da ARTE

Não conheço a versão original, pelo que não posso tecer considerações sobre a qualidade da tradução (imaginando que possuo aptidão para tal tarefa), mas posso elogiar a qualidade da escrita, límpida, fluida e erudita. Se o conteúdo é riquíssimo e, por via disso, apaixonante, é a forma da escrita que torna o livro inebriante. Nem quero imaginar uma obra destas, vertida para a nossa língua, pela mão de um sofrível redactor. No meu caso, bastaria tratar-se de uma versão em português do Brasil, para viver o horror da luta permanente entre a sedução do conteúdo e a aversão da forma. Aliás, se tivesse que me cingir aos pdf’s, de origem transatlântica, disponibilizados pela Universidade, achar-me-ia agoniado, remoendo coisas como «… o esnobismo e o preconceito social…» em vez de «… o elitismo e o preconceito social…».
Chama-se António Sabler, o tradutor desta espécie de bíblia da História da Arte que mantém o seu estatuto de obra maior desde que viu a luz do dia, no distante ano de 1950, pela mão do austríaco Ernst Gombrich, escritor e antigo professor de História da Tradição Clássica na Universidade de Londres.
E não é só mérito do tradutor desta 16ª versão (edição revista e aumentada), mas da equipa que trabalhou para a editora de “O Público”. A ficha técnica indica Ricardo Neves na revisão e Jorge Guimarães na paginação. Estão de parabéns pelo excelente trabalho realizado. Uma maravilha.
Nota final, o livro foi impresso na China, o que talvez explique o preço tão baixo, inferior a 30€, por um volume de 688 páginas com centenas de fotografias de obras de arte.

BRILHANTE !

Raramente tenho certezas absolutas. Ando mais pelos caminhos das moderadas convicções pessoais. Porém, não é isso que demonstro. O vício da provocação leva-me, frequentemente, à afirmação categórica. A ver quem vem à luta. Na expectativa de animar o cinzento dos dias. Na esperança de aprender mais qualquer coisa. E, por vezes, resulta. Noutras, esta atitude redunda em discussões do diabo, com amuos de permeio - da outra parte -, e até corte de relações. Quero lá saber, se amuam são mais parvos do que eu, pelo que não têm muito para me ensinar. Adiante, que o cinismo é uma arte.
Porém, naquelas alturas em que esgrimo convicções mais profundas, mesmo sob a eterna presença da dúvida, ou sobretudo por isso mesmo, é um grande consolo verificar a ocorrência de sintonia entre as minhas certezas e as de outras vozes, mais altas, argutas e doutas. Claro que essas vozes discursam com maior erudição, clareza e recreação. O texto abaixo, de Rogério Casanova, é um desses casos. Brilhante, límpido, e irónico.
Acrescento que não li o "Fúria Divina", mas li o prólogo, e chegou para perceber que Deus deve ter ficado com uma enorme dor de cabeça. Digo eu, que sou religiosamente ateu.


Rodrigues dos Santos prossegue a sua eficaz Jihad contra a prosa.
Uma das muitas características partilhadas por todas as personagens de "Fúria Divina" é a escabrosa incompetência nas funções que desempenham: os investigadores não sabem investigar, os sedutores não sabem seduzir, os terroristas não sabem aterrorizar. Curiosamente, algumas exibem os requisitos mínimos para serem críticos literários; embora nenhuma das personagens seja abençoada com a meta-revelação de que faz parte de um livro sofrível, três delas fazem a segunda observação mais pertinente que é possível fazer sobre o que está a acontecer à sua volta: "isto parece um filme".
Um filme, de facto, e não dos bons. Temos a vítima que aproveita o último fôlego para desenhar uma mensagem críptica no chão; temos o explosivo desactivado no último segundo; temos louras "parecidas" com Meg Ryan e coronéis russos que "dão ares" a Anthony Quinn. O resto do elenco é despachado com pinceladas Benetton: os americanos dizem "hell", "goddamn it", "fucking tarado" ou "fucking génio"; a professora inglesa diz "jolly good"; o cientista alemão diz "Gott in Himmell!"; o agente da Mossad diz "shalom"; o militar russo diz "previt"; um eventual bombista da ETA diria certamente "Olé!" antes de acender o rastilho.
A acção envolve as tentativas de um terrorista islâmico para detonar um engenho nuclear, e as tentativas de uma equipa multinacional para impedir o atentado. "Acção" é talvez um termo demasiado caridoso para aplicar ao que é essencialmente diálogo expositivo. Como num gymnasium para cretinos, as personagens passam grande parte do tempo a informarem-se umas às outras de coisas que já deviam saber, e a chegar às conclusões óbvias vinte páginas depois do leitor, não deixando, para o efeito, de se "fitarem interrogadoramente", ou de assumir "uma expressão interrogadora", ou "uma expressão interrogativa", ou até mesmo, se estiverem com pressa, "uma expressão inquisitiva". Em sucessivas visitas guiadas ao Museu de Pesquisa Rodrigues dos Santos, recebemos extensos memorandos sobre a construção de uma bomba nuclear, a história do Islão, a topografia de Veneza, e a gastronomia dos Açores.
Depois temos a prosa, que é fucking péssima.
Provavelmente consciente da sua deficiente imaginação auditiva e do seu espectacular anti-talento dramático, o autor desenvolveu uma técnica revolucionária de mímica literária, que consiste em distorcer a fisionomia das personagens até esta se acomodar àquilo que a prosa não consegue transmitir sozinha. Isto resulta em sucessivas catástrofes estilísticas, nas quais agentes da CIA e fanáticos religiosos são reduzidos a participantes num sketch dos "Malucos do Riso", "erguendo", "carregando" e "franzindo" as sobrancelhas, "virando", "revirando" e "arregalando" os olhos. O muzak inócuo do romance anterior do autor, "A Vida Num Sopro" (menos mau do que este, no sentido em que uma bomba convencional é "menos má" do que uma bomba nuclear), dá lugar à dissonância e ao feedback. Cabeças "giram pela sala" e olhares são "arremessados" pela janela, sem intervenção de qualquer engenho explosivo. Com o pé apoiado no pedal wah-wah, o autor rasga malhas inacreditáveis sobre, entre outras coisas, baratas que se peidam em francês; trucida frases com rimas internas ("pegou num bule fumegante e deitou chá na chávena do visitante"); e ergue andaimes desnecessários sempre que alguém abre a boca, recorrendo ao seu maneirismo predilecto, aqui completamente fora de controlo. (Uma amostra reduzida: "exclamou, intrigado", "murmurou, atónito", "sussurrou, pensativo", "suspirou, exasperado", "hesitou, desconcertado", "argumentou, combativo", "sorriu, benigno", "abanou a cabeça, frustrado", "gritou, escandalizado", "mordeu o lábio, hesitante", "abriu a boca, estupefacto". Este leitor contou mais dezassete exemplos antes de desfalecer, extenuado).
Exibindo todos os defeitos e nenhuma das virtudes do género a que tenta pertencer, "Fúria Divina" é uma guerra santa sem tréguas, na qual os únicos mártires são os leitores.

