Lagos. Breve história local


A mais antiga ocupação humana na área da actual cidade de Lagos remonta ao quinto milénio a.C. e é-nos facultada pelas evidências arqueológicas encontradas no Parque da Cidade e Praça de Armas, ao longo da antiga Ribeira dos Touros.
Na outra margem da ribeira de Bensafrim, o Monte Molião, identificado com a Lacobriga das fontes clássicas, apresenta testemunhos da existência de um núcle
o urbano desde a Idade do Ferro, no primeiro milénio a.C.. Na área do actual centro histórico foram encontradas provas que permitem considerar a existência de um estabelecimento fenício, por volta do séc. VIII a. C.. As importantes estruturas industriais de época romana, que a arqueologia revelou, permitem concluir que a importância urbana do Molião ter-se-á deslocado para esta área a partir do século II da nossa era.
Da presença islâmica não há dados arqueológicos que comprovem a existência duma população organizada, encontrando-se apenas indícios daquilo que pode ser um assentamento rural do tipo quinta. A partir do séc. XIII, e da reconquista cristã do Algarve, Lagos é fortificada.
Em 1415, no reinado de D. João I, inicia-se a fase dos Descobrimentos Portugueses, denominada "Henriquina", cabendo a Lagos um pap
el importante como plataforma logística para a conquista de Ceuta e para a aventura da expansão ultramarina, com o Infante D. Henrique a impor as suas ordens, e a receber o senhorio da vila, dado pelo seu sobrinho Afonso V. Eram lacobrigenses muitos dos que escreveram as primeiras páginas dessa epopeia marítima, navegadores como Lourenço Gomes e António Gago, descobridores da Ilha da Madeira em 1419, Gil Eanes, que em 1434 dobrou o Cabo Bojador, bem como Lançarote de Freitas e outros que financiaram e integraram armadas com destino a África.
A partir do século XV, e dessa importância que oc
upa nos empreendimentos marítimos, a cidade atingirá o seu esplendor económico e político, que se traduzirá num claro aumento demográfico e no incremento das obras públicas: o amuralhado amplia-se e são edificadas as igrejas de Santa Maria da Graça e de Nossa Senhora da Conceição. Com a construção da Cerca Nova, são incorporados no perímetro defensivo os dois principais núcleos da urbe, Santa Maria e S. Sebastião. Como reconhecimento pelo desenvolvimento alcançado, D. Manuel I concedeu Foral a Lagos, em 1504, e em 27 de Janeiro de 1573 foi elevada à categoria de Cidade, pela mão do Rei D. Sebastião que, cinco anos depois, aqui reuniu a grandiosa armada com destino a Alcácer Quibir.

















Capital do Algarve entre 1576 e 1756, viu destruído grande parte do seu património com o terramoto de 1755, e só a partir de meados do séc. XIX, com a indústria de conservas de peixe e o comércio, recuperou alguma da sua anterior prosperidade.
No séc. XX o Turismo gera um surto de desenvolvimento local que se
repercute até aos nossos dias, mas a Lagos de hoje pretende ser mais do que um destino agradável para gozar férias, emoldurado por belas paisagens. Procura viver a modernidade preservando os seus valores históricos, a sua identidade cultural e o seu património natural, proclamando o estatuto de Capital dos Descobrimentos Portugueses.

Fontes Consultadas:
“Laccobriga - A ocupação romana na baía de Lagos” - ARRUDA, Ana Margarida, C.M. Lagos, 2007
“Muralhas de Lagos” – PARREIRA, Rui, Lagos 2008
“Evolução Urbana de Lagos” – MORÁN, Elena, Lagos 2005
“Henrique, o Infante” – OLIVEIRA E COSTA, João Paulo, Esfera dos Livros, Lis
boa 2009
NOTA JUSTIFICATIVA:
Mercê das investigações realizadas ao longo da última década, existe hoje um novo corpus de saber que impõe a reescrita da história de Lagos e o consequente abandono dos anteriores modelos de apresentação do seu passado. Aos visitantes e aos naturais interessados na história local, deve ser apresentada uma síntese do conhecimento actual, vertida num texto breve de linguagem clara, que dê conta dos resultados dessas investigações. Tal objectivo afasta, desde logo, algumas referências ou fórmulas de referência de vários mitos e lendas que, erradamente, têm sido apresentados como factos históricos. Cingir a informação histórica àquilo que provém de documentos e testemunhos credíveis é, pois, um imperativo quando se pretende apresentar uma síntese, texto breve que não permite abordar matérias como a crítica das fontes e a evolução da historiografia local.
Por estes motivos, não me é possível integrar na história de Lagos referências tradicionalmente usadas, constantes nalguma bibliografia, exageradamente citada, e que refere, entre outros, assuntos como: BRIGO, “O manuscrito «Fundação de Lagos» da biblioteca do convento da Senhora da Glória, diz que no ano de 2161 a.C., Brigo, lendário rei das Hespanhas, edificou no sítio do Paul da Abedoeira uma povoação a que chamaram Lacobriga (lago de Brigo)”. Onde se encontra este documento? Esta teoria carece de investigação e confirmação; Importância na Alta Idade Média, “No século VII a cidade terá sido sede de bispado, referenciando-se a presença do seu titular no concílio de Toledo de 631-633, sob o pontificado de Honório I”. Trata-se certamente de confusão com Ossonoba, que uma inscrição em lápide tumular encontrada em Faro veio esclarecer; ZAWAIA = Lagos? Al Idrisi refere a existência de uma povoação com porto localizada entre Silves e Sagres, mas não há indicação positiva de se tratar de Lagos; Reconquista, “…que será conquistada aos mouros no ano de 1249, por D. Paio Peres”, 1249 refere-se a Silves, não existindo referência textual a Lagos. Pode ter sido nesse ano, ou não; Governo Militar, “No entanto, foi no reinado de Afonso IV que Lagos se afirmou … com o estabelecimento do governo militar do Algarve”, Onde está esta informação? O que se conhece documentado refere que o Governo militar foi aqui sedeado, por D.Sebastião, enquanto Capital do Algarve; INFANTE, “No período dos Descobrimentos Lagos foi relevante centro naval, e vila intimamente ligada à figura e à acção do Infante D. Henrique, a quem foi doada.”, Ligada à acção sim, mas ligada à figura do Infante é uma asserção exagerada considerando que os itinerários henriquinos indicam escassa presença do Infante em Lagos; GIL EANES, “Em Lagos nasceu Gil Eanes, que aqui embarcou para a viagem em que dobrou o Cabo Bojador, em 1434”, é falso que Gil Eanes tenha partido daqui. Embarcou em Lisboa e terá feito escala em Lagos. O Infante estava em Lisboa e sabe-se que foi despedir-se do navegador (cf. obra citada de João Paulo Oliveira e Costa do Centro de História Além-Mar); ESCOLA NÁUTICA, Não se encontrou nenhuma prova da existência de qualquer escola náutica no Algarve na época dos descobrimentos.

Boa escrita

Adoro ler. Sinto um prazer enorme quando leio quem escreve muito melhor do que eu. Às vezes até consigo ler coisas sem grande interesse, mas que estão muito bem escritas. Que querem, cada um tem a sua pancada?!
Embora não nutra simpatia pela pessoa em si, peguei numa obra já com alguns anos e descubro que para além de escrever bem, ele escreve exactamente com a construção que prefiro, com a qual mais me identifico. Não estou a falar de coisas fora de série, de genialidade, de grandiloquência literária, nada disso. Falo do que é, simplesmente, bom. Deleito-me com a sua boa escrita. Ora digam lá que não está bem escrito?!

«O pai amara-o sempre, com uma frieza de rochedo. Ficara sempre ao seu lado, em silêncio, enquanto via passar pela sua vida guerra, mortes, fracassos, divórcios, desgostos, tristezas. Nunca lhe dissera para ter juízo, para assentar, essas coisas que os pais dizem.
Nunca lhe recriminara coisa alguma mas também nunca o consolara com palavras. Nunca se consentira para com ele um gesto de ternura, nunca lhe oferecera o ombro para nele desabafar. Mas tinha estado sempre ao pé dele, inabalável, à sua maneira: calado e atento.
Só na hora de morrer, o pai confessou o que nunca confessara a ninguém, que aquele filho era tudo na sua vida. Confessou-o com um único gesto de mão, com o qual fez sinal para saírem todos do quarto e deixarem-no sozinho com ele. Morreu calado e atento, como se quisesse levar consigo o som da respiração do filho ou como se quisesse escutar pela última vez os ruídos da casa. Ele ficou a segurar-lhe a mão até a sentir fria, fechou-lhe os olhos e afastou-se. Parou à porta do quarto, virou-se para trás e disse: «Nunca mais chorei, pai!».
Saiu e entregou o morto às mulheres para que o chorassem.»
“Não te deixarei morrer, David Crockett”, de Miguel Sousa Tavares

nem sentado

Então, quando é que os tribunais julgam aqueles gajos que desviaram os fundos dos fulanos que queriam enriquecer rapidamente, à pala da fraude que é o sistema bancário?
Isto perguntaria eu, se tivesse a ilusão de que a decisão do tribunal mudava alguma coisa. Como se dali resultasse o exercício da justiça.

relações. revelações.

«Uma pessoa que desejava construir uma amizade, ainda que não obtendo sucesso, não pode transitar da potencial amizade para o ódio declarado, ou mesmo encapotado. Isto é inteligível, ou nem sequer isso?»

efe in "arautos da bem-querença"

Haja Saúde?

