Estes políticos de hoje são tão escorregadios que me escapam completamente e acabo por não ter candidatos para nada. Assim, não brinco mais às democracias. Não voto!
estou a ficar famoso
Os gajos do blogue local da má língua é que começaram a dar-me destaque. Eu até estava sossegado no meu cantinho. Rapidamente, a coisa ganhou importância e passou além-fronteiras. Já receio o assédio dos paparazzi.
questões de armamento
«Antes que a ideia de Deus esmagasse os homens, antes dos autos de fé, das perseguições religiosas da Inquisição e do fundamentalismo islâmico, o Mediterrâneo inventou a arte de viver. Os homens viviam livres dos castigos de Deus e das ameaças dos Profetas: na barca da morte até à outra vida, como acreditavam os egípcios. E os deuses eram, em vida dos homens, apenas a celebração de cada coisa: a caça, a pesca, o vinho, a agricultura, o amor. Os deuses encarnavam a festa e a alegria da vida e não o terror da morte.
Antes da queda de Granada, antes das fogueiras da Inquisição, antes dos massacres da Argélia, o Mediterrâneo ergueu uma civilização fundada na celebração da vida, na beleza de todas as coisas e na tolerância dos que sabem que, seja qual for o Deus que reclame a nossa vida morta, o resto é nosso e pertence-nos - por uma única, breve e intensa passagem. É a isso que chamamos liberdade - a grande herança do mundo do Mediterrâneo.»
Antes da queda de Granada, antes das fogueiras da Inquisição, antes dos massacres da Argélia, o Mediterrâneo ergueu uma civilização fundada na celebração da vida, na beleza de todas as coisas e na tolerância dos que sabem que, seja qual for o Deus que reclame a nossa vida morta, o resto é nosso e pertence-nos - por uma única, breve e intensa passagem. É a isso que chamamos liberdade - a grande herança do mundo do Mediterrâneo.»
Saramago apanhou das brigadas de defesa da “religião imoral” às contas do “Caim”. Já o Miguel Sousa Tavares, esse poço de sabedoria etilizada – que, formalmente, até escreve melhor do que o Saramago, veja-se o texto acima –, foi poupado às avantesmas. Claro, o Saramago vinha com o Caim, uma espécie de indigente andrajoso que, no máximo, contaria por arma algum calhau encontrado no caminho, enquanto o Miguel trouxe o David Crockett, um gajo vestido de peles e armado com o seu fuzil de caça. Nestas coisas, o tipo de armamento faz toda a diferença.
reacender lampiões?
Cahia o crepusculo sobre o escampado arido e esbrazeado daquelle recanto sertanejo do Estado do Ceará, ao pé da serra do Araripe: o engenho de rapadura Boa-Vista, a cinco Leguas da cidade de Missão Velha, quando o sr. José Alves Feitosa ali chegou.
Um crepúsculo doloroso, sertanejo, manchando a paisagem de sombras e diffundindo uma melancolia por tudo…
Gentis e acolhedores, os senhores de engenho o receberam, prodigalisando-lhe o conforto de uma hospedagem, onde elle repousaria da viagem exhaustiva.
Ahi, foi que se aproximou de Lampeão.
Este assomara, á porta, desarmado, fitando o recem-chegado, que o interpelou logo:
- É o capitão Virgulino Ferreira?
- Às suas ordens.
- Já o conhecia através de photographias.
- Ah! Foram esses retratos de que o sr. Fala, que me inutilisaram. Si não tivesse deixado photographar-me, seria desconhecido e já poderia ter desapparecido, sumindo-me no mundo, indo para longe, ganhar a vida tranquilamente, sem attribulação dessa angustia constante de ser perseguido…
- E o sr. É perseguido? Dizem na capital que a polícia…
- … não persegue, porque sou amigo dos oficiaes. É verdade, mas, ainda assim, as trahições, o sr. comprehende.
No ano passado, Isaías Arruda, meu grande amigo, chefe político cearense, surpreendeu-me numa localidade deste Estado com um cerco policial terrível de que me livrei não sei como.
Estas cousas são que magoam…
Uma trahição, o diabo!
Gosto dos oficiaes e odeio os chefes de polícia.
(…)
- Disse-me, há pouco, que se pudesse abandonaria o cangaço…
- Sim. Por que eu não vivo a vida do cangaço, por maldade minha.
É pela maldade dos outros, dos homens que não têm coragem de lutar corpo a coprpo como eu e vão matando a gente na sombra, nas tocaias covardes.
Tenho que vingar a morte de meus paes. Era meninote quando os mataram. Bebi o sangue que jorrava do peito de minha mãe e, beijando-lhe a bocca fria e morta, jurei vingal-a…
É por isso, que de rifle ás costas, cruzando as estradas do sertão, deixo um rastro sangrento, na procura dos assassinos de meus paes.
(…)
Apertando as mãos hospitaleiras de Rosendo, o dono da rústica engenhoca o monarcha sanguinolento dos sertões tomou a estrada poeirenta para as incertezas do seu destino.
In “ A palavra de Lampeão – O monarcha selvagem dos sertões”, Jornal O POVO, de 4 de Junho 1928, citando a entrevista dada pelo cangaceiro ao Jornal “A NOITE”, de Recife.
(foto de wikipédia)
A 27 de Julho de 1938 o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, onde foi cercado por uma força policial móvel (volante). O ataque durou uns vinte minutos, e dos trinta e quatro cangaceiros onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros. A força volante, seguindo o costume da época, decapitou Lampião, bem como a sua companheira, Maria Bonita (que ainda estava viva quando a sua cabeça foi degolada), e outros 9 membros do bando. Um dos policias desferiu uma valente coronhada na cabeça de Lampião, deformando-a e contribuindo para a lenda de que o cangaceiro não havia sido morto, e escapara da emboscada, tal foi a modificação causada na sua fisionomia.
a língua dormente
Disse a Fernanda Câncio* e eu concordo:
O decesso do esparadrapo
Fernanda Câncio
Dentro daquela lógica de dividir o mundo entre dois tipos de pessoas, as palavras "difíceis" fazem um bom trabalho.
Infelizmente, nos dias que correm, e pelo menos no que a Portugal respeita, a desproporção entre os grupos chegou ao ponto de um deles estar em vias de extinção. Que é como quem diz decesso. Sabia o caro leitor, antes de ler estas linhas, o que quer dizer decesso?
