telecinemices




Nas séries televisivas americanas, como aliás em quase todas as produções holywoodescas, impera demasiado artificialismo (no sentido de distanciamento do real), onde é fácil detectar que se trata de um plateau super-encenado. Já nas séries britânicas há mais naturalidade e maior aproximação ao real, seja no que toca à maquilhagem dos actores seja no que concerne à Fotografia (particularmente no campo da iluminação).

Outro aspecto que detesto na “escola” americana é o tempo, a rapidez com que as cenas se sucedem; e detestando também o oposto, a lusa modorra entediante dos filmes de Manuel de Oliveira p. ex., encontro no tempo da cinematografia britânica a dinâmica que considero mais atractiva.

É verdade que também prefiro a arte de representar britânica, que considero muito superior à americana, mais sólida e convincente, embora admita que em parte isso se deva a não conhecer tão bem os actores britânicos, pelo que os seus personagens não vêm inquinados com a carga de personagens anteriores, como acontece amiúde com os actores americanos.

Generalizar não é coisa ajuizada pelo que ressalvo as excepções: As várias “escolas” de audiovisuais americanas produziram ao longo dos tempos centenas de excelentes obras, e alguma obras-primas incontornáveis na história do cinema e da televisão. Diria é que, comparativamente, i. e. considerando as dimensões volume e escala, os norte-americanos ficam muito aquém da tríade europeia: ingleses, franceses e italianos.

Obviamente, trata-se de uma opinião subjectiva, como subjectiva é - porque pessoal - toda a interpretação que se faça do universo das imagens.

Em todo o caso, e em matéria de filmes e séries, americano ou americanizado, não, obrigado! Continuo a achá-los demasiado “infantis”; ainda que reconheça, e talvez por isso mesmo, que continuam a ser os mestres do entretenimento. Já acerca do mundo da música tenho opinião muito diferente, pelo que não se trata de nenhum preconceito contra a cultura norte-americana.

Prefiro uma série simples britânica, como MidSomer Murders, ao aparato cénico, plástico, e distante da minha realidade, que é a série norte-americana Blue Bloods.

Uma nota final para referir que tem sido muito interessante apreciar as produções internacionais de países da região escandinava (em sentido amplo: Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia), com a participação de norte-americanos, ingleses, franceses e outros, em excelentes realizações que rejuvenescem e actualizam a indústria da ficção tele/cinematográfica; talvez resultado da mistura dos contributos das diferentes escolas e culturas?!

A Educação Física deve contar para a entrada na universidade?

A Educação Física deve contar para a entrada na universidade?



http://ventosueste.blogspot.pt/2018/02/a-educacao-fisica-deve-contar-para.html

Tempus Fugit



Quando as sociedades regressam maioritariamente à comunicação por imagens isso significa que deixaram de dialogar, refugiando-se no acto de declarar. Sintoma de uma sociedade que perdeu a capacidade de conversar, de escrever, até mesmo de ler. Indícios de que as ideias dos outros não interessam porque não são produto da experiência de cada um: “Não são a minha experiência, afinal de contas a única que verdadeiramente conta”.

Nesta era de comunicação fácil e global, nunca os humanos estiveram tão afastados uns dos outros, nem tão emersos num gigantesco ruído discursivo. Porque o indivíduo de hoje não discute, sentencia. Incapaz de dialogar, o homem do séc. XXI refugia-se no monólogo, declarando a sua convicção, muitas vezes formada noutros discursos autistas que também não resultaram do confronto de ideias, de intuições, de experiências diferentes. O sujeito de hoje evita a confrontação, e mesmo quando manifesta a sua discordância fá-lo emitindo opiniões categóricas.

A par disto, nunca o tempo se mostrou tão fugidio, tão volátil, como na actualidade. E nessa emergência de acompanhar o ritmo do ponteiro dos segundos, o ser humano dilui-se num nada existencial que finge ser um tudo universal. Produto de uma civilização neurótica, este indivíduo vive o paradoxo de tentar ser mais veloz do que o seu ritmo ingénito, biológico; e num ápice esgota a vida, raramente percebendo como tal coisa aconteceu. O que antes era rápido tornou-se vertiginoso e a viagem nesta montanha russa que é a vida hodierna só se suspende por abrupto acidente que interrompe a corrida louca e apeia o indivíduo.

Nessa circunstância a imagem constitui algo para consumo imediato, algo que implica escassa reflexão e pouca ou nenhuma comunicação bilateral. É o discurso dos que não sabem confrontar ideias, é a língua daqueles que já não dominam os discursos tradicionais e que mostram dificuldade em ordenar o pensamento. É emissão num só sentido, ferramenta das elites dominantes dirigida às massas dominadas.

Assim foi ao longo da história, com os desenhos gravados no interior de cavernas, por xamãs e líderes de clãs para admiração pelos restantes membros; assim foi nas igrejas e catedrais onde os baixos-relevos, as pinturas e as estátuas transmitiam a interpretação da mensagem dos deuses, para consumo de analfabetos e iletrados; assim tem sido com os exuberantes cartazes de figuras tutelares, ou os outdoors de publicidade, com as suas mensagens dirigidas às massas; assim continua com a supremacia do visual na comunicação internética.

Preso numa ignorância travestida de convicção pessoal, o indivíduo de hoje não dialoga, antes declara a sua ignorância camuflada em imagens de subjectiva interpretação, em que cada destinatário/espectador constrói uma interpretação pessoal, que invariavelmente faz concordar com o aquilo que considera acertado, correcto, e verdadeiro. Não há lugar para a dúvida, o contraditório não é explorado, o cérebro trabalha pouco, a inteligência desvanece.

“Os média deram a palavra a legiões de imbecis que anteriormente falavam só no bar, depois de uns copos de vinho, sem causar dano à comunidade. Frequentemente, até havia alguém que os mandava calar, mas hoje eles têm tanto acesso ao uso da palavra como qualquer laureado com o Prémio Nobel. O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a arauto da verdade”. Umberto Eco

E a imagem aí está para facilitar essa declaração. 

“A imagem é o resumo visual e indiscutível de uma série de conclusões a que se foi chegando através da elaboração cultural; e a elaboração cultural que se serve da palavra transmitida por escrito é apanágio da elite dirigente, ao passo que a imagem final é construída para a massa submetida. Nesse sentido, têm razão os maniqueístas: existe na comunicação por imagem algo de radicalmente limitativo...” Umberto Eco

 Não há tempo para mais, Tempus Fugit. Vejam fotos.





Capitalismo




É no capitalismo que as pessoas comuns alcançam a maior qualidade de vida e é no capitalismo que milhões de pessoas encontram a possibilidade de ascensão social e económica. As situações de pobreza que existem nas sociedades capitalistas em nada diferem das situações de pobreza que existem em quaisquer outras sociedades.

