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Quem foram os professores destes políticos?

Havia os que queriam ser aviadores, médicos, condutores de máquinas pesadas, pescadores e eu, que queria ser professor ou escritor – convém referir que elegíamos sempre uma alternativa à preferência principal, eis como o Paulinho, que sonhava vir a ser médico, não enjeitava a possibilidade de trocar o prontuário farmacêutico pela consola de comando de uma grua da construção civil. Era assim nos tempos da infância.
A panca de vir a ser professor foi-se atenuando com o passar do tempo e o contacto com esses espécimes enjaulados que, estoicamente, insistem nessa estranha missão de tentar ensinar qualquer coisa de útil ou importante aos infindáveis exércitos de térmitas que frequentam a instituição escolar. E o sonho eclipsou-se aí pelos finais dos anos 70, quando passei a sentir pena pelos professores. Quanto à alternativa, manteve-se como sonho até ter descoberto, em tempos mais recentes, que se pode escrever sem ser escritor. Escrever, simplesmente, passou a ser o meu desígnio.

Mas voltemos aos professores e à situação a que aqui venho dar eco, alfinetado pelo silêncio culpado. Parece-me uma causa justa mas, não conhecendo os meandros do assunto, já que sou apenas um indolente bate-chapas, opto por deixar aqui o eco, sem mais comentários, dirigido aos meus oito leitores habituais.

Professores trabalham mas não recebem. Leiam aqui. Já não fico admirado com o rumo que este país leva mas assusta-me a possibilidade de, qualquer dia, deixar de ficar revoltado com estas coisas.