Domingo, Junho 15, 2008

D. Sebastião e o Vidente

«... Apesar do seu mester de puta, fora sempre uma mulher temente a Deus, nunca deixando de dar esmolas para a Igreja ou de ir nas procissões de penitentes quando o trabalho lho permitia e, durante os anos de encarceramento nas prisões do Santo Ofício, suplicara em vão por um padre que a ouvisse em confissão, mas tal privilégio era apenas concedido aos moribundos e nem esse parco consolo lograra obter dos inquisidores.

Ao contrário de muitas companheiras de ofício, jamais se entregara a práticas de feitiçaria, nem usara receitas ou filtros para prender um amante, como abafar um peixe vivo na madre e servir-lho cozido, feito de que se gabava a amiga Angustias, amassar e moldar uma broa nas nádegas para lha oferecer acabada de sair do forno, segundo aconselhava a azougada Rosália ou ainda fazer-lhe beber uma mistura do seu próprio sémen com o sangue das suas regras, remédio infalível oferecido pela velha Francisca, de um bordel de Sevilha. Os inquisidores tinham certamente arrancado essas acusações à sua criada, às companheiras daquela noite lhe bastara o seu engenho e arte, além da beleza do rosto e da perfeição do corpo que, para bem e para mal dos seus pecados, lhe pusera aos pés, rendida em carne e espírito e com a bolsa aberta, a realeza de Espanha.

À vista do seu corpo nu, nem mesmo os padres inquisidores que lhe davam os tratos haviam escapado à tentação do desejo e ao pecado da luxúria. Apesar do terror e do sofrimento, não pudera deixar de ver o brilho lascivo dos olhos fugidios, o suor e a vermelhidão dos rostos convulsionados pelo alvoroço do sexo e do sangue, enquanto lhe afastavam as coxas e lhe escanhoavam a sedosa cabeleira entre as pernas, metendo-lhe os dedos brutais na vagina ou usando umas agulhas compridas para lhe esquadrinharem os lábios e o clítoris à procura do estigma maléfico, da marca da feiticeira, quando se inclinavam para lhe perguntar onde tens escondida a Garra do Diabo?, as línguas lambendo os beiços secos da volúpia com que observavam as contorções do seu corpo preso ao potro, arqueando-se a cada volta das cordas que lhe esticavam os braços e as pernas, até os seios parecerem rebentar-lhe no peito e as nádegas e coxas abrirem os seus íntimos, resguardos à concupiscência daquelas naturezas que os hábitos negros, os cilícios e os jejuns não logravam amortalhar: fornicaste com o Demo? praticaste o acto nefando da sodomia?

Não saberia dizer se era o remorso, se o medo do Inferno ou apenas a sua torpe perversidade que levava os padres inquisidores a encarniçarem-se com requintes de pasmosa crueza contras as partes do seu corpo que amantes poetas haviam outrora glorificado em canções e vilancicos já olvidados. Com os ossos quebrados e deformados, violada e sodomizada por toda a sorte de objectos rombos ou cortantes da infernal panóplia dos seus algozes que a rasgavam e mutilavam até à inconsciência da dor, usada e abusada na cela pelos carcereiros e guardas na impunidade da escuridão e do abandono, a sua pele de nácar e rosas tornara-se num pergaminho enrugado por roxas cicatrizes, donde pendiam as pregas dos seios queimados, sem mamilos, e a boca do seu corpo, fonte de desejos e duelos, era agora uma fossa pútrida a destilar venenos.

(...)

Um fio do pálido sol de Dezembro incidia nos cabelos do Desejado, arrancando-lhe fulgores de cobre que lhe manchavam o rosto de uma poeira dourada, acentuando o brilho azulado dos olhos. “Bastião! Bastião!”, gritou Luna Diaz com todas as forças do seu peito, erguendo as mãos para a tribuna, mas o nome que a sua dor soltou e a língua mutilada não pôde articular soou como um ronco animalesco de agonia que fez estremecer de asco el-rei D. Sebastião.»

“D. Sebastião e o Vidente”, de Deana Barroqueiro, Porto Editora 2006

Sábado, Junho 14, 2008

"o paradoxo não é meu, sou eu"

Tenho opinião formada sobre certas coisas e formatada sobre outras. Sobre outras, ainda, não tenho qualquer opinião – coisa que me alegra muito. Porém, cheguei à conclusão de que discordo de mim próprio em muitas das coisas sobre as quais tenho uma opinião. O mais paradoxal, porém, é o facto de não concordar com esta opinião aqui expressa.

