão falar. E assim fiquei, prostrado, imóvel, escutando apenas a minha respiração ofegante, como um encadeado de possantes estrondos no silêncio do Universo.
Anda por esta Internet adentro muita informação contraditória sobre alguns aspectos respeitantes quer ao surgimento quer ao combate da gripe A.
Já sabemos que a net é um excelente veículo para difundir boatos e informação deturpada. É o preço da liberdade de informação, que devemos aceitar, embora tal constatação deva conduzir à adopção de atitudes cautelosas e sempre críticas em relação a tudo o que se lê e vê por aqui.
Para além da eventualidade da doença permitir que alguns agentes menos escrupulosos alcancem dividendos acima do que seria eticamente aceitável, não me parece que a atitude das autoridades seja merecedora de críticas tão incisivas como as que temos testemunhado. É que esta doença já é nossa conhecida, e na sua primeira visita levou cerca de 120 mil portugueses. Foi em 1918, e a acção do vírus H1N1 era então conhecida como Gripe Espanhola* ou, simplesmente, pneumónica.
Isto, não ouvi nos meios de comunicação; ou porque foi dito e me passou ao lado, ou porque foi omitido para evitar pânicos escusados.
O plano de vacinação está aí e não me parece que apresente fragilidades ou inconsistências que devam levar-nos a adoptar uma atitude de desconfiança. Temos uma história de vacinação que vem desde o início do século XIX e um Programa Nacional de Vacinação que funciona adequadamente desde 1965.
Convém não esquecer que foi devido à vacinação que se conseguiu, em 1980, erradicar a Varíola, a nível mundial.
Voltando ao nosso país, em 1965 teve inicio a vacinação em massa contra a poliomielite, que registava nesse ano 292 casos. No ano seguinte registaram-se apenas 13 casos. Seguiu-se o combate à difteria e à tosse convulsa, também com resultados muito positivos.
Isto representa a vitória do processo de vacinação, e daquilo que talvez seja uma das maiores conquistas da ciência médica. Repudiar a prática da vacinação é esquecer as conquistas alcançadas contra inúmeras doenças, algumas bastante horríveis que flagelaram a humanidade ao longo da História: difteria, gripe B, gripe C, hepatite b, papeira, poliomielite, rubéola, sarampo, tétano, tosse convulsa, tuberculose.
Finalmente, convém realçar um outro aspecto da vacinação, muitas vezes esquecido. As vacinas também protegem os indivíduos não vacinados já que a probabilidade de disseminação de uma doença infecciosa diminui com a vacinação alargada das populações. Esta imunidade colectiva ajuda, assim, a proteger os indivíduos mais vulneráveis.
Para além das razões médicas, e de saúde pública, aceito a vacina contra a gripe A também por uma questão de princípio. O princípio racional que ensina a confrontar eventuais benefícios com hipotéticos prejuízos, nessa equação indissociável da nossa existência, que resulta do sempiterno risco que opõe a raça humana a uma Natureza, naturalmente, adversa.
*Descrente do ditado que apregoa: “de Espanha, nem bom vento nem bom casamento”, sublinho que a denominação “Gripe Espanhola” se refere à doença observada, pela primeira vez, nos Estados Unidos da América. Isto ocorreu em Março de 1918, e os primeiros casos conhecidos na Europa ocorreram em Abril do mesmo ano, pelo que não é despiciendo conjecturar que a doença foi introduzida na Europa pelas tropas americanas. A adopção da denominação “gripe Espanhola” talvez se deva ao facto da imprensa desse país que não participou na guerra, ter noticiado profusamente que em muitos locais adoeciam e morriam civis em quantidades alarmantes. Em Maio, a doença atingiu a Grécia, Espanha e Portugal. Em Junho, a Dinamarca e a Noruega. Em Agosto, os Países Baixos e a Suécia. Todos os exércitos estacionados na Europa foram severamente afectados pela doença, calculando-se que cerca de 80% das mortes da armada dos EUA se deveram à gripe.
As fotos a Preto & Branco são uma dupla mentira em relação à realidade. Pelo facto de serem fotos já são uma mentira, depois porque o monocromatismo é uma reinterpretação do real. Como se fosse coisa de outro mundo. Vejam como, a cores, as coisas parecem mais reais, mais fidedignas. Eis duas fotos de uma vasta série de imagens rejeitadas pela LIFE, nos distantes anos 40.