Rogério Casanova»

o casamento homossexual


E eles respondem com os clássicos: - os gregos aceitavam a homossexualidade com naturalidade. E até vão mais longe, defendendo que esta “libertação”, é que constitui o verdadeiro sentido da evolução. Provavelmente, não sabem que a civilização clássica que evocam, depois de tantos séculos de história, entrou em decadência pouco depois da adopção dessas licenciosidades ou “liberdades” (não foi só por isso, nem terá sido especialmente por isso que entraram em decadência, mas… coincidiu, pelo menos).
Eu não sei. Não tenho resposta para tudo, nem opinião formada, esclarecida e definitiva sobre tudo. Sei é que me irritam com a sua agressividade, como se todos os que não os compreendem ou não aceitam as suas opções fossem homofóbicos, intolerantes, burgessos, e sei lá que mais.
Li por aí, ontem, que há os homossexuais, e há a “paneleiragem”: os primeiros praticam discretamente as suas opções e posicionam-se na sociedade com simplicidade e naturalidade - à imagem do que faz a esmagadora maioria dos heterossexuais (portanto excluo os tarados, pervertidos e pornógrafos gratuitos); os segundos, são aquela trupe que enforma uma elite social que insiste permanentemente em chocalhar os badalos de vaca que trazem pendurados ao pescoço, fazendo um alarido enorme na rua, nos jornais e na TV. São os que têm o verbo fácil, afiado e engatilhado para disparar a qualquer momento: HOMOFÓBICO!
Não os compreendo. São diferentes mas querem usar as estruturas, as convenções, as normas igualitárias que a sociedade criou para a sua estruturação heterossexual, coisas que não foram criadas para eles. Ora, podiam reivindicar um normativo diferente, uma nova convenção. Até nisso são parvos. Assustam-me, com a afirmação ruidosa da sua diferença. E, no passado, devido a estes receios e à incompreensão da sua condição, foram alvo de ostracismo, torturados e, até, queimados vivos. Agora, parece que temos de ter cuidado, ou ateiam eles as fogueiras…

respondendo ao desafio

Desafio
gostava de ler aqui sobre isto
http://www.ionline.pt/conteudo/40832-o-extase-sexual-clara-pinto-correia---fotos
ABRAÇO
dAVID oLIVEIRA
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Separados do sentir, estes registos de sentires alheios não traduzem veracidade emotiva. As fotografias, alternativas reconstruções do real, raramente servem para transmitir o que realmente se sente, o que realmente acontece. Estas, em particular, nem sequer se aproximam daquilo que pretensamente representam, são banais. Não passa de mísera futilidade, a pretensão de mostrar aquilo que possui valor maior na sua condição de acto íntimo, inviolável, posto que revelado perde a valia singular que possui. Isto nem sequer é pornográfico, é pior, é frívolo.
Já o texto é bem mais interessante, prestando-se a variadas apreciações, quer pelos lugares comuns, revisitados, da “luta” quotidiana entre os sexos, que as opções literárias da autora não conseguem camuflar, quer, pelo lado inverso, pelas “imagens” que as palavras intuem, bem mais sugestivas do que as fotos: «A janela não parou de abrir e de fechar até ao romper da aurora». Seria uma bela metáfora ao “mete-e-tira”, se não se referisse a dois homens fechados num quarto – é verdade, não estendo a beleza do acto às relações homossexuais, porque não as compreendo; ou «…um homem que gosta de brincar. Tem, de facto, muito pouco de humano…». Ou não percebi onde arranca a construção que tece a ironia ou a rapariga passou-se: Brincar é uma das atitudes mais humanas.
É a Clarinha, vestindo o papel de gaja moderna com as queixas dos homens que não está para aturar; antes, manipula-os a seu bel-prazer, como deve fazer toda a gaja moderna que se preze. Claro que, sendo necessário, hão-de continuar a chorar por umas fodas redentoras, mesmo com olhos fechados e cenho arreganhado, em pose para a máquina fotográfica, qual canastrona lançada ao palco do Teatro.
Fico-me pela melhor afirmação, que bastava como legenda das fotos: «Ou seja. Eu para aqui a construir todo este belo edifício artístico que o corpo e as mãos deste homem me inspiram. E, como acontece tantas vezes, a esquecer-me do lado irracional da existência onde tantas vezes se cristalizam os nossos actos mais profundos.»

GRIPE A: OMS SOB SUSPEITA DE CORRUPÇÃO

Depois de umas férias informativas sobre a gripe A H1N1, que mais parece ter sido determinado para permitir a concentração de milhares e milhares de pessoas nos centros comerciais para as compras natalícias, regressaram aos media as recomendações do ministério da Saúde e as informações aos media as notícias sobre a Gripe A, algumas provocadoras de algum alarme. Tudo isto num momento em que reaparecem as críticas e aparece a suspeita de a corrupção já ter chegado à Organização Mundial de Saúde ... (texto completo aqui)

auto-retrato

Cabelo curto, careca arredondada
Testa média um pouco enrugada;
Sobrancelha rala, porém angulada
Olhos na cor castanha-esverdeada

Redondo nariz e boca ondulada
Bigode antigo de ponta arrebitada
Mosca breve; face abochechada
Bojuda a pança, já bem dilatada

Cintura à proporção e coxa roliça
Que quando ao espelho a vejo
Parece presunto ou farta chouriça

Pujante a perna, torneada sem pejo
Eis o retrato, e farte-se a cobiça
De quem assim me vê, como me vejo.


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porco farto é porco para matança

A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal!
O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que se torna difícil compreender. Com 9.710.539.940,09 € (NOVE MIL SETECENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS) poderíamos construir 5 pontes para travessia do Tejo ou distribuindo por 10 milhões de portugueses, caberia a cada um cerca de 971 €!!!
Eh vilanagem, ainda não fartaram?

Prá fogueira!!!

Não sei se ouvi bem, dito há segundos pela TV que está para ali a debitar as tretas do costume?!
Portugal acolheu uma família, indigente, ucraniana, composta por 7 pessoas, atribuindo-lhe uma casa mobilada e confortável, e 30 € por semana/pessoa, o que dá 840 € ao mês.
Os pulhas que nos governam praticam a caridade aos de fora e empurram para a miséria os de cá. E fazem-no com dinheiro que nem é deles!!! Porreiro, pá. Assim, não é difícil compreender o ressurgimento dos ideais da extrema-direita, da monarquia, do anarquismo, ou do quer que seja que substitua o sebastianismo profético e salvador.