Sexta-feira, Junho 13, 2008

Ó Mestre, as homilias da Sagrada Igreja de Blog incluem o tintol, certo?



Uma substância química encontrada no vinho tinto pode ajudar a manter o coração "geneticamente jovem"

Investigadores da Universidade de Wisconsin-Madison descobriram que o polifenol resveratrol parece capaz de parar as mudanças no funcionamento dos genes do coração associadas à idade. Os efeitos parecem imitar os obtidos com uma dieta baixa em calorias - conhecida por prolongar a vida. Acredita-se que o resveratrol, também encontrado em uvas e romãs, pode ser uma das causas para o chamado "paradoxo francês" – a relativa longevidade dos franceses apesar de sua dieta rica em gorduras animais, prejudiciais ao funcionamento das artérias. Outros estudos já indicaram que um copo de vinho tinto durante as refeições pode ajudar a combater problemas do coração. Os cientistas de Wisconsin pesquisaram os efeitos do resveratrol em ratos de "meia-idade", olhando para o impacto no funcionamento dos genes do coração. O processo natural de envelhecimento em seres humanos e outros animais é marcado por mudanças nas funções de milhares de genes do órgão. Apesar de as consequências exactas dessas mudanças não serem totalmente compreendidas, acredita-se que contribuam para o enfraquecimento gradual do coração.

Epa, aí vem uma procissão de sorridentes ratos de meia-idade .

;)


[dois minutos não tinham ainda passado...]

Mas uma pesquisadora do Imperial College, em Londres, que examinou os efeitos do resveratrol em doenças do pulmão, disse que a substância não fica no corpo tempo suficiente para ter qualquer efeito. "A molécula de resveratrol é rapidamente retirada da corrente sanguínea e metabolizada pelo fígado", disse Louise Connelly. "Para obter qualquer efeito, você teria de beber galões de vinho, o que não é recomendável", completou. Connelly disse que a única maneira de os seres humanos absorverem os efeitos do resveratrol seria o desenvolvimento de uma forma da substância que superasse esse problema.

TINHA QUE SER UMA GAJA A LIXAR ISTO!!! E abstémia, aposto.

meio ambiente ou ambiente?

É verdade que a palavra ambiente também é adjectivo e que meios, há muitos, pelo que a expressão meio ambiente não está errada mas, por uma questão de preferência pessoal uso apenas a palavra ambiente para designar aquilo que muitos definem como meio ambiente. Seja o termo meio ambiente um pleonasmo ou não, a verdade é que por força de uso exagerado já não reconheço autenticidade na expressão. Acontece o mesmo com a expressão desenvolvimento sustentado que, abusivamente, se utiliza nas mais disparatadas aplicações. É apenas uma questão de "inflação" do vocabulário.

Quinta-feira, Junho 12, 2008

que é que ele fazia ao pilim?




Durante a Guerra da Restauração (1640-1668), a fé dos soldados portugueses atribuía a Santo António o êxito das acções militares, tanto que D. Pedro II, por alvará de 24 de Janeiro de 1668, determinou que, “por tão patriótico serviço”, fosse alistado como praça no Regimento de Infantaria de Lagos. No dia 12 de Setembro de 1683, D. Afonso VI promoveu Santo António ao posto de capitão. Em 25 de Março do ano de 1777, D. Hércules António Carlos Luiz Joseph Maria de Albuquerque e Araújo de Magalhães Homem, major comandante do regimento de Lagos, lavrava em auto e endereçava ao rei pedido para que o santo fosse promovido a major. Está registado: “certifico que não existe alguma nota relativa a Santo António, de mau comportamento ou irregularidade praticada por ele: nem de ter sido em tempo algum açoitado, preso, ou de qualquer modo punido durante o tempo que serviu como soldado raso no regimento: Que durante todo o tempo, em que tem sido capitão, vai quase para cem anos, constantemente cumpriu seu dever com o maior prazer à frente de sua companhia, em todas as ocasiões, em paz e em guerra, e tal que tem sido visto por seus soldados vezes sem número, como eles todos estão prontos para testemunhar: e em tudo o mais tem-se comportado sempre como fidalgo e oficial: e por todos estes motivos acima referidos considero-o muito digno e merecedor do posto de major agregado ao nosso regimento, e de quaisquer outras honras, graças ou favores que aprouver a S. M. conferir-lhe. Em testemunho do que assinei meu nome, hoje 25 de Março do ano N. S. J. C. 1777. Magalhães Homem”. No posto de capitão, Santo António recebia um soldo de 10.000 réis, que lhe foi abonado até 1779, ano em que passou a vencer o de 15.000 réis, como consta do livro de vencimentos e de vários mapas do regimento, existentes no Arquivo Histórico Militar.

