mais menos... combóio


Eu queria encerrar o ano com uma anedota mas, infelizmente, tenho que terminar 2009 com mais uma notícia triste, produzida neste país de políticos, administradores e gestores desonestos perante a apatia de um povo acantonado nos brandos costumes da sua religiosa resignação e do seu proverbial enfado.
Depois do logro do “Estações Com Vida”, esse projecto da CP, Refer e Invesfer, criado para libertar cobiçadas parcelas do domínio público ferroviário e colocá-las ao alcance do ímpeto especulador e ganancioso dos empresários do betão armado; depois do encerramento de vários percursos ferroviários de “baixa” rendibilidade, sobretudo no Norte do país; eis que os velhacos lançam mais um ataque, desta vez sobre a linha do Sul, ao suprimirem o comboio regional Barreiro/Algarve.
Este desinvestimento na rede ferroviária tem levado ao consequente investimento na rodovia. Um verdadeiro contra-senso pois o comboio é, de facto, o transporte colectivo mais amigo do ambiente. Os responsáveis pela decisão argumentam que este circuito não tem passageiros suficientes.
Não tem porque não o promovem, não o modernizam, não o adequam às necessidades das populações. Eis mais uma pescadinha de rabo na boca convenientemente explorada pela máfia do costume.
Desmobilizado o incentivo à utilização do comboio em prol do recurso ao transporte rodoviário colectivo e individual, numa gritante e errada preferência, ocorre-me perguntar: -Se o meio ferroviário não merece investimento e dinamização, porque vão investir num TGV?
É chocante, esta torpeza dos decisores públicos no que toca ao meio ferroviário. É evidente que este país é governado por uma máfia terrível que o deixará exangue e na miséria. Já falta pouco!

O crítico boçal

Brada e pavoneia-se com ares de grandeza. Tem crítica para tudo e para todos. Sabe do Universo mais longínquo ao fedor que lhe passa debaixo do nariz. É um sábio ignorado. E denuncia os pseudo-intelectuais. Desses que trabalham com o cérebro, coisa a ele estranha. Mas fala e escreve. É um caga-lérias que escreve. Porém, não só envergonha os utilizadores da língua portuguesa como a maltrata em qualquer plano: semântico, lexical, morfológico. É um tosco, um pateta incapaz de escrever um parágrafo simples com uma sintaxe aceitável. A sua única valia, a insistência. Debalde, não revela o mínimo sinal de evolução ou melhoria. Não progride. Digo-o, a julgar pelos comentários que deixa na cloaca maxima, que os textos que publica no seu pasquim, esses não os leio vai para mais de um ano. E nessa altura eram assim, como digo.
É burro, sempre foi. Dizem os que o conhecem de há muito.
Também não fotografa que preste. Não tem jeito, pronto. Nem todos temos a sensibilidade ou a necessária agilidade mental entre o que se vê, a escolha da composição, e o momento de clicar. Também insiste, mas não vai lá. Não sabe escrever de forma nenhuma. Nem com as palavras, nem com a luz.
Não é bem um burguês, é um burgesso, isso sim. Um iludido numa (in)certa linhagem de aristocracia terra-tenente de outrora. O Mestre Polainas ou o Ti Chico, sapateiro um, pescador o outro, o diriam: Um merdas, é o que é!
E há quem lhe dê ouvidos?!
Gritar-lhe: - Assuma-se, seu merdas! É escusado, não percebe.

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«... O que Cameron não diz, por cinismo ou ignorância, é que o panteísmo dos Na'vi é muito semelhante ao dos Arianos, na substituição do transcendentalismo cristão por uma deturpação teleológica do darwinismo. Sei como os Arianos procuraram satisfazer o seu desejo de "harmonia"; o que não sei é se as multidões que proporcionam recordes de receita ao filme são basbaques pueris ou a matéria-prima com que se fabricam as grandes catástrofes da história.»
artigo completo de Fernando Gabriel aqui

1 milhão (faltam mais uns 7 ou 8)

José Rodrigues dos Santos recebe Prémio CLP 2009 - Autor atingiu o recorde de um milhão de livros vendidos em Portugal.
(Segundo notícia em qualquer pasquim perto de si)


Assim é que é. Escrever para iletrados é bom negócio, há mercado abundante em Portugal.
Já o escritor António Lobo Antunes tinha qualificado, de forma clara, uma das anteriores produções de papel estampado de Rodrigues dos Santos: “é uma grande merda”, referindo-se a “A Vida Num Sopro”. Lobo Antunes confessou, então, ficar “assombrado com pessoas que escrevem livros em dois meses”.
Ó António, não te armes em pseudo-intelectual, pá! Com essas tretas que escreves, que ninguém entende. Além disso, tu é que andas a produzir pouco, apenas um livro por ano?! É gente assim, como tu, que dá mau nome aos portugueses. Que nos deixa ficar abaixo das médias europeias de produtividade. Olha se fizesses como o Zé dos Santos, não era melhor?

Ouvindo o silêncio


O silêncio tornou-se um vazio insuportável ao homem. Já não é bom, nem sequer aceitável, posto que é entendido como ausência total, ausência de tudo, ausência de qualquer coisa – e a coisa só o pode ser porque produz ruído. Ruído, sim. O substituto dos sons, nas grandes metrópoles hodiernas. Seria interessante se procurássemos apenas os sons mas, hoje, o que mais procuramos é o ruído.
O silêncio, que foi o pano de fundo dos sons é, hoje, a presa derradeira do ruído. Os citadinos acordam com o ruído do trânsito e vivem bombardeados por milhentos outros sem os quais já não sabem viver. Num passeio ocasional ao mundo rural, de onde saíram há gerações, tornam-se nervosos porque os sons campestres – dos animais e dos elementos naturais - são produzidos contra um fundo de silêncio que se revela nas pausas desses sons. O tal silêncio ameaçador. Nesse mundo rural há também menos conversação porque, para interromper o silêncio, é necessário ter alguma coisa válida para dizer. Acto estranho no universo citadino, onde tanta gente fala sem nada dizer.
No campo deixam-se espaços para cada um falar e ser escutado. Na cidade, a vida vertiginosa e o imenso mar de gente aflige cada ser e impele-o para o ruído gritante, num gesto neurótico que procura evidenciar e proclamar a existência singular no meio dessa multidão que oprime, confunde e massifica.
Na cidade, perdeu-se a capacidade de ouvir. Desistimos, há muito, de escutar as histórias dos outros, nessa ânsia de narrar a nossa própria. E muitas vezes ligamos a televisão para termos a certeza de que existimos como se, não ouvindo esse ruído, não pudéssemos confirmar que existimos.
O silêncio é hoje sinal de indiferença e mesmo de intolerância. Quando não se fala não é porque se quer estar em silêncio mas porque se teme o que se possa vir a dizer ou ouvir, porque, normalmente, evitamos obcecadamente o silêncio como se este fosse a negação da vida. Ora, escutar o silêncio também pode ser ouvir a própria existência, sempre presente à nossa volta, mas que a cacofonia fútil do quotidiano não deixa perceber.
Há coisas que se apreciam melhor em silêncio e há outras perante as quais não devemos ficar calados. Há silêncios que devem ser criticados e silêncios que merecem ser escutados.