Já agora, se algum destes alcançar o poder, espero que atire para a fogueira esta canalha de velhacos que se dizem socialistas, democratas, social-democratas, e o raio que os parta, que nos tem gerido nos últimos 30 anos. É que, se o fizerem, sempre será menos doloroso suportar uma ditadura ou qualquer outro regime déspota.
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Nota: sonho recorrentemente com um cenário em que sou o Inquisidor a quem cabe interrogar estes gajos que nos governam, e o meu desespero é achar que a panóplia de instrumentos de tortura que tenho à disposição, é irrisória para a minha capacidade de imaginação.
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CORRECÇÃO AO POST EM 2010.01.06:
PRONTO, MAIS DO QUE SIMPLES INDIGENTES, TRATA-SE DE REFUGIADOS. É UMA SITUAÇÂO DIFERENTE, MAS QUE EM NADA MUDA A NECESSIDADE DAS FOGUEIRAS PARA OS POLÍTICOS, E ISTO SEM MENOSPREZAR A RESPONSABILIDADE DO POVO, VEJA-SE O POST SEGUINTE, AQUI.

Rui Pereira entregou Autorizações de Residência - 30-09-2008 17:37:29

O Ministro da Administração Interna entregou, hoje, no Centro de Português para os Refugiados, na Bobadela, Títulos (autorizações) de Residência a uma família iraquiana composta por 5 pessoas (pai, mãe e 3 filhos menores). Esta família veio para Portugal, chegada da Síria onde se encontrava desde Novembro de 2007, no passado dia 22 de Setembro.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) reconheceu a esta família o estatuto de refugiado em 26 de Dezembro de 2007. Os critérios de elegibilidade do ACNUR foram: sobreviventes de violência e tortura com necessidade de protecção legal e física.

os políticos de hoje lembram os da primeira república

E hão-de ficar na história, também, pouco lembrados mas correctamente adjectivados. Como os de baixo.

Afonso Costa
«ingrato e vaidoso, orgulhoso mas rastejador quando precisava; tumultuoso, insolente, mas tímido ante o perigo, sectarista odiento, amigo das grandezas e comodidades da vida», assim descrito por um seu professor, Afonso Costa foi de um nepotismo escandaloso. Quando ministro da Justiça, em 1911, os melhores lugares foram ocupados pelo seu irmão, pelos seus dois cunhados, pelo seu sócio do cartório, pelo seu procurador, por um amigo íntimo desde os tempos da juventude, …»

Brito Camacho
«Mostrou-se sempre tão azedo, que há quem diga que nas suas veias gira vinagre puro, em vez de sangue». Raul Brandão escrevia: «Há nele algo de dissolvente. Direi melhor que ele tem qualquer coisa que afasta os homens. Nem um acto de fé... Em lugar de calor, ironia. Os amigos podem aplaudi-lo e rir-se das suas piadas (riem-se e desconfiam da sua língua), mas a grande massa que forma os partidos é como as mulheres: não compreende a ironia, pelo contrário, tem-lhe medo e chama-lhe veneno...»

mais menos... combóio


Eu queria encerrar o ano com uma anedota mas, infelizmente, tenho que terminar 2009 com mais uma notícia triste, produzida neste país de políticos, administradores e gestores desonestos perante a apatia de um povo acantonado nos brandos costumes da sua religiosa resignação e do seu proverbial enfado.
Depois do logro do “Estações Com Vida”, esse projecto da CP, Refer e Invesfer, criado para libertar cobiçadas parcelas do domínio público ferroviário e colocá-las ao alcance do ímpeto especulador e ganancioso dos empresários do betão armado; depois do encerramento de vários percursos ferroviários de “baixa” rendibilidade, sobretudo no Norte do país; eis que os velhacos lançam mais um ataque, desta vez sobre a linha do Sul, ao suprimirem o comboio regional Barreiro/Algarve.
Este desinvestimento na rede ferroviária tem levado ao consequente investimento na rodovia. Um verdadeiro contra-senso pois o comboio é, de facto, o transporte colectivo mais amigo do ambiente. Os responsáveis pela decisão argumentam que este circuito não tem passageiros suficientes.
Não tem porque não o promovem, não o modernizam, não o adequam às necessidades das populações. Eis mais uma pescadinha de rabo na boca convenientemente explorada pela máfia do costume.
Desmobilizado o incentivo à utilização do comboio em prol do recurso ao transporte rodoviário colectivo e individual, numa gritante e errada preferência, ocorre-me perguntar: -Se o meio ferroviário não merece investimento e dinamização, porque vão investir num TGV?
É chocante, esta torpeza dos decisores públicos no que toca ao meio ferroviário. É evidente que este país é governado por uma máfia terrível que o deixará exangue e na miséria. Já falta pouco!

O crítico boçal

Brada e pavoneia-se com ares de grandeza. Tem crítica para tudo e para todos. Sabe do Universo mais longínquo ao fedor que lhe passa debaixo do nariz. É um sábio ignorado. E denuncia os pseudo-intelectuais. Desses que trabalham com o cérebro, coisa a ele estranha. Mas fala e escreve. É um caga-lérias que escreve. Porém, não só envergonha os utilizadores da língua portuguesa como a maltrata em qualquer plano: semântico, lexical, morfológico. É um tosco, um pateta incapaz de escrever um parágrafo simples com uma sintaxe aceitável. A sua única valia, a insistência. Debalde, não revela o mínimo sinal de evolução ou melhoria. Não progride. Digo-o, a julgar pelos comentários que deixa na cloaca maxima, que os textos que publica no seu pasquim, esses não os leio vai para mais de um ano. E nessa altura eram assim, como digo.
É burro, sempre foi. Dizem os que o conhecem de há muito.
Também não fotografa que preste. Não tem jeito, pronto. Nem todos temos a sensibilidade ou a necessária agilidade mental entre o que se vê, a escolha da composição, e o momento de clicar. Também insiste, mas não vai lá. Não sabe escrever de forma nenhuma. Nem com as palavras, nem com a luz.
Não é bem um burguês, é um burgesso, isso sim. Um iludido numa (in)certa linhagem de aristocracia terra-tenente de outrora. O Mestre Polainas ou o Ti Chico, sapateiro um, pescador o outro, o diriam: Um merdas, é o que é!
E há quem lhe dê ouvidos?!
Gritar-lhe: - Assuma-se, seu merdas! É escusado, não percebe.