Pobre é pobre em qualquer lado, mas na sociedade capitalista o indivíduo pode aproveitar, ou criar, a possibilidade de construir algo que lhe permita superar a situação de pobreza, enquanto noutras sociedades tutelares, não capitalistas, não existe essa oportunidade; apenas o recurso à esmola do Estado para garantir a sobrevivência, e se existirem demasiados "necessitados" o Estado esgota nesse suporte a riqueza gerada pelos indivíduos produtivos não permitindo o enriquecimento individual e transformando a sociedade numa massa de remediados que sustentam outra massa de desvalidos, desafortunados ou preguiçosos.

Se o Estado quer ser polícia, que o seja dos grandes oligarcas, dos jogos das multi-nacionais e do império financeiro, legislando, regulando e fiscalizando as desmesuradas fortunas e os mega-negócios, e deixe de ser patrão e sanguessuga do cidadão comum, que deixe de ser perdulário e deixe o cidadão tratar da sua vida.

«O preconceito e o fanatismo da opinião pública manifestam-se com mais clareza pelo facto de ela vincular o adjectivo 'capitalista' exclusivamente às coisas abomináveis, e nunca àquelas que todos aprovam» Ludwig von Mises

«O capitalismo será sempre melhor opção de sistema económico do que o socialismo, e seria sempre a melhor opção mesmo que a humanidade fosse moralmente perfeita. Porque até num mundo ideal, a propriedade privada e a liberdade de mercado seriam a melhor forma de promover a cooperação mútua, a justiça social, a harmonia e a prosperidade. O socialismo fixa-se na superioridade moral do indivíduo (ou pior, na superioridade moral das massas) tentando provar com isso que o socialismo ideal é moralmente superior ao capitalismo realista. Porém, a realidade leva-nos a intuir que o capitalismo ideal é superior ao socialismo ideal.» Jason Brennan

uma frase que diz tudo

«Corre-lhes no sangue a torpeza, a sordície é comum desde os tempos de escola e vai atilando-se a par da idade e ‘experiência’, a escrotidão é o ‘quotidiano’.»     Daqui

máxima sobre guerra

«A melhor guerra é aquela que ninguém sabe que estamos a travá-la; nem mesmo os oponentes. 
Mas para isso, não a podemos ganhar para ninguém, só para nós.»
Vanus de Blog

Celebrar a Restauração da Independência

Celebrar a Restauração da Independência
- Ou a vontade de um projecto colectivo -



A 19 de Março de 1604 nascia em Vila Viçosa D. João, filho de D. Teodósio (VII Duque de Bragança) e de D. Ana de Velasco y Giron, e neto de D. Catarina de Bragança, uma das herdeiras legítimas ao trono, em grau de igualdade com Filipe II de Espanha. No entanto foi este monarca espanhol que veio a tornar-se rei de Portugal. Um rei com duas coroas.

As promessas de Filipe I nas Cortes de Tomar e a riqueza do reino espanhol granjearam vasto apoio à instauração da união ibérica. Porém, tudo mudou no início do século XVII com a crise que afectou a Espanha sobretudo devido à sua envolvência na Guerra dos Trinta Anos, que implicou a mobilização dos exércitos portugueses e o lançamento de novos impostos em território nacional.

Com Filipe III de Portugal, o país tornou-se numa mera província espanhola, com o monarca residindo permanentemente em Espanha, e a regência entregue a D. Margarida, Duquesa de Mântua, auxiliada por Miguel de Vasconcelos, o Escrivão da Fazenda do Reino.

Este desrespeito pelas promessas feitas nas Cortes de Tomar conduziu ao crescente descontentamento português, com vários levantamentos populares e revoltas, como a de 1637 em Évora (Revolta do Manuelinho), que se espalhou por outros pontos do país, mas prontamente abafada pelos militares espanhóis.

Porém, o descontentamento já era generalizado, visto que o país não estava a ser governado segundo os seus interesses e as colónias portuguesas eram constantemente vítimas de ataques de ingleses e holandeses. Desta forma foi ganhando consistência o desejo de ver restaurada a independência e, nesse ambiente, e sobretudo a partir de 1636, D. João começou a ser encarado como a figura adequada para substituir Filipe III no trono português.

Em 1637, esse desejo de restauração da independência ganhou mais força no seio da nobreza, do clero e da burguesia, estendendo-se até ao povo, e em Novembro de 1640 um grupo de conjurados planeou a revolução. João Pinto Ribeiro, representando os conjurados, dirigiu-se a casa de D. João para acertar os preparativos da revolução mas, inicialmente, D. João recusou. E foi a sua esposa, Luísa de Gusmão, que o convenceu que seria melhor morrer reinando do que servindo, atribuindo-se-lhe a frase “ Melhor ser Rainha por um dia, do que duquesa toda a vida”.

Podemos, pois, dizer que restauração da independência portuguesa de Dezembro de 1640 foi desencadeada para superar a crise política decorrente da prepotente e ofensiva governação do Conde-Duque de Olivares, que impôs medidas que contrariavam as promessas de autonomia feitas nas Cortes de Tomar de 1581 por Filipe I de Portugal.




Retrato de D. João IV, de autor desconhecido, existente na Torre do Tombo


A 1 de Dezembro de 1640, em Lisboa, os revoltosos tomaram o poder e aclamaram D. João, Duque de Bragança, como rei de Portugal. O golpe de Estado palaciano envolveu cerca de meia centena de aristocratas portugueses. Este acontecimento foi acompanhado de alguns assassinatos, designadamente de Miguel de Vasconcelos, o representante da administração espanhola de Filipe III de Portugal.

No dia 6 de Dezembro D. João chegou a Lisboa onde foi recebido entusiasticamente pelo povo e pelos representantes da nobreza e do clero, sendo aclamado solenemente como D. João IV, rei de Portugal, no dia 15 de Dezembro. Não obstante a restauração de facto ter ocorrido em 1640, só houve uma restauração de jure nas Cortes de Lisboa de 1641, pois foi aí que se consagrou a legitimidade dinástica da casa de Bragança.

Não se pense, porém, que a seguir tudo foi um mar de rosas. Bem pelo contrário. O Governo de D. João IV nem sempre contou com o apoio de todos os portugueses, nem mesmo das esferas mais próximas do poder. A atestar isto verificaram-se conspirações contra o monarca; a mais perigosa ocorreu menos de um ano depois de ter sido coroado e nela participaram membros da aristocracia, da burguesia e do alto clero, em consequência da crise económica que pautou o seu reinado, bem como pelos fracassos da sua diplomacia europeia.