(reflexões em torno da foto de um búzio)

Um exercício simples

É um exercício simples. Admitamos que a ciência conclui que Deus é uma impossibilidade*, e que tal resultado é adoptado como verdade pela maioria dos que hoje O veneram. O que aconteceria? Como se comportariam, então, essas pessoas?
Nem é necessário imaginar qual a atitude dos muçulmanos, que incorporam nas suas fileiras elevada percentagem de radicais. Basta pensar no universo ocidental cristão. Se o afastamento de tantos, em relação a Deus, já produz o que vemos nos dias de hoje, imaginemos que todos os homens e mulheres do ocidente dispensam o demiurgo. Aumentaria a anarquia e a selvajaria entre as multidões?! É assustador, não?
E o que se conclui disto? Que é forçoso evitar tal afastamento entre os homens e Deus? Que a religião tem de ser imposta, ou pelo menos, mantida à força?
É que não restam dúvidas de que a ausência de uma coerção superior conduz a populaça bem nutrida, e cada vez mais exigente, direito ao egoísmo exacerbado, ao exagero existencial e materialista, rumo à decadência total?!
Qual a solução? Poderíamos substituir Deus por outra coisa? Mas substituí-lo por outra intuição não redundará no mesmo paradigma? Substituir a sua autoridade e poder por outra coisa, igualmente universal e omnipresente, como a Lei por exemplo, não terá o mesmo significado e resultado? Não é Deus um corpus lex, um conjunto de normas que nos foram legadas no dizer de uns, ou que inventámos, segundo outros?!
E se nunca tivéssemos recorrido à intuição de Deus, teria o homem conseguido avançar civilizacionalmente? Para quem defende os valores humanistas e o primado da razão sobre a fé, Deus parece ser coisa perigosa. Ou é um tirano que se impõe aos homens através de outros homens que acabam por abusar do seu poder “representativo”, ou transforma-se numa perigosa ausência depois das longas gerações da sua doutrina, no ocaso das enraizadas crenças como a vida para além da vida, a ressurreição e a salvação da alma, a justiça divina com os seus castigos aos ímpios e recompensas aos justos. Em qualquer dos casos, Deus não parece humano, mas antes uma entidade alienígena, distante e cruel. De um modo ou de outro, afigura-se sempre perigoso.
Alguns dirão que o homem não conquistou sozinho os valores humanistas, que o fez com a presença e ajuda de Deus (da religião). Outros dirão que os homens, cristãos e outros, construíram os seus ideais fundando-os na razão, no respeito pelo semelhante e na observação de normas igualitárias e universais; e fizeram-no com base numa mescla cultural proveniente de várias origens, com influências diversas – mas é um feito dos homens, não de Deus. Ou não será assim?


* Não que a Ciência tenha tal desiderato por objectivo, ou mesmo qualquer empenho em esclarecer a questão, conhecendo-se, até, alguns cientistas convencidos de que quanto mais avançam no conhecimento e na compreensão do universo, mais se aproximam de uma força organizadora desse Universo, uma entidade que pode ser Deus. Coisa que, na minha opinião, revela apenas a fragilidade do ser humano e da sua inteligência, a qual, embora variando consoante a capacidade intelectual de cada um, acaba sempre por evidenciar quão insignificantes somos no cômputo geral do Universo e quão distantes continuamos de o assimilar.

O alarve

Porque ainda posso praticar sem restrições a língua pátria que me ensinaram, alheio ao acordo ortográfico – essa coisa obtusa e pretensamente consensual entre os diferentes falantes da língua portuguesa –, continuo a exercitar a escrita na forma que mais me entusiasma: a ficção, que vai buscar aos esconderijos da memória fantasias mirabolantes eivadas de desejos, decepções e ironias, temperadas com uma pitada de humor cáustico e cínico que exonera convenções, preconceitos, decências e tolerâncias. Aqui não há transigências nem palmadinhas nas costas.

O Alarve

Abusando da tolerância do chefe, o alarve, emplastro inútil e improdutivo que ocupa o lugar apenas por ser filho de quem é – de um magistrado corrupto e de uma explicadora de francês pretensiosa e intriguista –, demonstra a sua descomunal cretinice tentando obter o reconhecimento da sua veia artística. Enfiando, episodicamente, debaixo do nariz do incauto mais próximo, o seu último desenho ou pintura, de gosto e técnica claramente medonhos. Evidentemente, os que o rodeiam não lhe reconhecem qualquer valor mas aplaudem e elogiam, hipocritamente, pois tratando-se de um basbaque da alta, com peso e influência social, há que manter a cordialidade e uma amizade a qualquer momento, potencialmente, lucrativa. Pois nunca se sabe quando será necessário recorrer à influência social da madame ou aos préstimos judiciais do meritíssimo. E ai de quem ousar acusar a situação. Tal desgraçado verá a sua vida, presente e pretérita, analisada a pente fino, devassada e esmiuçada e, encontrado algum podre, logo adulterado, adicionado a mentiras credíveis e lançado à comunidade faminta, pelos peões de brega – canalhas apaneleirados, raparigas mentecaptas e arraia miúda ingénua –, uma dezena de burgessos que enformam a corte da insidiosa víbora que, ensina, agitando, a língua de Marie Brizard.
E assim passam os dias no movimentado cais onde chegam e partem incontáveis navios carregados de metais, madeiras, fardos e caixas de conteúdos diversos, de cores desmaiadas e odores suspeitos.
O alarve pouca atenção presta ao seu mètier de controlador das cargas e descargas do porto, embeiçado na prancheta que prende as folhas brancas de papel cavalinho onde, espera, surjam umas tantas magníficas obras de arte, traçadas a lápis de carvão primeiro, e depois coloridas com ceras ou aguarelas oferecidas pelos comandantes dos navios que demandam o porto, e lhe conhecem o gosto.
O chefe, incapaz de o repreender, não só devido ao seu feitio indulgente mas também por receio de retaliações directas da família ou da influência desta junto do Director Geral da Fazenda Pública, vai deixando correr a situação, substituindo o alarve pelos colegas que dividem, entre si, o trabalho que a ele cabia.
(…)
No centro da sala, uma mesa cercada por quatro cadeiras desengonçadas e encimada por uma vela suspensa, apresenta uma enorme carta de marear. Uns traços finos, riscados com a precisão do esquadro, cruzam-se no ponto do mar que divide os dois homens na discussão que dura há mais de três horas. Pretendem resolver de que forma alcançarão melhor aquele ponto, evitando os riscos da navegação em águas inimigas, e numa altura do ano em que as condições climatéricas são perigosamente adversas.
(…)
A ele apenas interessava meter ao bolso a sua percentagem, a alcavala do negócio que nem conhecia, de que nunca se interessara perceber os pormenores. E desta vez o capitão trouxera-lhe um bom conjunto de cores fortes, como as que usam os de Levante. Com a bolsa cheia de metal tilintante, o estojo de madeira com os valiosos pigmentos, o alarve apressa-se a abandonar as instalações do porto, rumo a casa. No sino da Igreja de S. Pedro soam as badaladas do meio-dia e o homem apressa-se, enrolando em volta do pescoço e dos ombros um enorme cachecol de lã escura que o defende do frio insidioso que fere os rostos e as mãos dos seus colegas, carregados com o opróbrio do trabalho que os ocupará até ao anoitecer.
(…)
Violentamente atacado por navios inimigos e que só a tempestade evitou soçobrar sob as repetidas bordadas de tiros certeiros, mas que a fúria do vento e das ondas acabou por desarvorar e desgovernar, o navio regressou à deriva, ao sabor das intempéries e de mão misteriosa e divina que o trouxe direito ao porto, por ali entrando fantasmagoricamente, sem estranheza das gentes que atendem ao árduo labor nos outros barcos e nos cais apinhados de mercadorias. Na eminência do embate com o embarcadoiro, o gurupés, mastro projectado uns bons metros para a vante do navio, ultrapassando o cais qual aríete portador da brutal força deslocada pelo navio, embateu secamente, e sem a mínima resistência, no homem que caminhava, cego, envolvido no largo cachecol que prevenindo do frio não o deixara prever o desastre. O alarve ali ficou, agonizando, empalado no enorme cacete horizontal do navio escavacado.
(...)