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«... O que Cameron não diz, por cinismo ou ignorância, é que o panteísmo dos Na'vi é muito semelhante ao dos Arianos, na substituição do transcendentalismo cristão por uma deturpação teleológica do darwinismo. Sei como os Arianos procuraram satisfazer o seu desejo de "harmonia"; o que não sei é se as multidões que proporcionam recordes de receita ao filme são basbaques pueris ou a matéria-prima com que se fabricam as grandes catástrofes da história.»
artigo completo de Fernando Gabriel aqui

1 milhão (faltam mais uns 7 ou 8)

José Rodrigues dos Santos recebe Prémio CLP 2009 - Autor atingiu o recorde de um milhão de livros vendidos em Portugal.
(Segundo notícia em qualquer pasquim perto de si)


Assim é que é. Escrever para iletrados é bom negócio, há mercado abundante em Portugal.
Já o escritor António Lobo Antunes tinha qualificado, de forma clara, uma das anteriores produções de papel estampado de Rodrigues dos Santos: “é uma grande merda”, referindo-se a “A Vida Num Sopro”. Lobo Antunes confessou, então, ficar “assombrado com pessoas que escrevem livros em dois meses”.
Ó António, não te armes em pseudo-intelectual, pá! Com essas tretas que escreves, que ninguém entende. Além disso, tu é que andas a produzir pouco, apenas um livro por ano?! É gente assim, como tu, que dá mau nome aos portugueses. Que nos deixa ficar abaixo das médias europeias de produtividade. Olha se fizesses como o Zé dos Santos, não era melhor?

Ouvindo o silêncio


O silêncio tornou-se um vazio insuportável ao homem. Já não é bom, nem sequer aceitável, posto que é entendido como ausência total, ausência de tudo, ausência de qualquer coisa – e a coisa só o pode ser porque produz ruído. Ruído, sim. O substituto dos sons, nas grandes metrópoles hodiernas. Seria interessante se procurássemos apenas os sons mas, hoje, o que mais procuramos é o ruído.
O silêncio, que foi o pano de fundo dos sons é, hoje, a presa derradeira do ruído. Os citadinos acordam com o ruído do trânsito e vivem bombardeados por milhentos outros sem os quais já não sabem viver. Num passeio ocasional ao mundo rural, de onde saíram há gerações, tornam-se nervosos porque os sons campestres – dos animais e dos elementos naturais - são produzidos contra um fundo de silêncio que se revela nas pausas desses sons. O tal silêncio ameaçador. Nesse mundo rural há também menos conversação porque, para interromper o silêncio, é necessário ter alguma coisa válida para dizer. Acto estranho no universo citadino, onde tanta gente fala sem nada dizer.
No campo deixam-se espaços para cada um falar e ser escutado. Na cidade, a vida vertiginosa e o imenso mar de gente aflige cada ser e impele-o para o ruído gritante, num gesto neurótico que procura evidenciar e proclamar a existência singular no meio dessa multidão que oprime, confunde e massifica.
Na cidade, perdeu-se a capacidade de ouvir. Desistimos, há muito, de escutar as histórias dos outros, nessa ânsia de narrar a nossa própria. E muitas vezes ligamos a televisão para termos a certeza de que existimos como se, não ouvindo esse ruído, não pudéssemos confirmar que existimos.
O silêncio é hoje sinal de indiferença e mesmo de intolerância. Quando não se fala não é porque se quer estar em silêncio mas porque se teme o que se possa vir a dizer ou ouvir, porque, normalmente, evitamos obcecadamente o silêncio como se este fosse a negação da vida. Ora, escutar o silêncio também pode ser ouvir a própria existência, sempre presente à nossa volta, mas que a cacofonia fútil do quotidiano não deixa perceber.
Há coisas que se apreciam melhor em silêncio e há outras perante as quais não devemos ficar calados. Há silêncios que devem ser criticados e silêncios que merecem ser escutados.

(reflexões em torno da foto de um búzio)

Um exercício simples

É um exercício simples. Admitamos que a ciência conclui que Deus é uma impossibilidade*, e que tal resultado é adoptado como verdade pela maioria dos que hoje O veneram. O que aconteceria? Como se comportariam, então, essas pessoas?
Nem é necessário imaginar qual a atitude dos muçulmanos, que incorporam nas suas fileiras elevada percentagem de radicais. Basta pensar no universo ocidental cristão. Se o afastamento de tantos, em relação a Deus, já produz o que vemos nos dias de hoje, imaginemos que todos os homens e mulheres do ocidente dispensam o demiurgo. Aumentaria a anarquia e a selvajaria entre as multidões?! É assustador, não?
E o que se conclui disto? Que é forçoso evitar tal afastamento entre os homens e Deus? Que a religião tem de ser imposta, ou pelo menos, mantida à força?
É que não restam dúvidas de que a ausência de uma coerção superior conduz a populaça bem nutrida, e cada vez mais exigente, direito ao egoísmo exacerbado, ao exagero existencial e materialista, rumo à decadência total?!
Qual a solução? Poderíamos substituir Deus por outra coisa? Mas substituí-lo por outra intuição não redundará no mesmo paradigma? Substituir a sua autoridade e poder por outra coisa, igualmente universal e omnipresente, como a Lei por exemplo, não terá o mesmo significado e resultado? Não é Deus um corpus lex, um conjunto de normas que nos foram legadas no dizer de uns, ou que inventámos, segundo outros?!
E se nunca tivéssemos recorrido à intuição de Deus, teria o homem conseguido avançar civilizacionalmente? Para quem defende os valores humanistas e o primado da razão sobre a fé, Deus parece ser coisa perigosa. Ou é um tirano que se impõe aos homens através de outros homens que acabam por abusar do seu poder “representativo”, ou transforma-se numa perigosa ausência depois das longas gerações da sua doutrina, no ocaso das enraizadas crenças como a vida para além da vida, a ressurreição e a salvação da alma, a justiça divina com os seus castigos aos ímpios e recompensas aos justos. Em qualquer dos casos, Deus não parece humano, mas antes uma entidade alienígena, distante e cruel. De um modo ou de outro, afigura-se sempre perigoso.
Alguns dirão que o homem não conquistou sozinho os valores humanistas, que o fez com a presença e ajuda de Deus (da religião). Outros dirão que os homens, cristãos e outros, construíram os seus ideais fundando-os na razão, no respeito pelo semelhante e na observação de normas igualitárias e universais; e fizeram-no com base numa mescla cultural proveniente de várias origens, com influências diversas – mas é um feito dos homens, não de Deus. Ou não será assim?


* Não que a Ciência tenha tal desiderato por objectivo, ou mesmo qualquer empenho em esclarecer a questão, conhecendo-se, até, alguns cientistas convencidos de que quanto mais avançam no conhecimento e na compreensão do universo, mais se aproximam de uma força organizadora desse Universo, uma entidade que pode ser Deus. Coisa que, na minha opinião, revela apenas a fragilidade do ser humano e da sua inteligência, a qual, embora variando consoante a capacidade intelectual de cada um, acaba sempre por evidenciar quão insignificantes somos no cômputo geral do Universo e quão distantes continuamos de o assimilar.

O alarve

Porque ainda posso praticar sem restrições a língua pátria que me ensinaram, alheio ao acordo ortográfico – essa coisa obtusa e pretensamente consensual entre os diferentes falantes da língua portuguesa –, continuo a exercitar a escrita na forma que mais me entusiasma: a ficção, que vai buscar aos esconderijos da memória fantasias mirabolantes eivadas de desejos, decepções e ironias, temperadas com uma pitada de humor cáustico e cínico que exonera convenções, preconceitos, decências e tolerâncias. Aqui não há transigências nem palmadinhas nas costas.