Calculo que não. É uma palavra quase banida do linguajar corrente, apesar de ouvirmos as suas versões francesa e inglesa ("decés" e o
verbo "to decease") todos os dias nos filmes. Decesso é a minha "nova palavra", desde que a ouvi, há dias, num debate na RTP-N, dita por um advogado. Foi com um entusiasmo infantil, de criança que aprende a juntar as letras, que a repeti e partilhei com uma série de amigos e colegas. Por acaso no mesmo dia em que constatei que em dezenas de pessoas só três sabiam o que quer dizer esparadrapo (pano com unguento, penso). A maioria retorquia a pergunta: "Es-quê?". Um ou dois nem o significado de "unguento" vislumbravam. O mesmo quanto a tergiversar (hesitar, fugir ao
tema), ou estultícia (estupidez). Ou quanto a uma palavra como transporte também querer dizer êxtase ou entusiasmo.
Isto para concluir o quê? Que há um acervo (grande quantidade) de palavras que nunca são usadas e de significados que se perderam.
Que o arroubo da língua e dos seus infinitos cambiantes gasta os seus últimos prosélitos, cujo culto sincero se confunde cada vez mais com arrogância ou barroquismo. Num país que se diz de poetas, as palavras morrem assim, sem arauto nem enterro, no fundo de um baú onde já ninguém as procura.
Uma tragédia muda, portanto.
*Do pouco que conheço, muito pouco, das posições políticas da jornalista, não apoio nem subscrevo. Mas isso não me impede de concordar com esta reflexão. E também não conhecia a palavra "decesso". Só não conhece a palavra esparadrapo quem não leu os primeiros álbuns do Tintim em português (do Brasil).
O decesso do esparadrapo
Fernanda Câncio
Dentro daquela lógica de dividir o mundo entre dois tipos de pessoas, as palavras "difíceis" fazem um bom trabalho.
Infelizmente, nos dias que correm, e pelo menos no que a Portugal respeita, a desproporção entre os grupos chegou ao ponto de um deles estar em vias de extinção. Que é como quem diz decesso. Sabia o caro leitor, antes de ler estas linhas, o que quer dizer decesso?
Calculo que não. É uma palavra quase banida do linguajar corrente, apesar de ouvirmos as suas versões francesa e inglesa ("decés" e o
verbo "to decease") todos os dias nos filmes. Decesso é a minha "nova palavra", desde que a ouvi, há dias, num debate na RTP-N, dita por um advogado. Foi com um entusiasmo infantil, de criança que aprende a juntar as letras, que a repeti e partilhei com uma série de amigos e colegas. Por acaso no mesmo dia em que constatei que em dezenas de pessoas só três sabiam o que quer dizer esparadrapo (pano com unguento, penso). A maioria retorquia a pergunta: "Es-quê?". Um ou dois nem o significado de "unguento" vislumbravam. O mesmo quanto a tergiversar (hesitar, fugir ao
tema), ou estultícia (estupidez). Ou quanto a uma palavra como transporte também querer dizer êxtase ou entusiasmo.
Isto para concluir o quê? Que há um acervo (grande quantidade) de palavras que nunca são usadas e de significados que se perderam.
Que o arroubo da língua e dos seus infinitos cambiantes gasta os seus últimos prosélitos, cujo culto sincero se confunde cada vez mais com arrogância ou barroquismo. Num país que se diz de poetas, as palavras morrem assim, sem arauto nem enterro, no fundo de um baú onde já ninguém as procura.
Uma tragédia muda, portanto.
*Do pouco que conheço, muito pouco, das posições políticas da jornalista, não apoio nem subscrevo. Mas isso não me impede de concordar com esta reflexão. E também não conhecia a palavra "decesso". Só não conhece a palavra esparadrapo quem não leu os primeiros álbuns do Tintim em português (do Brasil).
Frases à deriva
"há tentativas claras de condicionamento da liberdade de informação em Portugal apoiadas por José Sócrates." daqui
"A religião ecológica e a mentalidade dos talibans tem muito em comum!" daqui
"Depois do socialismo na gaveta, o socialismo na latrina" daqui
"Há gajos que só se lembram do Serviço Nacional de Sangue quando querem cabidela." não é daqui mas podia ser
mas esta é: "Remédio contra a ejaculação precoce chega às farmácias antes do previsto"
"A religião ecológica e a mentalidade dos talibans tem muito em comum!" daqui
"Depois do socialismo na gaveta, o socialismo na latrina" daqui
"Há gajos que só se lembram do Serviço Nacional de Sangue quando querem cabidela." não é daqui mas podia ser
mas esta é: "Remédio contra a ejaculação precoce chega às farmácias antes do previsto"
sobre eu cá
Só os amorfos não têm inimigos, só os que não têm ideias próprias, os que enfileiram cegamente por aqui ou por ali e não traçam o seu próprio caminho recusando a constante instância “Vem por aqui!”, é que não granjeiam inimizades. As inimizades de quem age e, agindo, incomoda.
“Acção é termos carácter. Se não fizéssemos nada, nunca seríamos ninguém”. Só estranho que alguns que assim pensam e agem tentem coarctar tal dinâmica aos outros. Ou não será tão estranho, mas antes a interminável história dos indivíduos em sociedade, entregues a essa eterna luta que opõe a emancipação à dominação. E muitos dos que querem dominar, impreparados para tal, depressa ficam ofuscados no seu trilho e nem se apercebem de quão cerceiam a liberdade dos outros. Seguem na frente, de olhos bem abertos, mas vão cegos.
Já lá vai o tempo em que pugnava pelo bom relacionamento com toda a gente, ficando incomodado sempre que alguma birra – minha ou do outro –, nos punha de candeias às avessas. “Ser amigo é que é bonito”, assim se aprende desde pequeno. Mesmo que esse amigo seja o maior filho-da-puta que a cidade criou?! Nada mais errado.
De facto, eivado desse profundo sentimento, desse ensinamento cristão de resignação perante uma realidade supostamente inalterável, quiçá resultante dos desígnios de Deus - assim nos ensinam subliminarmente -, era-me penoso evitar cumprimentar um concidadão com quem me cruzava na rua.
Ora, a vida ensinou-me que essa atitude não é compatível com a defesa intransigente das coisas em que acreditamos. Não é conciliável com o assumir das nossas verdades, sobretudo quando elas não são partilháveis e são, até, antagónicas às dos outros.
Assim, passei a aceitar e a praticar o distanciamento e o desprezo por pessoas com as quais não me identifico nem me revejo nas suas atitudes. Pessoas com quem não compartilho os valores que reputo essenciais à vida em comunidade.
Reconheço que também cometo erros, que também tenho defeitos, como o cinismo de quem recusa perder tempo com gente que pouco ou nada de valioso tem para ensinar. Ou o artifício e a dissimulação que integro numa estratégia de reacção aos feitos velhacos dos outros, a quem só perdoo na sua quietude e nunca em função de actos de contrição e menos ainda de continuado revanchismo.