pequeno, pequenino, minúsculo

A minha mais recente aquisição permite observar as esporadas dos cogumelos e coisas como estas.


perna de mosca (ou é perna de uma mosca nórdica ou de... um mosco)

pine mature wood


stem of cotton ("célula-tronco" do algodão, erradamente denominada "célula estaminal")
o meu cabelo

clarificando

ACTUALIZAÇÃO EM 27 DEZ. (ver abaixo)


Saudações,
Tivemos oportunidade de ler com atenção o seu escrito no blog Claustrofobias e no blog Lagos, no qual se refere à Mesa Redonda e a uma postagem por nós feita sobre as obras da frente ribeirinha da nossa cidade, mais concretamente ao cais agora posto a descoberto.
Não nos merecem quaisquer comentários a forma como se refere a nós nem à nossa "caixa de comentários [que] bem merece o ápodo de “cloaca maxima”, numa homenagem a essa imperial sarjeta romana onde parecem boiar os comentadores do referido blogue". É a sua opinião e é livre de a expressar como bem a entender.
Mas, se nos permitir, gostaríamos de lhe dizer o seguinte:
Existe na Mesa Redonda uma ligação para o nosso email. Qualquer pessoa, o Francisco Castelo incluído, poderá fazer chegar contributos ou indicar-nos correcções aos nossos erros, o que terá sido em seu entender o caso da postagem que se refere ao cais antigo. Se participar estará a contribuir para melhorar o nível da discussão, não concorda?
Todos erramos e o Francisco Castelo comete a seguinte incorrecção quando afirma: "Dizem esses críticos que se apresentou tais estruturas como coisa que não são. Que foram anunciadas como “o cais de onde partiu D. Sebastião”. Não é verdade! O que nós dissemos foi: "[...] e a janela de onde segundo a tradição local, no século XVI (Verão de 1578), el-rei D. Sebastião assistiu ao embarque da sua força militar que acabou derrotada em Alcácer-Quibir (aliás, deve ser por essa razão que existe a sua evocação em painel fronteiro, não será assim?)". Aliás, esta "tradição" pode ser lida e comprovada em http://viajar.clix.pt/tesouros.php?id=160&lg=es
"Possui, na fachada, uma janela manuelina de onde Dom Sebastião terá assistido à missa que precedeu a sua partida para Alcácer Quibir. Nos relvados do Jardim da Constituição, frente à janela, três painéis, da autoria do escultor João Cutileiro, evocam esta histórica batalha que custaria a vida ao rei português".
Quanto à datação do cais (século XVII): Sabe tão bem ou melhor do que nós que anteriormente a 1578 já muitos barcos tinham saído de Lagos demandando África. Terá sido este o caso de Gil Eanes (1434 - século XV), por exemplo, entre outros. Tal leva à suposição que em Lagos deveria existir um cais (pelo menos desde o século XV), infra-estrutura natural e imprescindível numa cidade ribeirinha como é a nossa. Se não era este que mencionamos, onde se localizaria então? E será que os nossos antepassados construiriam estas infra-estruturas com regularidade?
De qualquer modo, nós pretendíamos transmitir a ideia que foi infeliz a ideia de se pôr o cais a descoberto, dada a sua actual distância ao mar (derivada da construção da Avenida dos Descobrimentos em 1960). Dissemos: "O facto é que a actual distância ao mar impede-o, de todo! E que aquelas “pedras” hoje não fazem qualquer sentido neste espaço. Por conseguinte, a ideia de o pôr à vista deve ser das mais infelizes a que se assistiu na nossa cidade". E acrescentámos outra ideia: "a fachada lateral da Igreja de Santa Maria, junto à Casa da Dízima (construção do séc. XVII), ostenta orgulhosamente dois aparelhos de ar condicionado". Simplesmente, estes já não deviam estar ali após a dita "requalificação"!
Percebemos quando afirma: "Mesmo que alguém tenha proferido alguma afirmação identificando o local do cais com o local de onde terá partido El-Rei D. Sebastião para a fatídica empresa de Alcácer-Quibir, entende-se perfeitamente que a alusão é ao local e à consequente carga histórica acumulada com esse facto (admitindo que assim aconteceu, o que não é certo), e não à estrutura concreta do cais. No entanto, e mesmo sendo assim, discordamos FRONTALMENTE que se tenha gasto um montante significativo de dinheiro para se transmitir a carga histórica relacionada com D. Sebastião, da maneira como foi feito (ou será para se perpetuar a tal tradição de um facto que nunca se verificou, num sítio que nunca existiu no século XVI?)
Mas, agora que o cais e o que ele simboliza está à vista, saiba que partilhamos a posição da CDU sobre este assunto e que apresentou na Assembleia Municipal de Lagos (reprovada pelos eleitos do PS): "[...] Nele aconteceram momentos marcantes na História do País, por ele saíram os navegadores que iniciaram os Descobrimentos, nele teve lugar o embarque do exército que D. Sebastião levou ao que seria a derrota em Alcácer Quibir [...]
Que a Assembleia Municipal de Lagos delibere recomendar à Câmara Municipal a criação de um Centro de Interpretação do Porto de Lagos nos termos dos considerandos atrás expostos". Pode recordar a proposta na íntegra aqui: http://www.canallagos.com/um+centro+de+interpretacao+para+o+porto+de+lagos+=a9179/
Para terminar, dizer o seguinte: não vemos qualquer vantagem da nossa parte em publicar este nosso esclarecimento ou qualquer troca de opiniões que dele possa resultar. Mas, se quiser contribuir com algum texto sobre este ou outro assunto e que deseje ver postado na Mesa Redonda fá-lo-emos com prazer.
Por último: gostaríamos de retribuir os votos de Boas-Festas da nossa Mesa Redonda.
Filipa Neves