O Alarve

Abusando da tolerância do chefe, o alarve, emplastro inútil e improdutivo que ocupa o lugar apenas por ser filho de quem é – de um magistrado corrupto e de uma explicadora de francês pretensiosa e intriguista –, demonstra a sua descomunal cretinice tentando obter o reconhecimento da sua veia artística. Enfiando, episodicamente, debaixo do nariz do incauto mais próximo, o seu último desenho ou pintura, de gosto e técnica claramente medonhos. Evidentemente, os que o rodeiam não lhe reconhecem qualquer valor mas aplaudem e elogiam, hipocritamente, pois tratando-se de um basbaque da alta, com peso e influência social, há que manter a cordialidade e uma amizade a qualquer momento, potencialmente, lucrativa. Pois nunca se sabe quando será necessário recorrer à influência social da madame ou aos préstimos judiciais do meritíssimo. E ai de quem ousar acusar a situação. Tal desgraçado verá a sua vida, presente e pretérita, analisada a pente fino, devassada e esmiuçada e, encontrado algum podre, logo adulterado, adicionado a mentiras credíveis e lançado à comunidade faminta, pelos peões de brega – canalhas apaneleirados, raparigas mentecaptas e arraia miúda ingénua –, uma dezena de burgessos que enformam a corte da insidiosa víbora que, ensina, agitando, a língua de Marie Brizard.
E assim passam os dias no movimentado cais onde chegam e partem incontáveis navios carregados de metais, madeiras, fardos e caixas de conteúdos diversos, de cores desmaiadas e odores suspeitos.
O alarve pouca atenção presta ao seu mètier de controlador das cargas e descargas do porto, embeiçado na prancheta que prende as folhas brancas de papel cavalinho onde, espera, surjam umas tantas magníficas obras de arte, traçadas a lápis de carvão primeiro, e depois coloridas com ceras ou aguarelas oferecidas pelos comandantes dos navios que demandam o porto, e lhe conhecem o gosto.
O chefe, incapaz de o repreender, não só devido ao seu feitio indulgente mas também por receio de retaliações directas da família ou da influência desta junto do Director Geral da Fazenda Pública, vai deixando correr a situação, substituindo o alarve pelos colegas que dividem, entre si, o trabalho que a ele cabia.
(…)
No centro da sala, uma mesa cercada por quatro cadeiras desengonçadas e encimada por uma vela suspensa, apresenta uma enorme carta de marear. Uns traços finos, riscados com a precisão do esquadro, cruzam-se no ponto do mar que divide os dois homens na discussão que dura há mais de três horas. Pretendem resolver de que forma alcançarão melhor aquele ponto, evitando os riscos da navegação em águas inimigas, e numa altura do ano em que as condições climatéricas são perigosamente adversas.
(…)
A ele apenas interessava meter ao bolso a sua percentagem, a alcavala do negócio que nem conhecia, de que nunca se interessara perceber os pormenores. E desta vez o capitão trouxera-lhe um bom conjunto de cores fortes, como as que usam os de Levante. Com a bolsa cheia de metal tilintante, o estojo de madeira com os valiosos pigmentos, o alarve apressa-se a abandonar as instalações do porto, rumo a casa. No sino da Igreja de S. Pedro soam as badaladas do meio-dia e o homem apressa-se, enrolando em volta do pescoço e dos ombros um enorme cachecol de lã escura que o defende do frio insidioso que fere os rostos e as mãos dos seus colegas, carregados com o opróbrio do trabalho que os ocupará até ao anoitecer.
(…)
Violentamente atacado por navios inimigos e que só a tempestade evitou soçobrar sob as repetidas bordadas de tiros certeiros, mas que a fúria do vento e das ondas acabou por desarvorar e desgovernar, o navio regressou à deriva, ao sabor das intempéries e de mão misteriosa e divina que o trouxe direito ao porto, por ali entrando fantasmagoricamente, sem estranheza das gentes que atendem ao árduo labor nos outros barcos e nos cais apinhados de mercadorias. Na eminência do embate com o embarcadoiro, o gurupés, mastro projectado uns bons metros para a vante do navio, ultrapassando o cais qual aríete portador da brutal força deslocada pelo navio, embateu secamente, e sem a mínima resistência, no homem que caminhava, cego, envolvido no largo cachecol que prevenindo do frio não o deixara prever o desastre. O alarve ali ficou, agonizando, empalado no enorme cacete horizontal do navio escavacado.
(...)

pequeno, pequenino, minúsculo

A minha mais recente aquisição permite observar as esporadas dos cogumelos e coisas como estas.


perna de mosca (ou é perna de uma mosca nórdica ou de... um mosco)

pine mature wood


stem of cotton ("célula-tronco" do algodão, erradamente denominada "célula estaminal")
o meu cabelo

clarificando

ACTUALIZAÇÃO EM 27 DEZ. (ver abaixo)


