eleitores

O cidadão eleitor português não está informado. Na realidade, de tanto assimilar as meias informações (geralmente manipuladas) que diariamente lhe são servidas, está desinformado. Em todo o caso, também não é apenas com essa “informação” que avalia os candidatos ou os lacónicos programas eleitorais. A sua principal ferramenta de avaliação é a empatia. A relação de amor/ódio, de subserviência/intransigência, que estabelece com cada figura que o pequeno ecrã lhe apresenta. Ora, considerando que a sociedade contemporânea, de vida alucinante e deformada, induz paranóias, esquizofrenias, depressões, bipolaridades, mesmo nos indivíduos considerados “normais” – com as resultantes angustias, fobias, desajustes emocionais e semelhantes – é óbvio que a maior parte dos cidadãos não possui condições mentais para avaliar, criticar, julgar, decidir, eleger. É por isso que isto tudo não passa de um imenso manicómio em que, de há muito, os sãos foram colocados no lugar dos alienados - à margem.
Que fazer? A História não mostra solução diferente do que destruir. Destruir para começar de novo. Recomeçar com novos atributos, novas concepções, novos valores. Porém, o fado civilizacional, desconcertante, apenas perspectiva a repetição: o trilhar dos mesmos passos pelos mesmos caminhos, a repetição dos mesmos erros ad aeternum et ad nauseam.

2 comentários:

David Oliveira disse...

Nos comentários anteriores, acho que estivemos na brincadeira.A este seu escrito vou tomá-lo com a seriedade que intuo, tenha.
Amigo,
esse é terreno demasiado escorregadio. Se não vejamos:
se estiver a colocar a questão em tese, discordo; se se cinge à nossa realidade, talvez concorde.
Mas o que toma por referencial para efeitos comparativos? Alemanha, EUA, França, Espanha, ...
A destruição em si não é solução para nada. Depende mais da vontade, da personalidade, do carácter, da intenção real de quem a preconiza e leva a efeito.
O que nos leva a correr para um outro problema: há "destruidores bons" e "destruidores maus"? acho que não! mas os "legados" de uns e de outros, com mais ou menos custos, foram muito mas muito, diferentes.O que nos transporta a uma outra questão, subjacente:
a "massa" de onde vem o "destruidor", e a "massa" a que se destina a destruição, e a "massa" que tem por função a reconstrução.
"massa" = povo, população
É uma saída? de facto. Acho que sim, é!os "meios" hoje é que são muito mais refinados e burilados. A "maralha" tem consciência disso? duvido que tenha, julgo que não.Tadinhos.Hoje as revoluções talvez já em necessitem de soldadesca na rua de arma em punho para a levar a efeito. Nada de confusões com a forças de choque para amansar centenas ou milhares de energúmenos que saem para fazer banzé - queimar carros, partir montras, etc...
Bem isto tem de parar porque é só um comentário.
Abraço
David Oliveira

francisco disse...

Sempre que se generaliza entramos em terreno escorregadio, pouco rigoroso. E eu generalizei. Mas coloquei a questão em tese, sim, e com o referencial privilegiado do nosso caso particular – que no meu entender não é assim tão particular, e daí derivar para tese.
A comparação, não a estabeleço com qualquer outra realidade mas com o facto de admitirmos que é possível fazer bem – embora tal não aconteça na prática. Que somos capazes de o fazer e que somos capazes de o querer fazer. Não me interessa relacionar com experiências de outros, ou mesmo do passado (caso contrário, caio na repetição eterna, postulada pela teoria da ciclicidade histórica ou no discurso da inevitabilidade da fragilidade e falibilidade do ser humano, apresentado como incapaz de por em prática aquilo que o seu intelecto alcança).
A destruição sempre foi usada como solução para muitos problemas. Se os solucionou ou apenas apresentou problemas novos, isso é irrelevante para a questão. Há destruidores bons e destruidores maus? Ora esta questão é que é verdadeiramente escorregadia, e perigosa (porque a coberto da “boa destruição” se cometeram/cometem atrocidades), mas perimita-me equacioná-la de outra forma: Há construtores bons e construtores maus? Se para construir, muitas vezes é necessário destruir, isto conduz-nos aonde? Quando o método reformista não funciona, a revolução, o corte, a descontinuidade, a destruição, tem justificação ou não?
«Hoje as revoluções já não se farão com soldadesca na rua». Pois não. Já tentei imaginar um 25 de Abril hoje, e conclui que antes de qualquer capitão sair do seu quartel seria feito prisioneiro [é que as telecomunicações nunca estiveram tão vigiadas como hoje – pelo menos potencialmente dado que existe a tecnologia e a capacidade para tal].

Qualquer uma das afirmações que faço dava pano para mangas. De algumas não estou inteiramente convencido, no mais, especulo (no sentido em que exercito a duvida cartesiana). De outras estou convencido, pelo menos até que apareça melhor entendimento.

Abraço.