Empenhado na manutenção da independência solicitou ajuda militar aos tradicionais inimigos de Espanha mas tais empreendimentos não só se revelaram infrutíferos como, até, prejudiciais. A tentativa de assinar um tratado de paz com a Holanda, que granjeasse o seu apoio militar e diplomático, redundou em fracasso já que os holandeses estavam astutamente empenhados na conquista de territórios ultramarinos portugueses e só em 1657 anuíram em tal tratado, depois de já terem tomado muitas possessões até então portuguesas.

A França, que havia prometido ajuda a Portugal nunca a concretizou e nem permitiu a presença de Portugal nas negociações de 1648 que estabeleciam o fim da Guerra dos Trinta Anos. Até a Inglaterra atacou Portugal em 1650 e 1654 e o sequente tratado de paz revelou-se humilhante e oneroso, mercê da obrigatoriedade de abertura do nosso império ao tráfico inglês e à entrega dos territórios de Bombaim e Tânger como dote de D. Catarina, esponsal de Carlos II de Inglaterra. E as adversidades não ficaram por aqui, até a Santa Sé recusou auxiliar os interesses portugueses, ao não reconhecer a nossa independência e ao não confirmar os bispos nas dioceses portuguesas.

De entre os vários e poderosos reinos europeus da altura apenas a Suécia se dispôs a prestar algum auxílio, enviando armas, abastecimentos e mercenários, para Portugal enfrentar militarmente a Espanha. E os custos da guerra com os nossos vizinhos, que configuravam uma autêntica sangria de fundos, tiveram repercussões a nível ultramarino, provocando irremediáveis perdas.

No território nacional continental o principal teatro das operações militares era o Alentejo, de onde partiam as incursões militares sobre Espanha, assolando aldeias e vilas, e que só não foram rapidamente contrariadas porque a Espanha ainda se encontrava profundamente envolvida na Guerra dos Trinta Anos (até 1859), e nos conflitos na Catalunha. Para além das pequenas batalhas de fronteira ocorreram algumas de maior monta, como o cerco de Badajoz feito pelas tropas portuguesas, que no entanto não lograram alcançar a rendição daquela praça, ou o grande confronto do Montijo em 1644, e o de Elvas em 1659.

D. João IV morre em 1656 e a regência de D. Luísa de Gusmão prolongou-se por muito tempo, o que deu azo à ocorrência de um golpe de Estado, em 1661, que colocou o príncipe no trono, golpe gizado por D. Luís de Vasconcelos e Sousa, Conde de Castelo Melhor, que se tornou primeiro-ministro e adoptou uma política de vincado reforço do poder central.

Porém, foi no reinado de Afonso VI que teve lugar a batalha decisiva para a consolidação da independência portuguesa, a batalha de Montes Claros, ocorrida em 17 de Junho de 1665. Do lado português um exército de 20.500 homens comandados pelo Marquês de Marialva, e do lado espanhol um exército de 22.700 homens comandados pelo Marquês de Caracena. Ao fim de 7 horas de intenso combate os espanhóis deram a batalha como perdida e retrocederam para lá da fronteira.

Dois anos depois, em 1667, o Infante D. Pedro, ajudado pelo Duque de Cadaval, lidera um golpe de Estado que leva à demissão do Conde de Castelo Melhor e à prisão do rei, resultando na sua abdicação. D. Pedro II é jurado Príncipe Regente nas Cortes de 1668, e é então firmado o Tratado de Paz com a Espanha, culminando o longo período de conflitos entre os dois reinos. O Tratado estabelecia a manutenção das fronteiras portuguesas e das possessões ultramarinas de Portugal, com excepção de Ceuta que ficaria para os espanhóis.

Impõe-se, agora, retroceder uns séculos na história de Portugal, para melhor enquadrar o nosso pensamento: Em 1096, o rei Afonso VI de Leão e Castela deu o governo do Condado Portucalense a Henrique da Borgonha, juntamente com a sua filha, a Infanta D. Teresa, passando Henrique a ser Conde de Portucale. D. Henrique governou no sentido de conseguir uma completa autonomia para o seu condado e efectivamente deixou-o muito mais livre do que recebera.

Em 1125, com catorze anos de idade, o seu filho Afonso Henriques, com o apoio da nobreza portuguesa da época, arma-se a si próprio cavaleiro  e enfrenta a sua mãe, D. Teresa, regente do Condado por morte do rei. Afonso Henriques e os fidalgos portucalenses não admitem o favoritismo da rainha pelos nobres galegos. A luta desenrola-se em vários episódios até que em 24 de Junho de 1128 se trava a Batalha de S. Mamede e D. Teresa é expulsa da terra que dirigira durante 15 anos. Depois de outras lutas bem-sucedidas contra  o seu primo, o rei Afonso VII de Leão e Castela, finalmente nasce o Reino de Portugal, e a dinastia dos Borgonha, com o seu primeiro rei, Afonso I de Portugal.

E é nesta enérgica insistência de luta pela independência que se firma o querer da nação portuguesa que ao longo da história o repetiu com igual empenho, instituindo a vontade indómita que fundamenta o seu projecto colectivo e em que se forjou uma identidade de Nação, Povo e Estado.

Historicamente, o sentimento anti-espanhol difundiu-se entre os portugueses muito antes do surgimento de qualquer ideologia iberista. Ao longo de oito séculos os portugueses fizeram do “perigo espanhol” um elemento do seu nacionalismo. Castela foi, assim, e desde o início de Portugal, o “Outro”, o vizinho que devia ser vigiado e, simultaneamente, aquele que desempenhava um papel fundamental na construção da nossa identidade colectiva: “Na cidade da Guarda mandava-se punir, em finais da Idade Média, quem chamasse a um vizinho “castelhano”, insulto equiparado ao de “puta”. Até o aforismo “de Castela, nem bom vento nem bom casamento”, cuja origem se perde nos inícios da nacionalidade portuguesa, logrou actualizar-se no idêntico “de Espanha, nem bom vento nem bom casamento”.

Mas, se a contemporaneidade racional, humanista e universalista, a cooperação actual entre os dois estados vizinhos, e a integração numa mesma organização de propósito europeu, remete para o baú da memória aqueles aforismos depreciadores sobre os nossos vizinhos, as conjunturas económicas podem reavivar essas resistências a uma aliança cabal, temendo-se ajuizadamente a diluição da independência de um Portugal engolido pela poderosa Espanha.

Com 878 anos para alguns, ou 838 anos para outros, conforme se tome por referencia a Batalha de Ourique de 1139 ou a bula manifestis probatum de 1179, Portugal assiste, hoje, a renovadas dinâmicas com vista à independência de várias nacionalidades europeias (Catalunha, País Basco, Escócia, Lombardia, etc;), observando paralelamente o reavivar de ideias antigas com vista ao federalismo ou confederalismo de estados ou nações, e particularmente, naquilo que mais nos toca, ao Iberismo.

