Irrito-me, logo existo


O que mais há por aí são descontentes e desbocados que se ralam e ralam os outros com as coisas que acontecem neste país: com os políticos, os banqueiros, os que mandam e os que obedecem, os que fazem e os que deixam fazer, com os incêndios e as cheias, as estradas, os acidentes, os hospitais, os doentes e os funerais, os ladrões e os polícias, com as sardinhas, e as batatas e as hortaliças. Mas isso não me preocupa porque toda esta gente que se arrelia, pertinente ou impertinentemente, age dessa forma porque gosta de Portugal; mesmo que seja um gosto contemplativo, patriótico, patético ou até oportunista, toda essa gente gosta; mesmo que nem saiba como gostar, qual a melhor forma de gostar, mas gostam!

Preocupa-me é saber que existem alguns que nunca se incomodam nem se irritam, que não exultam nem vibram, que não se manifestam, que nunca são tolos nem fúteis nem banais, que parecem nem estar, mas que existem.
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