Não, hoje não me incomodo com o facto de existirem seres invisíveis, pessoas que deixei de ver, que remeti para o limbo do desprezo. Sobre as quais não me interessa o menor facto da sua existência. E nisso não vejo mal mas antes a ordem natural das coisas. Mais importante do que esse pretenso respeito pelo próximo é o respeito por nós próprios. E quando estas duas deferências não são compatíveis, que prevaleça o respeito por nós próprios, sob pena de o perdermos sobre o todo.
Mas sou generoso, sempre fui. Dou mais aos meus inimigos do que aos meus amigos. E não é adulação, é franqueza.
Aos meus amigos, saúde e longa vida.
Aos meus inimigos, saúde, longa vida e... bardamerda.
PS: - Não, não estou azedo. Estou apenas arrebatado com o que escrevo. Seja verdade ou não, aquilo que digo. hehehehe...
a Mesa contra-ataca (e leva na tromba outra vez, pois claro!)
Hehehehe… os da mesa redonda perderam as estribeiras. Sempre tentaram comprometer-me com o seu blogue (e não só a mim, bem sei) no intuito de desviar as atenções do poder sobre a verdadeira identidade de quem compõe a dita mesa, de que nunca fiz parte - nem do anterior blogue que a terá originado, o tal “5 pontas”.
Suspeito que a dor de corno deles é justamente por eu nunca ter participado no blogue. Agora fingem que houve zanga entre comadres.
Quanto ao coitado, que assina Filipa Neves, ter ficado irritado por lhe apontar erros, que mais poderei fazer, senão rir-me da sua cretinice?
Aos demais, público internauta e representantes do status, desenganem-se se pensam que vão assistir a um lavar de roupa suja. As comadres da “mesa-redonda” não fazem parte da minha família, nem nunca fizeram. No entanto, podem ler tudo o que tenho a dizer sobre o assunto, incluindo os mails recebidos dessa mesa-redonda aqui
Suspeito que a dor de corno deles é justamente por eu nunca ter participado no blogue. Agora fingem que houve zanga entre comadres.
Quanto ao coitado, que assina Filipa Neves, ter ficado irritado por lhe apontar erros, que mais poderei fazer, senão rir-me da sua cretinice?
Aos demais, público internauta e representantes do status, desenganem-se se pensam que vão assistir a um lavar de roupa suja. As comadres da “mesa-redonda” não fazem parte da minha família, nem nunca fizeram. No entanto, podem ler tudo o que tenho a dizer sobre o assunto, incluindo os mails recebidos dessa mesa-redonda aqui
para ficar à mão
"La Ricotta" de Pasolini e "Roma" de Fellini constituem verdadeiros tesouros do Cinema.
39º minuto
(...)
Chutou a bola "com o pé que tinha mais à mão" e a esfera de couro elevou-se no ar descrevendo um arco de elipse, findo o qual foi rebentar contra o poste direito da baliza, expondo as entranhas de cauchu.
Os outros quatro da equipa olharam desanimados com tal dispêndio de força bruta que não lograra submeter os totós da equipa adversária.
Tentando desviar as atenções, minimizando o duplo percalço, falhanço e destruição do esférico, interpelou o colega mais perto de si: - Ó Pinto, mas conta lá o que encontraste sobre o gajo nos arquivos da polícia?!
O oficial das FAP, ofegante, olhou-o decepcionado com o desenrolar do jogo que, visivelmente, não iriam conseguir vencer.
Os outros quatro da equipa olharam desanimados com tal dispêndio de força bruta que não lograra submeter os totós da equipa adversária.
Tentando desviar as atenções, minimizando o duplo percalço, falhanço e destruição do esférico, interpelou o colega mais perto de si: - Ó Pinto, mas conta lá o que encontraste sobre o gajo nos arquivos da polícia?!
O oficial das FAP, ofegante, olhou-o decepcionado com o desenrolar do jogo que, visivelmente, não iriam conseguir vencer.
(...)
nós
Quem me lê aqui poderá ficar com a ideia de que detesto este país e as suas gentes, que abomino os meus compatriotas e a mim próprio, julgando-nos um projecto falhado – mas não me preocupo com essa imagem que eventualmente transmitirei, porque os leitores são poucos. Ora, raramente exponho o que verdadeiramente penso sobre o que me cerca (quando penso algo), por isso caio reiteradamente nos antípodas desse “irrealismo prodigioso da imagem que os portugueses fazem de si próprios”(1).
E não guardo o que verdadeiramente penso no intuito de salvaguardar as minhas opiniões, mas apenas porque não é coisa que me preocupe. Já antes escrevi que não sinto um apelo premente, uma necessidade substancial em comunicar com os outros. No caso da escrita, que acontece por uma apetência pelo formal, é uma questão artística (2) que reúne estética, egoísmo, provocação, e pouco mais.
Pensar que olho este país como um imenso nabal, um desígnio delirante, uma realização frustrada e irrecuperável – sendo certo que teria de considerar assim por comparação com outros, mormente os do “caldeirão de cultura centro-europeu”, que amiúde evoco –, é erro. Tenho, para mim, que uma análise séria ao assunto facilmente concluiria que não somos piores do que os outros, do que esses centro-europeus e “as suas brumas, as suas memórias, o seu fundo e infinito mal-estar”(3), os seres fleumáticos, organizados e calculistas do grande Norte.
Claro que este país e esta gente têm valor. A tragédia dos portugueses não é, pois, não possuírem valor, mas sim desperdiçarem os valores que têm. É a indiferença, o laxismo, o proverbial “brando-costume” que nos desafecta dos valores, e essas maleitas são, mais que tudo, responsabilidade nossa, mesmo que radicando na educação e na herança cultural de feição judaico-cristã - e aqui, a Igreja Católica também partilha responsabilidades. Mas já chega de culpabilizar ou partilhar culpas com instituições intemporais e estruturas mentais.
Sem admitir a necessidade de compromisso e de trabalho cívico colectivo, sem aceitar que temos de despender atenções, esforços e energias na construção do sistema democrático, sem isso, não mudamos nada. Continuaremos a desperdiçar o que temos e o que somos. Continuaremos a adiar-nos como projecto colectivo.
(1)-Eduardo Lourenço em “Labirinto da Saudade”.
(2)-Prefiro a ideia de um “artesanato mental”, em vez de Arte, isto para estar em sintonia com a maioria dos “artistas” que pululam por aí, e que, em rigor, não passam de artesãos.
(3)- Miguel Sousa Tavares sobre os alemães em “Não te deixarei morrer, David Crockett”
E não guardo o que verdadeiramente penso no intuito de salvaguardar as minhas opiniões, mas apenas porque não é coisa que me preocupe. Já antes escrevi que não sinto um apelo premente, uma necessidade substancial em comunicar com os outros. No caso da escrita, que acontece por uma apetência pelo formal, é uma questão artística (2) que reúne estética, egoísmo, provocação, e pouco mais.