Por mais interessantes que as ideias de Iberismo possam parecer convém não esquecer que a Espanha manteve sempre a perspectiva da reunificação ibérica entre as suas principais intenções políticas, verifique-se a este respeito a actuação espanhola de Afonso XIII de há 100 anos.

«Apesar das relações entre os dois países terem melhorado durante a contenda europeia, manteve-se o “litígio ibérico”: a crise em Portugal servia para justificar as ambições iberistas de Afonso XIII, monarca que até às vésperas da Primeira Guerra defendeu junto das potências europeias a conveniência e o interesse da Espanha numa “solução ibérica”.  (...) O regicídio fragilizou a posição externa portuguesa: a Espanha aproveitou a aproximação à Inglaterra e à França para tentar conseguir uma ascendência sobre Portugal. Convencido de que a revolução republicana desobrigaria a Inglaterra de defender Portugal, Afonso XIII não escondia que pensava desde 1908 numa união ibérica, mais ou menos voluntária.
Em 1911, rebentou nova crise em Marrocos, com soldados franceses a ocuparem Fez e a Espanha a responder com a ocupação de Larache, Arzila e Alcácer-Quibir. Crendo que a Espanha se aliara à Alemanha, os responsáveis políticos franceses buscaram apoio junto da Inglaterra.
Assim, até meados de 1912, a Espanha, isolada, enfrentou uma situação de tensão com a França e a Inglaterra por causa de Marrocos e, por conseguinte, o clima tornou-se pouco favorável para aventuras em Portugal.
No entanto, na segunda metade de 1912, a Espanha aproximou-se da Entente ao concluir um novo acordo com a França. Assinado este acordo, as ambições do rei espanhol tornaram a vir ao de cima. Na visita que fez a Paris em Maio de 1913, Afonso XIII ofereceu a beligerância espanhola ao lado da França numa possível guerra europeia, exigindo em troca a anexação de Portugal. (…)Em Fevereiro de 1913, Afonso XIII avisava Arthur Hardinge, embaixador inglês em Lisboa e anti-republicano, de que a Espanha exigiria o território metropolitano português caso a Alemanha e a Inglaterra partilhassem as colónias portuguesas».
FERREIRA P.B.R., “Iberismo, hispanismo e os seus contrários: Portugal e Espanha” págs. 185,186

São assuntos que merecem reflexão e debate, pois não devemos deixar-nos prender a nenhuma certeza absoluta já que essas não passam de dogmas. Isto é, se pugnamos pela nossa total independência enquanto Nação e Estado, podemos e devemos discuti-la, porque da discussão surgirá, obrigatoriamente, a actualização dos conceitos e das práxis dessa independência que queremos eternizar. Perigoso, é achar que o assunto não pode nem deve ser discutido, mantendo-o silenciado até que, um dia, nos surpreenda um ruidoso facto consumado, permitido pelo laxismo mental e ausência de conhecimento que a discussão aporta.

Estamos convictos que os portugueses desejam manter a sua independência com base na vontade que presidiu à fundação de Portugal e, sobretudo, pela confirmação desse querer repetidamente declarado ao longo da História. Preterir este fundamento de cunho identitário em prol da ideia de uma União ou Federação Ibérica, ou outra qualquer fórmula que dilua o sentir unitário português, poderá não ser mais do que um gratuito contrariar do espírito que presidiu à fundação de Portugal e à sua manutenção como estado independente, contra quaisquer desígnios.

A herança de um povo é algo mais complexo de que simples conceitos teóricos ou memórias de existências em comunhão tribal. É algo que é construído na partilha de aspirações, sofrimentos e valores conquistados. Por isso não pode ser tratada levianamente e reduzida pelas novas aquisições de um mundo contemporâneo que é, em certa medida, enganadoramente apresentado como um mundo global e alter-cultural. O que é um homem sem a sua herança cultural, sem a ligação que a história de um passado comum e a tradição lhe conferem? E não se trata de sobrevalorizar a nossa herança face às dos outros povos; a nossa não é melhor nem pior, mas é a nossa. O que será um povo sem a ligação ao seu passado, senão um povo sem referências no presente e, plausivelmente, sem perspectivas para um futuro colectivo?!

Tudo isto é questionável e discutível, concedemos; e se um dia os portugueses entenderem ignorar o seu passado, pois podem fazê-lo, porém será necessário aceitar que seremos então um povo que parte do zero e que, forçosamente, terá de construir uma nova identidade que sirva de esteio, de referencial, de fio condutor à sua unidade como povo ou nação. E então coloca-se a pergunta: Para quê começar de novo se já temos esse valor construído e cimentado?! Será que lhe reconhecemos assim tantos erros, tanta ineficácia e tamanha inutilidade face às novas valias da contemporaneidade?

Se alguns acham que estas acepções são antigas e obsoletas, em dissonância com a actualidade e a marcha civilizacional da humanidade, então também o serão os mais elementares sentimentos que perpassam pela alma humana. Porém, contra esses sentimentos ninguém, no seu perfeito juízo, brande a acusação de arcaísmo como qualificativo deste fervor independentista.

Por tudo isto, celebrar o 1º de Dezembro não é apenas celebrar a Restauração da Independência protagonizada por meia centena de personagens seiscentistas; é, sobretudo, assim o cremos, celebrar a vontade de um povo.

Fontes Consultadas:
- BRANDÃO DA LUZ J. L., “O Federalismo no ideal da República em Teófilo Braga e Manuel de Arriaga”, Universidade dos Açores
- CARNEIRO DE SOUSA I., “História de Portugal Moderno, Economia e Sociedade”, Universidade Aberta, 1996
- COELHO A. B. “História de Portugal VI – Da Restauração ao Ouro do Brasil”, Ed. Caminho, 2017
- DIAS J. M. B., “Da Questão Ibérica à União Europeia. Constantes e Mutações no Relacionamento Entre Espanha e Portugal”
- FERREIRA P. B. R., “Iberismo, hispanismo e os seus contrários: Portugal e Espanha (1908-1931) ” -Tese de Doutoramento em História Contemporânea, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2016.
- HESPANHA A.M., ““História de Portugal Moderno, Político e Institucional”, Universidade Aberta, 1995
- TORGAL L.R., “Acerca do Significado Sociopolítico da “Revolução de 1640””, Revista de História das Ideias, Vol. 5, Universidade de Coimbra, 1984
- NETO V., “Iberismo e Municipalismo em F.F. Henriques Nogueira”, Revista das Ideias, Vol. 10, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1988.

Táxis, Guterres e outra merdas...

