escritas contemporâneas 2


«…a arte da escrita banalizou-se. Hoje, qualquer um que tenha um livro publicado é tido como um “escritor”. E eles nascem por aí como cogumelos. Basta aparecer na televisão, com uma vidinha mais ou menos turbulenta ou escandalosa, e logo dali nasce um “livro”, a vender milhares de exemplares, porque o que interessa aos editores é ganhar dinheiro.
Então, além da proliferação de livros que contam vidinhas e escândalos, os “escritores” da moda, os best-sellers, são os que andam por aí: badalados e mediáticos. A sua sobrevivência depende do mediatismo. Sem esse mediatismo não sobreviveriam. E até há quem fale em “escritores parasitas”, isto é, aqueles que pagam a alguém para escrever livros e depois colhem os louros.»
Do blogue Arco de Almedina

Pois, há por aí produtores de best-sellers que nem têm tempo para escrever os seus livros. Por isso, quando publicam muito, revelam estranhas variações de “estilo” entre uma e outra obra.
E os leitores desatentos nem estranham a produtividade desses autores de “romance à resma”, que sabemos muito ocupados com outros afazeres profissionais no dia-a-dia?!
O que eles produzem não é literatura de qualidade, é dejecto que ocupa, nos escaparates, o lugar da verdadeira literatura. É apenas papel estampado com motivos recreativos. Não é Literatura, não é ARTE!
A literatura pode ser, também, recreação e diversão, mas não pode ser apenas isso.
E porque acontece isto? Porque quem define o mercado e constrói os best-sellers é a carneirada que lambe das prateleiras dos hipermercados tudo aquilo que o marketing dos livreiros produz. E estes só têm um objectivo: vender muito papel estampado.
Eu escrevo, mas não sou, nem ambiciono ser, escritor. Escrevo para ordenar ideias; por vezes, para me rever no que escrevo como se fosse um espelho, noutras vezes para estabelecer fasquias que deverei superar. Porém, não sendo, nem procurando ser, escritor, agradeço àqueles que sentem vontade de escrever para os outros, e que o fazem a meu gosto.
Dos meus preferidos, eis três escritores portugueses contemporâneos: Hélder Macedo, Miguel Real, Mário Claúdio. Qualquer um deles mete num chinelo os jornalistas-escritores, e outros palhaços da moda literária, produtores de best-sellers. Desses cujas obras estão para a Literatura como a produção da fábrica Disney está para a Banda Desenhada – entretenimento, diversão e… banalidade.
E se há alguns que não se arrogam a mais do que aquilo que são, também há os que ocupam destaques imerecidos – e injustos, para outros que produzem literatura de qualidade.
Não acontece apenas no universo da escrita mas convém não esquecer que, efectivamente, assim acontece na Literatura.

5 comentários:

efe disse...

«Um país que não lê é um país atrasado. Se compararmos Portugal (cerca de 11 milhões de habitantes) com países europeus de dimensão equivalente, como a Bélgica, a Dinamarca, que tem metade da população portuguesa, ou mesmo a Suécia, verificamos quão residual é a expressão da imprensa escrita nos media nacionais. Isto tem consequências.»
Eduardo Pitta no seu http://daliteratura.blogspot.com/

E um país que lê, mas lê merda, será avançado?

Maria, Simplesmente disse...

É por isso que eu não escrevo livro nenhum... ahahah.
Não quero encher mais uma prateleira de ... bem... dessas coisas!
Mas... mais uma vez volto para o meu lido e relido Essa.
Sabe que quando subo as escadas rolantes da Estação Baixa/Chiado penso nele?
Penso, como escreveria ele agora os Maias?... Imagino que a Maria Eduarda subia a escada rolante e o Carlos descia e se econtravam a meio. Só o Essa me poderia dizer...
Bom meio/fim de semana...
Maria

francisco disse...

Mas escrever faz bem. É libertador. Requer trabalho e dedicação, muito trabalho, mas é uma arte muito autêntica, muito mais do que a Fotografia, por exemplo.
Também gosto do Eça, mas hoje leio mais Camilo.

Bom resto de fim-de-semana, Maria.
f

Maria, Simplesmente disse...

Quando um anónimo me envia um comentário é sempre difícil para mim responder, pois anónimo não tem nome nem endereço. Nunca utilizo essa designação porque mesmo que seja desagradável gosto de dar a cara, e ser frontal.
Um anónimo enviou-me um comentário sobre o comentári que aqui lhe fiz, sobre o "Essa".
Dou razão ao anónimo quanto ao que me enviou, foi um engano, ao escrever, não reli o que escrevi, seguiu como saiu, pela pressa com que coloquei o comentário, e só respondo pela menção que ele fez ao "Claustrofobias", caso contrário não respondia porque tenho as minhas "claustromanias".
Imperdoavel o meu erro até porque poderia ser interpretado "essa... a de Queiroz"!
Como eu me enganei e repeti o erro ao escrever o nome dum escritor que ao falar em livros me vem logo à memória. Não admira... como pode uma pessoa que anda sempre na Lua e é pouco mais que "analfabruta" escrever?...
Onde me meti!...
No entanto ao anónimo peço que não me perdoi os erros, pois estes não esquecemos.
Ele fez bem em meter-se onde não era chamado, pois se fosse o dono do Blogue escreveria de outra maneira... talvez.
Um bom resto de domingo.
Maria

francisco disse...

Maria, errar é coisa sem importância. Grave, é, errar e persistir no erro mesmo depois de apontado. Não ligo aos erros cometidos em caixas de comentários. Raramente escrevo o comentários previamente no word de forma a verificar e evitar erros, vai directo aqui na caixa de comentários, muitas vezes com erros, gralhas, construções incorrectas, etc.

Quanto aos anónimos, só lhes retiro o estatuto de gente quando, no meu entender, se portam mal. De resto, alguma da melhor crítica que me fizeram - quer como pessoa quer sobre o pouco que escrevo -, foi feita por anónimos. E nem sempre foi suave.
Eu, quando corrijo alguém, e faço-o à vezes, identifico-me sempre.

Saúde.