Perante a insistência do 2º mail, desta vez titulado com uma pergunta directa: "Não lhe merece nenhum comentário, nem admitir que errou?", acabei por responder, no mesmo dia 21, com o seguinte texto.

Não, acho que não vale a pena porque nos escudamos ambos em firmes convicções pessoais. Porém, esta vossa resposta, começando com alguns argumentos pertinentes acabou por descambar para aquilo que, justamente, denunciei: vocês criticaram a afirmação (que continuo sem saber quem proferiu ou onde está publicada) “de que daquele cais partiu D. Sebastião”. Insurgem-se contra tal afirmação enquanto proferida ou publicada por alguém da CMLagos mas já a aceitam e aplaudem, incluída numa proposta da CDU. Não me cabe defender a Câmara, que tem procurador ou representante para isso. Tampouco pretendo brilhar perante gente de cujo “círculo de afectos” não faço parte nem pretendo fazer. Portanto, falo por mim e defendo as minhas opiniões. É verdade que, na minha crítica, omiti outras partes do vosso artigo com as quais concordo – nomeadamente sobre o resultado final da intervenção naquela zona – porque tal seria chover sobre o molhado. Aliás, o projecto inicial do tempo do J. Valentim já não era coisa que me fascinasse, depois, com as alterações sucessivas, perdeu o pouco que pudesse ter de meritório e afundou-se naquilo que está à vista.
O meu post insurge-se contra duas coisas que comprometem a seriedade e a credibilidade do vosso blogue: a crítica cega a tudo ou a todos os aspectos de um qualquer assunto, e os comentários infectos que pululam por lá. Perante isto o vosso blogue não me merece especial atenção ou consideração. Salvo para seguir os comentários desesperados daqueles a quem as minhas verdades incomodam, especialmente em questões de foro pessoal – mas a esse respeito não peço nenhum tratamento especial, para os removerem p. ex. pois tal atitude só faria aumentar a desconfiança a meu respeito por parte da imbecilidade reinante.
Mas se querem ser levados a sério terão que exercer maior rigor na aceitação de comentários e deixar as contundências para os casos que conheçam bem, sobre os quais estejam, efectivamente, bem informados.E reitero estas críticas, que são profunda convicção minha.
Sobre o assunto não tenho mais nada para dizer nem disponibilidade para colaborar convosco, não só pelo que atrás foi dito mas também porque embora nunca tendo colaborado com o vosso blogue, e sem vos conhecer, já suporto atitudes velhacas devido à cretinice instalada me julgar redactor desse blogue. Agora até inventam factos e sopram-nos aqui e ali para ver quem pega e leva para o vosso blogue. Porém, fazem-no de forma tão abrutalhada, que até mete dó. Subtis como paquidermes.
Como da vossa parte nunca recebi tratamento pessoal ofensivo ou incorrecto, desejo-vos Saúde, e Boas Festas.

Mensagem à qual a "mesa redonda" retorquiu, encerrando a troca de correspondência.


Agradecimentos pela sua resposta.
Ficámos e sentimo-nos esclarecidos, embora continuemos a pensar que não compreendeu o nosso texto e que elaborou o seu sobre um erro de interpretação (no qual persiste).
De resto, quanto à credibilidade que os nossos textos merecerão ou não, vinga o seu direito à opinião e que não contestamos.
Já quanto à moderação de comentários: ela é feita a nível da linguagem que pode ser utilizada, mas não de argumentação.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo para si são os desejos da Mesa Redonda.


Esclarecimento Final: Embora contrariando a preferência manifestada pela "mesa redonda" na não publicação desta discussão, entendo que o devo fazer para que fique esclarecida a minha posição e relação - não relação, é mais exacto - com esse blogue, desmontando assim a acção de um reles, invejoso, incapaz e inútil que de há muito me critica lá na caixa de comentários do blogue "mesa redonda" , não tendo coragem de o vir fazer aqui no meu blogue. Um desgraçadito que adoptou essa atitude desde que passei a tratá-lo com o desprezo que merece . O verme tenta, com grande afã, "colar-me" ao mesa redonda, procurando que daí advenha prejuízo para mim. Coisa que também servirá os interesses dos redactores desse blogue porque enquanto os visados (criticados e insultados) dirigirem as suas atenções sobre suspeitos errados, não o fazem em direcção aos verdadeiros proprietários do blogue em causa (?!).
Porém, nada disto afecta as minhas convicções sobre o blogue em questão, patentes no post que originou esta esgrima de posições. Que fiquem pois os espíritos esclarecidos a este respeito.
.............................................................
ACTUALIZAÇÃO EM 27 DEZ. no seguimento de uma mensagem recebida da "mesa redonda", durante a tarde.

Cumprimentos
Tivemos oportunidade de ler tranquilamente o seu Esclarecimento Final que resultou da nossa troca de correspondência.
Desta feita, sentimo-nos esclarecidos. Custava-nos firmemente a acreditar que não tivesse lido correctamente a nossa postagem e que tivesse cometido algum erro propositado em relação ao que dissemos e pretendíamos transmitir (se bem que admitamos que a ironia do texto se poderia prestar a alguma confusão ou interpretação errónea). Ao referir-se ao prejuízo que poderá advir da "colagem" feita à Mesa, percebemos a sua motivação mais profunda quanto à postagem que fez. E fez -se luz! Mas, também registámos que "Porém, nada disto afecta as minhas convicções sobre o blogue em questão, patentes no post que originou esta esgrima de posições. Que fiquem pois os espíritos esclarecidos a este respeito", como fez questão de sublinhar e nós de tomar como certo.
Em primeiro lugar: saiba que lamentamos profunda e sinceramente que a "colagem" que alguns fazem de si à Mesa Redonda (eventualmente as pessoas com quem trabalha e, quem sabe?, os seus superiores hierárquicos) lhe possa ter criado problemas, ou dissabores pessoais e profissionais. Não é nem foi de todo essa a nossa intenção.
Em segundo: contudo, nem nós estamos em posição de afirmar peremptoriamente que o Francisco Castelo não participa ou não participou da feitura da Mesa Redonda. Nós publicámos dezenas de postagens vindas dos mais provenientes autores, alguns devidamente identificados e de outros que não o fizeram. Fizemo-lo pois há uma ligação no nosso blog que assim o permite e pois essa é, em nosso entender, a forma de alargar e de tornar mais plural e participativa a discussão sobre a nossa cidade e o nosso município.
Em terceiro: equipados de sofisticado escafandro autónomo vasculhámos o que apelida de "cloaca maxima" e que é segundo afirma a nossa caixa de comentários, em busca de o verme a que alude. Infelizmente, não o detectámos! Mas, reconhecemos que essa tarefa não é fácil, para mais tratando-se da "cloaca maxima". Mas se nos indicar onde achar trataremos de inibir essa participação a que se refere.
Mais uma vez, queira aceitar as nossas desculpas pelos incómodos que lhe causámos e contacte-nos com sugestões no sentido de que os mesmos não se voltem a repetir.
O colectivo Mesa Redonda.