Táxis, Guterres, Sócrates e a pobreza de Portugal

  • Vasco Pulido Valente

Segunda-feira

À cautela fiquei em casa. De qualquer maneira ficava, mas desta vez fiquei com convicção. Esta querela dos taxistas é um retrato da imbecilidade nacional. Primeiro, não há uma única espécie de taxistas, há três: os taxistas que trabalham por conta de outrem (desconfio que a maioria), os proprietários de um carro (e de um alvará) que são no fundo donos de um pequeno negócio de família (feito à custa de austeridade e poupança) e as empresas que têm dezenas (ou centenas) de táxis, que, naturalmente, se governam por outros interesses. A lei juntou as três espécies por uma questão de ignorância e de amadorismo. Vieram brincar aos governos, brincam aos governos. Resultado: arranjaram um sarilho sem uma saída digna.

Terça-feira

Agora que já acabou ou, pelo menos, se atenuou a campanha patriótica para a canonização de Guterres, talvez se possa olhar para ele com alguma tranquilidade e medida. Por acaso conheço a criatura. É um homem fraco, influenciável, indeciso e superficial. A crónica amnésia deste país fez desaparecer numa semana de glória o péssimo governo que ele dirigiu; um governo que estava sempre em crise porque o primeiro ministro avançava, recuava, não era capaz de resolver nada de uma vez para sempre e, como disse Medina Carreira, caía em terríveis transes de angústia quando tinha de dizer “não”. Esse é o Guterres de que me lembro e não me parece a encarnação de um grande diplomata. Quanto ao resto, o católico a roçar o beato, cheio de amor pelos pobrezinhos, também não me entusiasma: a ONU não precisa de uma nova versão de Sta. Teresa de Calcutá.

Quarta-feira

Consta por aí que o eng. Sócrates vai publicar outro livro. Por descargo de consciência li o primeiro. É um exercício escolar sem originalidade ou rigor, que, como lhe compete, exibe uma enorme incultura filosófica. Não valia a pena tornar a falar dele se Sócrates não aparecesse agora com uma nova prestação dos seus pensamentos, desta vez sobre o “carisma” (um assunto que tresanda a pretexto para o auto-elogio). Depois do que se disse sobre a autoria e as vendas da sua alegada tese, nenhum académico com vergonha se atreveria a lembrar a sua presença sobre a terra, sem o reconhecimento de uma universidade idónea. O problema de Sócrates é que está morto, intelectual e politicamente morto, e se recusa a reconhecer esse facto simples. A agitação em que anda chega a confranger. Sossegadinho na Covilhã ou no diabo ficava melhor.

Quinta-feira

O debate entre Trump e Clinton não passa de uma zaragata de bordel. A famosa civilização do Ocidente deu nisto.

Sexta-feira

Quando se puxa o cobertor para cima, ficam os pés de fora; quando se puxa o cobertor para baixo fica de fora a cabeça. Depois de se insultarem por causa deste interessante assunto, os senhores da economia recomendam muito sabiamente que se estique o cobertor. Mas, sobre a maneira de o esticar, não dizem mais que meia dúzia de lugares-comuns. As discussões sobre o Orçamento de 2017 deixaram à vista a pobreza e a fragilidade de Portugal. A choradeira e o ranger de dentes não levam a nada, nem os triunfos vicários com as façanhas de Ronaldo ou Guterres. Sempre foi assim. Agora julgávamos que “entrar” para a Europa nos fazia europeus. Não fez.

Sábado

Ando a ler uma “História do Cristianismo – Primeiro Milénio”, que tem 1 100 páginas e ajuda muito quando se tem de esperar. É um interesse antigo que os meus compatriotas não partilham. Verdade que Saldanha, o da estátua, conseguiu fazer o maior discurso do Parlamento português sobre o Concílio de Niceia, mas não era inteiramente bom da cabeça e era Presidente do Conselho e comandante-em-chefe do exército. Os católicos nunca se interessaram muito pela origem ou pela teologia da sua fé. Hoje nem sequer há uma boa tradução da Bíblia (tirando talvez a do Novo Testamento, directamente traduzida do grego por Frederico Lourenço, que saiu esta semana). O próprio Patriarca deu a entender a uma amiga minha que não estava muito satisfeito com esta situação. A Universidade Católica não se interessa e só se preocupa com as suas ninhadas de economistas, de gestores e daquelas criaturas que se auto-proclamam “cientistas” políticos. O que estará na cabeça do católico indígena, fora meia dúzia de orações e de rituais, e de uma vaga crença no Céu e no Inferno?

rastilhos de pólvora


Alguns destes rastilhos de pólvora têm vindo a arder lentamente, mas parece que agora vão avançar mais lestos. A implosão da Europa é inevitável, e as potências totalitárias, de cunho ditatorial político ou religioso, aguardam sôfregas. E o "politicamente correcto" assente numa cartilha intelectual neo-esquerdista impõe este desvario. De tempos a tempos a Europa imbeciliza-se esquecendo as lições do passado, e por aí vamos.

"NÃO PODEMOS EVITAR A NECESSIDADE DE DEUS"


“NÃO PODEMOS EVITAR A NECESSIDADE DE DEUS”
Angélica Lidell – Dramaturga, encenadora, actriz, escritora e poetisa espanhola

«Sinto que se vive um tempo de puritanismo atroz. Onde tudo é ofensa. Não se vê a beleza com naturalidade. Antes como uma ameaça. Os tempos mais hipócritas são os mais puritanos. Vivemos num paradoxo. Por um lado, o sexo está por todo o lado, por outro quando se aborda a sexualidade em palco a censura é total. Quanto a Pasolini, ele está em mim desde sempre. É um companheiro de viagem. Um amigo. Um amigo morto. Nem sequer é uma influência.»
(…)
«O ritual corresponde a uma necessidade interna de nos libertarmos de conflitos. Em Itália, por exemplo, como julgo que aconteceu noutros sítios, os rituais pagãos foram aproveitados pelas religiões. Há um livro de Ernesto de Martino, chamado “La Terra del Rimorso” (1961), onde ele fala do efeito que a proibição de praticar certos rituais e danças teve na população. Segundo ele, as pessoas com problemas psiquiátricos e os internamentos em manicómios aumentaram significativamente, o que estaria relacionado com o fim de uma relação vertical, que não é horizontal na medida que essa é política. O fim da relação vertical, com Deus, deixa-nos numa situação insustentável. É por isso que acredito que é preciso devolver às pessoas a relação com o sagrado. Foi algo que tentámos extirpar da condição humana, porque associámos essa relação à Igreja, enquanto instituição. A verdade é que como seres humanos necessitamos de algo que nos supere. Os rituais não são uma imposição. Existiram desde o princípio do mundo, já estão inscritos nas pinturas rupestres. Safranski, por exemplo, diz que criámos uma sociedade horizontal, que massacrou toda uma relação vertical que também nos define. Há uma politização tão feroz que acaba por empobrecer a expressão. O mundo da arte, da expressão artística, tem de extirpar do ser humano tudo o que não nos corresponde.»
(…)
«As ideologias acabaram com o pensamento. Tornaram-se no oposto ao pensamento. Daí que a democracia esteja em crise, e acabe por ser uma utopia. Temos de regressar à democracia ateniense, e ao contrato social de Rousseau para perceber de onde viemos e para onde vamos. Depois de tudo o que aconteceu no século XX, só nos resta pensar que a democracia é uma velha utopia. O homem é algo mais. O homem é algo mais do que a democracia, mais do que o homem político»


In E – A Revista do Expresso, ed. 2343 de 23 Setembro de 2017

Sou Livre. Não voto!



