contos populares - "As Invasões Francesas"


Quando os franceses invadiram Portugal, precedeu-os a fama terrível das suas infâmias: uma história cheia de roubos, assassínios, crueldades, bestialidades, estupros, de toda a espécie de violências e crimes.
Perante duas irmãs contavam-se as façanhas horrorosas dos tais franceses:
- Eles roubam, matam os homens, violam as mulheres…
Subitamente, ouviu-se grande algazarra na rua, gritos e correrias. Eram os franceses que chegavam. Apavorados, os que ali estavam fugiram abandonando a casa, excepto as duas irmãs, que se deixaram ficar, tranquilas, sentadas na sala.
Os franceses entram de rompante, em magote, e elas fecham os olhos. Eles revolvem tudo, correm os cantos à casa, arrombam gavetas e armários, roubam todos os objectos de valor que encontram, olham para as duas irmãs, e retiram-se em tropel.
Ao ruído enorme que eles tinham feito sucede-se um silêncio lúgubre.
As manas, não ouvindo nada, abrem a medo os olhos: - ninguém.
Levantam-se, correm todas as divisões: - tudo deserto!
Vão à janela, o magote dos franceses seguia rua abaixo.
Umas das irmãs para a outra:
- Ò mana, então os franceses não violam?

3 comentários:

TheOldMan disse...

É realmente uma grave quebra da "Deontologia da Invasão", Francisco de Blog.

Foi decerto a partir daí que a estrela do exército napoleónico começou a perder o seu brilho.

Já nem nos franceses se pode confiar...

Abraço

;-))

efe disse...

E quando mais se investiga mais decepcionados ficamos, Mestre.
Já não há gente como a da Idade da Pedra...lascada.

;)

Eira-Velha disse...

Não foi, decerto, a partir deste episódio que se passou a usar o anexim popular "à grande e à francesa"...
Também não admira. A ansiedade acaba por estragar tudo, eu sei do que falo, pois passei pelo mesmo há muuuuuuuitos anos :)
Um abraço, amigo!