O papel do Estado e a intervenção social nas sociedades contemporâneas

Hoje em dia, ainda, existe no mundo ocidental, o Estado Providência, resultado das consequências da II Guerra Mundial, mas filho directo da Grande Depressão de 1929. O Welfare State teve origem no pensamento keynesiano e surgiu com a intenção de usar a "política social" como um meio para se alcançar a eficiência económica. Rapidamente foi incorporado no Socialismo Fabiano inglês, no Socialismo Funcional Sueco e no Marxismo Austríaco. Da mesma maneira que os mercados de trabalho e a organização da produção poderiam ser racionalizados mediante a adopção de regulamentações para se obter um nível mais alto de produtividade, também a esfera social deveria ser racionalizada através do uso de políticas sociais, sempre em benefício de maior eficiência nacional. Tais políticas teriam uma acção profilática e preventiva, direccionada para evitar o surgimento de problemas nos organismos político-sociais. Grande desiderato para um aparelho de estado que já vinha crescendo desde a Revolução Francesa e, sobretudo, com o despertar das nacionalidades.

E esse Estado que foi crescendo desmesuradamente foi, simultaneamente, dilatando a sua interferência, transformando-se num polvo que acaba por condicionar profundamente a vida dos cidadãos. As causas desta transformação radicam, sobretudo, na alteração da própria concepção da sua finalidade. Às atribuições iniciais do Estado: promulgar e aplicar leis; sancionar os abusos; arbitrar litígios; manter a ordem; garantir a segurança externa e a defesa dos interesses do colectivo; cobrar verbas para suportar as despesas do seu funcionamento, juntam-se novas funcionalidades e áreas de actuação de carácter normal: saúde pública; segurança de actividades que implicam riscos para a segurança das pessoas; organização das profissões e regulamentação do trabalho, bem como outras de carácter excepcional: enfrentar catástrofes; calamidades; epidemias; fomes; crises económicas; atribuir subsídio de desemprego e executar grandes obras públicas bem como salvar empresas da insolvência financeira, áreas em que o Estado ora é coagido a intervir pela pressão da opinião pública ora age voluntária e antecipadamente pagando favores, serenando ânimos ou cativando simpatias eleitorais. Inequívoco, é o triunfo do Estado sobre os indivíduos e o triunfo dos grandes grupos económicos sobre o mundo. Com isto, nem os indivíduos nem as nações vêem os seus direitos respeitados. Países pobres são obrigadas à recessão, à não construção de escolas, a salários de miséria, a não cuidar da saúde pública. Perante situações destas os governos perdem autonomia e não conseguem concretizar políticas direccionadas ao bem comum.

A globalização é o triunfo dos grupos económicos sobre o mundo. Tal triunfo não se preocupa com os consequentes problemas sociais. Urge reorientar a globalização numa outra direcção: rumo a uma globalização solidária.

O Estado não passou a ter, como objectivo novo e exclusivo, o desenvolvimento de uma política de inserção eficiente no mundo globalizado. O novo papel do Estado é adoptar medidas para conter a crescente desigualdade social. Cabendo, especialmente, aos países desenvolvidos, "pais do neo-liberalismo" preocupar-se em implementar programas que tenham por base a solidariedade para com os países subdesenvolvidos que adoptaram tardiamente, ou ainda nem adoptaram, o projecto neo-liberal. É que, o impacto produzido pela globalização é sentido diferentemente em cada Estado e em cada estrato social.

A globalização assenta em factores apresentados como verdades incontornáveis: a globalização resulta exclusivamente das dinâmicas de mercado; é um fenómeno universal que integra e padroniza, e que promove uma redução pacífica e inevitável da soberania dos estados nacionais. Ora, se a globalização resultasse exclusivamente das dinâmicas do mercado não estaríamos perante uma nova ordem económica que qualquer governo teria total interesse em adoptar? E não é assustador pensar numa perspectiva de integração/padronização dirigida por uma vacuidade institucional, sem rosto nem sede, que pretende homogeneizar toda a humanidade?