Como sabes, frequento alguns sites de Fotografia que agrupam muitos entusiastas, alguns são profissionais mas a maioria são amadores. Muitos são excelentes fotógrafos, outros nem por isso. No entanto a Fotografia é, para mim, apenas o pretexto para descobrir nesses fóruns uns raros cultores de um certo tipo de humor. E é essa disposição que me leva a este tipo de convívio que zomba do quotidiano social, político, cultural, troça de costumes e atitudes, e critica estéticas, fotográficas ou não.
Num destes sites deve-se comentar criticamente cada fotografia ali inserida. Porém, nem sempre os comentários reflectem conhecimento sobre a matéria, ou mesmo qualquer interesse em abordá-la, não passando de simples graçolas ou, mais raramente, tiradas de refinado humor. Eis uma breve selecção de comentários a fotografias, que foram replicados num tópico que criei para essa finalidade no Canal Foto. A totalidade dos comentários ali replicados pode ser acedida aqui.
O ok é porque está aceitável. PONTO FINAL, percebe? Ou o sr pensa que esta fotografia está boa, sequer?
EU JÁ LHE DISSE QUE ME CHAMO VASCO CUNHA. Para si Arq. Vasco Cunha, fique sabendo. Veja se vai ao médico tratar esse estado de estupidez em que vive.
QUAL LUCAS qual carapuça, o Senhor consegue enervar um santo, que chatice.
Eu comento as fotos como eu entender e se o senhor não aceitar faça como eu, retire-as!
TENHO DITO E CALE-SE.
carago pá, como é que tu consegues ser disléxico no que escreves e no que fotografas?
és um caso bicudo.
Nunca duvide das suas certezas, elas são fundamentais para sustentar as suas opiniões. ok?
Fazemos negócio ou não? Tenho uma sony mavica de disquete. Um espectáculo de máquina! 1 Milhão de pixéis! Vendo-te a máquina por 850 euros e ainda te ofereço 2 pilhas semi-novas que já não funcionam.
gosto desta foto, fora do original
engraçada, as cuecas é que não fazem ali nada, a edição poderia disfarçá-las?
a mais comentada das minhas fotos nos últimos tempos. uma pilha de garrafões de vinho. isto diz muito deste país. cambada de bêbados.
Só mesmo com um CLONIX para suportar tanta coisa nenhuma.
não...O QUE VC REPROVOU NESSA FOTO.POR FAVOR MEU MESTRE EM FOTOGRAFIA, EXPLIQUE. A luz o enquadramento a definição o reflexo nas costas a sombra inacabada a sua posição perante o "tema" O contraste no céu. MESTRE, E ISSO TUDO ESTÁ ERRADO?
as opiniões são como as vaginas: cada mulher tem a sua e quem quiser dá-la, dá-la...
excelente momento.... pena o pormenor de o cavalo abrir a boca
como conseguiste dobrar tão bem as bordas da foto? foi a quente?
Os artistas não se interessavam pela fama ou notoriedade. Frequentemente, nem assinavam os seus trabalhos. Ignoramos os nomes dos artistas que fizeram as esculturas de Chartres, Estrasburgo, e os painéis de Lagos – o tríptico de Alcácer-Quibir, bem como o novo, situado no seu verso.
Eis uma atitude própria do "Período" Gótico.
O teu véu é um suave murmúrio de espuma em seda que desliza pelo colchão de areia sendo nele ausentes os seres desencontrados e diferentes que o espírito das águas anima a partir na manhã cinzenta enxuta e fria perdida nas memórias do que nunca aconteceu por mor de futilidades transformadas em gravidades imensas encerradas num grão de areia.
Tapa-me os olhos que eu não quero ver
João Miguel Tavares – DN 17 de Novembro de 2009
O caso “Face Oculta” esbarra de frente com o primeiro-ministro. O País inteiro pára para ver. Vem o presidente do Supremo Tribunal e diz:”É tempo de repensar toda a estrutura de investigação criminal: Vem o procurador-geral da República e diz:”Os políticos devem acabar com o segredo de justiça ou então mudar a lei.” Sobre o primeiro-ministro, durante uma semana, nenhum deles disse coisa alguma. Meus caros amigos: isto é o mesmo que ter um homem encarcerado num acidente e os dois médicos do INEM chamados ao local optarem por ficar na berma da estrada a discutir questões de anatomia. Isto á o mesmo que ter um avançado caído dentro da área e o árbitro e o fiscal de linha decidirem que naquele momento o que se impõe é uma reflexão sobre as regras do penálti. Isto é o mesmo que ter uma casa a arder e dois bombeiros sentarem-se a debater a qualidade do seu equipamento em vez de irem buscar a mangueira da água.