As minhas razões para não votar: 
Não votar é uma atitude que incomoda e aborrece o establishment político, não tanto quanto o Estado incomoda os cidadãos, mas ainda assim é incómodo para todos aqueles candidatos desejosos de comandar as nossas vidas. 
Tragicamente, entre todos aqueles candidatos é difícil identificar o mal menor porque todo o sistema está minado pela corrupção, do mais alto escalão nacional até ao mais baixo escalão autárquico, ainda que nem todos os agentes políticos da administração sejam corruptos. 
E, depois, porque há muito mais hipóteses de ser atropelado a caminho da assembleia de voto do que hipóteses do meu voto mudar alguma coisa na política local ou nacional. 
Porém, não votar não significa total afastamento da política, porque esta é algo muito mais abrangente do que só as eleições. 
Em resumo, e ironizando, ao não votar escolho o voto num hipotético candidato chamado NINGUÉM porque: Ninguém cumpre promessas; Ninguém resolve os problemas do país; Ninguém dá atenção aos novos problemas que se colocam à sociedade actual. E por isso Ninguém merece o meu voto.
A Liberdade foi conquistada para garantir o exercício de consciência, de opinião e de opção. A Liberdade existe para permitir a expressão do meu livre-arbítrio, quer ele seja votar... ou não votar.
Nota: Este artigo não visa incitar a não votar, constituindo apenas uma justificação para a minha opção.

Lorem Ipsum

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"Não há quem goste de dor, que a procure e a queira ter, simplesmente porque é dor..."

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O que é o Lorem Ipsum?

Lorem Ipsum é um texto modelo da indústria tipográfica e de impressão. O Lorem Ipsum tem vindo a ser o texto padrão usado por estas indústrias desde o ano de 1500, quando uma misturou os caracteres de um texto para criar um espécime de livro. Este texto não só sobreviveu 5 séculos, mas também o salto para a tipografia electrónica, mantendo-se essencialmente inalterada. Foi popularizada nos anos 60 com a disponibilização das folhas de Letraset, que continham passagens com Lorem Ipsum, e mais recentemente com os programas de publicação como o Aldus PageMaker que incluem versões do Lorem Ipsum.

Porque é que o usamos?

É um facto estabelecido de que um leitor é distraído pelo conteúdo legível de uma página quando analisa a sua mancha gráfica. Logo, o uso de Lorem Ipsum leva a uma distribuição mais ou menos normal de letras, ao contrário do uso de "Conteúdo aqui, conteúdo aqui", tornando-o texto legível. Muitas ferramentas de publicação electrónica e editores de páginas web usam actualmente o Lorem Ipsum como o modelo de texto usado por omissão, e uma pesquisa por "lorem ipsum" irá encontrar muitos websites ainda na sua infância. Várias versões têm evoluído ao longo dos anos, por vezes por acidente, por vezes propositadamente (como no caso do humor).

De onde é que ele vem?

Ao contrário da crença popular, o Lorem Ipsum não é simplesmente texto aleatório. Tem raízes numa peça de literatura clássica em Latim, de 45 AC, tornando-o com mais de 2000 anos. Richard McClintock, um professor de Latim no Colégio Hampden-Sydney, na Virgínia, procurou uma das palavras em Latim mais obscuras (consectetur) numa passagem Lorem Ipsum, e atravessando as cidades do mundo na literatura clássica, descobriu a sua origem. Lorem Ipsum vem das secções 1.10.32 e 1.10.33 do "de Finibus Bonorum et Malorum" (Os Extremos do Bem e do Mal), por Cícero, escrito a 45AC. Este livro é um tratado na teoria da ética, muito popular durante a Renascença. A primeira linha de Lorem Ipsum, "Lorem ipsum dolor sit amet..." aparece de uma linha na secção 1.10.32.
O pedaço mais habitual do Lorem Ipsum usado desde os anos 1500 é reproduzido abaixo para os interessados. As secções 1.10.32 e 1.10.33 do "de Finibus Bonorum et Malorum" do Cícero também estão reproduzidos na sua forma original, acompanhados pela sua tradução em Inglês, versões da tradução de 1914 por H. Rackham.

Onde posso arranjar algum?

Existem muitas variações das passagens do Lorem Ipsum disponíveis, mas a maior parte sofreu alterações de alguma forma, pela injecção de humor, ou de palavras aleatórias que nem sequer parecem suficientemente credíveis. Se vai usar uma passagem do Lorem Ipsum, deve ter a certeza que não contém nada de embaraçoso escondido no meio do texto. Todos os geradores de Lorem Ipsum na Internet acabam por repetir porções de texto pré-definido, como necessário, fazendo com que este seja o primeiro verdadeiro gerador na Internet. Usa um dicionário de 200 palavras em Latim, combinado com uma dúzia de modelos de frases, para gerar Lorem Ipsum que pareçam razoáveis. Desta forma, o Lorem Ipsum gerado é sempre livre de repetição, ou de injecção humorística, etc.



picado daqui 
http://pt.lipsum.com/

Deus dá NOS a quem... paga mais


A NOS está a informar os seus clientes de que as frequências dos canais de televisão que se acedem sem box vão ser reconfiguradas a partir de 3 de Outubro, e que se o cliente não possuir uma televisão que os consiga sintonizar poderá alugar um sintonizador pela módica quantia de 0,99€/mês. Ora o que isto quer dizer é que a NOS vai “empurrar” as frequências dos canais de TV para fora da capacidade de sintonia das televisões (de todas) e esperar que quem queira continuar a ver os canais que via (e agora até aumentaram para 110 canais – que generosos que são!) terá de desembolsar mais um eurito por mês por cada TV que tem ligada ao cabo – isto, para além da que está ligada à box. 
Eles não descansam, estão sempre a adoptar mais uma variante para chular o cliente; mas para não parecer um assalto, e uma flagrante alteração à prática contratada pelo cliente (e atenção que “prática” não significa condições contratuais), lá deixam 23 canais na gama de frequências que tem sido usada, possibilitando ver esses canais sem necessidade de alugar o tal sintonizador, por agora… claro. 
Vá, burro, paga!

Correcção a um texto publicado em revista da especialidade

Porque o colunista da Só Clássicas tomou apontamentos incorrectos na entrevista telefónica e a correcção que lhe enviei já não terá ido a tempo, aqui fica publicado abaixo o texto correcto.