Dá para desconfiar que os construtores de tais pilares da globalização congregam forças de mercado e decisões políticas e ideológicas que, actuando ao lado da economia, nos conduzem num processo de globalização diferenciado que exclui muitos e beneficia poucos; um projecto que aumenta o fosso entre ricos e pobres?!

Pudessem os estados continuar a exercitar o modelo de Estado Providência e poderiam mascarar este processo de globalização selvagem. Mas não podem porque o modelo está falido, ou melhor, a aplicação desonesta do modelo conduziu os estados à falência.

A intervenção social do Estado tem por objectivo integrar a população através da assistência e da segurança social, procurando a estabilização do sistema político, social e económico. O surgimento do Estado Social justifica-se, como já disse, com a necessidade de corrigir as desigualdades materiais dos cidadãos, submetidos às leis do mercado, geradoras de profundas desigualdades. Da mesma maneira que os mercados de trabalho e a organização da produção poderiam ser racionalizados mediante a utilização de regulamentações sociais para se obter um nível mais alto de produtividade, também a esfera social deveria ser racionalizada através do uso de políticas tendentes a evitar o surgimento de problemas sociais. Pretende-se, pois, evitar a exclusão social, esse processo complexo que afecta conjuntos de pessoas que acumulam vulnerabilidades económicas, culturais, sociais e simbólicas. Nesse contexto, o Estado deve nortear a sua actividade tentando conseguir que a liberdade e a igualdade do indivíduo e dos grupos sejam reais e efectivas, de modo a permitir a participação de todos os cidadãos na vida política, económica, cultural e social.

O Estado Social surge como resposta à necessidade de regulação destas complexas relações sociais originadas, em larga medida, pela industrialização e pela urbanização. Entre os seus objectivos destacam-se dois essenciais: a garantia do bom funcionamento do mercado e a defesa dos direitos dos cidadãos na saúde, educação e alimentação. Com início no pós II Guerra Mundial e refinando-se ao longo da primeira metade do séc. XX, uma concepção de Estado Social, comummente designado por Estado Providência, vai desenvolver políticas públicas, aumentando o investimento nessas áreas essenciais. Hoje, na Europa, cerca de 40% do PIB é encaminhado para as políticas sociais.

O protagonismo do Estado na resolução e na diminuição dos desequilíbrios e disfunções sociais procedentes do capitalismo avançado, e sua directa intervenção na distribuição da riqueza e na prestação de serviços sociais, conduzem a que as exigências de bem-estar por parte dos indivíduos demandem, cada vez mais, as instituições públicas. Ora, não raro, a aplicação de medidas em resposta às solicitações dos indivíduos, dependem da existência de recursos financeiros, muitas vezes não contemplados nos orçamentos das entidades públicas. Por sua vez, a ausência de recursos financeiros e as crises económicas conduzem a uma crise de actuação social do Estado e, em consequência, à crise da sua legitimação, pois este tornou-se não apenas no destacado protagonista, mas também no mais importante alvo a quem se exige e a quem se atribui os fracassos do sistema.

Enquanto há crescimento económico e alta arrecadação tributária, o Estado pode sofisticar-se com serviços públicos melhorados, contudo, assistimos, ao longo da segunda metade do século XX, e até aos nossos dias, ao agravamento dos problemas inerentes à economia os quais, acumulados a sucessivos erros de administração, conduziram a uma crise generalizada deste modelo. O Estado deixou de ter condições económicas para sustentar um Estado Providência nos moldes em que o fazia e começou a retirar vários direitos que os cidadãos tinham adquirido ao longo de décadas.

