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Concursos televisivos




A Televisão é inimiga da cultura porque ilude os telespectadores e, por maioria de razão, os participantes nos seus “concursos de cultura geral” materializados naquelas sessões de perguntas e respostas sobre algo que podemos considerar como “conhecimento de um certo enciclopedismo”, coisa bacoca que nada deve à sabedoria.

A Televisão é inimiga da cultura porque apresenta temas e questões demasiado eruditas para a sua audiência, ponto final.

Há poucos minutos, perguntava-se num canal nacional, para as mesmas respostas (ver imagem), qual daquelas pessoas nunca tinha pintado o retrato de um Presidente da República.
Perante o assombro da concorrente, que olhava para o painel como um boi olha para um palácio, usaram o recurso de mudar a pergunta, mantendo as mesmas respostas (ver imagem).

O resultado foi idêntico e mais uma vez foi accionado o recurso, desta vez mudando a concorrente. E a nova candidata a um prémio, que ignoro qual seja, acabou por acertar na resposta apostando no nome que lhe parecia o mais antigo (de facto Columbano Bordalo Pinheiro  soa a mais antigo do que Gonçalo M. Tavares, porque na actualidade Columbano não é um nome próprio usual). Enfim, é a verrina da Televisão, moendo a cabecinha das gentes “normais” com idiotices ligadas à cultura. Porque é que não perguntam sobre coisas que demonstram a verdadeira sabedoria das pessoas, como por exemplo, quantos são 12+7 ou quantos amores concorrem na famosa canção do Marco Paulo, já para não falar sobre o conhecimento dos horários das telenovelas?

Ouçam o que vos digo: A Televisão está a prestar um mau serviço a este povo, e já é altura de alguém fazer alguma coisa para acabar com esta vergonha. Perguntas eruditas, não! Isso é discriminação intelectual!

PS: - Havia um empresário local proprietário de umas tantas prateleiras com livros que decoravam uma sala na sua opulenta habitação. Porém, honesto, confessava àqueles amigos que lhe admiravam os extensos metros lineares de livros, que não gostava de ler pois nunca tinha adquirido tal vício; e explicava: “para não parecer um completo iletrado, decorei os títulos dos livros e os nomes dos autores, embora os misture por vezes”.
Desta forma o homem não era realmente um “completo iletrado” mas apenas um iletrado parcial, naquela parte que respeita ao conteúdo dos objectos literários, ou melhor, dos objectos decorativos.

telecinemices




Nas séries televisivas americanas, como aliás em quase todas as produções holywoodescas, impera demasiado artificialismo (no sentido de distanciamento do real), onde é fácil detectar que se trata de um plateau super-encenado. Já nas séries britânicas há mais naturalidade e maior aproximação ao real, seja no que toca à maquilhagem dos actores seja no que concerne à Fotografia (particularmente no campo da iluminação).

Outro aspecto que detesto na “escola” americana é o tempo, a rapidez com que as cenas se sucedem; e detestando também o oposto, a lusa modorra entediante dos filmes de Manuel de Oliveira p. ex., encontro no tempo da cinematografia britânica a dinâmica que considero mais atractiva.

É verdade que também prefiro a arte de representar britânica, que considero muito superior à americana, mais sólida e convincente, embora admita que em parte isso se deva a não conhecer tão bem os actores britânicos, pelo que os seus personagens não vêm inquinados com a carga de personagens anteriores, como acontece amiúde com os actores americanos.

Generalizar não é coisa ajuizada pelo que ressalvo as excepções: As várias “escolas” de audiovisuais americanas produziram ao longo dos tempos centenas de excelentes obras, e alguma obras-primas incontornáveis na história do cinema e da televisão. Diria é que, comparativamente, i. e. considerando as dimensões volume e escala, os norte-americanos ficam muito aquém da tríade europeia: ingleses, franceses e italianos.

Obviamente, trata-se de uma opinião subjectiva, como subjectiva é - porque pessoal - toda a interpretação que se faça do universo das imagens.

Em todo o caso, e em matéria de filmes e séries, americano ou americanizado, não, obrigado! Continuo a achá-los demasiado “infantis”; ainda que reconheça, e talvez por isso mesmo, que continuam a ser os mestres do entretenimento. Já acerca do mundo da música tenho opinião muito diferente, pelo que não se trata de nenhum preconceito contra a cultura norte-americana.

Prefiro uma série simples britânica, como MidSomer Murders, ao aparato cénico, plástico, e distante da minha realidade, que é a série norte-americana Blue Bloods.

Uma nota final para referir que tem sido muito interessante apreciar as produções internacionais de países da região escandinava (em sentido amplo: Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia), com a participação de norte-americanos, ingleses, franceses e outros, em excelentes realizações que rejuvenescem e actualizam a indústria da ficção tele/cinematográfica; talvez resultado da mistura dos contributos das diferentes escolas e culturas?!

Fazer Fitas



The Village: an epic series that depicts English rural life during the Great War

O que a televisão por cabo me trouxe, no que toca ao cinema, foi uma evidente libertação em relação à cinematografia norte-americana, à sua manifesta infantilidade: no humor pueril; na superficialidade das abordagens; no artificialismo das relações; no excesso de caracterização e maquilhagem, seja num filme de época ou contemporâneo; e, sobretudo, na gritante falta de rigor histórico, factual, que compromete qualquer possibilidade de verosimilhança. O cinema norte-americano explora exaustivamente a vertente recreativa da 7ª arte, pouco mais oferecendo, pelo que pouco mais se deve esperar dele.

Com essa libertação preconizada pela televisão por cabo com os seus inúmeros canais, deixei de ficar refém da política medíocre dos canais nacionais na aquisição de filmes e séries televisivas, maioritariamente provenientes da América do Norte. Passei a ver filmes melhores, quer no que concerne aos aspectos atrás apontados quer, até, na qualidade dos actores.

Comparativamente, a 7ª arte britânica é claramente superior à americana. Trata-se, obviamente, de uma apreciação subjectiva, assente no gosto pessoal e na proximidade cultural; mas toda a criação artística pressupõe isso, a relação com o espectador, e dela depende parcialmente.

É claro que existem excepções a essa “mediocridade” norte-americana pois tanto Hollywood como os “independentes” americanos oferecem, de vez em quando, excelentes produções, realizadores fantásticos e magníficos actores. Porém, se atendermos à escala da indústria norte-americana em comparação com a inglesa, ou mesmo a europeia na sua totalidade, tendo em conta a quantidade de actores, o número de produções, e o capital investido, não restam dúvidas que no outro lado do atlântico produzem quantidade enquanto no lado de cá se produz qualidade. Isso é claramente visível nos filmes de época, nas reconstituições históricas, na direcção de actores, e na superior qualidade dramática destes.

Mesmo nos inevitáveis filmes Policiais, que na américa estão obrigados a uma vincada dose de agressividade e violência - como se de filmes de Guerra ou Acção se tratassem -, até mesmo nesse género a filmografia europeia suplanta a americana, ao dividir a atenção do espectador entre um enredo que convida à reflexão e à especulação, e uma paisagem que mostra campos cultivados, aldeias pitorescas, ou arquitecturas urbanas centenárias, monumentos multi-seculares e interiores vitorianos.
- É que não tem nada a ver!
Isto é, uma realidade não tem nada para ver, mas a outra tem.

E uma grande senhora dos ecrãs, aqui