Médicos e enfermeiros que trabalham em hospitais do estado e, simultaneamente, em empresas privadas de prestação de serviços (onde auferem o dobro do salário ou mais) chegam a cumprir dois turnos seguidos no seu local de trabalho, cada um por conta de cada entidade empregadora. Como é possível? Quanto paga o Hospital pelos serviços prestados por essas empresas externas, podendo pagar mais barato aos seus próprios funcionários?

Isto faz lembrar a situação de um certo ministro que tinha parte no negócio de aluguer de helicópteros para combater fogos florestais. É evidente que alguém anda roubar o dinheiro público.

Entretanto, recentemente, o elo mais fraco – não me refiro às vítimas de
tudo isto que são os utentes, mas sim aos profissionais que se encontram na posição mais frágil – os enfermeiros, manifestaram-se à porta do Governo Civil de Faro, contra o que consideram um atentado à sua condição profissional, já que o Governo quer impor-lhes um vencimento inferior ao da carreira técnica superior da função pública. Ora, se pensarmos que, hoje, com um curso superior de 1º ciclo ("à bolonhesa" - 3 anos de estudo), o técnico superior da função pública aufere mais do que um enfermeiro que estudou durante 4 anos (curso tradicional antes de Bolonha), ou 5 anos (1º e 2º ciclos “à bolonhesa”), isto é ou não é uma enorme injustiça? Assim, não me admiro que estes profissionais tenham de procurar uma segunda fonte de rendimentos.

Junte-se o facto da função pública poder integrar, como integra, um
a percentagem considerável de técnicos superiores incompetentes e incapazes, coisa que dificilmente ocorrerá no universo da enfermagem (profissão em que é muito difícil fingir que se sabe, sem saber, ou que se faz, sem fazer, e onde os currículos de 400 páginas não possuem a importância que têm na justificação das escolhas previamente realizadas, logo fraudulentas, em concursos da administração pública), e, inevitavelmente, verificamos como a enfermagem é maltratada pela máfia que decide.

Haja Saúde.


foto daqui

paixões milenares


Era um optio da XII Legião “Fulminata”, braço direito do comandante da 1ª centúria, 1º Manípulo, 3ª Coorte.

Nessa condição seguia o centurião de perto para onde quer que este fosse, de dia ou de noite, fizesse chuva ou sol.

Mas isso não o impediu de arranjar tempo suficiente para raptar a bela lusitana, lesto como o raio, o símbolo da sua legião.

dentadas

«Não é de todo mau para a Europa que a sonoridade da Cristandade se vá perdendo, acompanhando-a, paulatinamente, para o seu ocaso, pois que sempre foi alienígena à Europa e está na base do veneno que actualmente a corrói, que é a tara ideológica dominante no seio da elite, o universalismo moralista em todas as suas variantes e graus - do cosmopolitismo soft ao anti-racismo militante - mas que sejam os arautos de um credo ainda mais violentamente inimigo da Europa a determinar este caminho, eis o que se afigura verdadeiramente alarmante.» (daqui)

Ainda hei-de ver este reaccionarismo primário voltar a convencer multidões, como o fez num passado recente. Com pesadas culpas dos partidos democratas europeus (comunistas, socialistas e social-democratas) e, sobretudo, daqueles humanistas acérrimos defensores do multi-cultural e do multi-racial.

O Génesis segundo eu cá

A contrafacção do mundo

Embriagado, detido e interrogado no posto da GNR de Espiche, o homem lastima-se, tentando atenuar a penalização que o espera: - Pois, senhor guarda, isto começou tudo quando o meu avô, cansado da sua solidão no escuro, disse: - acendam a luz! E logo os tipos da EDP, ávidos por mais um contrato, ligaram a energia. Sim, o segredo de tudo é a energia. E…NER…GI…A.
E a partir daí se passou a diferenciar a parte iluminada da parte escura do planeta. A uma, o meu avô, chamou dia e à outra noite. E para contentar todos os bichos que iriam ser criados, fez rodar a terra para que o dia e a noite coubessem a toda a bicheza sem que estes tivessem de percorrer diariamente uns quatro ou mais fusos horários do planeta – o que implicaria deslocarem-se a uma velocidade enorme. Depois, cansado, Deus apagou a luz e foi dormir.


Ao segundo dia criou o firmamento, com restos da iluminação de Natal, que pendurou nos céus e, a partir daí, foi construindo tudo o mais. Mas, parando amiúde para descansar.

Já folgado, a meio do terceiro dia, o meu avô Deus criou o mar mas, ao reparar que a permanente humidade lhe estragava as alpercatas, depressa inventou a terra. E daí a transformá-la em coisa fértil, cheia de ervas e animalejos de molde a que a malta pudesse logo fumar uns charros e dar alface às iguanas, foi um clique de rato. Satisfeito, foi descansar.

O Sol, a lua e as estrelas mais perfeitas – que as feitas com os restos da iluminação de Natal não eram grande coisa –, fê-las então, ao quarto dia. E no dia seguinte povoou os oceanos com todo o tipo de animais que se viram à rasca, afogando-se, até aprenderem a respirar naquela substância estranha. Dentre os inúmeros cardumes de peixum não esqueceu a criação de sardinhas certificadas – com uma pequena etiqueta amarela na orelha - acautelando futuros dissabores com a ASAE portuguesa. Também criou muitas aves estranhas e exóticas, grandes e pequenas, para gáudio dos clubes de caçadores. E Deus viu que era bom o que fizera.


Ao sexto dia encheu a terra fértil com mamíferos, répteis, insectos, e outros insectos mais pequenos e seres microscópicos como a amiba, que lhe deram grande trabalheira porque já não via muito bem. Achando que lhe apetecia mais qualquer coisa – a criação do Ferrero Rocher não lhe é atribuída – lembrou-se de criar um ser à sua semelhança, quer dizer, mais ou menos parecido. Fez surgir o homem e deu-lhe vida, e todas as capacidades e sentidos. Porém, receoso de eventual sedição desta sua criação não lhe atribuiu muita inteligência e, mesmo assim, previdente, acabou por lhe arranjar uma recreação feita a partir de uma sua costela (sua, do homem, claro), a mulher. Neste dia tão preenchido, Deus, cansado, foi deitar-se fingindo dormir, posto que, como todos sabem, Deus não dorme.


No dia seguinte foi a vez de fabricar artefactos, armas, apetrechos diversos como o estojo de pesca, o papagaio de papel e o corpete. Seguiram-se carros de assalto, piercings, o míssil intercontinental e os descontos de fim de estação. Tudo inventou, de forma a tornar a sua criação mais interessante, divertida e… ocupada.


Ao oitavo dia (sim, é falso que Deus tenha criado tudo em 7 dias), Ele intuiu e gerou os jogos de azar e o arroz de cabidela. Coisa que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa logo aproveitou, os jogos de azar, não a cabidela por causa dos vegans que inicialmente só comiam o que colhiam do solo e, fartos de comer caca de pássaro, mesmo biológica, recorreram aos produtos hortícolas e à soja da Monsanto, e por aí se ficaram até hoje.


Ao nono dia, Deus foi finalmente descansar, merecidamente. Agora, à sombra de um enorme sobreiro. Não porque estivesse verdadeiramente cansado mas porque lhe fora exigido o registo das suas acções no SGD – Sistema de Gestão Documental. Ora, a partir daí passou a ser, apenas, um espectador.


O Éden, o pecado original, Cain e Abel, tudo por atacado

Nas suas deambulações e esquivas a um dos bichos rastejantes que insistia em vender-lhes maçãs normalizadas do Belmiro, o casal de humanos (homem e mulher, que nesta altura ainda não havia nojices e licenciosidades homossexuais), descobriu uma praia da costa Sul americana, virgem, sem vendedores ambulantes e pescadores andrajosos. Era o jardim do éden, ou seja, o primeiro paraíso fiscal. Por ele corriam abundantes rios de dinheiro provenientes dos melhores casinos do mundo, da contrafacção de produtos americanos, japoneses e europeus, do tráfico de droga e dos negócios do armamento e do petróleo. Só não entrava ali dinheiro do tráfico de órgãos humanos porque a única transacção feita resumira-se a uma costela e, mesmo assim, com autorização superior.


Interdito, estava o consumo de maçãs da árvore do Bem e do Mal. Deus não os queria maniqueístas. E bem os avisou que seriam electrocutados se comessem alguma daquelas maçãs. A cobra que as comesse que, assim como assim, já andava permanentemente ligada à terra. Satisfeito com as suas criações o Senhor aproveitou para tirar férias daquela semana e tal de trabalho intenso e deixou o homem encarregue do mundo...


Ó senhor guarda, desculpe lá mas como está a escrever muito devagar eu vou abreviar esta parte, que até é muito entediante. Pode ser?


A mulher, que andava aborrecida pois nunca mais chegava a época dos saldos no hiper-paradise, curiosa e meio descuidada, deixou que a cobra lhe enfiasse algures o primeiro bocado da maçã, e assim se deu o “pecado original”. Quer dizer, só se deu depois que o homem também comeu da maçã. E comeu. O resto já sabem, a partir daí a mulher passou a ter a menstruação e as dores de parto, até que alguém surripiou a seringa das epidurais a Deus. O homem foi condenado a trabalhar, assistir a jogos de futebol na televisão e beber cervejas, as duas últimas em simultâneo, ainda por cima. E mandou-os para um bairro de segunda, ali para os lados do Chinicato, criar a prole, nascida pecadora.


Ora desses filhos que eram irmãos legítimos entre si, Caim e Abel, acontece que o segundo deles, mais jovem e irrequieto, influenciado por uma caderneta de cromos da bola, fugiu e foi jogar para o Liverpool, enquanto o primeiro ficou a braços com a acusação de assassinato do mano desaparecido.


