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Em busca da forma perdida



«Uns talvez se lembrem do Dr. Bernard Rieux, de A Peste, (…) No entanto, para um aspirante a escritor, a personagem mais marcante de Camus tem um papel secundário em A Peste: Joseph Grand, o funcionário municipal e escritor nas horas vagas que não consegue passar da primeira frase do romance perfeito que quer escrever. Grand procura atingir a perfeição sonora, o equilíbrio polido da forma, um significado profundo e, com tão elevada fasquia, nunca consegue completar essa frase impossível.»
Completo, aqui

da forma

«- Na prosa sente-se mais livre?
- Sinto-me mais livre. Se bem que na prosa, tenho a impressão que se poderia reconhecer uma vocação musical. Eu sinto necessidade que ela corresponda a um rigor musical. No sentido de ter uma certa cadência, ritmo… Muitas vezes mudo uma frase, uma palavra, e não paro enquanto não me satisfizerem musicalmente. Não que eu fale a frase em voz alta, ou vá cantar aquilo. Mas há uma exigência quase musical. Agora, na criação de prosa, evidentemente, há que haver uma lei narrativa. Se bem que muitas vezes a gente supõe que não, ou a gente não quer. Mas aí, acho que é um pouco a inveja que a prosa tem da poesia. Eu, na verdade, o que menos me atrai na escrita de um romance é a história. Me interessa mais trabalhar com a forma, a forma de contar aquela história… A história em si não é nada, muitas vezes não é nada.»

E eu já com receio de defender as minhas preferências pela forma, em detrimento do conteúdo, nas discussões de tertúlia, eis que aparece aqui outro Chico não-escritor (este de peso) dizendo o que eu penso. Sabem como é... aquela sensação de que não estamos sozinhos no Universo?!
;)