Pensar que olho este país como um imenso nabal, um desígnio delirante, uma realização frustrada e irrecuperável – sendo certo que teria de considerar assim por comparação com outros, mormente os do “caldeirão de cultura centro-europeu”, que amiúde evoco –, é erro. Tenho, para mim, que uma análise séria ao assunto facilmente concluiria que não somos piores do que os outros, do que esses centro-europeus e “as suas brumas, as suas memórias, o seu fundo e infinito mal-estar”(3), os seres fleumáticos, organizados e calculistas do grande Norte.
Claro que este país e esta gente têm valor. A tragédia dos portugueses não é, pois, não possuírem valor, mas sim desperdiçarem os valores que têm. É a indiferença, o laxismo, o proverbial “brando-costume” que nos desafecta dos valores, e essas maleitas são, mais que tudo, responsabilidade nossa, mesmo que radicando na educação e na herança cultural de feição judaico-cristã - e aqui, a Igreja Católica também partilha responsabilidades. Mas já chega de culpabilizar ou partilhar culpas com instituições intemporais e estruturas mentais.
Sem admitir a necessidade de compromisso e de trabalho cívico colectivo, sem aceitar que temos de despender atenções, esforços e energias na construção do sistema democrático, sem isso, não mudamos nada. Continuaremos a desperdiçar o que temos e o que somos. Continuaremos a adiar-nos como projecto colectivo.
(1)-Eduardo Lourenço em “Labirinto da Saudade”.
(2)-Prefiro a ideia de um “artesanato mental”, em vez de Arte, isto para estar em sintonia com a maioria dos “artistas” que pululam por aí, e que, em rigor, não passam de artesãos.
(3)- Miguel Sousa Tavares sobre os alemães em “Não te deixarei morrer, David Crockett”
disse há 2 mil anos

«O primeiro dever do historiador é não trair a verdade, não calar a verdade, não ser suspeito de parcialidades ou rancores» É por isso que prefiro a ficção. Não é hipócrita.
«Nas divergências civis, quando os bons valem mais do que os muitos, os cidadãos devem ser pesados, e não contados.» Eis porque, com os meus 100 Kg, tenho mais razão do que 200 políticos de 80Kg.
«O hábito de tudo tolerar pode ser a causa de muitos erros e de muitos perigos.» É o fado da carneirada.
«O maior inimigo da sociedade é o ingrato.» O problema é muitos confundirem gratidão com adulação. Fazem uma mercê esperando a subserviência.
«Não há diferença entre um juiz perverso e um juiz ignorante.» Há sim, o ignorante pode deixar de sê-lo, o perverso não.
«Nas divergências civis, quando os bons valem mais do que os muitos, os cidadãos devem ser pesados, e não contados.» Eis porque, com os meus 100 Kg, tenho mais razão do que 200 políticos de 80Kg.
«O hábito de tudo tolerar pode ser a causa de muitos erros e de muitos perigos.» É o fado da carneirada.
«O maior inimigo da sociedade é o ingrato.» O problema é muitos confundirem gratidão com adulação. Fazem uma mercê esperando a subserviência.
«Não há diferença entre um juiz perverso e um juiz ignorante.» Há sim, o ignorante pode deixar de sê-lo, o perverso não.
tudo prá lavagem
«HAVENDO DE RESULTAR DESTA LUSITANIA MILENAR, E DO POVO QUE A COMPÕE UM DESÍGNIO DE GRANDEZA QUE A TODOS FARTE E A NENHUM DÊ POBREZA, AQUI SE ESTABELECE A CLÁUSULA QUE CONDUZ À PERFEIÇÃO DE UMA, E PERPETUIDADE DA OUTRA.
QUE SE LAVEM AS CABEÇAS!»
«Manda quem pode e o Povo, que se lavem todas as cabeças desta república, por fim de pensarem melhor e, assim, rejeitarem a liderança de corruptos, incompetentes e mentirosos»
QUE SE LAVEM AS CABEÇAS!»
«Manda quem pode e o Povo, que se lavem todas as cabeças desta república, por fim de pensarem melhor e, assim, rejeitarem a liderança de corruptos, incompetentes e mentirosos»
people like us
O silêncio caiu como uma cortina, separando-os na presença um do outro. Ele alheia-se nos discursos sem som e ela destrói-se não ousando qualquer palavra, qualquer gesto, qualquer coisa que possa romper a fragilidade daquela existência tácita e vã. De tempos a tempos, para rasgar o silêncio, ele diz uma banalidade e ela responde, laconicamente, numa vivência triste.
-
sem ânus
Comemoremos então os 100 anos de rapacidade republicana. Uma centúria de pilhagem repartida entre os fascistas e a máfia "democrática". Este povo é lixado. Ora é desgraçado, ora ascende e, então, de gamela transbordante, passa a desgraçar os outros. É um povo ranhoso que vive num cu de Judas, virado para um mar com quem, episodicamente, pretende reatar uma impossível relação de amor, insistindo nessa personificação da Natureza, num intento lírico, certamente proveniente das excursões breves que, de tempos a tempos, realiza ao caldeirão da cultura que é o centro da Europa. Sentimentalismo falhado que não encontra eco neste povo de pastores boçais que desde tempos imemoriais calcorreia a faixa de terra que ocupa, dos montes hermínios às desembocaduras do Douro, do Tejo e do Sado. Entre os rudes do Norte e os indolentes do Sul se formou este país de irresponsáveis que clama por Justiça mas não a quer, que brada por Democracia mas não a constrói, que invoca a Verdade sem dela ter o mínimo vislumbre. Comemoremos, pois, um século de oclocracia. Mas também podíamos comemorar 500 anos do mesmo, ou 867 anos, considerando Zamora o ponto de partida para a estulta aventura.
ai quem bem que se está aqui
ai quem bem que se está aqui
vivo numa oclocracia
à beira-mar plantada
chamam-lhe democracia
anda mal disfarçada
e a massa ralé, iludida de poder
vive de bodos e perene abastança
mas quem manda, está-se a ver
é a oligarquia da alta finança
e esses finórios de grande manha
que devoram toda a esperança
são primos de padres de Espanha
e filhos de pedreiros de França
Será assim tão difícil melhorar?
A função pública no RX
Simplex, Siadap, Sistema de Gestão Documental e Sistema de Gestão da Qualidade. Os 4 cavaleiros do apocalipse da operacionalidade na função pública. Kafka chora, aterrorizado, Dali ri-se a bandeiras despregadas e, no meio, não há virtude, apenas um enorme vazio.
um subsidiozinho... um subsidiozinho... umzinho...um

Eminente senhor primeiro-ministro da iminente centenária república portuguesa.