A grande invernia

Olhe, senhor guarda, abreviando, isto é mais ou menos igual ao episódio da novela das 11. O mais importante, mesmo, foi a chuvada, um autêntico dilúvio que não deixou secar a roupa durante meses a fio e que alagou o estacionamento da Câmara no piso menos dois até, a bem dizer, à entrada do menos um. Isso é que foi liquidez. E foi preciso construir uma barcaça grande, grande como o pavilhão e o estádio e as piscinas de Lagos, grande mesmo, ó u camandro ó u catano… eu já vou contar, acabe lá de escrever esta parte, senhor guarda.

...
A Banhada do Dilúvio, ou o primeiro banho que tomam os humanos lazeirentos

Alertado pelo boletim meteorológico da RTP-África, Noé construiu uma enorme barcaça, tipo uma gigantesca galera de remos, com que tencionava escapar à diluviana caqueirada de água que os rotos céus iam descarregar sobre o jovem planeta. Bem pensou, pois, em dotar a descomunal embarcação de milhentos remos, onde, cedo, foi acorrentando todo o tipo de animais em condições de despender o necessário esforço. Porém, teve de esperar uns 450 anos, pois a meteorologia desse tempo era semelhante à de hoje.

Com a barca encalhada no cocuruto de um monte ali para os lados do Alferce teve que procurar rentabilizar o empreendimento, o que conseguiu, transformando temporariamente o amontoado de tábuas, num SPA para animais. Os que não podiam pagar a diária, em metal sonante e amarelo, depressa enfileiravam no enorme exército de apanhadores de bagas vermelhas que o empreendedor transformava em líquido balsâmico por meio de umas caldeiras, tubagens e retortas oferecidas por uma nora que dizia ser tal engenho dispensador de força humana pois que, com ele, se conseguia, por meio da água sobre pressão, fazer andar o monstruoso paquete. Lérias, pensara o barqueiro, entusiasmado com os lucros da água fogosa que agora dispensava para todos os lares das Misericórdias do Mundo, por intermédio de um tal Malícias, excelente vendedor do produto.


Mas, avante, que a chuva já vai demorada, os rios transbordantes, as estradas submersas, e os picos dos montes mergulhando nas águas adivinham a proximidade da singradura da arca zoonáutica.

Durante 40 dias choveu como a merda. A malta já nem conseguia calçar uma peúga seca. Ao fim desses dias, soprando uma leve aragem de Sueste, a coisa amainou e o Sol apareceu. E Noé lançou um papagaio, o qual voltou pouco depois dizendo: - Já baixou, Já baixou! E Noé, satisfeito, logo completou: - Já baixou a água, Jacob? Ao que o papagaio respondeu: - Já baixou! Já baixou a cueca. A gaja do 7º esquerdo, podre de boa, já baixou a cueca. Cuaccc…!

Mas a água só começou a baixar uns cinco meses depois, desaparecendo, não se sabe para onde, coisa que desafia as Leis da Ciência. Há quem diga que um tal Sousa de Cintra a armazenou toda, o que explicaria os mais de 5 mil anos que tem passado a vendê-la, engarrafada.

Escorrida para a beira do mundo, que nessa altura era achatado como uma moeda, ou surripiada pelo tal Sousa, o facto é que a água desapareceu – nalguns sítios até demais, veja-se o Saara -, e a barcaça encalhou num tal monte Arafat – que recentes estudos de filologia revelam ter dado origem ao termo algarvio “marafados”, por corruptela de “monarafad” –, e os ocupantes do putrefacto caixote libertaram-se, finalmente, do horror pestilento que aquela coisa exalava. Saltaram para terra e andaram “bêbados” uns seis meses, que foi o tempo necessário para secar tudo. Convém esclarecer que o estado de embriaguez nada teve a ver com ingestão de produtos alcoólicos, referindo-se apenas ao cambalear periclitante e errático que podemos ver em todos os marujos que tocam terra depois de longas viagens.

Vocês nem imaginam o espectáculo da dança dos elefantes, indecisos onde colocar a pata, para não pisar, ou serem pisados por outros animais – não que houvesse outros animais capazes de magoar um elefante pondo-lhe um pé em cima, a menos que considerássemos algum brontossauro, mas isso não é possível porque nesta altura já Deus tinha destruído essa bicheza saúrica, por descuido, ao descarregar os intestinos durante um divino enteroclisma, episódio que desobstruiu a divinal tripa e soltou um conglomerado de indóis, ectóis, tióis e sulfeto de hidrogénio, tão comprimidos e coalhados num fenomenal excremento plásmico que, ao atingir o planeta, rebentou com os narizes dos répteis gigantes.
Os narizes, e o resto.

Instruído pelo Senhor, Noé, já com a bicharada à solta pelos vários continentes, montou uma tenda onde procedeu, religiosamente, a holocaustos a Ele dedicados, em todas as feiras (da segunda à sexta - que na primeira era para descansar e dar banho ao cão).

Assim aconteceu. E o demiurgo (nesta altura já havia pseudo-intelectuais em Lagos e portanto apareceu esta denominação que é mais chic) viu que era bom o que fizera.

- E foi assim que tudo começou, senhor guarda. Depois, o que aconteceu a seguir é que é outra história. Não sei se também a quer ouvir, ou se já me posso ir embora?!
- Sim, pode ir, mas terá de voltar daqui a cinco dias, porque eu quero saber o resto da história. E não adianta mentir-me, ouviu?!

(na semana seguinte)


Ao Senhor Guarda A. Humberto
do Posto da GNR de Espiche

Caro senhor guarda, na impossibilidade de me deslocar aí, a fim de concluir o depoimento iniciado na semana passada, devido a um desarranjo intestinal causado por marisco avariado, envio-lhe esta missiva com o relato dos acontecimentos.
Sem mais de momento, creia-me ao dispor.
Aceite os melhores cumprimentos deste seu criado.
José de Jesus Neto de Deus



A implosão divina de Sodoma – um teste ao arsenal nuclear do Senhor

A destruição de Sodoma coube a uma secção da Companhia de Comandos e Serviços de Demolição do 2º Regimento de Engenharia Militar dos Anjos (os do Céu, que ainda não existia o bairro lisboeta com esse nome) que chegaram ao teatro de operações ao cair da noite. Desde logo tiveram de evitar as prostitutas e os prostitutos que enfileiravam ao longo da estrada principal, de traseiro desnudado, exposto aos transeuntes como torrao de alicante na barraca da feira, a mão sobre a cabeça e o polegar estendido na vertical, o que, parece, é sinal erótico reconhecido aos sodomitas. Evitados esses vendedores de prazeres em corpos corruptos, o pequeno grupo de anjos militarizados (ou militares anjoados), encontra Lot*, que imediatamente os convida para sua casa. Claro que o amável anfitrião queria era alugar os quartos que tinha disponíveis, e que não rendiam desde o final do campeonato de futebol shemita, ia para mais de 3 meses.

Ora os habitantes de Sodoma, que tinham um faro apuradíssimo, cheirando rabinhos novos na cidade logo correram a exigir a Lot que os entregasse, a fim de matarem saudades duns cuzinhos apertadinhos - uma vez que já estavam cansados da lassidão da vizinhança. O Lot, que não queria ferir as susceptibilidades dos seus conterrâneos menos ainda as dos hóspedes (sabendo nós que não seriam as susceptibilidades destes que ficariam feridas caso ele os entregasse à populaça), presta-se a atirar as suas filhas virgens à fúria libidinosa da turba que bate forte, ameaçando quebrar a porta da pensão.

Os sodomitas, claro está, não vão na conversa de Lot. Sabem bem que em qualquer altura poderão atirar-se às filhas dele, enquanto os forasteiros, esses, representam uma oportunidade efémera.

A madrugada vai alta e a matula está prestes a rebentar com a casa, quando o alferanjo, comandante da tropa angelical, decide executar as ordens do meu avô, Deus. Ordena a Lot que parta, pois eles vão dar início ao fogo-de-artifício. E assim foi, Lot pisgou-se com as filhas. Inicialmente levava a família toda mas a parva da mulher voltou-se para trás, curiosa, e foi transformada em sal (quer dizer, foi completamente desidratada, que é mais científico) pela radiação das explosões que destruíram as duas cidades pecaminosas, Sodoma e Gomorra. Pensa-se que as forças do Céu usaram duas bombas equivalentes a 5 kilo toneladas de TNT, mas não é certo. As contas entre os arqueólogos e os físicos nucleares ainda não batem certo.


Felizes com a destruição e desaparecimento dos seus concidadãos, e de sua mãe - que as tratava asperamente -, as filhas de Lot organizaram uma rave e consumiram haxixe aos montes, dando também, em bolinhos, ao pobre pai, com que tiveram relações sexuais (pois as moças já eram entradotas e nunca mais viam a possibilidade de rebentar com o tímpano do amor, e elas queriam música, muita música). Claro que emprenharam logo e deram à luz uns tipos chamados moabitas e outros amitas. Por pouco não desbarrigavam amanitas (uma raça de cogumelos que inclui o célebre muscaria, ou mata-moscas, aquele com um chapéu ou cabeçorra vermelha, cheia de pintinhas brancas).

Tudo isto foi uma coisa horripilante, senhor guarda. Mas foi assim, sem tirar nem pôr.