Saudações,
Tivemos oportunidade de ler com atenção o seu escrito no blog Claustrofobias e no blog Lagos, no qual se refere à Mesa Redonda e a uma postagem por nós feita sobre as obras da frente ribeirinha da nossa cidade, mais concretamente ao cais agora posto a descoberto.
Não nos merecem quaisquer comentários a forma como se refere a nós nem à nossa "caixa de comentários [que] bem merece o ápodo de “cloaca maxima”, numa homenagem a essa imperial sarjeta romana onde parecem boiar os comentadores do referido blogue". É a sua opinião e é livre de a expressar como bem a entender.
Mas, se nos permitir, gostaríamos de lhe dizer o seguinte:
Existe na Mesa Redonda uma ligação para o nosso email. Qualquer pessoa, o Francisco Castelo incluído, poderá fazer chegar contributos ou indicar-nos correcções aos nossos erros, o que terá sido em seu entender o caso da postagem que se refere ao cais antigo. Se participar estará a contribuir para melhorar o nível da discussão, não concorda?
Todos erramos e o Francisco Castelo comete a seguinte incorrecção quando afirma: "Dizem esses críticos que se apresentou tais estruturas como coisa que não são. Que foram anunciadas como “o cais de onde partiu D. Sebastião”. Não é verdade! O que nós dissemos foi: "[...] e a janela de onde segundo a tradição local, no século XVI (Verão de 1578), el-rei D. Sebastião assistiu ao embarque da sua força militar que acabou derrotada em Alcácer-Quibir (aliás, deve ser por essa razão que existe a sua evocação em painel fronteiro, não será assim?)". Aliás, esta "tradição" pode ser lida e comprovada em http://viajar.clix.pt/tesouros.php?id=160&lg=es
"Possui, na fachada, uma janela manuelina de onde Dom Sebastião terá assistido à missa que precedeu a sua partida para Alcácer Quibir. Nos relvados do Jardim da Constituição, frente à janela, três painéis, da autoria do escultor João Cutileiro, evocam esta histórica batalha que custaria a vida ao rei português".
Quanto à datação do cais (século XVII): Sabe tão bem ou melhor do que nós que anteriormente a 1578 já muitos barcos tinham saído de Lagos demandando África. Terá sido este o caso de Gil Eanes (1434 - século XV), por exemplo, entre outros. Tal leva à suposição que em Lagos deveria existir um cais (pelo menos desde o século XV), infra-estrutura natural e imprescindível numa cidade ribeirinha como é a nossa. Se não era este que mencionamos, onde se localizaria então? E será que os nossos antepassados construiriam estas infra-estruturas com regularidade?
De qualquer modo, nós pretendíamos transmitir a ideia que foi infeliz a ideia de se pôr o cais a descoberto, dada a sua actual distância ao mar (derivada da construção da Avenida dos Descobrimentos em 1960). Dissemos: "O facto é que a actual distância ao mar impede-o, de todo! E que aquelas “pedras” hoje não fazem qualquer sentido neste espaço. Por conseguinte, a ideia de o pôr à vista deve ser das mais infelizes a que se assistiu na nossa cidade". E acrescentámos outra ideia: "a fachada lateral da Igreja de Santa Maria, junto à Casa da Dízima (construção do séc. XVII), ostenta orgulhosamente dois aparelhos de ar condicionado". Simplesmente, estes já não deviam estar ali após a dita "requalificação"!
Percebemos quando afirma: "Mesmo que alguém tenha proferido alguma afirmação identificando o local do cais com o local de onde terá partido El-Rei D. Sebastião para a fatídica empresa de Alcácer-Quibir, entende-se perfeitamente que a alusão é ao local e à consequente carga histórica acumulada com esse facto (admitindo que assim aconteceu, o que não é certo), e não à estrutura concreta do cais. No entanto, e mesmo sendo assim, discordamos FRONTALMENTE que se tenha gasto um montante significativo de dinheiro para se transmitir a carga histórica relacionada com D. Sebastião, da maneira como foi feito (ou será para se perpetuar a tal tradição de um facto que nunca se verificou, num sítio que nunca existiu no século XVI?)
Mas, agora que o cais e o que ele simboliza está à vista, saiba que partilhamos a posição da CDU sobre este assunto e que apresentou na Assembleia Municipal de Lagos (reprovada pelos eleitos do PS): "[...] Nele aconteceram momentos marcantes na História do País, por ele saíram os navegadores que iniciaram os Descobrimentos, nele teve lugar o embarque do exército que D. Sebastião levou ao que seria a derrota em Alcácer Quibir [...]
Que a Assembleia Municipal de Lagos delibere recomendar à Câmara Municipal a criação de um Centro de Interpretação do Porto de Lagos nos termos dos considerandos atrás expostos". Pode recordar a proposta na íntegra aqui: http://www.canallagos.com/um+centro+de+interpretacao+para+o+porto+de+lagos+=a9179/
Para terminar, dizer o seguinte: não vemos qualquer vantagem da nossa parte em publicar este nosso esclarecimento ou qualquer troca de opiniões que dele possa resultar. Mas, se quiser contribuir com algum texto sobre este ou outro assunto e que deseje ver postado na Mesa Redonda fá-lo-emos com prazer.
Por último: gostaríamos de retribuir os votos de Boas-Festas da nossa Mesa Redonda.
Filipa Neves

Perante a insistência do 2º mail, desta vez titulado com uma pergunta directa: "Não lhe merece nenhum comentário, nem admitir que errou?", acabei por responder, no mesmo dia 21, com o seguinte texto.

Não, acho que não vale a pena porque nos escudamos ambos em firmes convicções pessoais. Porém, esta vossa resposta, começando com alguns argumentos pertinentes acabou por descambar para aquilo que, justamente, denunciei: vocês criticaram a afirmação (que continuo sem saber quem proferiu ou onde está publicada) “de que daquele cais partiu D. Sebastião”. Insurgem-se contra tal afirmação enquanto proferida ou publicada por alguém da CMLagos mas já a aceitam e aplaudem, incluída numa proposta da CDU. Não me cabe defender a Câmara, que tem procurador ou representante para isso. Tampouco pretendo brilhar perante gente de cujo “círculo de afectos” não faço parte nem pretendo fazer. Portanto, falo por mim e defendo as minhas opiniões. É verdade que, na minha crítica, omiti outras partes do vosso artigo com as quais concordo – nomeadamente sobre o resultado final da intervenção naquela zona – porque tal seria chover sobre o molhado. Aliás, o projecto inicial do tempo do J. Valentim já não era coisa que me fascinasse, depois, com as alterações sucessivas, perdeu o pouco que pudesse ter de meritório e afundou-se naquilo que está à vista.
O meu post insurge-se contra duas coisas que comprometem a seriedade e a credibilidade do vosso blogue: a crítica cega a tudo ou a todos os aspectos de um qualquer assunto, e os comentários infectos que pululam por lá. Perante isto o vosso blogue não me merece especial atenção ou consideração. Salvo para seguir os comentários desesperados daqueles a quem as minhas verdades incomodam, especialmente em questões de foro pessoal – mas a esse respeito não peço nenhum tratamento especial, para os removerem p. ex. pois tal atitude só faria aumentar a desconfiança a meu respeito por parte da imbecilidade reinante.
Mas se querem ser levados a sério terão que exercer maior rigor na aceitação de comentários e deixar as contundências para os casos que conheçam bem, sobre os quais estejam, efectivamente, bem informados.E reitero estas críticas, que são profunda convicção minha.
Sobre o assunto não tenho mais nada para dizer nem disponibilidade para colaborar convosco, não só pelo que atrás foi dito mas também porque embora nunca tendo colaborado com o vosso blogue, e sem vos conhecer, já suporto atitudes velhacas devido à cretinice instalada me julgar redactor desse blogue. Agora até inventam factos e sopram-nos aqui e ali para ver quem pega e leva para o vosso blogue. Porém, fazem-no de forma tão abrutalhada, que até mete dó. Subtis como paquidermes.
Como da vossa parte nunca recebi tratamento pessoal ofensivo ou incorrecto, desejo-vos Saúde, e Boas Festas.

Mensagem à qual a "mesa redonda" retorquiu, encerrando a troca de correspondência.


Agradecimentos pela sua resposta.
Ficámos e sentimo-nos esclarecidos, embora continuemos a pensar que não compreendeu o nosso texto e que elaborou o seu sobre um erro de interpretação (no qual persiste).
De resto, quanto à credibilidade que os nossos textos merecerão ou não, vinga o seu direito à opinião e que não contestamos.
Já quanto à moderação de comentários: ela é feita a nível da linguagem que pode ser utilizada, mas não de argumentação.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo para si são os desejos da Mesa Redonda.