Venho por este meio solicitar a Vª Exª o obséquio da atribuição de um subsídio de formador no âmbito da filosofia do programa Novas Oportunidades, subsídio do qual me julgo absoluto merecedor, uma vez que o meu automóvel está a ser usado como veículo de instrução por parte de jovens larápios das redondezas – ao que parece, naturais e imigrantes –, os quais, não querendo desperdiçar as tais oportunidades apregoadas pelo governo que Vª Exª tão ineficazmente dirige, já por duas vezes forçaram o painel da porta do condutor da minha provecta viatura e, abrindo-a, acedem ao trinco do capot que, assim franqueado, permite a subtracção da vareta do óleo do motor.
Sim, senhor engenheiro-técnico, o auto-radio ou o tripé de Fotografia não lhes interessa para nada, nem mesmo o próprio veículo. O móbil do furto é sempre o mesmo: a vareta do óleo.
A primeira aula ocorreu na madrugada de 21 de Abril de 2009, e a segunda na última noite (ver fotos em anexo). Presumo que se trate de um remake de aperfeiçoamento, pois desta vez o estrago foi ligeiramente menor, o que indicia algum sucesso na aprendizagem. Valha-nos isso. No final do seu consulado governativo poderemos dizer que o trabalho dos ladrões melhorou consideravelmente em Portugal.
Diz-me, quem diz saber, que se trata do furto de um útil instrumento de trabalho que permite abrir vários modelos de automóveis. Outros dizem-me que se trata de uma cerimónia de iniciação do tipo praxe académica. Pois, desconheço em absoluto.
Porém, meu caro Sócrates, como não sei o tamanho destas turmas, nem a extensão do curso em semestres, não faço ideia de quantas varetas de óleo terei de adquirir, nem sei se devo passar a deixar as portas destrancadas (pelo menos poupo nas reparações dos painéis, incluindo pintura, bem como no arranjo dos trincos), mas com eventual prejuízo didáctico dos alunos, dado perderem a possibilidade de treinar a prática de arrombamento, ficando apenas com a prática da técnica de furto. Atitude que não sei se será pedagogicamente correcta no âmbito do Processo de Adequação a Bolonha, ainda que neste caso se verifique uma forte componente siciliana e até mesmo napolitana (esta influência deve ser obra sua, suponho, através do amigo Berlusconi, não?), ah maganos.
Assim, pelo atrás exposto, solicito a atribuição de um subsídio de valor idêntico ao salário dos formadores do programa Novas Oportunidades ou então, em alternativa, e na impossibilidade de aprovar tal verba em Orçamento de Estado, para este ano (já que teve um encargo inesperado com uma ilha atlântica), que me fosse permitido substituir a vareta do óleo por uma vara de marmeleiro, sem quaisquer custos legais e judiciais acessórios, resultantes da sua utilização nos referidos formandos.
Aguardando deferimento, submeto ao superior critério de Vª Exª.
A Bem da Nação e da educação da nossa juventude de raça.
Francisco Castelo
Bairro Operário
Lagos

PS: Caso opte pela alternativa, agradeço que comunique tal facto ao comando local da PSP, ao senhor Delegado do Procurador da República e ao senhor Juiz da Comarca de Lagos. Muito obrigado.
Venho por este meio solicitar a Vª Exª o obséquio da atribuição de um subsídio de formador no âmbito da filosofia do programa Novas Oportunidades, subsídio do qual me julgo absoluto merecedor, uma vez que o meu automóvel está a ser usado como veículo de instrução por parte de jovens larápios das redondezas – ao que parece, naturais e imigrantes –, os quais, não querendo desperdiçar as tais oportunidades apregoadas pelo governo que Vª Exª tão ineficazmente dirige, já por duas vezes forçaram o painel da porta do condutor da minha provecta viatura e, abrindo-a, acedem ao trinco do capot que, assim franqueado, permite a subtracção da vareta do óleo do motor.
Sim, senhor engenheiro-técnico, o auto-radio ou o tripé de Fotografia não lhes interessa para nada, nem mesmo o próprio veículo. O móbil do furto é sempre o mesmo: a vareta do óleo.
A primeira aula ocorreu na madrugada de 21 de Abril de 2009, e a segunda na última noite (ver fotos em anexo). Presumo que se trate de um remake de aperfeiçoamento, pois desta vez o estrago foi ligeiramente menor, o que indicia algum sucesso na aprendizagem. Valha-nos isso. No final do seu consulado governativo poderemos dizer que o trabalho dos ladrões melhorou consideravelmente em Portugal.
Diz-me, quem diz saber, que se trata do furto de um útil instrumento de trabalho que permite abrir vários modelos de automóveis. Outros dizem-me que se trata de uma cerimónia de iniciação do tipo praxe académica. Pois, desconheço em absoluto.
Porém, meu caro Sócrates, como não sei o tamanho destas turmas, nem a extensão do curso em semestres, não faço ideia de quantas varetas de óleo terei de adquirir, nem sei se devo passar a deixar as portas destrancadas (pelo menos poupo nas reparações dos painéis, incluindo pintura, bem como no arranjo dos trincos), mas com eventual prejuízo didáctico dos alunos, dado perderem a possibilidade de treinar a prática de arrombamento, ficando apenas com a prática da técnica de furto. Atitude que não sei se será pedagogicamente correcta no âmbito do Processo de Adequação a Bolonha, ainda que neste caso se verifique uma forte componente siciliana e até mesmo napolitana (esta influência deve ser obra sua, suponho, através do amigo Berlusconi, não?), ah maganos.
Assim, pelo atrás exposto, solicito a atribuição de um subsídio de valor idêntico ao salário dos formadores do programa Novas Oportunidades ou então, em alternativa, e na impossibilidade de aprovar tal verba em Orçamento de Estado, para este ano (já que teve um encargo inesperado com uma ilha atlântica), que me fosse permitido substituir a vareta do óleo por uma vara de marmeleiro, sem quaisquer custos legais e judiciais acessórios, resultantes da sua utilização nos referidos formandos.
Aguardando deferimento, submeto ao superior critério de Vª Exª.
A Bem da Nação e da educação da nossa juventude de raça.
Francisco Castelo
Bairro Operário
Lagos

PS: Caso opte pela alternativa, agradeço que comunique tal facto ao comando local da PSP, ao senhor Delegado do Procurador da República e ao senhor Juiz da Comarca de Lagos. Muito obrigado.
fazem-me rir

Estes tipos da «mesa redonda» fazem-me rir, neste caso o/a colunista Filipa Neves, que deu mais um tirinho no pé. Para que corrija, coloco aqui porque fui bloqueado, de novo, na caixa de comentários "cloaca máxima". Diz-se, e escreve-se, "HAVER DUAS LISTAS CANDIDATAS..." e não "Haverem duas listas candidatas...". Aquele "... dirigirem o partido..." também merece revisão, mas agora vou fazer uma pausa porque fiquei cansado de trabalhar tanto, a corrigir um dos erros do texto (afinal de contas sou funcionário público, certo?).