A minha experiência com ciclomotores e motociclos é simples e rápida de contar. Começou aos 12 anos de idade, com uma Casal de 4 velocidades que era do meu pai. Corria o ano da revolução, 1974, e as voltas com a motorizada circunscreviam-se ao perímetro da fábrica de conservas onde o meu pai trabalhava e à oficina/fundição de chumbo, em espaço adjacente, que ele explorava em actividade pós-laboral. Lembro-me de escorregar duas ou três vezes na calçada gordurosa do acesso à fábrica - devido aos restos de sardinha que escorriam das camionetas e do sistema sem-fim de drenagem da fábrica -, e ir “depositar” suavemente, a velha Casal, no chão de paralelepípedos luzidios e gastos pelo uso.

Poucos anos depois enfileirava com amigos na desmontagem e remontagem com alterações, de velhas máquinas como o JLO 50cc, que ficava apto a trepar as arribas inclinadas das praias da zona; e andar às voltas com a mecânica de um velho SACHS andorinha, tentando fazer daquilo uma máquina de competição.

Depois das experiências com uma scooter CARINA (125 ou 150 cc?), e uma Florette 50cc, e de experimentar um SACHS V5, mais tarde, já com carta de mota, comprei uma BSA c10 de 1954. Tinha carburador AMAL que funcionava por gravidade, e quando se inclinava muito a mota, o motor parava. Os meus amigos gracejavam dizendo que não me podia deitar nas curvas, ou perdia a corrida. Quando a comprei, tinha a embraiagem desmontada; o anterior proprietário tinha acabado de instalar as cortiças nos discos mas não as tinha rectificado, nem montado. Tive de arranjar os prismas triangulares em borracha - cortados de um pneu velho de tractor agrícola -, e montei tudo; mas como as cortiças tinham ficado com espessuras diferentes a mota perdia a embraiagem ao fim de uns cinco minutos de viagem. E eu sem saber porque acontecia aquilo. Uma autêntica novela em duas rodas… sem mudanças.

Depois adquiri uma Virago 250 que achei demasiado parecida a uma 50cc, com as mesmas vibrações da velha Casal do meu pai, nomeadamente provenientes do cabo de travão da roda dianteira, portanto rapidamente troquei por uma DNEPR MT81 com side-car tracionado e marcha atrás. Afinar a folga das válvulas daquilo era uma epopeia pois a máquina nada tinha que se pudesse considerar de precisão: cada porca das válvulas tinha a sua medida e alguns parafusos do quadro nem tinham cabeça, senão uma certa redução da forma cilíndrica, por martelamento, suficiente para dar uso a uma chave de bocas. A folga das válvulas devia ser de 0,07 mas o motor trabalhava à mesma com 4 ou 5 vezes maior abertura de folga.

Um dia fiquei sem a embraiagem - por ter saltado o perno da haste recuperadora -; mas como a mota tinha dois sistemas de comando da embraiagem, manete e pedal, lá consegui chegar a casa usando o pedal num irritante pára/arranca. Valeu-me o representante da Marca, a Moto Formosa, do Porto, que prontamente reparou o problema na caixa de velocidades, oferecendo ainda um sinobloco para a transmissão, que era por veio, uma câmara-de-ar suplente (já que eu não encontrava por cá uma câmara de ar de ceifeira agrícola, supostamente igual), e ainda um conjunto de raios (pois havia partido um recentemente numa das minhas deslocações locais), tudo a custo zero.

Havia ainda outro problema frequente: a alteração da sensibilidade da direcção devido à suspensão de braço oscilante exigir a correcta lubrificação, por grafite, da caixa de direcção, situação que eu alterara inadvertidamente com lavagens sob pressão. Mas era maravilhosa a reacção dos entusiastas daquelas réplicas da BMW do tempo da II Guerra Mundial, particularmente as crianças, como a minha filha que aos 6/7 anos adorava viajar no side-car, nem que fosse em pequenas viagens como quando a ia levar ou buscar à escola.

No fim, era uma mota engraçada que suscitava muita admiração nas concentrações de motas, mas gastava 11L aos 100Km, não passava dos 110 Km/h e tinha o inconveniente dos side-cars, ficar engarrafada no trânsito automóvel, pelo que a vendi, ficando apenas com a Virago 535 que já tinha adquirido há algum tempo.

Com a Virago fiz as mais interessantes viagens pelo Algarve e parte do Alentejo, só repetidas com a última e actual montada, a Honda Deauville 650. Entre as duas ainda tive uma última 50cc, uma scooter Yamaha BMX, que proporcionou alguns passeios rápidos a objectivos de Fotografia para além de grande mobilidade e versatilidade no trânsito citadino do quotidiano.


E é esta a minha memória de experiências em duas ou três rodas com motor.
Francisco Castelo
Mar.2017




Irrito-me, logo existo


O que mais há por aí são descontentes e desbocados que se ralam e ralam os outros com as coisas que acontecem neste país: com os políticos, os banqueiros, os que mandam e os que obedecem, os que fazem e os que deixam fazer, com os incêndios e as cheias, as estradas, os acidentes, os hospitais, os doentes e os funerais, os ladrões e os polícias, com as sardinhas, e as batatas e as hortaliças. Mas isso não me preocupa porque toda esta gente que se arrelia, pertinente ou impertinentemente, age dessa forma porque gosta de Portugal; mesmo que seja um gosto contemplativo, patriótico, patético ou até oportunista, toda essa gente gosta; mesmo que nem saiba como gostar, qual a melhor forma de gostar, mas gostam!

Preocupa-me é saber que existem alguns que nunca se incomodam nem se irritam, que não exultam nem vibram, que não se manifestam, que nunca são tolos nem fúteis nem banais, que parecem nem estar, mas que existem.

Guerra dos Tronos





Game of Thrones é claramente uma cowboiada americana, género que Hollywood leva aos limites da repetição quer situe a acção num passado ou futuro distante, em cenários pré-históricos, contemporâneos, bucólicos, góticos, palacianos ou mundanos, ali à esquina ou num planeta distante ou universo paralelo. Lá estão os Rangers da Patrulha da Noite que combatem os indios (White Walkers) de Sitting Bull (Night King), como estão também os rancheiros, príncipes e rainhas do gado, empreendedores dos caminhos-de-ferro, especuladores de terrenos, garimpeiros e demais personagens que não perco tempo a identificar. Nota especial para a tripla de godzillas voadoras emprestadas de outro género fílmico de eleição, a tragicomédia americana, a estes re-ocupados do género “vaca-rapaz” (cowboy, numa das melhores traduções jamais encontrada para a nossa língua). 
Queriam o quê, que dissesse que está ao nível de Sófocles, Moliére ou Tchekov?!

das madrassas em Portugal

«A Constituição da República Portuguesa que, por um erro estúpido decorrente do medo em que se vivia na época em que foi redigida, proibiu no nº 4 do Artigo 46º, não as organizações que perfilhem a ideologia totalitária, mas apenas as organizações que perfilhem a ideologia fascista, abrindo as portas da permissividade a todos os fascismos que têm outras designações e que esta e outras madrassas como ela defendem, nomeadamente o socialismo.»

texto completo aqui

Receita de Garum (ingl.)