Declino a vossa oferta, como já o tinha dito anteriormente. Não é meu desejo que a "mesa redonda" assuma as minhas guerras (disso trato eu), desde que não as integre já chega. Porém, a cloaca máxima não obtém esse estatuto devido às críticas a mim dirigidas, que são um minúsculo dejecto na descarga geral do que por lá flutua. Mas não me lixem com essa "nem nós estamos em posição de afirmar peremptoriamente que o Francisco Castelo não participa ou não participou da feitura da Mesa Redonda.". Então para que serve o controle de IP's.? Eu sou capaz de identificar todas as vossas visitas ao meu blogue a partir do IP que usaram, quer seja um IP real ou artificial. Dado que não mascaro o meu IP, é evidente que qualquer visita ou colocação de comentário no vosso blogue, é passível de ser identificado. Quanto a mails, aí terão que ficar com a minha palavra de que nunca vos enviei material algum, vocês é que terão aproveitado algo do que publiquei no "Lagos" e fotos do meu site, atitudes que não me ofendem minimamente. E já agora aproveito para esclarecer em que condições poderia participar na acção cívica que o vosso blogue pretende constituir: Em primeiro lugar teriam que resolver essa questão da vossa caixa de comentários estar transformada numa cloaca, depois eu teria que não trabalhar em Informação Municipal. Portanto, aí têm razões poderosas e de fundo que me impediriam, sequer, de considerar tal colaboração.
Saúde, e Bom 2010.

a "menza" das cagaitas


A ânsia louca de produzir críticas sobre tudo e mais alguma coisa conduz, amiúde, a imprecisões e apreciações incorrectas ou injustas e tem, no mínimo, o efeito de retirar credibilidade aos críticos e à matéria analisada. A toda a matéria analisada.
O principal blogue de serviço à crítica da política local – que se afirma composto por membros reunidos em conclave em torno de uma mesa redonda –, cuja caixa de comentários bem merece o ápodo de “cloaca maxima”, numa homenagem a essa imperial sarjeta romana onde parecem boiar os comentadores do referido blogue –, pronunciou-se sobre o cais antigo da zona ribeirinha, recentemente posto a descoberto, situado junto ao revelim do amuralhado conhecido como “Castelo dos Governadores”, ali por baixo da “Janela de D. Sebastião”.
Dizem esses críticos que se apresentou tais estruturas como coisa que não são. Que foram anunciadas como “o cais de onde partiu D. Sebastião”.
Mas onde leram isso? Procurei, e não encontrei tal afirmação escrita em parte alguma.
No site da Câmara Municipal lê-se:
«Cais Antigo – Entre o Castelo dos Governadores e a antiga Casa da Dízima existiam duas portas que, articuladas com a muralha quinhentista e funcionando como antecâmara da cidade, permitiam a circulação entre muros e o acesso ao Cais da Ribeira. A área onde em épocas distintas terão existido diferentes cais, e que foi soterrada na década de 40 do século XX para a construção da Avenida da Guiné, encontra-se hoje visível e integrada na requalificação da frente Ribeirinha, no âmbito do programa POLIS.»
E, na informação veiculada pela imprensa, aquando dos trabalhos arqueológicos, e baseada nas informações prestadas pelos responsáveis por tais trabalhos, leu-se, então:
« (…) No âmbito do processo de requalificação da Frente Ribeirinha, e enquadrado na intervenção arqueológica em curso, acaba de ser encontrado em Lagos o cais da ribeira. A estrutura tem, identificados, pelo menos dois momentos de utilização: um mais antigo, da época moderna (século XVII), e um outro que esteve em funcionamento até aos anos 40 do século XX. Inseridos numa área urbana de importante dimensão histórica, os trabalhos visam, para além de cumprir as imposições legais, preservar a memória e a identidade histórica da cidade. Com elevadas expectativas desde o início, a intervenção arqueológica resultou na identificação de um conjunto de estruturas de cronologias e tipologias diversas, nomeadamente da época contemporânea e moderna. Os trabalhos reconheceram ainda a muralha existente entre o Palácio dos Governadores e a Messe Militar e as duas portas que davam acesso à cidade e que se encontravam ilustradas na planta elaborada em época moderna por Alexandre Massai (século XVII). (…) »
Mesmo que alguém tenha proferido alguma afirmação identificando o local do cais com o local de onde terá partido El-Rei D. Sebastião para a fatídica empresa de Alcácer-Quibir, entende-se perfeitamente que a alusão é ao local e à consequente carga histórica acumulada com esse facto (admitindo que assim aconteceu, o que não é certo), e não à estrutura concreta do cais.
É pena que os sublimes críticos que se reúnem em torno da tal “menza” não compreendam a dignidade e a importância do acto de criticar, mesmo, ou sobretudo, quando feito anonimamente.
Foi a corrente abjecta que atravessa essa “cloaca maxima”, repleta de harpias comentadoras, das suas regurgitações e cagaitas, que levou à remoção do link desse blogue, no “Lagos”, vai para dois ou três meses. Daqui já tinha sido removido há mais tempo.
É pena que persistam em tal comportamento, pois podiam refrear o ímpeto de tudo criticar. E mesmo mantendo o anonimato do blogue deviam impossibilitá-lo nos comentários, visto que os comentadores não demonstram um mínimo sentido de ética.
Entretanto, deixo os votos de Boas Festas e que se divirtam muito com as críticas cegas mais os comentários infectos.

As palhaçadas


Aceito que a republicação de artigos alheios, mormente os publicados na imprensa, em nada acrescenta o valor de um blogue, porém, fazer eco de um artigo, de uma ideia serve, no mínimo, para marcar uma posição. E como o assunto versa sobre palhaços e palhaçadas, adapta-se lindamente à filosofia deste blogue.