- Ai, e o Tintim é que é analfabeto?
Não assassinem a língua portuguesa s.f.f.
PS: E não precisam agradecer, faz de conta que é revisão subsidiada pela "quêmera".
:p
Lagos. Breve história local
A mais antiga ocupação humana na área da actual cidade de Lagos remonta ao quinto milénio a.C. e é-nos facultada pelas evidências arqueológicas encontradas no Parque da Cidade e Praça de Armas, ao longo da antiga Ribeira dos Touros.
Na outra margem da ribeira de Bensafrim, o Monte Molião, identificado com a Lacobriga das fontes clássicas, apresenta testemunhos da existência de um núcleo urbano desde a Idade do Ferro, no primeiro milénio a.C.. Na área do actual centro histórico foram encontradas provas que permitem considerar a existência de um estabelecimento fenício, por volta do séc. VIII a. C.. As importantes estruturas industriais de época romana, que a arqueologia revelou, permitem concluir que a importância urbana do Molião ter-se-á deslocado para esta área a partir do século II da nossa era.
Da presença islâmica não há dados arqueológicos que comprovem a existência duma população organizada, encontrando-se apenas indícios daquilo que pode ser um assentamento rural do tipo quinta. A partir do séc. XIII, e da reconquista cristã do Algarve, Lagos é fortificada.
Em 1415, no reinado de D. João I, inicia-se a fase dos Descobrimentos Portugueses, denominada "Henriquina", cabendo a Lagos um papel importante como plataforma logística para a conquista de Ceuta e para a aventura da expansão ultramarina, com o Infante D. Henrique a impor as suas ordens, e a receber o senhorio da vila, dado pelo seu sobrinho Afonso V. Eram lacobrigenses muitos dos que escreveram as primeiras páginas dessa epopeia marítima, navegadores como Lourenço Gomes e António Gago, descobridores da Ilha da Madeira em 1419, Gil Eanes, que em 1434 dobrou o Cabo Bojador, bem como Lançarote de Freitas e outros que financiaram e integraram armadas com destino a África.
A partir do século XV, e dessa importância que ocupa nos empreendimentos marítimos, a cidade atingirá o seu esplendor económico e político, que se traduzirá num claro aumento demográfico e no incremento das obras públicas: o amuralhado amplia-se e são edificadas as igrejas de Santa Maria da Graça e de Nossa Senhora da Conceição. Com a construção da Cerca Nova, são incorporados no perímetro defensivo os dois principais núcleos da urbe, Santa Maria e S. Sebastião. Como reconhecimento pelo desenvolvimento alcançado, D. Manuel I concedeu Foral a Lagos, em 1504, e em 27 de Janeiro de 1573 foi elevada à categoria de Cidade, pela mão do Rei D. Sebastião que, cinco anos depois, aqui reuniu a grandiosa armada com destino a Alcácer Quibir.
Capital do Algarve entre 1576 e 1756, viu destruído grande parte do seu património com o terramoto de 1755, e só a partir de meados do séc. XIX, com a indústria de conservas de peixe e o comércio, recuperou alguma da sua anterior prosperidade.
No séc. XX o Turismo gera um surto de desenvolvimento local que se repercute até aos nossos dias, mas a Lagos de hoje pretende ser mais do que um destino agradável para gozar férias, emoldurado por belas paisagens. Procura viver a modernidade preservando os seus valores históricos, a sua identidade cultural e o seu património natural, proclamando o estatuto de Capital dos Descobrimentos Portugueses.
Na outra margem da ribeira de Bensafrim, o Monte Molião, identificado com a Lacobriga das fontes clássicas, apresenta testemunhos da existência de um núcleo urbano desde a Idade do Ferro, no primeiro milénio a.C.. Na área do actual centro histórico foram encontradas provas que permitem considerar a existência de um estabelecimento fenício, por volta do séc. VIII a. C.. As importantes estruturas industriais de época romana, que a arqueologia revelou, permitem concluir que a importância urbana do Molião ter-se-á deslocado para esta área a partir do século II da nossa era.
Da presença islâmica não há dados arqueológicos que comprovem a existência duma população organizada, encontrando-se apenas indícios daquilo que pode ser um assentamento rural do tipo quinta. A partir do séc. XIII, e da reconquista cristã do Algarve, Lagos é fortificada.
Em 1415, no reinado de D. João I, inicia-se a fase dos Descobrimentos Portugueses, denominada "Henriquina", cabendo a Lagos um papel importante como plataforma logística para a conquista de Ceuta e para a aventura da expansão ultramarina, com o Infante D. Henrique a impor as suas ordens, e a receber o senhorio da vila, dado pelo seu sobrinho Afonso V. Eram lacobrigenses muitos dos que escreveram as primeiras páginas dessa epopeia marítima, navegadores como Lourenço Gomes e António Gago, descobridores da Ilha da Madeira em 1419, Gil Eanes, que em 1434 dobrou o Cabo Bojador, bem como Lançarote de Freitas e outros que financiaram e integraram armadas com destino a África.
A partir do século XV, e dessa importância que ocupa nos empreendimentos marítimos, a cidade atingirá o seu esplendor económico e político, que se traduzirá num claro aumento demográfico e no incremento das obras públicas: o amuralhado amplia-se e são edificadas as igrejas de Santa Maria da Graça e de Nossa Senhora da Conceição. Com a construção da Cerca Nova, são incorporados no perímetro defensivo os dois principais núcleos da urbe, Santa Maria e S. Sebastião. Como reconhecimento pelo desenvolvimento alcançado, D. Manuel I concedeu Foral a Lagos, em 1504, e em 27 de Janeiro de 1573 foi elevada à categoria de Cidade, pela mão do Rei D. Sebastião que, cinco anos depois, aqui reuniu a grandiosa armada com destino a Alcácer Quibir.

Capital do Algarve entre 1576 e 1756, viu destruído grande parte do seu património com o terramoto de 1755, e só a partir de meados do séc. XIX, com a indústria de conservas de peixe e o comércio, recuperou alguma da sua anterior prosperidade.
No séc. XX o Turismo gera um surto de desenvolvimento local que se repercute até aos nossos dias, mas a Lagos de hoje pretende ser mais do que um destino agradável para gozar férias, emoldurado por belas paisagens. Procura viver a modernidade preservando os seus valores históricos, a sua identidade cultural e o seu património natural, proclamando o estatuto de Capital dos Descobrimentos Portugueses.