Depois…houve um grande enredo, com umas excursões demoradas às construções na areia, ali ao pé de Vilamoura, com uma vida muito acamelada pelos desertos do mundo que nessa altura eram explorados pelos egípcios, até que apareceu um tipo da Marvel que lixou a moina a esses egípcios, um tal Moisés. O gajo era mesmo bom. E nem era filho de ninguém conhecido. O que deixa sempre a possibilidade de ser um filho de Deus (nesse caso ainda sou parente dele), ou um filho de uma pobre e anónima puta (aposto que os egípcios, a partir de certa altura, achavam que sim). Bom, mas isso é outra história. É o Exodus, e essa eu não tenho tempo para contar agora.

Então, saudinha.


*Foi este Lot que, casando em segundas núpcias com a menina Aria deu origem à célebre Lotaria, que todos conhecemos, mormente nas suas várias versões, a do Entrudo, da Páscoa, do Natal, etc. uma invenção do camandro.

NEXU


Captar a atenção com fotografias a cores não é tão fácil como com o P&B, de que tanta gente diz gostar. João Mariano apresenta uma exposição de fotografias que é mais do que um conjunto de quadrados coloridos mais ou menos isto ou mais ou menos aquilo. A ver até 23 de Fevereiro no edifício dos antigos Paços do Concelho de Lagos.




o autor e a obra


NEXU
de João Mariano

As relações, mais ou menos subjectivas, mais os menos próximas, mais ou menos óbvias, mais ou menos complementares, mais ou menos teorizadas são o fundamento deste ensaio, mais ou menos arrastado no tempo e na sua distribuição geográfica.
As relações de causa/efeito, mais ou menos evidentes, ao longo do percurso expositivo resultam duma abordagem descomprometida, diacrónica e abrangente.
A não utilização de barreiras temáticas e/ou formais pretende levar-nos a centrar a observação num dos pontos, mais ou menos fulcrais, deste projecto:
a aparente relação causal.
As relações de antecedência e consequência que são encadeadas pelas imagens (conjugadas duas a duas) têm como intenção evidenciar e reforçar os efeitos, lógicas e sentidos que estão na base desta mostra.
Nota: «Segundo A. Giddens, a relação causal define-se como uma relação na qual um determinado fenómeno ou estado de coisas (o efeito) é consequência de outro (a causa).»

da ARTE

Não conheço a versão original, pelo que não posso tecer considerações sobre a qualidade da tradução (imaginando que possuo aptidão para tal tarefa), mas posso elogiar a qualidade da escrita, límpida, fluida e erudita. Se o conteúdo é riquíssimo e, por via disso, apaixonante, é a forma da escrita que torna o livro inebriante. Nem quero imaginar uma obra destas, vertida para a nossa língua, pela mão de um sofrível redactor. No meu caso, bastaria tratar-se de uma versão em português do Brasil, para viver o horror da luta permanente entre a sedução do conteúdo e a aversão da forma. Aliás, se tivesse que me cingir aos pdf’s, de origem transatlântica, disponibilizados pela Universidade, achar-me-ia agoniado, remoendo coisas como «… o esnobismo e o preconceito social…» em vez de «… o elitismo e o preconceito social…».
Chama-se António Sabler, o tradutor desta espécie de bíblia da História da Arte que mantém o seu estatuto de obra maior desde que viu a luz do dia, no distante ano de 1950, pela mão do austríaco Ernst Gombrich, escritor e antigo professor de História da Tradição Clássica na Universidade de Londres.
E não é só mérito do tradutor desta 16ª versão (edição revista e aumentada), mas da equipa que trabalhou para a editora de “O Público”. A ficha técnica indica Ricardo Neves na revisão e Jorge Guimarães na paginação. Estão de parabéns pelo excelente trabalho realizado. Uma maravilha.
Nota final, o livro foi impresso na China, o que talvez explique o preço tão baixo, inferior a 30€, por um volume de 688 páginas com centenas de fotografias de obras de arte.

BRILHANTE !

Raramente tenho certezas absolutas. Ando mais pelos caminhos das moderadas convicções pessoais. Porém, não é isso que demonstro. O vício da provocação leva-me, frequentemente, à afirmação categórica. A ver quem vem à luta. Na expectativa de animar o cinzento dos dias. Na esperança de aprender mais qualquer coisa. E, por vezes, resulta. Noutras, esta atitude redunda em discussões do diabo, com amuos de permeio - da outra parte -, e até corte de relações. Quero lá saber, se amuam são mais parvos do que eu, pelo que não têm muito para me ensinar. Adiante, que o cinismo é uma arte.
Porém, naquelas alturas em que esgrimo convicções mais profundas, mesmo sob a eterna presença da dúvida, ou sobretudo por isso mesmo, é um grande consolo verificar a ocorrência de sintonia entre as minhas certezas e as de outras vozes, mais altas, argutas e doutas. Claro que essas vozes discursam com maior erudição, clareza e recreação. O texto abaixo, de Rogério Casanova, é um desses casos. Brilhante, límpido, e irónico.
Acrescento que não li o "Fúria Divina", mas li o prólogo, e chegou para perceber que Deus deve ter ficado com uma enorme dor de cabeça. Digo eu, que sou religiosamente ateu.


Rodrigues dos Santos prossegue a sua eficaz Jihad contra a prosa.
Uma das muitas características partilhadas por todas as personagens de "Fúria Divina" é a escabrosa incompetência nas funções que desempenham: os investigadores não sabem investigar, os sedutores não sabem seduzir, os terroristas não sabem aterrorizar. Curiosamente, algumas exibem os requisitos mínimos para serem críticos literários; embora nenhuma das personagens seja abençoada com a meta-revelação de que faz parte de um livro sofrível, três delas fazem a segunda observação mais pertinente que é possível fazer sobre o que está a acontecer à sua volta: "isto parece um filme".
Um filme, de facto, e não dos bons. Temos a vítima que aproveita o último fôlego para desenhar uma mensagem críptica no chão; temos o explosivo desactivado no último segundo; temos louras "parecidas" com Meg Ryan e coronéis russos que "dão ares" a Anthony Quinn. O resto do elenco é despachado com pinceladas Benetton: os americanos dizem "hell", "goddamn it", "fucking tarado" ou "fucking génio"; a professora inglesa diz "jolly good"; o cientista alemão diz "Gott in Himmell!"; o agente da Mossad diz "shalom"; o militar russo diz "previt"; um eventual bombista da ETA diria certamente "Olé!" antes de acender o rastilho.
A acção envolve as tentativas de um terrorista islâmico para detonar um engenho nuclear, e as tentativas de uma equipa multinacional para impedir o atentado. "Acção" é talvez um termo demasiado caridoso para aplicar ao que é essencialmente diálogo expositivo. Como num gymnasium para cretinos, as personagens passam grande parte do tempo a informarem-se umas às outras de coisas que já deviam saber, e a chegar às conclusões óbvias vinte páginas depois do leitor, não deixando, para o efeito, de se "fitarem interrogadoramente", ou de assumir "uma expressão interrogadora", ou "uma expressão interrogativa", ou até mesmo, se estiverem com pressa, "uma expressão inquisitiva". Em sucessivas visitas guiadas ao Museu de Pesquisa Rodrigues dos Santos, recebemos extensos memorandos sobre a construção de uma bomba nuclear, a história do Islão, a topografia de Veneza, e a gastronomia dos Açores.
Depois temos a prosa, que é fucking péssima.
Provavelmente consciente da sua deficiente imaginação auditiva e do seu espectacular anti-talento dramático, o autor desenvolveu uma técnica revolucionária de mímica literária, que consiste em distorcer a fisionomia das personagens até esta se acomodar àquilo que a prosa não consegue transmitir sozinha. Isto resulta em sucessivas catástrofes estilísticas, nas quais agentes da CIA e fanáticos religiosos são reduzidos a participantes num sketch dos "Malucos do Riso", "erguendo", "carregando" e "franzindo" as sobrancelhas, "virando", "revirando" e "arregalando" os olhos. O muzak inócuo do romance anterior do autor, "A Vida Num Sopro" (menos mau do que este, no sentido em que uma bomba convencional é "menos má" do que uma bomba nuclear), dá lugar à dissonância e ao feedback. Cabeças "giram pela sala" e olhares são "arremessados" pela janela, sem intervenção de qualquer engenho explosivo. Com o pé apoiado no pedal wah-wah, o autor rasga malhas inacreditáveis sobre, entre outras coisas, baratas que se peidam em francês; trucida frases com rimas internas ("pegou num bule fumegante e deitou chá na chávena do visitante"); e ergue andaimes desnecessários sempre que alguém abre a boca, recorrendo ao seu maneirismo predilecto, aqui completamente fora de controlo. (Uma amostra reduzida: "exclamou, intrigado", "murmurou, atónito", "sussurrou, pensativo", "suspirou, exasperado", "hesitou, desconcertado", "argumentou, combativo", "sorriu, benigno", "abanou a cabeça, frustrado", "gritou, escandalizado", "mordeu o lábio, hesitante", "abriu a boca, estupefacto". Este leitor contou mais dezassete exemplos antes de desfalecer, extenuado).
Exibindo todos os defeitos e nenhuma das virtudes do género a que tenta pertencer, "Fúria Divina" é uma guerra santa sem tréguas, na qual os únicos mártires são os leitores.

