O vizinho escavara o solo por baixo das residências
contíguas à sua e aí instalara quartos para os seus hóspedes, a quem contava a
história de que naqueles subterrâneos haviam vivido heróis da luta contra a
ditadura e o fascismo que, andando fugidos, ali encontraram refúgio tal como
outros no tempo das invasões francesas, opressão estrangeira que levara o seu
antepassado José Augusto da Silveira a construir aqueles apêndices subterrâneos
para aí esconder os nacionalistas, resistentes e revoltosos contra o jugo
napoleónico.
Eis a decifração do mistério do hostel instalado numa pequena
casa de um antigo bairro operário para onde entravam e de onde saiam dezenas e
dezenas de pessoas, situação que trazia a vizinhança profundamente intrigada
desde o início do Verão.
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