- Mário Crespo -

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso.O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável.
Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço.

o novo nazismo

O novo nazismo ganha cada vez mais força. Não me refiro aos grupos neo-nazis que pululam por toda a Europa mas sim ao radicalismo islâmico que deve ser temido e combatido. E convém distinguir entre radicalismo e fundamentalismo. Erradamente, os media usam o termo "fundamentalismo" para descrever o radicalismo. Fundamentalista é aquele que segue os fundamentos, atitude comum a todos os que obedecem e observam os preceitos de uma qualquer religião, ou de uma ideologia.É necessário que os europeus abram os olhos e denunciem e reprovem as políticas demasiado permissivas que acolhem gente intransigente, não democrática nem humanista que, levando o fundamentalismo islâmico muito para além do aceitável pelos valores da cultura ocidental, cai num radicalismo que ameaça a existência da Europa. O mundo ocidental tem que investir na "desmontagem" dessa cultura islâmica. Deve fazê-lo pela via da influência cultural e económica. Se não o conseguir terá de fechar as fronteiras... ou claudicar.Há um universo islâmico que cumpre os fundamentos da sua religião numa atitude pacifica e tolerante para com os outros, esses devem ser procurados, arregimentados e apoiados na oposição aos radicais.


e os ambientalistas não deixam usar insecticidas


São um exército de insectos vorazes, de todos os tipos, e que nada produzem; exploram à exaustão os contribuintes que, em troca, nada recebem pelo esforço despendido.

mais 1 fim-de-semana no Alentejo

Não tem exactamente a mesma luz do Algarve mas tem a calma, o verde, o sol e, sobretudo, o silêncio que o Algarve já perdeu há muito. E uma proverbial indolência inerente aos próprios lugares como que envoltos numa manta de retalhos. Uma manta formada pelo riacho que passa delicadamente por entre os seixos, e os medronheiros suavemente embalados pela aragem que se contorce nas encostas, e o brado da rapariga que chama não sei o quê, ecoando em espiral para o vale numa toada longa e musical. E o “você” com que se tratam gentes e animais, próximos ou alheios, numa delicadeza de diminutivos e outros mimos que o isolamento da serra ou a extensão da planície induzem. E é esta quietude que o Alentejo possui, como um segredo do ritmo da vida e da respiração dos seres, é isto que atrai e enfeitiça.





Amanita muscaria


Ainda não tem o chapéu aberto e aquele perfil inconfundível dos cogumelos das histórias de encantar (ou envenenar). O Amanita muscaria, ou cogumelo mata-moscas, geralmente não é fatal, mas origina efeitos gastrointestinais e... alucinogénios.
Este encontrei-o na serra alentejana, durante um fim-de-semana repleto de porco preto, medronho e alguns cogumelos. A gastronomia incidiu sobre o suíno e a água das bagas encarnadas. Os cogumelos é que, infelizmente, não se apresentaram com a necessária aptidão para o tacho.

monarquia?


Enjoados e enojados com o forrobodó republicano começamos a olhar para as monarquias constitucionais como hipótese de solução?! Não me parece. O obstáculo reside na essência do próprio povo, na sua boçalidade expressa, ou latente, cristalizada nos trapaceiros da classe política que nos governa. Não há solução.

Num silêncio de cão

Sentei-me em silêncio tentando concentrar-me na respiração do cão. Ele olhou-me desconfiado, pensando, talvez, “o que raio está este gajo a inventar agora?!” Pressentindo a cisma do canino, virei o rosto para o lado procurando evitar qualquer incómodo e maior suspeição. Mas ele, movido pela desconfiança instalada, ergueu-se nas quatro patas dispondo-se a abandonar a sala. Eu não podia permitir tal coisa, e mal o bicho virou o traseiro agarrei-o pelas ancas, forçando-o a deitar-se de novo. Acto contínuo, virou a cabeça exibindo a dentuça arreganhada e rosnou, ameaçador, procurando ferrar-me a mão direita. Entrámos numa luta confusa e barulhenta que só terminou quando o cão, já cansado, disse: - Pára lá com isso! Estamos a lutar porquê? E eu, atónito, ainda mais cansado que ele, deixei-me escorregar de corpo inteiro para o chão, aturdido por aquelas palavras que nunca ouvira antes, porque nunca antes ouvira um cão falar. E assim fiquei, prostrado, imóvel, escutando apenas a minha respiração ofegante, como um encadeado de possantes estrondos no silêncio do Universo.

Gripes e vacinas



Anda por esta Internet adentro muita informação contraditória sobre alguns aspectos respeitantes quer ao surgimento quer ao combate da gripe A.
Já sabemos que a net é um excelente veículo para difundir boatos e informação deturpada. É o preço da liberdade de informação, que devemos aceitar, embora tal constatação deva conduzir à adopção de atitudes cautelosas e sempre críticas em relação a tudo o que se lê e vê por aqui.
Para além da eventualidade da doença permitir que alguns agentes menos escrupulosos alcancem dividendos acima do que seria eticamente aceitável, não me parece que a atitude das autoridades seja merecedora de críticas tão incisivas como as que temos testemunhado. É que esta doença já é nossa conhecida, e na sua primeira visita levou cerca de 120 mil portugueses. Foi em 1918, e a acção do vírus H1N1 era então conhecida como Gripe Espanhola* ou, simplesmente, pneumónica.
Isto, não ouvi nos meios de comunicação; ou porque foi dito e me passou ao lado, ou porque foi omitido para evitar pânicos escusados.
O plano de vacinação está aí e não me parece que apresente fragilidades ou inconsistências que devam levar-nos a adoptar uma atitude de desconfiança. Temos uma história de vacinação que vem desde o início do século XIX e um Programa Nacional de Vacinação que funciona adequadamente desde 1965.
Convém não esquecer que foi devido à vacinação que se conseguiu, em 1980, erradicar a Varíola, a nível mundial.
Voltando ao nosso país, em 1965 teve inicio a vacinação em massa contra a poliomielite, que registava nesse ano 292 casos. No ano seguinte registaram-se apenas 13 casos. Seguiu-se o combate à difteria e à tosse convulsa, também com resultados muito positivos.
Isto representa a vitória do processo de vacinação, e daquilo que talvez seja uma das maiores conquistas da ciência médica. Repudiar a prática da vacinação é esquecer as conquistas alcançadas contra inúmeras doenças, algumas bastante horríveis que flagelaram a humanidade ao longo da História: difteria, gripe B, gripe C, hepatite b, papeira, poliomielite, rubéola, sarampo, tétano, tosse convulsa, tuberculose.
Finalmente, convém realçar um outro aspecto da vacinação, muitas vezes esquecido. As vacinas também protegem os indivíduos não vacinados já que a probabilidade de disseminação de uma doença infecciosa diminui com a vacinação alargada das populações. Esta imunidade colectiva ajuda, assim, a proteger os indivíduos mais vulneráveis.
Para além das razões médicas, e de saúde pública, aceito a vacina contra a gripe A também por uma questão de princípio. O princípio racional que ensina a confrontar eventuais benefícios com hipotéticos prejuízos, nessa equação indissociável da nossa existência, que resulta do sempiterno risco que opõe a raça humana a uma Natureza, naturalmente, adversa.

