O Meteorito de Lagos?



É um objecto de forma oval com cerca de 13cm de diâmetro, 7,8Kg de peso e um volume de aprox. 1600cm3, de onde resulta uma densidade de aprox. 4,87 g/cm3 *, tem coloração castanho avermelhado (crusta) e cinzento prateado, brilhante (interior). A impressão ao tacto, sendo muito semelhante à do chumbo revela, porém, tratar-se de matéria mais leve e mais dura – não sendo possível riscá-lo com a unha, ao contrário do chumbo.
O objecto foi recolhido durante uma escavação para construção de uma habitação, na zona do Cerro das Mós. Depois de resistir ao impacto repetido do martelo hidráulico da escavadora, soltou-se do substrato intersticial dos afloramentos calcários onde se encontrava alojada. O Sr. Rui recolheu a estranha pedra que resistiu ao poderoso embate da máquina que opera e guardou-a, como faz habitualmente quando encontra fósseis e pedras com formato ou constituição interessante.
Afigura-se possível tratar-se de um meteorito devido às suas características, sobretudo a evidente morfologia metálica, e ao facto de se encontrar num contexto geomorfológico completamente diferente. Aos aspectos concretos aduz-se a memória das gentes locais que dão como facto ocorrido, a queda de um meteorito nessa zona, em meados dos anos vinte do século passado. «eu teria pouco mais de cinco anos de idade e, numa madrugada, viu-se um clarão e ouviu-se um estrondo. No dia seguinte a minha tia disse-me - José, caíu um meteorito, uma pedra que caíu do céu, ali para os lados da Fonte Coberta.» José Carlos Vasquez. Lacobrigense . 87 anos de idade.
Sem dúvida que seria muito empolgante podermos identificar um achado desta natureza, em que o objecto passaria a ser conhecido, segundo a metodologia internacional, por Meteorito de Lagos. «Desde há muito, está estabelecido que o nome dado a um meteorito é o da localidade, aldeia ou vila, mais próxima do local da queda ou do achado» in. Meteoros, Meteoritos e Meteoróides – José Fernando Monteiro+ (Dept. Geologia - Fac. Ciências Univ. Lisboa). Acresce a importância decorrente do reduzido número de meteoritos existentes em museus públicos nacionais, pouco mais de uma dezena, contra cerca de 2400 em França, por exemplo.
Infelizmente, as alterações orogénicas produzidas pelos trabalhos de nivelamento da encosta já não permitem a identificação da cratera de impacto que, em todo o caso, não deveria ultrapassar um metro de diâmetro. Este aspecto, e o facto do objecto se encontrar a uma cota negativa de aproximadamente três metros – implicando uma deposição de inertes, posterior ao impacto, por via natural ou antrópica –, são óbices a uma imediata identificação positiva do objecto enquanto meteorito. Também não foi possível identificar no objecto uma crusta de fusão resultante da travessia da atmosfera pelo que se torna premente a sua análise por um especialista em geologia. Siderito, siderólito, ou apenas um “devaneólito”? Haja quem o esclareça.

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Procedemos a uma rudimentar medição do volume, razão pela qual não a reputamos como muito exacta (num balde cheio de água mergulhamos a pedra e recolhemos a água transbordante que foi medida num recipiente graduado).

9 comentários:

TheOldMan disse...

Que inveja, Francisco!

Só a mim é que não acontecem essas coisas maravilhosas, tipo onda gigante, queda de meteoros, etc.

Áparte isso poder dar para escrever algo de misterioso - talvez a anunciar que hà 80 anos uma nave trouxe Macário Correia e Mendes Bota para nos colonizarem - é um achado de mão cheia.

Podem também levar em linha de conta a possibilidade de se tratar de uma munição de "bombarda", também conhecida como "tiro de pedreira", para a qual os projécteis (pedras) eram seleccionados pela sua dureza e capacidade para infringir danos.

Em qualquer dos casos (excepto nos de Macário e Mendes) felicitações e um abraço.

(Estava mesmo a precisar de um acontecimento assim mediático em Almada; sei lá... uma chuva de rãs vinha a calhar...)

;-)

Vieira Calado disse...

Espero que seja um meteorito.
Que mais não seja, estas coisas fazem sempre com que algumas pessoas fiquem com curiosidade em
saber mais um pouco acerca da ciência que trata destes assuntos: a ASTRONMIA.

Vieira Calado disse...

Um saudável humor.
É o que faz falta a muita gente.
Um abraço.

Francisco L disse...

Vais ver que depois de aplicares os ácidos e as bases descobres que foi algum dinossauro
que arriou-o-calhau

mcorreia disse...

tás vendo de onde me vêm aqueles imaginários contitos que por ali escrevo?! chama-lhe coincidência, sim...às tantas assisti ou, quiçá...esquece é muito de noite já!
abraço, Francisco!

efe disse...

imaginação fértil mcorreia. imaginação de uma mecinha demasiado nova para ter assistido à queda da "poita do dinossauro" como diz o FranciscoL. é que a ter ocorrido por volta de 1925... hehehe...

bj.

;)

efe disse...

Xenólito! Exclama a minha amiga E.M.
Mas os xenólitos não se verificam apenas no seio de rochas ígneas? Em que condições poderão aparecer entre rochas sedimentares? E um xenólito com tão elevado teor metálico? Um xenólito resultante de um meteorito já fazia sentido, ou não?
É pena que nenhum entendido se debruce sobre isto.

Anónimo disse...

Onde é que se pode fazer uma análise do meteorito neste nosso país?

francisco disse...

Nalguma Faculdade com curso de Geologia.