Esclarecimento Final: Embora contrariando a preferência manifestada pela "mesa redonda" na não publicação desta discussão, entendo que o devo fazer para que fique esclarecida a minha posição e relação - não relação, é mais exacto - com esse blogue, desmontando assim a acção de um reles, invejoso, incapaz e inútil que de há muito me critica lá na caixa de comentários do blogue "mesa redonda" , não tendo coragem de o vir fazer aqui no meu blogue. Um desgraçadito que adoptou essa atitude desde que passei a tratá-lo com o desprezo que merece . O verme tenta, com grande afã, "colar-me" ao mesa redonda, procurando que daí advenha prejuízo para mim. Coisa que também servirá os interesses dos redactores desse blogue porque enquanto os visados (criticados e insultados) dirigirem as suas atenções sobre suspeitos errados, não o fazem em direcção aos verdadeiros proprietários do blogue em causa (?!).
Porém, nada disto afecta as minhas convicções sobre o blogue em questão, patentes no post que originou esta esgrima de posições. Que fiquem pois os espíritos esclarecidos a este respeito.
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ACTUALIZAÇÃO EM 27 DEZ. no seguimento de uma mensagem recebida da "mesa redonda", durante a tarde.

Cumprimentos
Tivemos oportunidade de ler tranquilamente o seu Esclarecimento Final que resultou da nossa troca de correspondência.
Desta feita, sentimo-nos esclarecidos. Custava-nos firmemente a acreditar que não tivesse lido correctamente a nossa postagem e que tivesse cometido algum erro propositado em relação ao que dissemos e pretendíamos transmitir (se bem que admitamos que a ironia do texto se poderia prestar a alguma confusão ou interpretação errónea). Ao referir-se ao prejuízo que poderá advir da "colagem" feita à Mesa, percebemos a sua motivação mais profunda quanto à postagem que fez. E fez -se luz! Mas, também registámos que "Porém, nada disto afecta as minhas convicções sobre o blogue em questão, patentes no post que originou esta esgrima de posições. Que fiquem pois os espíritos esclarecidos a este respeito", como fez questão de sublinhar e nós de tomar como certo.
Em primeiro lugar: saiba que lamentamos profunda e sinceramente que a "colagem" que alguns fazem de si à Mesa Redonda (eventualmente as pessoas com quem trabalha e, quem sabe?, os seus superiores hierárquicos) lhe possa ter criado problemas, ou dissabores pessoais e profissionais. Não é nem foi de todo essa a nossa intenção.
Em segundo: contudo, nem nós estamos em posição de afirmar peremptoriamente que o Francisco Castelo não participa ou não participou da feitura da Mesa Redonda. Nós publicámos dezenas de postagens vindas dos mais provenientes autores, alguns devidamente identificados e de outros que não o fizeram. Fizemo-lo pois há uma ligação no nosso blog que assim o permite e pois essa é, em nosso entender, a forma de alargar e de tornar mais plural e participativa a discussão sobre a nossa cidade e o nosso município.
Em terceiro: equipados de sofisticado escafandro autónomo vasculhámos o que apelida de "cloaca maxima" e que é segundo afirma a nossa caixa de comentários, em busca de o verme a que alude. Infelizmente, não o detectámos! Mas, reconhecemos que essa tarefa não é fácil, para mais tratando-se da "cloaca maxima". Mas se nos indicar onde achar trataremos de inibir essa participação a que se refere.
Mais uma vez, queira aceitar as nossas desculpas pelos incómodos que lhe causámos e contacte-nos com sugestões no sentido de que os mesmos não se voltem a repetir.
O colectivo Mesa Redonda.

Declino a vossa oferta, como já o tinha dito anteriormente. Não é meu desejo que a "mesa redonda" assuma as minhas guerras (disso trato eu), desde que não as integre já chega. Porém, a cloaca máxima não obtém esse estatuto devido às críticas a mim dirigidas, que são um minúsculo dejecto na descarga geral do que por lá flutua. Mas não me lixem com essa "nem nós estamos em posição de afirmar peremptoriamente que o Francisco Castelo não participa ou não participou da feitura da Mesa Redonda.". Então para que serve o controle de IP's.? Eu sou capaz de identificar todas as vossas visitas ao meu blogue a partir do IP que usaram, quer seja um IP real ou artificial. Dado que não mascaro o meu IP, é evidente que qualquer visita ou colocação de comentário no vosso blogue, é passível de ser identificado. Quanto a mails, aí terão que ficar com a minha palavra de que nunca vos enviei material algum, vocês é que terão aproveitado algo do que publiquei no "Lagos" e fotos do meu site, atitudes que não me ofendem minimamente. E já agora aproveito para esclarecer em que condições poderia participar na acção cívica que o vosso blogue pretende constituir: Em primeiro lugar teriam que resolver essa questão da vossa caixa de comentários estar transformada numa cloaca, depois eu teria que não trabalhar em Informação Municipal. Portanto, aí têm razões poderosas e de fundo que me impediriam, sequer, de considerar tal colaboração.
Saúde, e Bom 2010.