*Descrente do ditado que apregoa: “de Espanha, nem bom vento nem bom casamento”, sublinho que a denominação “Gripe Espanhola” se refere à doença observada, pela primeira vez, nos Estados Unidos da América. Isto ocorreu em Março de 1918, e os primeiros casos conhecidos na Europa ocorreram em Abril do mesmo ano, pelo que não é despiciendo conjecturar que a doença foi introduzida na Europa pelas tropas americanas. A adopção da denominação “gripe Espanhola” talvez se deva ao facto da imprensa desse país que não participou na guerra, ter noticiado profusamente que em muitos locais adoeciam e morriam civis em quantidades alarmantes. Em Maio, a doença atingiu a Grécia, Espanha e Portugal. Em Junho, a Dinamarca e a Noruega. Em Agosto, os Países Baixos e a Suécia. Todos os exércitos estacionados na Europa foram severamente afectados pela doença, calculando-se que cerca de 80% das mortes da armada dos EUA se deveram à gripe.

A cores é outra coisa

As fotos a Preto & Branco são uma dupla mentira em relação à realidade. Pelo facto de serem fotos já são uma mentira, depois porque o monocromatismo é uma reinterpretação do real. Como se fosse coisa de outro mundo. Vejam como, a cores, as coisas parecem mais reais, mais fidedignas. Eis duas fotos de uma vasta série de imagens rejeitadas pela LIFE, nos distantes anos 40.



comentar fotos

Como sabes, frequento alguns sites de Fotografia que agrupam muitos entusiastas, alguns são profissionais mas a maioria são amadores. Muitos são excelentes fotógrafos, outros nem por isso. No entanto a Fotografia é, para mim, apenas o pretexto para descobrir nesses fóruns uns raros cultores de um certo tipo de humor. E é essa disposição que me leva a este tipo de convívio que zomba do quotidiano social, político, cultural, troça de costumes e atitudes, e critica estéticas, fotográficas ou não.
Num destes sites deve-se comentar criticamente cada fotografia ali inserida. Porém, nem sempre os comentários reflectem conhecimento sobre a matéria, ou mesmo qualquer interesse em abordá-la, não passando de simples graçolas ou, mais raramente, tiradas de refinado humor. Eis uma breve selecção de comentários a fotografias, que foram replicados num tópico que criei para essa finalidade no Canal Foto. A totalidade dos comentários ali replicados pode ser acedida aqui.

O ok é porque está aceitável. PONTO FINAL, percebe? Ou o sr pensa que esta fotografia está boa, sequer?
EU JÁ LHE DISSE QUE ME CHAMO VASCO CUNHA. Para si Arq. Vasco Cunha, fique sabendo. Veja se vai ao médico tratar esse estado de estupidez em que vive.
QUAL LUCAS qual carapuça, o Senhor consegue enervar um santo, que chatice.
Eu comento as fotos como eu entender e se o senhor não aceitar faça como eu, retire-as!
TENHO DITO E CALE-SE.

carago pá, como é que tu consegues ser disléxico no que escreves e no que fotografas?
és um caso bicudo.

Nunca duvide das suas certezas, elas são fundamentais para sustentar as suas opiniões. ok?

Fazemos negócio ou não? Tenho uma sony mavica de disquete. Um espectáculo de máquina! 1 Milhão de pixéis! Vendo-te a máquina por 850 euros e ainda te ofereço 2 pilhas semi-novas que já não funcionam.

gosto desta foto, fora do original

engraçada, as cuecas é que não fazem ali nada, a edição poderia disfarçá-las?

a mais comentada das minhas fotos nos últimos tempos. uma pilha de garrafões de vinho. isto diz muito deste país. cambada de bêbados.

Só mesmo com um CLONIX para suportar tanta coisa nenhuma.

não...O QUE VC REPROVOU NESSA FOTO.POR FAVOR MEU MESTRE EM FOTOGRAFIA, EXPLIQUE. A luz o enquadramento a definição o reflexo nas costas a sombra inacabada a sua posição perante o "tema" O contraste no céu. MESTRE, E ISSO TUDO ESTÁ ERRADO?

as opiniões são como as vaginas: cada mulher tem a sua e quem quiser dá-la, dá-la...

excelente momento.... pena o pormenor de o cavalo abrir a boca

como conseguiste dobrar tão bem as bordas da foto? foi a quente?

uma alegoria

Como uma alegoria da caverna, e logo numa “expo” de David Claerbout. Muito adequado.

Souls from Mook on Vimeo.

malas-artes

Os artistas não se interessavam pela fama ou notoriedade. Frequentemente, nem assinavam os seus trabalhos. Ignoramos os nomes dos artistas que fizeram as esculturas de Chartres, Estrasburgo, e os painéis de Lagos – o tríptico de Alcácer-Quibir, bem como o novo, situado no seu verso.
Eis uma atitude própria do "Período" Gótico.

num grão, apenas


O teu véu é um suave murmúrio de espuma em seda que desliza pelo colchão de areia sendo nele ausentes os seres desencontrados e diferentes que o espírito das águas anima a partir na manhã cinzenta enxuta e fria perdida nas memórias do que nunca aconteceu por mor de futilidades transformadas em gravidades imensas encerradas num grão de areia.

entrolhos precisa-se

Tapa-me os olhos que eu não quero ver
João Miguel Tavares – DN 17 de Novembro de 2009