Esta crise é explicada por duas correntes: uma de pendor neo-liberal que postula que se está a viver uma crise de governabilidade e a razão é o excesso de democracia, de controlo público sobre as empresas e sobre a economia, qualificando o modelo de estado como antieconómico já que desvia investimentos, provoca improdutividade, conduz à ineficácia e ineficiência do aparelho estatal negando, no fundo, o direito à liberdade e à propriedade privada; a outra corrente, de cunho neo-marxista atribui as culpas à crise fiscal resultante de um excesso de produção e ao facto do proprietário capitalista se apropriar integralmente dos resultados da produção, deixando o proletariado sem lucro e sem dinheiro para pagar impostos e, dessa forma, manter a viabilidade do modelo de estado social. Também criticam as políticas de privatização total, e vão mais longe, denunciando que o esgotamento do Estado resulta do confronto entre grupos que se batem pelo poder e pelo controlo da economia e que não se coíbem de esbanjar os dinheiros públicos em manifestações de fachada e produções eleitoralistas. Em síntese: A direita diz que não há dinheiro e é preciso patrocinar reformas. A esquerda diz que dinheiro há, ele está é mal distribuído.

O que sabemos, concretamente, pois é o que observamos e sentimos no quotidiano, é que as alterações nas relações laborais e na organização do trabalho – desemprego estrutural, precariedade, flexibilização – resultantes dos avanços tecnológicos, da globalização económica, e do crescimento da competitividade, são os principais factores responsáveis pela diminuição das vantagens e direitos sociais adquiridos pela classe trabalhadora, e pelo aumento da pobreza e da exclusão, e que estas situações têm aumentado exponencialmente a solicitação de assistência social.

A resolução da crise do Estado Previdência não deve acontecer com base num nivelamento “por baixo”, com a redução ou supressão dos direitos sociais fundamentais dos trabalhadores, pois isso aumentará ainda mais as desigualdades sociais com a expansão da pobreza, da miséria, da violência, numa total violação dos direitos humanos e dos princípios que norteiam a formação e a existência dos estados de direito, democráticos e sociais. Suspender o modelo de estado social que temos construído e vivido no último meio século é como saltar de um comboio em movimento. Seria um suicídio para o próprio estado moderno. Entendo que a solução para a crise instalada passa, forçosamente, pela informação clara e isenta dos indivíduos, de forma a contar com a sua compreensão e o seu empenho, a par da adopção de atitudes de honestidade moral e intelectual por parte dos políticos e dirigentes e, sobretudo, pelo forte incremento na educação pois não se formam cidadãos responsáveis sem o envolvimento da educação. A consciência desta formulação, das suas implicações e da situação que se vive actualmente no nosso País, coloca-me sérias e profundas apreensões no que respeita à nossa capacidade e vontade em adoptar e concretizar, serena e eficazmente, as necessárias reformas.

“É penoso dizê-lo, mas sem mais uma revisão constitucional, que institua um Estado social subsidiário, em vez de um Estado social-burocrático de direcção central, gratuito e universal, não será fácil a nenhum governo resolver o problema do País”. Em “O Peso do Estado”, Mário Pinto, PÚBLICO de 3 de Janeiro de 2005


Reflexão sucedânea do trabalho “O Estado e a intervenção social nos dias de hoje” realizado para a disciplina de História da Idade Contemporânea que teve como fontes principais, entre outras:


AROLA, Ramon Llongueras “ A Intervenção Social: Uma Acção Construtiva?” – Revista de Ciências da Educação. Lorena, ano 4, nº6, 2002

Bernardo Kliksberg – “Repensando o Estado para o Desenvolvimento Social: Superando Dogmas e Convencionalismos” CORTEZ EDITORA – São Paulo, 1998

Eduardo Vítor Rodrigues, “O Estado-Providência e os processos de exclusão social: Considerações teóricas e estatísticas em torno do caso português” http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1477.pdf

O Estado Social: modelo espanhol e modelo brasileiro – Francisco das C. Lima Filho http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=891

Domingo, Junho 08, 2008

pensamentros de Lao Tizé

Os trabalhadores mais incapazes são sistematicamente promovidos para o lugar onde possam causar menos danos: a chefia. Eis porque as hierarquias são como as prateleiras, quanto mais altas mais inúteis.

amadores, é o que é


Pelos vistos o meu “vigilante Nº1" deixou de me visitar, ou terá mudado de “visual”?! É que o bip-bip soube sempre da presença do coiote (nestes episódios, apropriadamente denominado: Desertus-operativus Idioticus). Será que o coiote se cansou, mesmo, ou estará por aí à espreita?
É coisa lixada, eu sei. É como fazer perguntas a alguém, conhecendo de antemão as respostas. Serve apenas para dar, ao inquirido, a oportunidade de mentir. E eles mentem, coitados!