a "menza" das cagaitas


A ânsia louca de produzir críticas sobre tudo e mais alguma coisa conduz, amiúde, a imprecisões e apreciações incorrectas ou injustas e tem, no mínimo, o efeito de retirar credibilidade aos críticos e à matéria analisada. A toda a matéria analisada.
O principal blogue de serviço à crítica da política local – que se afirma composto por membros reunidos em conclave em torno de uma mesa redonda –, cuja caixa de comentários bem merece o ápodo de “cloaca maxima”, numa homenagem a essa imperial sarjeta romana onde parecem boiar os comentadores do referido blogue –, pronunciou-se sobre o cais antigo da zona ribeirinha, recentemente posto a descoberto, situado junto ao revelim do amuralhado conhecido como “Castelo dos Governadores”, ali por baixo da “Janela de D. Sebastião”.
Dizem esses críticos que se apresentou tais estruturas como coisa que não são. Que foram anunciadas como “o cais de onde partiu D. Sebastião”.
Mas onde leram isso? Procurei, e não encontrei tal afirmação escrita em parte alguma.
No site da Câmara Municipal lê-se:
«Cais Antigo – Entre o Castelo dos Governadores e a antiga Casa da Dízima existiam duas portas que, articuladas com a muralha quinhentista e funcionando como antecâmara da cidade, permitiam a circulação entre muros e o acesso ao Cais da Ribeira. A área onde em épocas distintas terão existido diferentes cais, e que foi soterrada na década de 40 do século XX para a construção da Avenida da Guiné, encontra-se hoje visível e integrada na requalificação da frente Ribeirinha, no âmbito do programa POLIS.»
E, na informação veiculada pela imprensa, aquando dos trabalhos arqueológicos, e baseada nas informações prestadas pelos responsáveis por tais trabalhos, leu-se, então:
« (…) No âmbito do processo de requalificação da Frente Ribeirinha, e enquadrado na intervenção arqueológica em curso, acaba de ser encontrado em Lagos o cais da ribeira. A estrutura tem, identificados, pelo menos dois momentos de utilização: um mais antigo, da época moderna (século XVII), e um outro que esteve em funcionamento até aos anos 40 do século XX. Inseridos numa área urbana de importante dimensão histórica, os trabalhos visam, para além de cumprir as imposições legais, preservar a memória e a identidade histórica da cidade. Com elevadas expectativas desde o início, a intervenção arqueológica resultou na identificação de um conjunto de estruturas de cronologias e tipologias diversas, nomeadamente da época contemporânea e moderna. Os trabalhos reconheceram ainda a muralha existente entre o Palácio dos Governadores e a Messe Militar e as duas portas que davam acesso à cidade e que se encontravam ilustradas na planta elaborada em época moderna por Alexandre Massai (século XVII). (…) »
Mesmo que alguém tenha proferido alguma afirmação identificando o local do cais com o local de onde terá partido El-Rei D. Sebastião para a fatídica empresa de Alcácer-Quibir, entende-se perfeitamente que a alusão é ao local e à consequente carga histórica acumulada com esse facto (admitindo que assim aconteceu, o que não é certo), e não à estrutura concreta do cais.
É pena que os sublimes críticos que se reúnem em torno da tal “menza” não compreendam a dignidade e a importância do acto de criticar, mesmo, ou sobretudo, quando feito anonimamente.
Foi a corrente abjecta que atravessa essa “cloaca maxima”, repleta de harpias comentadoras, das suas regurgitações e cagaitas, que levou à remoção do link desse blogue, no “Lagos”, vai para dois ou três meses. Daqui já tinha sido removido há mais tempo.
É pena que persistam em tal comportamento, pois podiam refrear o ímpeto de tudo criticar. E mesmo mantendo o anonimato do blogue deviam impossibilitá-lo nos comentários, visto que os comentadores não demonstram um mínimo sentido de ética.
Entretanto, deixo os votos de Boas Festas e que se divirtam muito com as críticas cegas mais os comentários infectos.

As palhaçadas


Aceito que a republicação de artigos alheios, mormente os publicados na imprensa, em nada acrescenta o valor de um blogue, porém, fazer eco de um artigo, de uma ideia serve, no mínimo, para marcar uma posição. E como o assunto versa sobre palhaços e palhaçadas, adapta-se lindamente à filosofia deste blogue.



- Mário Crespo -

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso.O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável.
Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço.

o novo nazismo

O novo nazismo ganha cada vez mais força. Não me refiro aos grupos neo-nazis que pululam por toda a Europa mas sim ao radicalismo islâmico que deve ser temido e combatido. E convém distinguir entre radicalismo e fundamentalismo. Erradamente, os media usam o termo "fundamentalismo" para descrever o radicalismo. Fundamentalista é aquele que segue os fundamentos, atitude comum a todos os que obedecem e observam os preceitos de uma qualquer religião, ou de uma ideologia.É necessário que os europeus abram os olhos e denunciem e reprovem as políticas demasiado permissivas que acolhem gente intransigente, não democrática nem humanista que, levando o fundamentalismo islâmico muito para além do aceitável pelos valores da cultura ocidental, cai num radicalismo que ameaça a existência da Europa. O mundo ocidental tem que investir na "desmontagem" dessa cultura islâmica. Deve fazê-lo pela via da influência cultural e económica. Se não o conseguir terá de fechar as fronteiras... ou claudicar.Há um universo islâmico que cumpre os fundamentos da sua religião numa atitude pacifica e tolerante para com os outros, esses devem ser procurados, arregimentados e apoiados na oposição aos radicais.


e os ambientalistas não deixam usar insecticidas


São um exército de insectos vorazes, de todos os tipos, e que nada produzem; exploram à exaustão os contribuintes que, em troca, nada recebem pelo esforço despendido.

mais 1 fim-de-semana no Alentejo

Não tem exactamente a mesma luz do Algarve mas tem a calma, o verde, o sol e, sobretudo, o silêncio que o Algarve já perdeu há muito. E uma proverbial indolência inerente aos próprios lugares como que envoltos numa manta de retalhos. Uma manta formada pelo riacho que passa delicadamente por entre os seixos, e os medronheiros suavemente embalados pela aragem que se contorce nas encostas, e o brado da rapariga que chama não sei o quê, ecoando em espiral para o vale numa toada longa e musical. E o “você” com que se tratam gentes e animais, próximos ou alheios, numa delicadeza de diminutivos e outros mimos que o isolamento da serra ou a extensão da planície induzem. E é esta quietude que o Alentejo possui, como um segredo do ritmo da vida e da respiração dos seres, é isto que atrai e enfeitiça.





Amanita muscaria


Ainda não tem o chapéu aberto e aquele perfil inconfundível dos cogumelos das histórias de encantar (ou envenenar). O Amanita muscaria, ou cogumelo mata-moscas, geralmente não é fatal, mas origina efeitos gastrointestinais e... alucinogénios.
Este encontrei-o na serra alentejana, durante um fim-de-semana repleto de porco preto, medronho e alguns cogumelos. A gastronomia incidiu sobre o suíno e a água das bagas encarnadas. Os cogumelos é que, infelizmente, não se apresentaram com a necessária aptidão para o tacho.

monarquia?


Enjoados e enojados com o forrobodó republicano começamos a olhar para as monarquias constitucionais como hipótese de solução?! Não me parece. O obstáculo reside na essência do próprio povo, na sua boçalidade expressa, ou latente, cristalizada nos trapaceiros da classe política que nos governa. Não há solução.

Num silêncio de cão

Sentei-me em silêncio tentando concentrar-me na respiração do cão. Ele olhou-me desconfiado, pensando, talvez, “o que raio está este gajo a inventar agora?!” Pressentindo a cisma do canino, virei o rosto para o lado procurando evitar qualquer incómodo e maior suspeição. Mas ele, movido pela desconfiança instalada, ergueu-se nas quatro patas dispondo-se a abandonar a sala. Eu não podia permitir tal coisa, e mal o bicho virou o traseiro agarrei-o pelas ancas, forçando-o a deitar-se de novo. Acto contínuo, virou a cabeça exibindo a dentuça arreganhada e rosnou, ameaçador, procurando ferrar-me a mão direita. Entrámos numa luta confusa e barulhenta que só terminou quando o cão, já cansado, disse: - Pára lá com isso! Estamos a lutar porquê? E eu, atónito, ainda mais cansado que ele, deixei-me escorregar de corpo inteiro para o chão, aturdido por aquelas palavras que nunca ouvira antes, porque nunca antes ouvira um cão falar. E assim fiquei, prostrado, imóvel, escutando apenas a minha respiração ofegante, como um encadeado de possantes estrondos no silêncio do Universo.