Fontes Consultadas:
“Laccobriga - A ocupação romana na baía de Lagos” - ARRUDA, Ana Margarida, C.M. Lagos, 2007
“Muralhas de Lagos” – PARREIRA, Rui, Lagos 2008
“Evolução Urbana de Lagos” – MORÁN, Elena, Lagos 2005
“Henrique, o Infante” – OLIVEIRA E COSTA, João Paulo, Esfera dos Livros, Lisboa 2009
“Laccobriga - A ocupação romana na baía de Lagos” - ARRUDA, Ana Margarida, C.M. Lagos, 2007
“Muralhas de Lagos” – PARREIRA, Rui, Lagos 2008
“Evolução Urbana de Lagos” – MORÁN, Elena, Lagos 2005
“Henrique, o Infante” – OLIVEIRA E COSTA, João Paulo, Esfera dos Livros, Lisboa 2009
NOTA JUSTIFICATIVA:
Mercê das investigações realizadas ao longo da última década, existe hoje um novo corpus de saber que impõe a reescrita da história de Lagos e o consequente abandono dos anteriores modelos de apresentação do seu passado. Aos visitantes e aos naturais interessados na história local, deve ser apresentada uma síntese do conhecimento actual, vertida num texto breve de linguagem clara, que dê conta dos resultados dessas investigações. Tal objectivo afasta, desde logo, algumas referências ou fórmulas de referência de vários mitos e lendas que, erradamente, têm sido apresentados como factos históricos. Cingir a informação histórica àquilo que provém de documentos e testemunhos credíveis é, pois, um imperativo quando se pretende apresentar uma síntese, texto breve que não permite abordar matérias como a crítica das fontes e a evolução da historiografia local.
Por estes motivos, não me é possível integrar na história de Lagos referências tradicionalmente usadas, constantes nalguma bibliografia, exageradamente citada, e que refere, entre outros, assuntos como: BRIGO, “O manuscrito «Fundação de Lagos» da biblioteca do convento da Senhora da Glória, diz que no ano de 2161 a.C., Brigo, lendário rei das Hespanhas, edificou no sítio do Paul da Abedoeira uma povoação a que chamaram Lacobriga (lago de Brigo)”. Onde se encontra este documento? Esta teoria carece de investigação e confirmação; Importância na Alta Idade Média, “No século VII a cidade terá sido sede de bispado, referenciando-se a presença do seu titular no concílio de Toledo de 631-633, sob o pontificado de Honório I”. Trata-se certamente de confusão com Ossonoba, que uma inscrição em lápide tumular encontrada em Faro veio esclarecer; ZAWAIA = Lagos? Al Idrisi refere a existência de uma povoação com porto localizada entre Silves e Sagres, mas não há indicação positiva de se tratar de Lagos; Reconquista, “…que será conquistada aos mouros no ano de 1249, por D. Paio Peres”, 1249 refere-se a Silves, não existindo referência textual a Lagos. Pode ter sido nesse ano, ou não; Governo Militar, “No entanto, foi no reinado de Afonso IV que Lagos se afirmou … com o estabelecimento do governo militar do Algarve”, Onde está esta informação? O que se conhece documentado refere que o Governo militar foi aqui sedeado, por D.Sebastião, enquanto Capital do Algarve; INFANTE, “No período dos Descobrimentos Lagos foi relevante centro naval, e vila intimamente ligada à figura e à acção do Infante D. Henrique, a quem foi doada.”, Ligada à acção sim, mas ligada à figura do Infante é uma asserção exagerada considerando que os itinerários henriquinos indicam escassa presença do Infante em Lagos; GIL EANES, “Em Lagos nasceu Gil Eanes, que aqui embarcou para a viagem em que dobrou o Cabo Bojador, em 1434”, é falso que Gil Eanes tenha partido daqui. Embarcou em Lisboa e terá feito escala em Lagos. O Infante estava em Lisboa e sabe-se que foi despedir-se do navegador (cf. obra citada de João Paulo Oliveira e Costa do Centro de História Além-Mar); ESCOLA NÁUTICA, Não se encontrou nenhuma prova da existência de qualquer escola náutica no Algarve na época dos descobrimentos.
Boa escrita
Adoro ler. Sinto um prazer enorme quando leio quem escreve muito melhor do que eu. Às vezes até consigo ler coisas sem grande interesse, mas que estão muito bem escritas. Que querem, cada um tem a sua pancada?!
Embora não nutra simpatia pela pessoa em si, peguei numa obra já com alguns anos e descubro que para além de escrever bem, ele escreve exactamente com a construção que prefiro, com a qual mais me identifico. Não estou a falar de coisas fora de série, de genialidade, de grandiloquência literária, nada disso. Falo do que é, simplesmente, bom. Deleito-me com a sua boa escrita. Ora digam lá que não está bem escrito?!
«O pai amara-o sempre, com uma frieza de rochedo. Ficara sempre ao seu lado, em silêncio, enquanto via passar pela sua vida guerra, mortes, fracassos, divórcios, desgostos, tristezas. Nunca lhe dissera para ter juízo, para assentar, essas coisas que os pais dizem.
Nunca lhe recriminara coisa alguma mas também nunca o consolara com palavras. Nunca se consentira para com ele um gesto de ternura, nunca lhe oferecera o ombro para nele desabafar. Mas tinha estado sempre ao pé dele, inabalável, à sua maneira: calado e atento.
Só na hora de morrer, o pai confessou o que nunca confessara a ninguém, que aquele filho era tudo na sua vida. Confessou-o com um único gesto de mão, com o qual fez sinal para saírem todos do quarto e deixarem-no sozinho com ele. Morreu calado e atento, como se quisesse levar consigo o som da respiração do filho ou como se quisesse escutar pela última vez os ruídos da casa. Ele ficou a segurar-lhe a mão até a sentir fria, fechou-lhe os olhos e afastou-se. Parou à porta do quarto, virou-se para trás e disse: «Nunca mais chorei, pai!».
Saiu e entregou o morto às mulheres para que o chorassem.»
“Não te deixarei morrer, David Crockett”, de Miguel Sousa Tavares
Embora não nutra simpatia pela pessoa em si, peguei numa obra já com alguns anos e descubro que para além de escrever bem, ele escreve exactamente com a construção que prefiro, com a qual mais me identifico. Não estou a falar de coisas fora de série, de genialidade, de grandiloquência literária, nada disso. Falo do que é, simplesmente, bom. Deleito-me com a sua boa escrita. Ora digam lá que não está bem escrito?!
«O pai amara-o sempre, com uma frieza de rochedo. Ficara sempre ao seu lado, em silêncio, enquanto via passar pela sua vida guerra, mortes, fracassos, divórcios, desgostos, tristezas. Nunca lhe dissera para ter juízo, para assentar, essas coisas que os pais dizem.