BIIIIIP! BIIIIP!!!
contributos para Echelon: Verisign, Secure, ASIO, Lebed, ICE, NRO, Lexis-Nexis, NSCT, SCIF, FLiR, JIC

Domingo, Junho 01, 2008

afinal, sou um europeu subsidiado, ou não?


clica no animal para aumentar a burrice

Sexta-feira, Maio 30, 2008

vulgaris personae

Está a baixar a qualidade das pessoas? Olho em redor e só vejo afastarem-se aqueles que considero melhores, ou a serem afastados por outros, mauzinhos. Nunca tive consideração por pessoas que considero piores do que eu, com quem dificilmente aprenderia algo interessante, não perco tempo com elas. É coisa de egoísta, de quem não quer dar mas apenas receber, bem sei; mas, não tendo grande consideração por mim próprio, sempre esperei que o relacionamento com gente superior me influenciasse, transformando-me numa pessoa melhor. E fico preocupado, porque perco essa influência benigna. Ou será que, no fundo, essas pessoas não são piores do que eu mas, tão-somente, semelhantes a mim, gente medíocre? Como raios hei-de saber, se esta limitação imposta pela minha mediocridade não me permite avaliar isto comme il faut?!

do Camilo

Camilo Castelo Branco - Amor de Perdição

(edição genética e crítica de Ivo Castro)

recensão crítica por João Dionísio aqui

Outro resultado da análise do manuscrito é a percepção de que Camilo não tem ao escrever «um plano completo da narrativa, com todos os pormenores das suas peripécias» (p.69) e a caracterização da escrita camiliana sustentada por esta análise vai bastante além do estereótipo da redacção mental como oposta ao artesanato no papel (p. 70).

Eu, quando escrevo coisa mais extensa, nem tenho sequer a definição concreta do enredo e, sem isto, como poderia ter o plano completo da narrativa? Artesanato no papel, ou indecisão nas opções do conteúdo?

A ver se leio, e aprendo alguma coisa.


Segunda-feira, Abril 14, 2008

Qual Lego


Resposta ao Mestre TheOldMan


Quando era miúdo o meu pai ofereceu-me um jogo daqueles que tentavam imitar essa invenção superior proveniente de terra viking, o LEGO, este talvez de origem espanhola – que nesses tempos ainda as lojas chineses não salpilhavam* a paisagem urbana e a nossa imaginação –, era uma caixa cheia de peças plásticas com buracos: chassis, tirantes, rodas dentadas, tubos, parafusos e porcas, e as respectivas chaves de bocas para fixar os componentes dos vários engenhos que o conjunto permitia construir. Uma maravilha para os dedos e para o cérebro de um puto de sete anos, digo-vos. Até hoje, foi, de todas as coisas que me ofereceram, a mais parecida com as palavras – embora muito aquém das possibilidades construtivas destas. Desfeita a caixa, esmagada pelo peso dos anos, gastas e dispersas as peças e as ferramentas que as juntavam, desaparecido o jogo nos confins da memória, não desapareceu, porém, esse prazer, essa vontade de juntar peças, inventar puzzles, montar edifícios, máquinas eficazes ou complexidades inoperantes, agora com as palavras. Mais além do que as construções estáticas que evocavam, e por vezes uma elementar acção dinâmica – lembro-me que podia construir uma grua porque existiam também roldanas, um fio e um gancho –, é com as palavras que consigo construir coisas mais robustas ou delicadas, fixas ou móveis, capazes de dar a volta ao Universo, coisas que permitem edificar cidades, criar mundos, viajar para todo o lado dentro e fora de mim. Continuo, pois, a brincar com aquele jogo, acrescentado de muitas e variadas formas, construindo, reconstruindo, empoleirando partes, equilibrando peças. É o que me permitem as palavras. E cada vez mais, à medida que vou aperfeiçoando as ferramentas, essas chaves de bocas que as colocam, acertam e apertam nos devidos lugares. Brincadeiras de miúdo, simplesmente. Quanto à loucura, vai saudável. Obrigado, mestre!

;)


Arre… inventei um vocábulo, ou uma palavra ó u camandro!!!

*SALPILHAVAM: dispersão de lojas chinesas pela paisagem do império imaginário conhecido por Portugal, com o intuito de extorsão subtil e persistente das moedas que sobram do exercício da nacional chulice dos bancos e do estado sobre os cidadãos do referido império imaginário.