Rogério Casanova»

o casamento homossexual


E eles respondem com os clássicos: - os gregos aceitavam a homossexualidade com naturalidade. E até vão mais longe, defendendo que esta “libertação”, é que constitui o verdadeiro sentido da evolução. Provavelmente, não sabem que a civilização clássica que evocam, depois de tantos séculos de história, entrou em decadência pouco depois da adopção dessas licenciosidades ou “liberdades” (não foi só por isso, nem terá sido especialmente por isso que entraram em decadência, mas… coincidiu, pelo menos).
Eu não sei. Não tenho resposta para tudo, nem opinião formada, esclarecida e definitiva sobre tudo. Sei é que me irritam com a sua agressividade, como se todos os que não os compreendem ou não aceitam as suas opções fossem homofóbicos, intolerantes, burgessos, e sei lá que mais.
Li por aí, ontem, que há os homossexuais, e há a “paneleiragem”: os primeiros praticam discretamente as suas opções e posicionam-se na sociedade com simplicidade e naturalidade - à imagem do que faz a esmagadora maioria dos heterossexuais (portanto excluo os tarados, pervertidos e pornógrafos gratuitos); os segundos, são aquela trupe que enforma uma elite social que insiste permanentemente em chocalhar os badalos de vaca que trazem pendurados ao pescoço, fazendo um alarido enorme na rua, nos jornais e na TV. São os que têm o verbo fácil, afiado e engatilhado para disparar a qualquer momento: HOMOFÓBICO!
Não os compreendo. São diferentes mas querem usar as estruturas, as convenções, as normas igualitárias que a sociedade criou para a sua estruturação heterossexual, coisas que não foram criadas para eles. Ora, podiam reivindicar um normativo diferente, uma nova convenção. Até nisso são parvos. Assustam-me, com a afirmação ruidosa da sua diferença. E, no passado, devido a estes receios e à incompreensão da sua condição, foram alvo de ostracismo, torturados e, até, queimados vivos. Agora, parece que temos de ter cuidado, ou ateiam eles as fogueiras…

respondendo ao desafio

Desafio
gostava de ler aqui sobre isto
http://www.ionline.pt/conteudo/40832-o-extase-sexual-clara-pinto-correia---fotos
ABRAÇO
dAVID oLIVEIRA
………………………………………..

Separados do sentir, estes registos de sentires alheios não traduzem veracidade emotiva. As fotografias, alternativas reconstruções do real, raramente servem para transmitir o que realmente se sente, o que realmente acontece. Estas, em particular, nem sequer se aproximam daquilo que pretensamente representam, são banais. Não passa de mísera futilidade, a pretensão de mostrar aquilo que possui valor maior na sua condição de acto íntimo, inviolável, posto que revelado perde a valia singular que possui. Isto nem sequer é pornográfico, é pior, é frívolo.
Já o texto é bem mais interessante, prestando-se a variadas apreciações, quer pelos lugares comuns, revisitados, da “luta” quotidiana entre os sexos, que as opções literárias da autora não conseguem camuflar, quer, pelo lado inverso, pelas “imagens” que as palavras intuem, bem mais sugestivas do que as fotos: «A janela não parou de abrir e de fechar até ao romper da aurora». Seria uma bela metáfora ao “mete-e-tira”, se não se referisse a dois homens fechados num quarto – é verdade, não estendo a beleza do acto às relações homossexuais, porque não as compreendo; ou «…um homem que gosta de brincar. Tem, de facto, muito pouco de humano…». Ou não percebi onde arranca a construção que tece a ironia ou a rapariga passou-se: Brincar é uma das atitudes mais humanas.
É a Clarinha, vestindo o papel de gaja moderna com as queixas dos homens que não está para aturar; antes, manipula-os a seu bel-prazer, como deve fazer toda a gaja moderna que se preze. Claro que, sendo necessário, hão-de continuar a chorar por umas fodas redentoras, mesmo com olhos fechados e cenho arreganhado, em pose para a máquina fotográfica, qual canastrona lançada ao palco do Teatro.
Fico-me pela melhor afirmação, que bastava como legenda das fotos: «Ou seja. Eu para aqui a construir todo este belo edifício artístico que o corpo e as mãos deste homem me inspiram. E, como acontece tantas vezes, a esquecer-me do lado irracional da existência onde tantas vezes se cristalizam os nossos actos mais profundos.»

GRIPE A: OMS SOB SUSPEITA DE CORRUPÇÃO

Depois de umas férias informativas sobre a gripe A H1N1, que mais parece ter sido determinado para permitir a concentração de milhares e milhares de pessoas nos centros comerciais para as compras natalícias, regressaram aos media as recomendações do ministério da Saúde e as informações aos media as notícias sobre a Gripe A, algumas provocadoras de algum alarme. Tudo isto num momento em que reaparecem as críticas e aparece a suspeita de a corrupção já ter chegado à Organização Mundial de Saúde ... (texto completo aqui)

auto-retrato

Cabelo curto, careca arredondada
Testa média um pouco enrugada;
Sobrancelha rala, porém angulada
Olhos na cor castanha-esverdeada

Redondo nariz e boca ondulada
Bigode antigo de ponta arrebitada
Mosca breve; face abochechada
Bojuda a pança, já bem dilatada

Cintura à proporção e coxa roliça
Que quando ao espelho a vejo
Parece presunto ou farta chouriça

Pujante a perna, torneada sem pejo
Eis o retrato, e farte-se a cobiça
De quem assim me vê, como me vejo.


-

porco farto é porco para matança

A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal!
O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que se torna difícil compreender. Com 9.710.539.940,09 € (NOVE MIL SETECENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS) poderíamos construir 5 pontes para travessia do Tejo ou distribuindo por 10 milhões de portugueses, caberia a cada um cerca de 971 €!!!
Eh vilanagem, ainda não fartaram?

Prá fogueira!!!

Não sei se ouvi bem, dito há segundos pela TV que está para ali a debitar as tretas do costume?!
Portugal acolheu uma família, indigente, ucraniana, composta por 7 pessoas, atribuindo-lhe uma casa mobilada e confortável, e 30 € por semana/pessoa, o que dá 840 € ao mês.
Os pulhas que nos governam praticam a caridade aos de fora e empurram para a miséria os de cá. E fazem-no com dinheiro que nem é deles!!! Porreiro, pá. Assim, não é difícil compreender o ressurgimento dos ideais da extrema-direita, da monarquia, do anarquismo, ou do quer que seja que substitua o sebastianismo profético e salvador.

Já agora, se algum destes alcançar o poder, espero que atire para a fogueira esta canalha de velhacos que se dizem socialistas, democratas, social-democratas, e o raio que os parta, que nos tem gerido nos últimos 30 anos. É que, se o fizerem, sempre será menos doloroso suportar uma ditadura ou qualquer outro regime déspota.
-

Nota: sonho recorrentemente com um cenário em que sou o Inquisidor a quem cabe interrogar estes gajos que nos governam, e o meu desespero é achar que a panóplia de instrumentos de tortura que tenho à disposição, é irrisória para a minha capacidade de imaginação.
.....................................................
CORRECÇÃO AO POST EM 2010.01.06:
PRONTO, MAIS DO QUE SIMPLES INDIGENTES, TRATA-SE DE REFUGIADOS. É UMA SITUAÇÂO DIFERENTE, MAS QUE EM NADA MUDA A NECESSIDADE DAS FOGUEIRAS PARA OS POLÍTICOS, E ISTO SEM MENOSPREZAR A RESPONSABILIDADE DO POVO, VEJA-SE O POST SEGUINTE, AQUI.

Rui Pereira entregou Autorizações de Residência - 30-09-2008 17:37:29

O Ministro da Administração Interna entregou, hoje, no Centro de Português para os Refugiados, na Bobadela, Títulos (autorizações) de Residência a uma família iraquiana composta por 5 pessoas (pai, mãe e 3 filhos menores). Esta família veio para Portugal, chegada da Síria onde se encontrava desde Novembro de 2007, no passado dia 22 de Setembro.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) reconheceu a esta família o estatuto de refugiado em 26 de Dezembro de 2007. Os critérios de elegibilidade do ACNUR foram: sobreviventes de violência e tortura com necessidade de protecção legal e física.

os políticos de hoje lembram os da primeira república

E hão-de ficar na história, também, pouco lembrados mas correctamente adjectivados. Como os de baixo.

Afonso Costa
«ingrato e vaidoso, orgulhoso mas rastejador quando precisava; tumultuoso, insolente, mas tímido ante o perigo, sectarista odiento, amigo das grandezas e comodidades da vida», assim descrito por um seu professor, Afonso Costa foi de um nepotismo escandaloso. Quando ministro da Justiça, em 1911, os melhores lugares foram ocupados pelo seu irmão, pelos seus dois cunhados, pelo seu sócio do cartório, pelo seu procurador, por um amigo íntimo desde os tempos da juventude, …»

Brito Camacho
«Mostrou-se sempre tão azedo, que há quem diga que nas suas veias gira vinagre puro, em vez de sangue». Raul Brandão escrevia: «Há nele algo de dissolvente. Direi melhor que ele tem qualquer coisa que afasta os homens. Nem um acto de fé... Em lugar de calor, ironia. Os amigos podem aplaudi-lo e rir-se das suas piadas (riem-se e desconfiam da sua língua), mas a grande massa que forma os partidos é como as mulheres: não compreende a ironia, pelo contrário, tem-lhe medo e chama-lhe veneno...»

mais menos... combóio


Eu queria encerrar o ano com uma anedota mas, infelizmente, tenho que terminar 2009 com mais uma notícia triste, produzida neste país de políticos, administradores e gestores desonestos perante a apatia de um povo acantonado nos brandos costumes da sua religiosa resignação e do seu proverbial enfado.
Depois do logro do “Estações Com Vida”, esse projecto da CP, Refer e Invesfer, criado para libertar cobiçadas parcelas do domínio público ferroviário e colocá-las ao alcance do ímpeto especulador e ganancioso dos empresários do betão armado; depois do encerramento de vários percursos ferroviários de “baixa” rendibilidade, sobretudo no Norte do país; eis que os velhacos lançam mais um ataque, desta vez sobre a linha do Sul, ao suprimirem o comboio regional Barreiro/Algarve.
Este desinvestimento na rede ferroviária tem levado ao consequente investimento na rodovia. Um verdadeiro contra-senso pois o comboio é, de facto, o transporte colectivo mais amigo do ambiente. Os responsáveis pela decisão argumentam que este circuito não tem passageiros suficientes.
Não tem porque não o promovem, não o modernizam, não o adequam às necessidades das populações. Eis mais uma pescadinha de rabo na boca convenientemente explorada pela máfia do costume.
Desmobilizado o incentivo à utilização do comboio em prol do recurso ao transporte rodoviário colectivo e individual, numa gritante e errada preferência, ocorre-me perguntar: -Se o meio ferroviário não merece investimento e dinamização, porque vão investir num TGV?
É chocante, esta torpeza dos decisores públicos no que toca ao meio ferroviário. É evidente que este país é governado por uma máfia terrível que o deixará exangue e na miséria. Já falta pouco!