O caso “Face Oculta” esbarra de frente com o primeiro-ministro. O País inteiro pára para ver. Vem o presidente do Supremo Tribunal e diz:”É tempo de repensar toda a estrutura de investigação criminal: Vem o procurador-geral da República e diz:”Os políticos devem acabar com o segredo de justiça ou então mudar a lei.” Sobre o primeiro-ministro, durante uma semana, nenhum deles disse coisa alguma. Meus caros amigos: isto é o mesmo que ter um homem encarcerado num acidente e os dois médicos do INEM chamados ao local optarem por ficar na berma da estrada a discutir questões de anatomia. Isto á o mesmo que ter um avançado caído dentro da área e o árbitro e o fiscal de linha decidirem que naquele momento o que se impõe é uma reflexão sobre as regras do penálti. Isto é o mesmo que ter uma casa a arder e dois bombeiros sentarem-se a debater a qualidade do seu equipamento em vez de irem buscar a mangueira da água.
Está tudo doido? Não. Está tudo cheio de medo. Porque nunca ninguém viu nada assim desde que existe democracia e Noronha do Nascimento e Pinto Monteiro preferiam manifestamente não ter sido eles a ver. Estas são circunstâncias absolutamente excepcionais e eu não sei se temos homens à altura destas circunstâncias. Parece-me muito sintomático que os dois mais altos magistrados do País se tenham refugiado em questões políticas (o segredo de justiça e a estrutura da investigação) no preciso momento em que aquilo que se lhes exige é clareza absoluta nas decisões judiciais. Pinto Monteiro, aliás, só emitiu um comunicado com alguns esclarecimentos depois de José Sócrates ter exigido publicamente que queria ser esclarecido.
Sejamos cristalinos: acreditar que Jesus Cristo andou sobre as águas exige menos fé do que acreditar que as conversas entre Sócrates e Vara têm a inocência de um episódio da Abelha Maia. Supondo que o juiz de instrução criminal de Aveiro não enlouqueceu, o simples facto de enviar certidões para o Supremo envolvendo Sócrates tem só por si um efeito devastador e que exige uma dupla resposta: jurídica (saber se as escutas são legais) mas também política. E, para a resposta política, a legalidade das escutas interessa pouco. Sócrates disse:”A questão mais importante para mim é saber se, durante meses a fio, fui escutado e se isso é legal num Estado de direito.” Mas a questão mais importante para mim, e suponho que para a maioria dos portugueses, não é saber se as escutas são legais, mas se o primeiro-ministro teve conversas inaceitáveis com Armando Vara à luz de um Estado de direito. Isso até devia sossegar Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento. Só que eles conhecem demasiado bem a política para ainda serem capazes de confiar no poder solitário da justiça.

Os antecedentes da República

2010 vai ser ano de comemorações e, talvez, balanço de um século de regime republicano. Mas o republicanismo não começou em Portugal com a implantação da República. Numa sintese repartida darei conta dos antecedentes dessa aventura que dispensou monarcas e nobres, tomada pelo impacto de um assassinato, ainda hoje não resolvido no plano político e emocional dos portugueses.
Os antecedentes da República. 1

As Conferências do Casino que ocorrem em 1871 são resultado da efervescência mental produzida pela Questão Coimbrã de 1865-1866. Aí, uma nova geração de estudantes, poetas, escritores, manifesta a necessidade de se criar uma literatura capaz de tratar os temas mais importantes da actualidade, por oposição a outros intelectuais que pugnam pela manutenção do statu, apenas introduzindo inovações estéticas superficiais. Com a Questão Coimbrã entram em conflito directo o novo espírito cientifico europeu e o velho sentimentalismo rústico do Ultra-Romantismo. O novo lirismo que surge, social, humanitário e crítico, personificado por Antero de Quental, Teófilo Braga e outros, não se insurge apenas contra a tirania do gosto literário vigente, exercida por Augusto Castilho, mas também contra todos os conceitos políticos, históricos e filosóficos que ele e os seus seguidores simbolizam.
Esta época de empolgantes aventuras de descoberta do planeta, adequada à exaltação da grandeza do império luso, que mobiliza a ciência e a incerteza do desconhecido num fascínio que alimenta o imaginário de todas as classes e a emoldura num romantismo caduco, sublima as grandes explorações africanas que projectam nomes como Serpa Pinto, Roberto Ivens, Hermenegildo Capelo, os novos heróis da lusitanidade.
Embora o reinado de D. Luís se marque pelo progresso material, pela paz social e pelos sentimentos de convivência e, politicamente, pelo respeito pelas liberdades públicas, é essa geração notável de intelectuais (Eça, Antero, e outros) que vai fecundar o húmus donde brotará a consciência do liberalismo.
A partir de 1876 o Partido Progressista, que aspira articular o Estado segundo a teoria liberal, propõe a reforma da Carta, a descentralização administrativa, a ampliação do sufrágio eleitoral, e a reorganização do poder judicial e das finanças públicas.
Acusado de favorecer os regeneradores de Fontes Pereira de Melo, cujo ministério cairá em 1879, D. Luís chama os progressistas a formar governo.
Já em 1878 tomara lugar na Câmara o primeiro deputado republicano, Rodrigues de Freitas, eleito pelo Porto. Evidenciando a sólida evolução dos últimos anos, o Partido Republicano era, em 1880, uma realidade e uma força implantada de Norte a Sul do País.
O caminho está aberto rumo ao republicanismo.

A areia escondida

A Gazeta da Bica é um pasquim da aldeia, dessa aldeia suspensa no tempo e encalhada numa geografia descentrada na grande cidade. Pasquim mordaz, arrogante e um tanto perverso, que atira à rua e à maledicência da vizinhança – como bofes de porco a cães esfaimados –, episódios públicos e actos da vida privada dos distintos protagonistas da comunidade.


Rapidamente, a desconfiança acerca da autoria daquelas prosas que na calada da noite se introduzem sub-repticiamente por baixo da porta e do sono dos moradores, começa a provocar um notório mal-estar entre os vizinhos.
Amigos que se olham de soslaio, evitando conversas ou interrompendo-as abruptamente, receosos de indesejada publicidade. Adversários, antes respeitosos, que se miram, agora, com o ódio de inimigos – posto que só aquele poderia dizer tão mal daqueloutro. E por aí fora, num desassossego que mina a coesão e a identidade da aldeia.



Que só pode ser pessoa de cá e bem relacionada no meio, e nunca alguém de fora; pelo muito que parece saber da vidinha de cada qual. Que poderá ser algum revolucionário dandy, um burguês diletante e entediado, um intelectual revoltado, ou apenas um brincalhão que se diverte com a exposição das fraquezas e faltas alheias, jogando uns contra outros, depreciando o esforço dos que trabalham, pretensamente denunciando a falibilidade e desonestidade da acção dos que dirigem, etc.


Desconfiando de certa figura, os alvos habituais da insolente publicação estabelecem o plano de engodar o suspeito com falsas informações, e nisso prosseguem meses a fio, logrando filar o cáustico redactor. Tentativa estéril, pois claro, parida por inteligências medíocres. E aquele sobre quem se desconfia observa, atento, preocupado pela eventualidade de, injustamente, pagar pelo que não deve às mãos de gente tão néscia, mas, simultaneamente, satisfeito por verificar que é mais inteligente do que eles, que não descobrem o que tão facilmente se deduz. Que raio terão dentro da cabeça? Areia da praia?


Ao fundo, quais borboletas embriagadas no colorido intenso que a luz do dia reverbera nas suas asas, esvoaçam, subtis como paquidermes, saltitando de cogumelo em cogumelo, no extenso areal da praia, as sumidades... sumindo-se, depois, no ocaso do Sol.