SIRESP é um logro

Radio aldrabices.
De importância crucial na ocorrência de qualquer catástrofe natural de grande amplitude, as comunicações deixariam de funcionar porque, erradamente, os irresponsáveis têm, ao longo dos últimos anos, apostado em sistemas ineficazes. A falha na alimentação de energia eléctrica que deixaria inoperacionais os sistemas celulares de telefone móvel faria o mesmo a todos os outros sistemas de telecomunicãções em VHF/UHF porque estes funcionam também numa filosofia celular, com repetidores de sinal que ficariam off. Esperar que a requisição dos radioamadores supra tal falha é erro pois a esmagadora maioria dos radioamadores já não operam em bandas baixas, estando portanto na mesma situação de utilização de bandas altas (VHF/UHF/SHF), dependentes de repetidores para vencer uma centena de quilómetros. E dos que operam HF quantos possuem alimentação eléctrica de emergência? 
Em desuso, na maioria dos lares, o "transistor" alimentado a pilhas, não constituiria, pois, a ferramenta espectável para a recepção de comunicados que a Protecção Civil necessitaria emitir através das rádios de cobertura nacional - já que as rádios locais também não possuem meios autónomos de energia para os seus equipamentos nem estão integradas numa rede alternativa de comunicação com as autoridades que operam emergências. Falhando a linha telefónica e a rede de celulares, falha tudo. Duvido mesmo que a GNR consiga comunicar de um canto ao outro do Algarve, num cenário destes. Ainda vão a tempo de criar uma rede de emissores de Bandas Baixas (HF), com posto emissor e alimentação energética autónoma em cada central/núcelo da Protecção Civil. Mexam-se!




(o autor é ex-Radioamador e ex-director técnico da Rádio Atlântico Sul)

5 comentários:

José Machado disse...

Caro,
Surpreende-me a sua afirmação de que "...a esmagadora maioria dos radioamadores já não operam em bandas baixas..." vindo de um (dito) radioamador mas que não se identifica, nem no blog nem como tal. Lá terá próprias razões.
Não sei se a maioria é "esmagadora" ou não agora que tem vindo a crescer o número de associações interessadas pelo tema e preparando-se para eventuais catástrofes, criando condições de manutenção de sistemas de comunicações no ar junto dos grandes centros, em autonomia, é um facto.
Certamente estaria a falar de uma realidade local (Algarve) que conhece. Então e essa rapaziada do grupo de DX, do Radio Clube de Loulé, não estarão sensibilizados para o assunto? E se o colega der uma ajudinha?
Já agora diga lá quem é que ser Radioamador ainda é um motivo de orgulho excepção feita a alguns "encartados" não praticantes.
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CT1BAT-Machado

francisco disse...

Meu caro amigo, não me identifiquei com indicativo porque esse é para ser usado em emissão, já para não dizer que estou na minha própria casa - o que dispensa maiores apresentações.

Certamente já ouviu dizer que uma andorinha não faz a Primavera portanto faça favor de verificar quantos radioamadores existem (registados) em Portugal, seguidamente verifique quantos operam HF e depois disso volte cá e diga-me a que conclusões chegou.

Se, como diz, tem vindo a crescer o interesse pelo tema das comunicações de radioamadorismo em situações de emergência pois então a situação está melhor do que eu pensava (no âmbito do radioamadorismo) mas tal facto não contribui em nada para atenuar a irresponsabilidade que reportei e que tem por alvo as autoridades que tutelam a Protecção Civil e as comunicações das forças de segurança pública.

Espero que os radioamadores que operam HF possuam autonomia energética em caso de crise. Digo isto porque dos 4 colegas que conheço operando Bandas Baixas apenas um deles possui um grupo gerador/bateria em stand by. Não quero tomar os exemplos que conheço pelo todo, a nível nacional, mas o artigo reflecte a apreensão que é devida, nada mais.

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CT1BPH - F. Castelo

Vieira Calado disse...

Entre mortos e feridos...

alguém há de escapar!

Sem ser necessária

a intervenção de Plutão...

Maria, Simplesmente disse...

Penso muitas vezes, o que aconteceria se, um sismo ou outra catástrofe qualquer, daquelas que a natureza guarda na sua algibeira e nas quais ouvimos falar, mas, felizmente, não conhececemos por enquanto, nos caia em casa!
Como todos sou dependente da electricidade, que actualmente tudo alimenta, desde que nascemos até que morremos.
Quando olho os postes de alta tensão, as antenas que hoje prolíferam por todo o lado, as valas onde cabos estão enterrados, e muitas coisas mais, penso no caos... sei o que é um sismo de 7.9
sei o que ouvi e senti debaixo dos meus pés e nas paredes da casa onde vivia, sem electricidade e sem telefone, vi o ângulo de inclinação formado pelas casas, em Lisboa, as tentativas de telefonar quando tudo estava mudo e o desespero com que eram agredidos os que não largavam os telefones públicos na esperança de conseguir falar.
Nada, nem ninguém está preparado para o caos... que tal como uma doença... só acontece aos outros.

francisco disse...

Exactamente, Maria, e pensar que se está preparado para uma dessas eventualidades é puro engano.

Esperemos que não aconteça neste século (sabendo que mais tarde ou mais cedo terá de acontecer).

Saúde.