O crítico boçal

Brada e pavoneia-se com ares de grandeza. Tem crítica para tudo e para todos. Sabe do Universo mais longínquo ao fedor que lhe passa debaixo do nariz. É um sábio ignorado. E denuncia os pseudo-intelectuais. Desses que trabalham com o cérebro, coisa a ele estranha. Mas fala e escreve. É um caga-lérias que escreve. Porém, não só envergonha os utilizadores da língua portuguesa como a maltrata em qualquer plano: semântico, lexical, morfológico. É um tosco, um pateta incapaz de escrever um parágrafo simples com uma sintaxe aceitável. A sua única valia, a insistência. Debalde, não revela o mínimo sinal de evolução ou melhoria. Não progride. Digo-o, a julgar pelos comentários que deixa na cloaca maxima, que os textos que publica no seu pasquim, esses não os leio vai para mais de um ano. E nessa altura eram assim, como digo.
É burro, sempre foi. Dizem os que o conhecem de há muito.
Também não fotografa que preste. Não tem jeito, pronto. Nem todos temos a sensibilidade ou a necessária agilidade mental entre o que se vê, a escolha da composição, e o momento de clicar. Também insiste, mas não vai lá. Não sabe escrever de forma nenhuma. Nem com as palavras, nem com a luz.
Não é bem um burguês, é um burgesso, isso sim. Um iludido numa (in)certa linhagem de aristocracia terra-tenente de outrora. O Mestre Polainas ou o Ti Chico, sapateiro um, pescador o outro, o diriam: Um merdas, é o que é!
E há quem lhe dê ouvidos?!
Gritar-lhe: - Assuma-se, seu merdas! É escusado, não percebe.

Avatar


«... O que Cameron não diz, por cinismo ou ignorância, é que o panteísmo dos Na'vi é muito semelhante ao dos Arianos, na substituição do transcendentalismo cristão por uma deturpação teleológica do darwinismo. Sei como os Arianos procuraram satisfazer o seu desejo de "harmonia"; o que não sei é se as multidões que proporcionam recordes de receita ao filme são basbaques pueris ou a matéria-prima com que se fabricam as grandes catástrofes da história.»
artigo completo de Fernando Gabriel aqui

1 milhão (faltam mais uns 7 ou 8)

José Rodrigues dos Santos recebe Prémio CLP 2009 - Autor atingiu o recorde de um milhão de livros vendidos em Portugal.
(Segundo notícia em qualquer pasquim perto de si)


Assim é que é. Escrever para iletrados é bom negócio, há mercado abundante em Portugal.
Já o escritor António Lobo Antunes tinha qualificado, de forma clara, uma das anteriores produções de papel estampado de Rodrigues dos Santos: “é uma grande merda”, referindo-se a “A Vida Num Sopro”. Lobo Antunes confessou, então, ficar “assombrado com pessoas que escrevem livros em dois meses”.
Ó António, não te armes em pseudo-intelectual, pá! Com essas tretas que escreves, que ninguém entende. Além disso, tu é que andas a produzir pouco, apenas um livro por ano?! É gente assim, como tu, que dá mau nome aos portugueses. Que nos deixa ficar abaixo das médias europeias de produtividade. Olha se fizesses como o Zé dos Santos, não era melhor?

Ouvindo o silêncio


O silêncio tornou-se um vazio insuportável ao homem. Já não é bom, nem sequer aceitável, posto que é entendido como ausência total, ausência de tudo, ausência de qualquer coisa – e a coisa só o pode ser porque produz ruído. Ruído, sim. O substituto dos sons, nas grandes metrópoles hodiernas. Seria interessante se procurássemos apenas os sons mas, hoje, o que mais procuramos é o ruído.
O silêncio, que foi o pano de fundo dos sons é, hoje, a presa derradeira do ruído. Os citadinos acordam com o ruído do trânsito e vivem bombardeados por milhentos outros sem os quais já não sabem viver. Num passeio ocasional ao mundo rural, de onde saíram há gerações, tornam-se nervosos porque os sons campestres – dos animais e dos elementos naturais - são produzidos contra um fundo de silêncio que se revela nas pausas desses sons. O tal silêncio ameaçador. Nesse mundo rural há também menos conversação porque, para interromper o silêncio, é necessário ter alguma coisa válida para dizer. Acto estranho no universo citadino, onde tanta gente fala sem nada dizer.
No campo deixam-se espaços para cada um falar e ser escutado. Na cidade, a vida vertiginosa e o imenso mar de gente aflige cada ser e impele-o para o ruído gritante, num gesto neurótico que procura evidenciar e proclamar a existência singular no meio dessa multidão que oprime, confunde e massifica.
Na cidade, perdeu-se a capacidade de ouvir. Desistimos, há muito, de escutar as histórias dos outros, nessa ânsia de narrar a nossa própria. E muitas vezes ligamos a televisão para termos a certeza de que existimos como se, não ouvindo esse ruído, não pudéssemos confirmar que existimos.
O silêncio é hoje sinal de indiferença e mesmo de intolerância. Quando não se fala não é porque se quer estar em silêncio mas porque se teme o que se possa vir a dizer ou ouvir, porque, normalmente, evitamos obcecadamente o silêncio como se este fosse a negação da vida. Ora, escutar o silêncio também pode ser ouvir a própria existência, sempre presente à nossa volta, mas que a cacofonia fútil do quotidiano não deixa perceber.
Há coisas que se apreciam melhor em silêncio e há outras perante as quais não devemos ficar calados. Há silêncios que devem ser criticados e silêncios que merecem ser escutados.

(reflexões em torno da foto de um búzio)

Um exercício simples

É um exercício simples. Admitamos que a ciência conclui que Deus é uma impossibilidade*, e que tal resultado é adoptado como verdade pela maioria dos que hoje O veneram. O que aconteceria? Como se comportariam, então, essas pessoas?
Nem é necessário imaginar qual a atitude dos muçulmanos, que incorporam nas suas fileiras elevada percentagem de radicais. Basta pensar no universo ocidental cristão. Se o afastamento de tantos, em relação a Deus, já produz o que vemos nos dias de hoje, imaginemos que todos os homens e mulheres do ocidente dispensam o demiurgo. Aumentaria a anarquia e a selvajaria entre as multidões?! É assustador, não?
E o que se conclui disto? Que é forçoso evitar tal afastamento entre os homens e Deus? Que a religião tem de ser imposta, ou pelo menos, mantida à força?
É que não restam dúvidas de que a ausência de uma coerção superior conduz a populaça bem nutrida, e cada vez mais exigente, direito ao egoísmo exacerbado, ao exagero existencial e materialista, rumo à decadência total?!
Qual a solução? Poderíamos substituir Deus por outra coisa? Mas substituí-lo por outra intuição não redundará no mesmo paradigma? Substituir a sua autoridade e poder por outra coisa, igualmente universal e omnipresente, como a Lei por exemplo, não terá o mesmo significado e resultado? Não é Deus um corpus lex, um conjunto de normas que nos foram legadas no dizer de uns, ou que inventámos, segundo outros?!
E se nunca tivéssemos recorrido à intuição de Deus, teria o homem conseguido avançar civilizacionalmente? Para quem defende os valores humanistas e o primado da razão sobre a fé, Deus parece ser coisa perigosa. Ou é um tirano que se impõe aos homens através de outros homens que acabam por abusar do seu poder “representativo”, ou transforma-se numa perigosa ausência depois das longas gerações da sua doutrina, no ocaso das enraizadas crenças como a vida para além da vida, a ressurreição e a salvação da alma, a justiça divina com os seus castigos aos ímpios e recompensas aos justos. Em qualquer dos casos, Deus não parece humano, mas antes uma entidade alienígena, distante e cruel. De um modo ou de outro, afigura-se sempre perigoso.
Alguns dirão que o homem não conquistou sozinho os valores humanistas, que o fez com a presença e ajuda de Deus (da religião). Outros dirão que os homens, cristãos e outros, construíram os seus ideais fundando-os na razão, no respeito pelo semelhante e na observação de normas igualitárias e universais; e fizeram-no com base numa mescla cultural proveniente de várias origens, com influências diversas – mas é um feito dos homens, não de Deus. Ou não será assim?


* Não que a Ciência tenha tal desiderato por objectivo, ou mesmo qualquer empenho em esclarecer a questão, conhecendo-se, até, alguns cientistas convencidos de que quanto mais avançam no conhecimento e na compreensão do universo, mais se aproximam de uma força organizadora desse Universo, uma entidade que pode ser Deus. Coisa que, na minha opinião, revela apenas a fragilidade do ser humano e da sua inteligência, a qual, embora variando consoante a capacidade intelectual de cada um, acaba sempre por evidenciar quão insignificantes somos no cômputo geral do Universo e quão distantes continuamos de o assimilar.