Está tudo doido? Não. Está tudo cheio de medo. Porque nunca ninguém viu nada assim desde que existe democracia e Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro preferiam manifestamente não ter sido eles a ver. Estas são circunstâncias absolutamente excepcionais e eu não sei se temos homens à altura destas circunstâncias. Parece-me muito sintomático que os dois mais altos magistrados do País se tenham refugiado em questões políticas (o segredo de justiça e a estrutura da investigação) no preciso momento em que aquilo que se lhes exige é clareza absoluta nas decisões judiciais. Pinto Monteiro, aliás, só emitiu um comunicado com alguns esclarecimentos depois de José Sócrates ter exigido publicamente que queria ser esclarecido.
Sejamos cristalinos: acreditar que Jesus Cristo andou sobre as águas exige menos fé do que acreditar que as conversas entre Sócrates e Vara têm a inocência de um episódio da Abelha Maia. Supondo que o juiz de instrução criminal de Aveiro não enlouqueceu, o simples facto de enviar certidões para o Supremo envolvendo Sócrates tem só por si um efeito devastador e que exige uma dupla resposta: jurídica (saber se as escutas são legais) mas também política. E, para a resposta política, a legalidade das escutas interessa pouco. Sócrates disse:”A questão mais importante para mim é saber se, durante meses a fio, fui escutado e se isso é legal num Estado de direito.” Mas a questão mais importante para mim, e suponho que para a maioria dos portugueses, não é saber se as escutas são legais, mas se o primeiro-ministro teve conversas inaceitáveis com Armando Vara à luz de um Estado de direito. Isso até devia sossegar Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento. Só que eles conhecem demasiado bem a política para ainda serem capazes de confiar no poder solitário da justiça.
2010 vai ser ano de comemorações e, talvez, balanço de um século de regime republicano. Mas o republicanismo não começou em Portugal com a implantação da República. Numa sintese repartida darei conta dos antecedentes dessa aventura que dispensou monarcas e nobres, tomada pelo impacto de um assassinato, ainda hoje não resolvido no plano político e emocional dos portugueses.
Os antecedentes da República. 1
As Conferências do Casino que ocorrem em 1871 são resultado da efervescência mental produzida pela Questão Coimbrã de 1865-1866. Aí, uma nova geração de estudantes, poetas, escritores, manifesta a necessidade de se criar uma literatura capaz de tratar os temas mais importantes da actualidade, por oposição a outros intelectuais que pugnam pela manutenção do statu, apenas introduzindo inovações estéticas superficiais. Com a Questão Coimbrã entram em conflito directo o novo espírito cientifico europeu e o velho sentimentalismo rústico do Ultra-Romantismo. O novo lirismo que surge, social, humanitário e crítico, personificado por Antero de Quental, Teófilo Braga e outros, não se insurge apenas contra a tirania do gosto literário vigente, exercida por Augusto Castilho, mas também contra todos os conceitos políticos, históricos e filosóficos que ele e os seus seguidores simbolizam.
Esta época de empolgantes aventuras de descoberta do planeta, adequada à exaltação da grandeza do império luso, que mobiliza a ciência e a incerteza do desconhecido num fascínio que alimenta o imaginário de todas as classes e a emoldura num romantismo caduco, sublima as grandes explorações africanas que projectam nomes como Serpa Pinto, Roberto Ivens, Hermenegildo Capelo, os novos heróis da lusitanidade.
Embora o reinado de D. Luís se marque pelo progresso material, pela paz social e pelos sentimentos de convivência e, politicamente, pelo respeito pelas liberdades públicas, é essa geração notável de intelectuais (Eça, Antero, e outros) que vai fecundar o húmus donde brotará a consciência do liberalismo.
A partir de 1876 o Partido Progressista, que aspira articular o Estado segundo a teoria liberal, propõe a reforma da Carta, a descentralização administrativa, a ampliação do sufrágio eleitoral, e a reorganização do poder judicial e das finanças públicas.
Acusado de favorecer os regeneradores de Fontes Pereira de Melo, cujo ministério cairá em 1879, D. Luís chama os progressistas a formar governo.