Nunca lhe recriminara coisa alguma mas também nunca o consolara com palavras. Nunca se consentira para com ele um gesto de ternura, nunca lhe oferecera o ombro para nele desabafar. Mas tinha estado sempre ao pé dele, inabalável, à sua maneira: calado e atento.
Só na hora de morrer, o pai confessou o que nunca confessara a ninguém, que aquele filho era tudo na sua vida. Confessou-o com um único gesto de mão, com o qual fez sinal para saírem todos do quarto e deixarem-no sozinho com ele. Morreu calado e atento, como se quisesse levar consigo o som da respiração do filho ou como se quisesse escutar pela última vez os ruídos da casa. Ele ficou a segurar-lhe a mão até a sentir fria, fechou-lhe os olhos e afastou-se. Parou à porta do quarto, virou-se para trás e disse: «Nunca mais chorei, pai!».
Saiu e entregou o morto às mulheres para que o chorassem.»
“Não te deixarei morrer, David Crockett”, de Miguel Sousa Tavares
nem sentado
Então, quando é que os tribunais julgam aqueles gajos que desviaram os fundos dos fulanos que queriam enriquecer rapidamente, à pala da fraude que é o sistema bancário?
Isto perguntaria eu, se tivesse a ilusão de que a decisão do tribunal mudava alguma coisa. Como se dali resultasse o exercício da justiça.
Isto perguntaria eu, se tivesse a ilusão de que a decisão do tribunal mudava alguma coisa. Como se dali resultasse o exercício da justiça.
relações. revelações.
«Uma pessoa que desejava construir uma amizade, ainda que não obtendo sucesso, não pode transitar da potencial amizade para o ódio declarado, ou mesmo encapotado. Isto é inteligível, ou nem sequer isso?»
efe in "arautos da bem-querença"
efe in "arautos da bem-querença"
Haja Saúde?
Médicos e enfermeiros que trabalham em hospitais do estado e, simultaneamente, em empresas privadas de prestação de serviços (onde auferem o dobro do salário ou mais) chegam a cumprir dois turnos seguidos no seu local de trabalho, cada um por conta de cada entidade empregadora. Como é possível? Quanto paga o Hospital pelos serviços prestados por essas empresas externas, podendo pagar mais barato aos seus próprios funcionários?
Isto faz lembrar a situação de um certo ministro que tinha parte no negócio de aluguer de helicópteros para combater fogos florestais. É evidente que alguém anda roubar o dinheiro público.
Entretanto, recentemente, o elo mais fraco – não me refiro às vítimas de tudo isto que são os utentes, mas sim aos profissionais que se encontram na posição mais frágil – os enfermeiros, manifestaram-se à porta do Governo Civil de Faro, contra o que consideram um atentado à sua condição profissional, já que o Governo quer impor-lhes um vencimento inferior ao da carreira técnica superior da função pública. Ora, se pensarmos que, hoje, com um curso superior de 1º ciclo ("à bolonhesa" - 3 anos de estudo), o técnico superior da função pública aufere mais do que um enfermeiro que estudou durante 4 anos (curso tradicional antes de Bolonha), ou 5 anos (1º e 2º ciclos “à bolonhesa”), isto é ou não é uma enorme injustiça? Assim, não me admiro que estes profissionais tenham de procurar uma segunda fonte de rendimentos.
Junte-se o facto da função pública poder integrar, como integra, uma percentagem considerável de técnicos superiores incompetentes e incapazes, coisa que dificilmente ocorrerá no universo da enfermagem (profissão em que é muito difícil fingir que se sabe, sem saber, ou que se faz, sem fazer, e onde os currículos de 400 páginas não possuem a importância que têm na justificação das escolhas previamente realizadas, logo fraudulentas, em concursos da administração pública), e, inevitavelmente, verificamos como a enfermagem é maltratada pela máfia que decide.
Haja Saúde.
foto daqui
Isto faz lembrar a situação de um certo ministro que tinha parte no negócio de aluguer de helicópteros para combater fogos florestais. É evidente que alguém anda roubar o dinheiro público.
Entretanto, recentemente, o elo mais fraco – não me refiro às vítimas de tudo isto que são os utentes, mas sim aos profissionais que se encontram na posição mais frágil – os enfermeiros, manifestaram-se à porta do Governo Civil de Faro, contra o que consideram um atentado à sua condição profissional, já que o Governo quer impor-lhes um vencimento inferior ao da carreira técnica superior da função pública. Ora, se pensarmos que, hoje, com um curso superior de 1º ciclo ("à bolonhesa" - 3 anos de estudo), o técnico superior da função pública aufere mais do que um enfermeiro que estudou durante 4 anos (curso tradicional antes de Bolonha), ou 5 anos (1º e 2º ciclos “à bolonhesa”), isto é ou não é uma enorme injustiça? Assim, não me admiro que estes profissionais tenham de procurar uma segunda fonte de rendimentos.
Junte-se o facto da função pública poder integrar, como integra, uma percentagem considerável de técnicos superiores incompetentes e incapazes, coisa que dificilmente ocorrerá no universo da enfermagem (profissão em que é muito difícil fingir que se sabe, sem saber, ou que se faz, sem fazer, e onde os currículos de 400 páginas não possuem a importância que têm na justificação das escolhas previamente realizadas, logo fraudulentas, em concursos da administração pública), e, inevitavelmente, verificamos como a enfermagem é maltratada pela máfia que decide.
Haja Saúde.
foto daquipaixões milenares

Era um optio da XII Legião “Fulminata”, braço direito do comandante da 1ª centúria, 1º Manípulo, 3ª Coorte.
Nessa condição seguia o centurião de perto para onde quer que este fosse, de dia ou de noite, fizesse chuva ou sol.
Mas isso não o impediu de arranjar tempo suficiente para raptar a bela lusitana, lesto como o raio, o símbolo da sua legião.
dentadas
«Não é de todo mau para a Europa que a sonoridade da Cristandade se vá perdendo, acompanhando-a, paulatinamente, para o seu ocaso, pois que sempre foi alienígena à Europa e está na base do veneno que actualmente a corrói, que é a tara ideológica dominante no seio da elite, o universalismo moralista em todas as suas variantes e graus - do cosmopolitismo soft ao anti-racismo militante - mas que sejam os arautos de um credo ainda mais violentamente inimigo da Europa a determinar este caminho, eis o que se afigura verdadeiramente alarmante.» (daqui)
Ainda hei-de ver este reaccionarismo primário voltar a convencer multidões, como o fez num passado recente. Com pesadas culpas dos partidos democratas europeus (comunistas, socialistas e social-democratas) e, sobretudo, daqueles humanistas acérrimos defensores do multi-cultural e do multi-racial.
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