O alarve

Porque ainda posso praticar sem restrições a língua pátria que me ensinaram, alheio ao acordo ortográfico – essa coisa obtusa e pretensamente consensual entre os diferentes falantes da língua portuguesa –, continuo a exercitar a escrita na forma que mais me entusiasma: a ficção, que vai buscar aos esconderijos da memória fantasias mirabolantes eivadas de desejos, decepções e ironias, temperadas com uma pitada de humor cáustico e cínico que exonera convenções, preconceitos, decências e tolerâncias. Aqui não há transigências nem palmadinhas nas costas.

O Alarve

Abusando da tolerância do chefe, o alarve, emplastro inútil e improdutivo que ocupa o lugar apenas por ser filho de quem é – de um magistrado corrupto e de uma explicadora de francês pretensiosa e intriguista –, demonstra a sua descomunal cretinice tentando obter o reconhecimento da sua veia artística. Enfiando, episodicamente, debaixo do nariz do incauto mais próximo, o seu último desenho ou pintura, de gosto e técnica claramente medonhos. Evidentemente, os que o rodeiam não lhe reconhecem qualquer valor mas aplaudem e elogiam, hipocritamente, pois tratando-se de um basbaque da alta, com peso e influência social, há que manter a cordialidade e uma amizade a qualquer momento, potencialmente, lucrativa. Pois nunca se sabe quando será necessário recorrer à influência social da madame ou aos préstimos judiciais do meritíssimo. E ai de quem ousar acusar a situação. Tal desgraçado verá a sua vida, presente e pretérita, analisada a pente fino, devassada e esmiuçada e, encontrado algum podre, logo adulterado, adicionado a mentiras credíveis e lançado à comunidade faminta, pelos peões de brega – canalhas apaneleirados, raparigas mentecaptas e arraia miúda ingénua –, uma dezena de burgessos que enformam a corte da insidiosa víbora que, ensina, agitando, a língua de Marie Brizard.
E assim passam os dias no movimentado cais onde chegam e partem incontáveis navios carregados de metais, madeiras, fardos e caixas de conteúdos diversos, de cores desmaiadas e odores suspeitos.
O alarve pouca atenção presta ao seu mètier de controlador das cargas e descargas do porto, embeiçado na prancheta que prende as folhas brancas de papel cavalinho onde, espera, surjam umas tantas magníficas obras de arte, traçadas a lápis de carvão primeiro, e depois coloridas com ceras ou aguarelas oferecidas pelos comandantes dos navios que demandam o porto, e lhe conhecem o gosto.
O chefe, incapaz de o repreender, não só devido ao seu feitio indulgente mas também por receio de retaliações directas da família ou da influência desta junto do Director Geral da Fazenda Pública, vai deixando correr a situação, substituindo o alarve pelos colegas que dividem, entre si, o trabalho que a ele cabia.
(…)
No centro da sala, uma mesa cercada por quatro cadeiras desengonçadas e encimada por uma vela suspensa, apresenta uma enorme carta de marear. Uns traços finos, riscados com a precisão do esquadro, cruzam-se no ponto do mar que divide os dois homens na discussão que dura há mais de três horas. Pretendem resolver de que forma alcançarão melhor aquele ponto, evitando os riscos da navegação em águas inimigas, e numa altura do ano em que as condições climatéricas são perigosamente adversas.
(…)
A ele apenas interessava meter ao bolso a sua percentagem, a alcavala do negócio que nem conhecia, de que nunca se interessara perceber os pormenores. E desta vez o capitão trouxera-lhe um bom conjunto de cores fortes, como as que usam os de Levante. Com a bolsa cheia de metal tilintante, o estojo de madeira com os valiosos pigmentos, o alarve apressa-se a abandonar as instalações do porto, rumo a casa. No sino da Igreja de S. Pedro soam as badaladas do meio-dia e o homem apressa-se, enrolando em volta do pescoço e dos ombros um enorme cachecol de lã escura que o defende do frio insidioso que fere os rostos e as mãos dos seus colegas, carregados com o opróbrio do trabalho que os ocupará até ao anoitecer.
(…)
Violentamente atacado por navios inimigos e que só a tempestade evitou soçobrar sob as repetidas bordadas de tiros certeiros, mas que a fúria do vento e das ondas acabou por desarvorar e desgovernar, o navio regressou à deriva, ao sabor das intempéries e de mão misteriosa e divina que o trouxe direito ao porto, por ali entrando fantasmagoricamente, sem estranheza das gentes que atendem ao árduo labor nos outros barcos e nos cais apinhados de mercadorias. Na eminência do embate com o embarcadoiro, o gurupés, mastro projectado uns bons metros para a vante do navio, ultrapassando o cais qual aríete portador da brutal força deslocada pelo navio, embateu secamente, e sem a mínima resistência, no homem que caminhava, cego, envolvido no largo cachecol que prevenindo do frio não o deixara prever o desastre. O alarve ali ficou, agonizando, empalado no enorme cacete horizontal do navio escavacado.
(...)

pequeno, pequenino, minúsculo

A minha mais recente aquisição permite observar as esporadas dos cogumelos e coisas como estas.


perna de mosca (ou é perna de uma mosca nórdica ou de... um mosco)

pine mature wood


stem of cotton ("célula-tronco" do algodão, erradamente denominada "célula estaminal")
o meu cabelo

clarificando

ACTUALIZAÇÃO EM 27 DEZ. (ver abaixo)


Saudações,
Tivemos oportunidade de ler com atenção o seu escrito no blog Claustrofobias e no blog Lagos, no qual se refere à Mesa Redonda e a uma postagem por nós feita sobre as obras da frente ribeirinha da nossa cidade, mais concretamente ao cais agora posto a descoberto.
Não nos merecem quaisquer comentários a forma como se refere a nós nem à nossa "caixa de comentários [que] bem merece o ápodo de “cloaca maxima”, numa homenagem a essa imperial sarjeta romana onde parecem boiar os comentadores do referido blogue". É a sua opinião e é livre de a expressar como bem a entender.
Mas, se nos permitir, gostaríamos de lhe dizer o seguinte:
Existe na Mesa Redonda uma ligação para o nosso email. Qualquer pessoa, o Francisco Castelo incluído, poderá fazer chegar contributos ou indicar-nos correcções aos nossos erros, o que terá sido em seu entender o caso da postagem que se refere ao cais antigo. Se participar estará a contribuir para melhorar o nível da discussão, não concorda?
Todos erramos e o Francisco Castelo comete a seguinte incorrecção quando afirma: "Dizem esses críticos que se apresentou tais estruturas como coisa que não são. Que foram anunciadas como “o cais de onde partiu D. Sebastião”. Não é verdade! O que nós dissemos foi: "[...] e a janela de onde segundo a tradição local, no século XVI (Verão de 1578), el-rei D. Sebastião assistiu ao embarque da sua força militar que acabou derrotada em Alcácer-Quibir (aliás, deve ser por essa razão que existe a sua evocação em painel fronteiro, não será assim?)". Aliás, esta "tradição" pode ser lida e comprovada em http://viajar.clix.pt/tesouros.php?id=160&lg=es
"Possui, na fachada, uma janela manuelina de onde Dom Sebastião terá assistido à missa que precedeu a sua partida para Alcácer Quibir. Nos relvados do Jardim da Constituição, frente à janela, três painéis, da autoria do escultor João Cutileiro, evocam esta histórica batalha que custaria a vida ao rei português".
Quanto à datação do cais (século XVII): Sabe tão bem ou melhor do que nós que anteriormente a 1578 já muitos barcos tinham saído de Lagos demandando África. Terá sido este o caso de Gil Eanes (1434 - século XV), por exemplo, entre outros. Tal leva à suposição que em Lagos deveria existir um cais (pelo menos desde o século XV), infra-estrutura natural e imprescindível numa cidade ribeirinha como é a nossa. Se não era este que mencionamos, onde se localizaria então? E será que os nossos antepassados construiriam estas infra-estruturas com regularidade?
De qualquer modo, nós pretendíamos transmitir a ideia que foi infeliz a ideia de se pôr o cais a descoberto, dada a sua actual distância ao mar (derivada da construção da Avenida dos Descobrimentos em 1960). Dissemos: "O facto é que a actual distância ao mar impede-o, de todo! E que aquelas “pedras” hoje não fazem qualquer sentido neste espaço. Por conseguinte, a ideia de o pôr à vista deve ser das mais infelizes a que se assistiu na nossa cidade". E acrescentámos outra ideia: "a fachada lateral da Igreja de Santa Maria, junto à Casa da Dízima (construção do séc. XVII), ostenta orgulhosamente dois aparelhos de ar condicionado". Simplesmente, estes já não deviam estar ali após a dita "requalificação"!
Percebemos quando afirma: "Mesmo que alguém tenha proferido alguma afirmação identificando o local do cais com o local de onde terá partido El-Rei D. Sebastião para a fatídica empresa de Alcácer-Quibir, entende-se perfeitamente que a alusão é ao local e à consequente carga histórica acumulada com esse facto (admitindo que assim aconteceu, o que não é certo), e não à estrutura concreta do cais. No entanto, e mesmo sendo assim, discordamos FRONTALMENTE que se tenha gasto um montante significativo de dinheiro para se transmitir a carga histórica relacionada com D. Sebastião, da maneira como foi feito (ou será para se perpetuar a tal tradição de um facto que nunca se verificou, num sítio que nunca existiu no século XVI?)
Mas, agora que o cais e o que ele simboliza está à vista, saiba que partilhamos a posição da CDU sobre este assunto e que apresentou na Assembleia Municipal de Lagos (reprovada pelos eleitos do PS): "[...] Nele aconteceram momentos marcantes na História do País, por ele saíram os navegadores que iniciaram os Descobrimentos, nele teve lugar o embarque do exército que D. Sebastião levou ao que seria a derrota em Alcácer Quibir [...]
Que a Assembleia Municipal de Lagos delibere recomendar à Câmara Municipal a criação de um Centro de Interpretação do Porto de Lagos nos termos dos considerandos atrás expostos". Pode recordar a proposta na íntegra aqui: http://www.canallagos.com/um+centro+de+interpretacao+para+o+porto+de+lagos+=a9179/
Para terminar, dizer o seguinte: não vemos qualquer vantagem da nossa parte em publicar este nosso esclarecimento ou qualquer troca de opiniões que dele possa resultar. Mas, se quiser contribuir com algum texto sobre este ou outro assunto e que deseje ver postado na Mesa Redonda fá-lo-emos com prazer.
Por último: gostaríamos de retribuir os votos de Boas-Festas da nossa Mesa Redonda.
Filipa Neves

Perante a insistência do 2º mail, desta vez titulado com uma pergunta directa: "Não lhe merece nenhum comentário, nem admitir que errou?", acabei por responder, no mesmo dia 21, com o seguinte texto.