Já em 1878 tomara lugar na Câmara o primeiro deputado republicano, Rodrigues de Freitas, eleito pelo Porto. Evidenciando a sólida evolução dos últimos anos, o Partido Republicano era, em 1880, uma realidade e uma força implantada de Norte a Sul do País.
A Gazeta da Bica é um pasquim da aldeia, dessa aldeia suspensa no tempo e encalhada numa geografia descentrada na grande cidade. Pasquim mordaz, arrogante e um tanto perverso, que atira à rua e à maledicência da vizinhança – como bofes de porco a cães esfaimados –, episódios públicos e actos da vida privada dos distintos protagonistas da comunidade.
Rapidamente, a desconfiança acerca da autoria daquelas prosas que na calada da noite se introduzem sub-repticiamente por baixo da porta e do sono dos moradores, começa a provocar um notório mal-estar entre os vizinhos.
Amigos que se olham de soslaio, evitando conversas ou interrompendo-as abruptamente, receosos de indesejada publicidade. Adversários, antes respeitosos, que se miram, agora, com o ódio de inimigos – posto que só aquele poderia dizer tão mal daqueloutro. E por aí fora, num desassossego que mina a coesão e a identidade da aldeia.
Que só pode ser pessoa de cá e bem relacionada no meio, e nunca alguém de fora; pelo muito que parece saber da vidinha de cada qual. Que poderá ser algum revolucionário dandy, um burguês diletante e entediado, um intelectual revoltado, ou apenas um brincalhão que se diverte com a exposição das fraquezas e faltas alheias, jogando uns contra outros, depreciando o esforço dos que trabalham, pretensamente denunciando a falibilidade e desonestidade da acção dos que dirigem, etc.
Desconfiando de certa figura, os alvos habituais da insolente publicação estabelecem o plano de engodar o suspeito com falsas informações, e nisso prosseguem meses a fio, logrando filar o cáustico redactor. Tentativa estéril, pois claro, parida por inteligências medíocres. E aquele sobre quem se desconfia observa, atento, preocupado pela eventualidade de, injustamente, pagar pelo que não deve às mãos de gente tão néscia, mas, simultaneamente, satisfeito por verificar que é mais inteligente do que eles, que não descobrem o que tão facilmente se deduz. Que raio terão dentro da cabeça? Areia da praia?
Ao fundo, quais borboletas embriagadas no colorido intenso que a luz do dia reverbera nas suas asas, esvoaçam, subtis como paquidermes, saltitando de cogumelo em cogumelo, no extenso areal da praia, as sumidades... sumindo-se, depois, no ocaso do Sol.
Há três dias, o amigo J telefonou-me perguntando: - Pá…para que são aqueles tubos na meia-praia? E eu, embora não tendo visto ainda tais tubos, tentei recordar uma conversa que tinha ouvido no dia anterior, misturada com as castanhas que fotografava, mas a que, como é habitual, não dei suficiente atenção, respondi: - Pois, aquilo é para sugar areia do fundo da Meia Praia e transportar por camião para a Praia da D. Ana…parece-me! Hoje, ouvi a explicação correcta, pelo que corrijo a informação prestada antes. Juntam-se, na Meia Praia – local adequadamente espaçoso para a tarefa –, 400 metros de conduta tubular que depois será rebocada por mar até à Praia da D. Ana, onde servirá para encaminhar as areias que irão formar um areal com cerca de 50 metros nesta praia que tem vindo a ser conquistada pelo mar, com a consequente redução da faixa de areal. As areias são importadas do litoral centro do país, e transportadas por camião. Nem parece que trabalho em Informação Municipal mas, como bem me conhecem os poucos visitantes locais deste blogue, as minhas preocupações, para além do estritamente necessário ao meu dia-a-dia profissional, pouco ou nada incluem dos factos da actualidade local. Nunca tive a necessária paciência para a política, mesmo a de bastidores – e isso provou-se na breve experiência 2005/06-, e menos ainda para as questões de gestão, economia e finanças, das quais fujo como o diabo da cruz. Porque a correcção é devida, aqui fica. Nomeadamente para o J, que vem cá de vez em quando. Uma nota final para a expectativa acerca da durabilidade desta intervenção humana em área de tão intensa acção natural das correntes oceânicas. Quanto tempo ficará ali a areia?
Praia D. Ana, faixa de areia reduzida na preia-mar.
