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da ARTE

Diz o Armindo Gaspar, e provavelmente com razão: - A Música só é difícil nos primeiros 20 anos. 
Não me causa estranheza tal afirmação, até porque sempre entendi que só existem duas manifestações artísticas verdadeiramente autênticas, na sua dificuldade técnica e no seu valor criativo: a Música e a Literatura. 
E no extremo oposto, a Fotografia p. ex.. Mostrem-me uma peça musical, de valor, que tenha sido criada aleatoriamente; ou um romance composto pela junção anárquica de frases. Ao invés, quantas fotografias acidentais, fruto do acaso, têm passado por obras de arte? 
Ou até mesmo aquelas pinturas resultantes do despejar de baldes de tinta, ou do aspergir de pincéis ensopados, sobre uma tela?! Pelo meio andará uma outra Pintura, o Desenho (incluindo a Arquitectura), a Escultura e outras manifestações artísticas que, não alcançando o valor da Literatura ou da Música, também não se reduzem a esse baixo nível das manifestações conceptuais que enxameiam a Arte Contemporânea.


"ARTE" - fotografia acidental

da ARTE

Não conheço a versão original, pelo que não posso tecer considerações sobre a qualidade da tradução (imaginando que possuo aptidão para tal tarefa), mas posso elogiar a qualidade da escrita, límpida, fluida e erudita. Se o conteúdo é riquíssimo e, por via disso, apaixonante, é a forma da escrita que torna o livro inebriante. Nem quero imaginar uma obra destas, vertida para a nossa língua, pela mão de um sofrível redactor. No meu caso, bastaria tratar-se de uma versão em português do Brasil, para viver o horror da luta permanente entre a sedução do conteúdo e a aversão da forma. Aliás, se tivesse que me cingir aos pdf’s, de origem transatlântica, disponibilizados pela Universidade, achar-me-ia agoniado, remoendo coisas como «… o esnobismo e o preconceito social…» em vez de «… o elitismo e o preconceito social…».
Chama-se António Sabler, o tradutor desta espécie de bíblia da História da Arte que mantém o seu estatuto de obra maior desde que viu a luz do dia, no distante ano de 1950, pela mão do austríaco Ernst Gombrich, escritor e antigo professor de História da Tradição Clássica na Universidade de Londres.
E não é só mérito do tradutor desta 16ª versão (edição revista e aumentada), mas da equipa que trabalhou para a editora de “O Público”. A ficha técnica indica Ricardo Neves na revisão e Jorge Guimarães na paginação. Estão de parabéns pelo excelente trabalho realizado. Uma maravilha.
Nota final, o livro foi impresso na China, o que talvez explique o preço tão baixo, inferior a 30€, por um volume de 688 páginas com centenas de fotografias de obras de arte.