Não, acho que não vale a pena porque nos escudamos ambos em firmes convicções pessoais. Porém, esta vossa resposta, começando com alguns argumentos pertinentes acabou por descambar para aquilo que, justamente, denunciei: vocês criticaram a afirmação (que continuo sem saber quem proferiu ou onde está publicada) “de que daquele cais partiu D. Sebastião”. Insurgem-se contra tal afirmação enquanto proferida ou publicada por alguém da CMLagos mas já a aceitam e aplaudem, incluída numa proposta da CDU. Não me cabe defender a Câmara, que tem procurador ou representante para isso. Tampouco pretendo brilhar perante gente de cujo “círculo de afectos” não faço parte nem pretendo fazer. Portanto, falo por mim e defendo as minhas opiniões. É verdade que, na minha crítica, omiti outras partes do vosso artigo com as quais concordo – nomeadamente sobre o resultado final da intervenção naquela zona – porque tal seria chover sobre o molhado. Aliás, o projecto inicial do tempo do J. Valentim já não era coisa que me fascinasse, depois, com as alterações sucessivas, perdeu o pouco que pudesse ter de meritório e afundou-se naquilo que está à vista.
O meu post insurge-se contra duas coisas que comprometem a seriedade e a credibilidade do vosso blogue: a crítica cega a tudo ou a todos os aspectos de um qualquer assunto, e os comentários infectos que pululam por lá. Perante isto o vosso blogue não me merece especial atenção ou consideração. Salvo para seguir os comentários desesperados daqueles a quem as minhas verdades incomodam, especialmente em questões de foro pessoal – mas a esse respeito não peço nenhum tratamento especial, para os removerem p. ex. pois tal atitude só faria aumentar a desconfiança a meu respeito por parte da imbecilidade reinante.
Mas se querem ser levados a sério terão que exercer maior rigor na aceitação de comentários e deixar as contundências para os casos que conheçam bem, sobre os quais estejam, efectivamente, bem informados.E reitero estas críticas, que são profunda convicção minha.
Sobre o assunto não tenho mais nada para dizer nem disponibilidade para colaborar convosco, não só pelo que atrás foi dito mas também porque embora nunca tendo colaborado com o vosso blogue, e sem vos conhecer, já suporto atitudes velhacas devido à cretinice instalada me julgar redactor desse blogue. Agora até inventam factos e sopram-nos aqui e ali para ver quem pega e leva para o vosso blogue. Porém, fazem-no de forma tão abrutalhada, que até mete dó. Subtis como paquidermes.
Como da vossa parte nunca recebi tratamento pessoal ofensivo ou incorrecto, desejo-vos Saúde, e Boas Festas.

Mensagem à qual a "mesa redonda" retorquiu, encerrando a troca de correspondência.


Agradecimentos pela sua resposta.
Ficámos e sentimo-nos esclarecidos, embora continuemos a pensar que não compreendeu o nosso texto e que elaborou o seu sobre um erro de interpretação (no qual persiste).
De resto, quanto à credibilidade que os nossos textos merecerão ou não, vinga o seu direito à opinião e que não contestamos.
Já quanto à moderação de comentários: ela é feita a nível da linguagem que pode ser utilizada, mas não de argumentação.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo para si são os desejos da Mesa Redonda.


Esclarecimento Final: Embora contrariando a preferência manifestada pela "mesa redonda" na não publicação desta discussão, entendo que o devo fazer para que fique esclarecida a minha posição e relação - não relação, é mais exacto - com esse blogue, desmontando assim a acção de um reles, invejoso, incapaz e inútil que de há muito me critica lá na caixa de comentários do blogue "mesa redonda" , não tendo coragem de o vir fazer aqui no meu blogue. Um desgraçadito que adoptou essa atitude desde que passei a tratá-lo com o desprezo que merece . O verme tenta, com grande afã, "colar-me" ao mesa redonda, procurando que daí advenha prejuízo para mim. Coisa que também servirá os interesses dos redactores desse blogue porque enquanto os visados (criticados e insultados) dirigirem as suas atenções sobre suspeitos errados, não o fazem em direcção aos verdadeiros proprietários do blogue em causa (?!).
Porém, nada disto afecta as minhas convicções sobre o blogue em questão, patentes no post que originou esta esgrima de posições. Que fiquem pois os espíritos esclarecidos a este respeito.
.............................................................
ACTUALIZAÇÃO EM 27 DEZ. no seguimento de uma mensagem recebida da "mesa redonda", durante a tarde.

Cumprimentos
Tivemos oportunidade de ler tranquilamente o seu Esclarecimento Final que resultou da nossa troca de correspondência.
Desta feita, sentimo-nos esclarecidos. Custava-nos firmemente a acreditar que não tivesse lido correctamente a nossa postagem e que tivesse cometido algum erro propositado em relação ao que dissemos e pretendíamos transmitir (se bem que admitamos que a ironia do texto se poderia prestar a alguma confusão ou interpretação errónea). Ao referir-se ao prejuízo que poderá advir da "colagem" feita à Mesa, percebemos a sua motivação mais profunda quanto à postagem que fez. E fez -se luz! Mas, também registámos que "Porém, nada disto afecta as minhas convicções sobre o blogue em questão, patentes no post que originou esta esgrima de posições. Que fiquem pois os espíritos esclarecidos a este respeito", como fez questão de sublinhar e nós de tomar como certo.
Em primeiro lugar: saiba que lamentamos profunda e sinceramente que a "colagem" que alguns fazem de si à Mesa Redonda (eventualmente as pessoas com quem trabalha e, quem sabe?, os seus superiores hierárquicos) lhe possa ter criado problemas, ou dissabores pessoais e profissionais. Não é nem foi de todo essa a nossa intenção.
Em segundo: contudo, nem nós estamos em posição de afirmar peremptoriamente que o Francisco Castelo não participa ou não participou da feitura da Mesa Redonda. Nós publicámos dezenas de postagens vindas dos mais provenientes autores, alguns devidamente identificados e de outros que não o fizeram. Fizemo-lo pois há uma ligação no nosso blog que assim o permite e pois essa é, em nosso entender, a forma de alargar e de tornar mais plural e participativa a discussão sobre a nossa cidade e o nosso município.
Em terceiro: equipados de sofisticado escafandro autónomo vasculhámos o que apelida de "cloaca maxima" e que é segundo afirma a nossa caixa de comentários, em busca de o verme a que alude. Infelizmente, não o detectámos! Mas, reconhecemos que essa tarefa não é fácil, para mais tratando-se da "cloaca maxima". Mas se nos indicar onde achar trataremos de inibir essa participação a que se refere.
Mais uma vez, queira aceitar as nossas desculpas pelos incómodos que lhe causámos e contacte-nos com sugestões no sentido de que os mesmos não se voltem a repetir.
O colectivo Mesa Redonda.

Declino a vossa oferta, como já o tinha dito anteriormente. Não é meu desejo que a "mesa redonda" assuma as minhas guerras (disso trato eu), desde que não as integre já chega. Porém, a cloaca máxima não obtém esse estatuto devido às críticas a mim dirigidas, que são um minúsculo dejecto na descarga geral do que por lá flutua. Mas não me lixem com essa "nem nós estamos em posição de afirmar peremptoriamente que o Francisco Castelo não participa ou não participou da feitura da Mesa Redonda.". Então para que serve o controle de IP's.? Eu sou capaz de identificar todas as vossas visitas ao meu blogue a partir do IP que usaram, quer seja um IP real ou artificial. Dado que não mascaro o meu IP, é evidente que qualquer visita ou colocação de comentário no vosso blogue, é passível de ser identificado. Quanto a mails, aí terão que ficar com a minha palavra de que nunca vos enviei material algum, vocês é que terão aproveitado algo do que publiquei no "Lagos" e fotos do meu site, atitudes que não me ofendem minimamente. E já agora aproveito para esclarecer em que condições poderia participar na acção cívica que o vosso blogue pretende constituir: Em primeiro lugar teriam que resolver essa questão da vossa caixa de comentários estar transformada numa cloaca, depois eu teria que não trabalhar em Informação Municipal. Portanto, aí têm razões poderosas e de fundo que me impediriam, sequer, de considerar tal colaboração.
Saúde, e Bom 2010.