Actualização em 2009.11.17 E prontos, já disseram que a areia não vem de camião mas sim conduzida pela pipeline, depois de extraída do fundo, ali para os lados da Ponta da Piedade... ao que parece.
Razão tinha o Anónimo, ao duvidar da explicação aqui apresentada. Agora, só resta esperar que cresçam as orelhas ao Presidente do CEMAL - Centro de Estudos Marítimos de Lagos, por não ter percebido que tal solução era um perfeito disparate. E ele nem se lembrou das filmagens e fotos que realizou nas dragagens da Doca Pesca, da Marina e de um canal da Ria Formosa (?!)
«Cada vez mais se investe em drogas para a super-potência sexual do homem e em silicone para os seios femininos. Esse investimento é muito maior do que o da investigação e tratamento da doença de Alzheimer. Daqui a uns anos teremos velhos de pau feito e velhas de seios enormes e erectos, mas nenhum deles se lembrará para que serve tudo isso.»
«[...] Sobretudo, atravessámos uma revolução sem disso nos apercebermos. Uma revolução radical, muda, sem teorias declaradas, sem ideologias confessadas; impôs-se nos factos silenciosamente estabelecidos, sem nenhuma declaração, sem comentários, sem o mínimo sinal de aviso. Factos instalados em silêncio na História e nos nossos cenários. A força desse movimento é justamente ter surgido já consumado e depois de ter sabido prevenir e paralisar antecipadamente qualquer reacção contrária.
Deste modo, a canga dos mercados conseguiu envolver-nos como uma segunda pele, considerada mais adequada que a do nosso próprio corpo.
Assim, já não deploramos, por exemplo, o subpagamento dessa mão-de-obra sobreexplorada em países de miséria, colonizados, entre outras coisas, pela dívida externa; deploramos o subemprego que isso provoca nas nossas regiões e quase invejamos esses desgraçados, na realidade reconduzidos, confinados em condições sociais escandalosas – que nós nem desconhecemos, mas a nossa aquiescência não tem limites!
(…)
E depois, esse dinheiro que escasseia afinal existe! Repartido de uma forma muito peculiar, mas existe. Não insistiremos, seria “pouco correcto”. Trata-se apenas de um simples reparo – de passagem, e a correr...
Há que respeitar acima de tudo o princípio essencial: não perturbar a opinião pública. Não perturbar o seu silêncio. Esse silêncio que ninguém percebe como foi obtido. [...]»
Viviane Forrester
[in O Horror Económico: Lisboa, trad. Ana Barradas, Terramar, 1997]
Selecção de Paulo da Costa Domingos
Picado de Frenesi Livros
Aproveito para referenciar este blogue como um dos poucos que vale a pena ler, quer pela sua qualidade em matéria de crítica literária quer, sobretudo, pela lucidez dos seus autores. Coisa rara na blogosfera, ou demasiado diluída no intenso ruído da Internet.
“(…) É um combate assim o do encontro humano com a realidade a que chamamos amor. Ganhá-lo, recusando-o ou falhando-o é perdê-lo. Perdê-lo perdendo-nos no abandono a um outro é ganhá-lo. De qualquer maneira a única possibilidade que nos é oferecida para quebrar o arco de invencível solidão que é cada homem que não encontrou o amor e não foi vencido por ele.” Transcrição de manuscrito de Eduardo Lourenço, in LER - Out. 2009
Longo combate, este (o da vida), que opõe Deus ao Amor.
Se não se paga uma mensalidade (semestralidade ou anuidade) pela carta de condução, pela carta de marinheiro ou pelo brevet de piloto - mas apenas a taxa da sua renovação -, porque inventaram agora uma mensalidade para a carta de radioamador? A chulagem de serviço, ainda a do PS, não tem imaginação para coisa mais atinada?
Paga taxa, e muito bem, quem tem um equipamento emissor registado e a funcionar. Quem não o tem, não paga, é lógico e honesto. O contrário, que agora entra em vigor, é mais uma chulice da tutela. Se nada me é fornecido, nem bem nem serviço, onde está então a legitimidade de cobrar uma mensalidade pela posse de uma carta de radioperador amador?
Às vezes deparo com coisas esquecidas, usadas há muito. Sobretudo nos baús do absurdo cultivado nalgum momento de angústia. Mais do que provocar sorrisos, é um nonsense que insiste, doentiamente, alcançar o equilíbrio no fio da navalha.