Roman fish sauce - Garum or Liquamen


Garum is one of the basic ingredients in the cuisine of Roman antiquity. It is a fish sauce that was used to salt dishes. You can't simply use kitchen salt, because instead of extracting moisture (which is what salt does), garum adds moisture to a dish.
If you want to cook an authentic Roman dish you'll need this sauce, especially when you are using recipes from De Re Coquinaria. It is used in much the same way as our Worcestershire Sauce or Maggi: you add it in small quantities to a dish. The fish sauce is not meant to be used as a sauce on its own. There are two ways to acquire fish sauce. You can buy Eastern fish sauce, like Vietnamese Nuoc Mam or Thai Nam Pla. These sauces are made with fermented fish, salt and water. But you can also make your own garum.
Many roads lead to Garum
There are several Latin sources for the process of making garum. In
Geoponica, cited extensively by Faas (Around the Roman Table), five manners of making garum are described.
1. Small fish are covered with salt, spread out in the sun and turned from time to time. When they have been completely fermented they are scooped into a fine-meshed basket that is hanging in a vase. The liquid that seeps into the vase is liquamen.
2. This is the method that I'll call the Method Wunderlich (see below). Fish (anchovy, mackerel, tuna) is mixed with salt in a ratio of 9:1, then left in a pot in the sun for several months, and stirred occasionally.
3. For each half liter of fish a whole liter of old wine is added.
4. The 'fast and cheap' garum is the recipe which is found below: brine and fish go in an earthenware pot with oregano. This is brought to the boil, and then strained after cooling until the liquid is clear. The garum in the bottle you see in the picture on the left is made like this.
5. The very best garum, according to the Geoponica, is called haimatum. It was made with solely the innards of the tuna, including blood and gills. These are put in a pot with salt, and after two months the liquid is garum.
Recipe for cheap and fast garum Print the recipe
This recipe is inspired by the one J.M. van Winter gives in her book Van soeter cokene, pp. 35/36. All I did was leaving out all the other herbs, using only oregano. This is the fourth method described in the Geoponica. You can also add some dried mint. The resulting liquid is very tasty when used in recipes, and will keep indefinitely in the refrigerator. The smell really is not bad at all.
It is easy to prepare in modern kitchens, and only takes an hour or so. This garum will keep for years in the refrigerator. Do not be put off by the revolting mess in the cooking pan; the end result will be a clear, amber-coloured liquid with an intriguing smell. The finished garum does not smell overly fishy, but during the cooking process your kitchen will be pervaded with a penetrating fish smell. Cats love it. If the range hood in your kitchen is not strong enough, prepare the garum on an outdoor cooker.
For about 7.5 deciliter/1.5 pints; preparation 60 minutes.



Ingredients
1000 gram/2 pounds small fish (smelt, sprat, anchovy, sardine)
500 gram/2 cups sea salt
2 1/2 Tbsp dried oregano with a top
1 Tbsp dried mint (optional)
1.5 liter/2.75 pints water
Preparation
Rinse the fish under running water, leave them intact (do not remove gills, innards or whatever).
Put fish, salt and herbs in a cooking pan, add enough water to cover the fish with one or two inches of liquid on top, in my pan that was 1.5 liter.
Bring to the boil, let boil for fifteen minutes. The fish are cooked to a pulp. Crush the fish even more with a wooden spoon; continue boiling until the liquid starts to thicken, about twenty minutes.
Now start straining. First use a coarse strainer or colander to remove all the larger bits and pieces. Then strain the liquid several times through a kitchen cloth or paper towel until the liquid is clear. Make sure that during the last straining turn the garum has cooled to room temperature. Depending on the fish you use, and how long everything has boiled, you'll end up with a pale yellow to deep amber coloured liquid.
Keep the garum in
sterile glass jars or bottles in the refrigerator. It may be that salt crystals are collecting at the bottom of the jar (see below for the explanation). When the garum returns to room temprature, the crystals will dissolve again.
Because of the high content of salt, this sauce will keep for years. You'll need but a tea- or tablespoon full at the time. Take care that you use a completely clean spoon for taking garum out of the jar, and when you pour it out of a bottle, wipe the neck before putting the cap back on.
The end product, home-made garum, although "cheap and fast", is surprisingly tasty and not at all fishy. The main difference with modern Eastern fish sauce is that this sauce is not fermented but cooked. Moreover, Roman garum is made with herbs, which adds an extra dimension to its taste.
Recipe for authentic fermented garum
Real garum is not made with boiled fish but with fish that has fermented in the heat of the Mediterranean sun. In the Netherlands there is quite a lack of Mediterranean sun. But the German
Heinrich Wunderlich explains on his site (in German) how to make fermented fish sauce with a yoghurt-maker. You need small, whole fish or just the innards, and 15 to 20% their weight in salt. Make sure the salt is mixed evenly with the fish. Put this mixture in the yoghurt-maker, in which it must ferment for three to five days at a temperature of 40dgC (104oF). Stir it through once a day. The fish will dissolve completely, only the fishbones will be left. According to Wunderlich the garum will be even better when you let it ferment longer (up to several months). This means the yoghurtmaker will have to be switched on all that time.
I haven't tried this method out yet, first I'll have to acquire a yoghurt-maker. But I am certainly going to!
Wunderlich reminds us that it is absolutely vital that the amount of salt is sufficient. Better to err on the excessive side than be too stingy.
Sterile jar or bottle - Start with rinsing the bottle or jar with detergent. If it is a used bottle or jar, check that there no lingering smells. Then either cook the bottle or jat with sodium carbonate, or rinse with water to which a little sulfite is added (1/2 tsp sodium for 1 liter/2 cups water) and a pinch of citric acid. Then rinse well twice with boiling water, set the bottle or jar with the opening up on a clean towel to dry. The moisture will evaporate.
Saturation of water with salt - There is only so much salt you can dissolve in water. At room temperature that is about 30% (300 gram salt in 1 liter water), in boiling water 40%. When the solution cools down, the excess of salt will form crystals. In my recipe I start with 30% salt, but because of the reduction the concentration of salt will become higher. If the concentration is higher than 40%, there will be salt crystals in the liquid even at boiling point. It is no use adding these to the strained garum, that liquid is saturated.
Bibliography
The editions below are in my possession. Links refer to available editions.
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